Opinião: Separem o Nordeste do país!

BREXIT

Opinião: Separem o Nordeste do país!

Advogado que mora na Alemanha analisa Brexit e atual movimento separatista no Brasil, que ganhou corpo em redes sociais

Por Tribuna do Ceará em Opinião

8 de julho de 2016 às 06:30

Há 3 anos
Aleno analisa atual movimento separatista no Brasil (FOTO: Arquivo pessoal)

Aleno analisa atual movimento separatista no Brasil (FOTO: Arquivo pessoal)

* Por Aleno Oliveira

Esse não é um artigo separatista. É um texto para parar de besteira! Não vou falar a respeito dos exponenciais do Nordeste, pois cada região tem lá seus grandes também. Muito menos desgosto qualquer região. Muito pelo contrário: já visitei todas (não tão bem quanto gostaria ainda) e sou completamente apaixonado pelo meu país e por toda diversidade que temos. Tenho grandes amigos e colegas espalhados por toda nação. Este texto será apenas uma nova perspectiva para um Brasil melhor e um pouco de história.

Estava lendo a respeito do Brexit (Britain exit) – a saída do Reino Unido da União Européia – e vi o tal do “SampAdeus”, movimento que ganhou força com as notícias europeias da última semana. Afora também os comentários nocivos nas notícias contra o Nordeste. Do outro lado ainda, tem o tal do Movimento Nordeste Independente, que quer a independência da região.

Amigos, a história é cíclica e se repete. A Grécia caiu; Roma caiu; Gengis Khan caiu; Portugal caiu; os três Reich caíram; nada perdura pela eternidade. Muito menos a hegemonia econômica de determinada região.

Olha a história do Brasil! O Nordeste imperou como região mais rica e desenvolvida por quatro séculos com os ciclos da cana-de-açúcar e algodão, período em que a capital foi Salvador-BA. Aposto que na época a elite nordestina tinha o mesmíssimo discurso: “Nossa, somos os que mais contribuímos para a Coroa! Devemos nos separar do resto do Brasil! Oh, atraso! Nan!”. A diferença é que hoje temos smartphones e na época tínhamos carroça puxada a jumento. Não são à toa os movimentos separatistas: Revolução Pernambucana, Confederação do Equador, Conjuração Baiana, etc – Wikipediazinha aí ajuda muito).

Foi o ciclo do café que deslocou o eixo econômico para o Sudeste, o qual determinou o embalo do desenvolvimento industrial da região, iniciado com o Barão de Mauá e sendo a capital deslocada para o Rio de Janeiro. A industrialização somente ganhou força mesmo após a 2ª Guerra Mundial, com o Plano de Metas de JK (1956-1961) e Milagre Econômico (1969—1972). Isto faz pouco mais de 50 anos! 50 anoooos! NADA!

Basta haver o desenvolvimento econômico que as coisas mudam.

Agora olha o Nordeste. O que que lá tem e muito? Sol e vento. Mas não é pouco não; é muito mesmo. E este potencial começou a ser explorado somente agora com a tecnologia. O Ceará já é o maior polo produtor de energia solar do país (Oh quentura medonha!). A Bahia tem um dos maiores parques eólicos da América Latina em Caetité (fui bater lá já). Agora daqui a 20 anos, quando a demanda por energia ser bem maior que hoje, e as hidrelétricas tomarem um papel secundário na produção de energia do país, onde estarão as principais fontes de energia?

E outra: olha os Portos do Pecém (CE) e Suape (PE)! O que essas estruturas já trouxeram de crescimento econômico para a região (não vou falar “nossa região”, porque é de todos os brasileiros)?! No Pecém, está sendo construído a maior obra de infraestrutura da América Latina: a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) com um projeto de USD 8 bilhões – deixa eu colocar em número porque fica grande: USD 8.000.000.000,00). E os chineses estão vindo aí provavelmente com a refinaria. A Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará vai ser um gigantesco polo industrial. Vai bombar. E é logo.

A Alemanha, apesar das gigantescas diferenças culturais e econômicas da sua história e com uma área territorial um pouco maior que o dobro do Estado do Ceará, unificou-se no século XIX e desafiou o mundo por duas vezes em menos de 35 anos! Duas vezes. E hoje permanece unida como terceira potência mundial. Os Estados Unidos se unificaram no séc. XVIII e estão ainda hoje firmes e fortes, como uma das principais economias do mundo.

Eu já tive a oportunidade de conhecer gente de, pelo menos, uns 80 países, e é difícil não receber um “Oh my God! You are from Brazil! Amazing!”. “Me encanta Brasil”, “Ich liebe Brasilien!”. Eu fico impressionado aqui com a quantidade de alemães que falam português fluente (fluente mesmo!) e que são alucinados pelo Brasil, pelas nossas belezas naturais e pelas nossas gentes. E não há como não sentir orgulho quando escuto elogios ao meu país.

