Comércios são instalados em espaços destinados ao lixo de condomínios do Minha Casa Minha Vida

CLANDESTINOS

Comércios são instalados em espaços destinados ao lixo de condomínios do Minha Casa Minha Vida

Até mesmo pontos de lixo são alvos da clandestinidade que toma conta dos condomínios. Essas estruturas são feitas para a destinação do lixo domiciliar dos moradores

Por TV Jangadeiro em Jornal Jangadeiro

10 de setembro de 2018 às 16:35

Há 8 meses
Mais de 500 famílias foram expulsas dos condomínios do Minha Casa Minha Vida (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

Mais de 500 famílias foram expulsas dos condomínios do Minha Casa Minha Vida (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

O sonho da casa própria que vira pesadelo. Essa é a realidade de famílias que recebem apartamentos do Minha Casa Minha Vida, em Fortaleza. Até mesmo pontos de lixo são alvos da clandestinidade que toma conta dos condomínios.

Essas estruturas são feitas para a destinação do lixo domiciliar dos moradores dos conjuntos habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida. São as chamadas casas de lixo.

No condomínio Cidade Jardim II, que fica no bairro José Walter, esses espaços têm sido transformados em áreas para a instalação de comércios, como pequenos mercadinhos. Na região, ninguém fala sobre o assunto.

No domingo (9), durante a vistoria dos imóveis que vão ser entregues aos próximos moradores, a TV Jangadeiro recebeu a denúncia de que há venda clandestina desses pontos. Os moradores preferem não reclamar e deixam o lixo na calçada mesmo, mais um exemplo do medo que impera no Cidade Jardim e em outros residenciais populares da Grande Fortaleza. 

Em oito residenciais conhecido como Conjunto Escritores, também do Minha Casa Minha Vida, há mais de 1.900 unidades habitacionais. A entrega dos imóveis aconteceu em 2016 e se tornou um exemplo de como o crime organizado atua nesses condomínios populares na Grande Fortaleza.

Uma família contemplada com um apartamento teve uma surpresa desagradável ao tentar se instalar. O imóvel tinha sido invadido e estava ocupado. Ainda em 2016, aconteceram pelo menos 10 casos semelhantes. A TV Jangadeiro apurou que, em julho do mesmo ano, a Habitafor comunicou à Caixa Econômica Federal sobre a existência de ocupações irregulares.

Poucos meses depois, uma vítima foi ameaçada de morte dentro de casa e acabou deixando o imóvel no Conjunto Escritores. À época, acabou ficando desabrigada. O Ministério Público recebeu denúncias de que as facções têm, no mínimo, um apartamento invadido em cada bloco dos residenciais para facilitar o tráfico de drogas e armas.

Os demais moradores precisam de autorização para circular. Desde os primeiros registros de violência no Residencial Escritores, casos semelhantes se espalharam para outros conjuntos. Um levantamento recente da Defensoria Pública indica que mais de 500 pessoas foram expulsas dos apartamentos. O cálculo considera uma média de quatro pessoas por família. A Secretaria do Desenvolvimento Habitacional diz que impedir as expulsões não é tarefa da prefeitura.

A TV Jangadeiro já havia mostrado que até mesmo as construtoras dos conjuntos sofrem com a ação dos criminosos, que invadem os apartamentos antes mesmo do fim da obra.

A TV Jangadeiro pediu informações à Caixa Econômica sobre o número de contratos do Minha Casa Minha Vida que foram rescindidos por expulsão de beneficiários, invasão de imóveis ou outros motivos de violência, mas o banco disse que não falaria sobre o assunto, nem repassaria balanço sobre essa questão.

Resposta

Em nota, a Polícia Civil diz que não há registro na delegacia da área sobre os problemas envolvendo o Cidade Jardim. A nota afirma que a fiscalização sobre o uso das edificações cabe aos órgãos responsáveis pelos condomínios. A Caixa Econômica Federal também enviou nota, mas não se manifestou sobre o uso de casas de lixo como pontos de comércio.

A nota diz que a Polícia Federal é acionada quando é comprovada uma ocupação irregular e que adota medidas para rescisão de contrato e reintegração de posse. Já a Habitafor afirma que vai dialogar com a população do Cidade Jardim e outros órgãos sobre o uso das casas de lixo do Cidade Jardim como comércios.