A mensagem é a seguinte: vamos parar de besteira e se concentrar em melhorar nosso Brasil unidos. Em vez de olhar para um % absoluto de uma eleição, vamos olhar para o % relativo do resultado da nossa região, o que podemos fazer para melhorar esse número. Isso quer dizer: vamos olhar para os milhões que votaram no governo mais corrupto da história, se duvidar, da humanidade.

Engaje-se num projeto social e ajude alguém que é muito, mas muito melhor! O que a gente precisa mesmo é de um plano nacional apartidário para desenvolver nosso país independentemente de qualquer partido. Chega de nhen-nhen-nhen e briguinha besta por causa de esquerda x direita, nordeste x sudeste, ou qualquer forma de segregação!

Vamos nos espelhar nos Tigres Asiáticos que fizeram essa revolução em 30 anos e estão com altos índices de IDH. É nisso que devemos concentrar nossos esforços: educação, inovação, tecnologia e infraestrutura. Não gastar nossas energias com regionalismos “réi bestas” (esse é meu sotaque). Nossa identidade nacional passa qualquer separatismo.

Já basta a vergonha internacional que estamos passando pela política sebosa que temos. Mais isso… por favor.

Na história do mundo, nós somos crianças que sequer chegaram na adolescência. Está na hora de começar a amadurecer.

Isso também é uma crítica às mídias da TV e rádio que divulgam resultados com o teor de competição entre as regiões. Até 2010, o nº absoluto de eleitores do PT do Sudeste foi maior que no Nordeste – entretanto, a notícia passa que no Nordeste o % foi maior. Bullshit! Teje dito!

Quem sou eu? Brasileiro.

PS: Já pensaram por que não se fala em “nortista”, “sudestino”, “sulista”, “centro-oestino”? Pois é, deixa para outro texto.

*Aleno Oliveira é advogado e professor. Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Ceará (2012), MBA em Direito Tributário pela FGV-RJ (2015), especialista em ICMS pela FCDL- CE (2015) e atualmente é mestrando em Direito e Negócios na Bucerius Law School em Hamburgo, Alemanha (MLB Class 2016).

Publicidade

Dê sua opinião

BREXIT

Opinião: Separem o Nordeste do país!

Advogado que mora na Alemanha analisa Brexit e atual movimento separatista no Brasil, que ganhou corpo em redes sociais

Por Tribuna do Ceará em Opinião

8 de julho de 2016 às 06:30

Há 3 anos
Aleno analisa atual movimento separatista no Brasil (FOTO: Arquivo pessoal)

Aleno analisa atual movimento separatista no Brasil (FOTO: Arquivo pessoal)

* Por Aleno Oliveira

Esse não é um artigo separatista. É um texto para parar de besteira! Não vou falar a respeito dos exponenciais do Nordeste, pois cada região tem lá seus grandes também. Muito menos desgosto qualquer região. Muito pelo contrário: já visitei todas (não tão bem quanto gostaria ainda) e sou completamente apaixonado pelo meu país e por toda diversidade que temos. Tenho grandes amigos e colegas espalhados por toda nação. Este texto será apenas uma nova perspectiva para um Brasil melhor e um pouco de história.

Estava lendo a respeito do Brexit (Britain exit) – a saída do Reino Unido da União Européia – e vi o tal do “SampAdeus”, movimento que ganhou força com as notícias europeias da última semana. Afora também os comentários nocivos nas notícias contra o Nordeste. Do outro lado ainda, tem o tal do Movimento Nordeste Independente, que quer a independência da região.

Amigos, a história é cíclica e se repete. A Grécia caiu; Roma caiu; Gengis Khan caiu; Portugal caiu; os três Reich caíram; nada perdura pela eternidade. Muito menos a hegemonia econômica de determinada região.

Olha a história do Brasil! O Nordeste imperou como região mais rica e desenvolvida por quatro séculos com os ciclos da cana-de-açúcar e algodão, período em que a capital foi Salvador-BA. Aposto que na época a elite nordestina tinha o mesmíssimo discurso: “Nossa, somos os que mais contribuímos para a Coroa! Devemos nos separar do resto do Brasil! Oh, atraso! Nan!”. A diferença é que hoje temos smartphones e na época tínhamos carroça puxada a jumento. Não são à toa os movimentos separatistas: Revolução Pernambucana, Confederação do Equador, Conjuração Baiana, etc – Wikipediazinha aí ajuda muito).

Foi o ciclo do café que deslocou o eixo econômico para o Sudeste, o qual determinou o embalo do desenvolvimento industrial da região, iniciado com o Barão de Mauá e sendo a capital deslocada para o Rio de Janeiro. A industrialização somente ganhou força mesmo após a 2ª Guerra Mundial, com o Plano de Metas de JK (1956-1961) e Milagre Econômico (1969—1972). Isto faz pouco mais de 50 anos! 50 anoooos! NADA!

Basta haver o desenvolvimento econômico que as coisas mudam.

Agora olha o Nordeste. O que que lá tem e muito? Sol e vento. Mas não é pouco não; é muito mesmo. E este potencial começou a ser explorado somente agora com a tecnologia. O Ceará já é o maior polo produtor de energia solar do país (Oh quentura medonha!). A Bahia tem um dos maiores parques eólicos da América Latina em Caetité (fui bater lá já). Agora daqui a 20 anos, quando a demanda por energia ser bem maior que hoje, e as hidrelétricas tomarem um papel secundário na produção de energia do país, onde estarão as principais fontes de energia?

E outra: olha os Portos do Pecém (CE) e Suape (PE)! O que essas estruturas já trouxeram de crescimento econômico para a região (não vou falar “nossa região”, porque é de todos os brasileiros)?! No Pecém, está sendo construído a maior obra de infraestrutura da América Latina: a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) com um projeto de USD 8 bilhões – deixa eu colocar em número porque fica grande: USD 8.000.000.000,00). E os chineses estão vindo aí provavelmente com a refinaria. A Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará vai ser um gigantesco polo industrial. Vai bombar. E é logo.

A Alemanha, apesar das gigantescas diferenças culturais e econômicas da sua história e com uma área territorial um pouco maior que o dobro do Estado do Ceará, unificou-se no século XIX e desafiou o mundo por duas vezes em menos de 35 anos! Duas vezes. E hoje permanece unida como terceira potência mundial. Os Estados Unidos se unificaram no séc. XVIII e estão ainda hoje firmes e fortes, como uma das principais economias do mundo.

Eu já tive a oportunidade de conhecer gente de, pelo menos, uns 80 países, e é difícil não receber um “Oh my God! You are from Brazil! Amazing!”. “Me encanta Brasil”, “Ich liebe Brasilien!”. Eu fico impressionado aqui com a quantidade de alemães que falam português fluente (fluente mesmo!) e que são alucinados pelo Brasil, pelas nossas belezas naturais e pelas nossas gentes. E não há como não sentir orgulho quando escuto elogios ao meu país.

A mensagem é a seguinte: vamos parar de besteira e se concentrar em melhorar nosso Brasil unidos. Em vez de olhar para um % absoluto de uma eleição, vamos olhar para o % relativo do resultado da nossa região, o que podemos fazer para melhorar esse número. Isso quer dizer: vamos olhar para os milhões que votaram no governo mais corrupto da história, se duvidar, da humanidade.

Engaje-se num projeto social e ajude alguém que é muito, mas muito melhor! O que a gente precisa mesmo é de um plano nacional apartidário para desenvolver nosso país independentemente de qualquer partido. Chega de nhen-nhen-nhen e briguinha besta por causa de esquerda x direita, nordeste x sudeste, ou qualquer forma de segregação!

Vamos nos espelhar nos Tigres Asiáticos que fizeram essa revolução em 30 anos e estão com altos índices de IDH. É nisso que devemos concentrar nossos esforços: educação, inovação, tecnologia e infraestrutura. Não gastar nossas energias com regionalismos “réi bestas” (esse é meu sotaque). Nossa identidade nacional passa qualquer separatismo.

Já basta a vergonha internacional que estamos passando pela política sebosa que temos. Mais isso… por favor.

Na história do mundo, nós somos crianças que sequer chegaram na adolescência. Está na hora de começar a amadurecer.

Isso também é uma crítica às mídias da TV e rádio que divulgam resultados com o teor de competição entre as regiões. Até 2010, o nº absoluto de eleitores do PT do Sudeste foi maior que no Nordeste – entretanto, a notícia passa que no Nordeste o % foi maior. Bullshit! Teje dito!

Quem sou eu? Brasileiro.

PS: Já pensaram por que não se fala em “nortista”, “sudestino”, “sulista”, “centro-oestino”? Pois é, deixa para outro texto.

*Aleno Oliveira é advogado e professor. Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Ceará (2012), MBA em Direito Tributário pela FGV-RJ (2015), especialista em ICMS pela FCDL- CE (2015) e atualmente é mestrando em Direito e Negócios na Bucerius Law School em Hamburgo, Alemanha (MLB Class 2016).