Veja outros vídeos do Jornal Jangadeiro.

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Comércios são instalados em espaços destinados ao lixo de condomínios do Minha Casa Minha Vida

Até mesmo pontos de lixo são alvos da clandestinidade que toma conta dos condomínios. Essas estruturas são feitas para a destinação do lixo domiciliar dos moradores

Por TV Jangadeiro em Jornal Jangadeiro

10 de setembro de 2018 às 16:35

Há 8 meses
Mais de 500 famílias foram expulsas dos condomínios do Minha Casa Minha Vida (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

Mais de 500 famílias foram expulsas dos condomínios do Minha Casa Minha Vida (FOTO: Reprodução TV Jangadeiro)

O sonho da casa própria que vira pesadelo. Essa é a realidade de famílias que recebem apartamentos do Minha Casa Minha Vida, em Fortaleza. Até mesmo pontos de lixo são alvos da clandestinidade que toma conta dos condomínios.

Essas estruturas são feitas para a destinação do lixo domiciliar dos moradores dos conjuntos habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida. São as chamadas casas de lixo.

No condomínio Cidade Jardim II, que fica no bairro José Walter, esses espaços têm sido transformados em áreas para a instalação de comércios, como pequenos mercadinhos. Na região, ninguém fala sobre o assunto.

No domingo (9), durante a vistoria dos imóveis que vão ser entregues aos próximos moradores, a TV Jangadeiro recebeu a denúncia de que há venda clandestina desses pontos. Os moradores preferem não reclamar e deixam o lixo na calçada mesmo, mais um exemplo do medo que impera no Cidade Jardim e em outros residenciais populares da Grande Fortaleza. 

Em oito residenciais conhecido como Conjunto Escritores, também do Minha Casa Minha Vida, há mais de 1.900 unidades habitacionais. A entrega dos imóveis aconteceu em 2016 e se tornou um exemplo de como o crime organizado atua nesses condomínios populares na Grande Fortaleza.

Uma família contemplada com um apartamento teve uma surpresa desagradável ao tentar se instalar. O imóvel tinha sido invadido e estava ocupado. Ainda em 2016, aconteceram pelo menos 10 casos semelhantes. A TV Jangadeiro apurou que, em julho do mesmo ano, a Habitafor comunicou à Caixa Econômica Federal sobre a existência de ocupações irregulares.

Poucos meses depois, uma vítima foi ameaçada de morte dentro de casa e acabou deixando o imóvel no Conjunto Escritores. À época, acabou ficando desabrigada. O Ministério Público recebeu denúncias de que as facções têm, no mínimo, um apartamento invadido em cada bloco dos residenciais para facilitar o tráfico de drogas e armas.

Os demais moradores precisam de autorização para circular. Desde os primeiros registros de violência no Residencial Escritores, casos semelhantes se espalharam para outros conjuntos. Um levantamento recente da Defensoria Pública indica que mais de 500 pessoas foram expulsas dos apartamentos. O cálculo considera uma média de quatro pessoas por família. A Secretaria do Desenvolvimento Habitacional diz que impedir as expulsões não é tarefa da prefeitura.

A TV Jangadeiro já havia mostrado que até mesmo as construtoras dos conjuntos sofrem com a ação dos criminosos, que invadem os apartamentos antes mesmo do fim da obra.

A TV Jangadeiro pediu informações à Caixa Econômica sobre o número de contratos do Minha Casa Minha Vida que foram rescindidos por expulsão de beneficiários, invasão de imóveis ou outros motivos de violência, mas o banco disse que não falaria sobre o assunto, nem repassaria balanço sobre essa questão.

Resposta

Em nota, a Polícia Civil diz que não há registro na delegacia da área sobre os problemas envolvendo o Cidade Jardim. A nota afirma que a fiscalização sobre o uso das edificações cabe aos órgãos responsáveis pelos condomínios. A Caixa Econômica Federal também enviou nota, mas não se manifestou sobre o uso de casas de lixo como pontos de comércio.

A nota diz que a Polícia Federal é acionada quando é comprovada uma ocupação irregular e que adota medidas para rescisão de contrato e reintegração de posse. Já a Habitafor afirma que vai dialogar com a população do Cidade Jardim e outros órgãos sobre o uso das casas de lixo do Cidade Jardim como comércios.

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