Professor e alunos desenvolvem dispositivo que possibilita uso do mouse por deficientes


Professor e alunos desenvolvem dispositivo que possibilita uso do mouse por deficientes

O experimento captura movimentos a partir de sensores fixados no corpo da pessoa, os processa usando algoritmos computacionais e transmite para o computador

Por Roberta Tavares em Tecnologia

4 de abril de 2015 às 07:00

Há 4 anos
O experimento capta movimentos por meio de sensores fixados no corpo dos usuários (FOTO: Arquivo pessoal/Geraldo Ramalho)

O experimento capta movimentos por meio de sensores fixados no corpo dos usuários (FOTO: Arquivo pessoal/Geraldo Ramalho)

Imagine tornar possível que pessoas fisicamente debilitadas realizem tarefas complexas com um computador? Uma pesquisa desenvolvida por um professor e dois estudantes do Instituto Federal do Ceará (IFCE) pretende facilitar o uso da máquina por aqueles que apresentam dificuldades no manuseio do mouse. A ideia surgiu no município de Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Segundo o engenheiro eletricista Geraldo Ramalho, professor de automação industrial, o dispositivo captura e interpreta movimentos. “Dentre as aplicações, está permitir que pessoas com limitações físicas, que tornam difícil o uso do mouse, possam utilizar o computador por meio de um dispositivo que se adapte às suas necessidades especiais”, cita.

Com o apoio de dois alunos bolsistas Jefferson Almeida e Daniel Castro, o professor criou o projeto batizado de “Capaz” (Controle de Apontamento Assistido), que consiste em um sistema de sensores e de processamento de sinais eficaz no sentido de detectar movimentos sutis e interpretar gestos. O experimento é adaptativo e aprende os gestos do usuário. “Ele interpreta os movimentos para gerar o deslocamento do apontador [seta controlada pelo mouse], na tela do computador. Além disso, filtra a ação do usuário para aumentar a precisão e facilitar o controle dessa seta”, explica Geraldo.

Controle de Apontamento Assistido
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Controle de Apontamento Assistido

O ‘Capaz’ captura movimentos a partir de sensores (acelerômetros e giroscópio) fixados no corpo da pessoa, os processa usando algoritmos computacionais e transmite para o PC (FOTO: Arquivo pessoal/Geraldo Ramalho)

Controle de Apontamento Assistido
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Controle de Apontamento Assistido

Em 2010, Geraldo transformou a concepção em patente. No ano passado, surgiu a oportunidade de incluir dois bolsistas no projeto (FOTO: Arquivo pessoal)

Controle de Apontamento Assistido
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Controle de Apontamento Assistido

Em um dos experimentos, o dispositivo é fixado na cabeça, mas existem outras possibilidades. O cursor também pode ser controlado utilizando movimentos do ombro (FOTO: Arquivo pessoal/Geraldo Ramalho)

A ideia nasceu em 2009, como uma proposta de trabalho de iniciação científica de um ex-aluno do professor. Em 2010, Geraldo transformou a concepção em patente. No ano passado, surgiu a oportunidade de incluir dois bolsistas no projeto, com a finalidade de criar um protótipo de fácil uso.

“Eu tinha necessidade de dar um retorno à comunidade das pesquisas que desenvolvo. Como eu trabalho em projetos de detenção de falhas em equipamentos industriais usando sensores diversos, pensei que poderia direcionar o conhecimento que havia acumulado nessa área para desenvolver um produto para pessoas com necessidades especiais”. Optou, então, pelo uso de computadores e inclusão digital, por se tratar de assuntos relacionados à sua área de ensino.

Como funciona?

O Capaz captura movimentos a partir de sensores (acelerômetros e giroscópio) fixados no corpo da pessoa, os processa usando algoritmos computacionais e transmite para o PC. Os gestos identificados são transformados em comando. “Um programa de computador recebe esses dados do dispositivo e transforma em movimentos da seta e em ações de clique. Tudo pode ser ajustado para atender às necessidades especiais do usuário”.

Em um dos experimentos, o dispositivo é fixado na cabeça, mas existem outras possibilidades. O cursor também pode ser controlado utilizando movimentos do ombro. Por isso, o projeto é destinado a qualquer pessoa com dificuldade de movimentação dos membros superiores, mas que possuem movimentos preservados de pescoço/cabeça ou ombros. Nesse perfil estão pessoas com paralisia cerebral, que sofreram AVC ou simplesmente têm dificuldade de usar um mouse com as mãos.

Comunidades

Após desenvolver o Capaz, o professor visitou uma escola destinada a crianças excepcionais e um centro de reabilitação que atende pessoas com paralisia cerebral em Maracanaú. “Conheci vários outros problemas dessas pessoas, com os quais espero poder contribuir com soluções em algum momento. Infelizmente, a realidade é que, nas instituições que visitei, especializadas em atender pessoas carentes, falta o básico: que é um computador e programas educacionais de inclusão digital”.

E o experimento já vem rendendo bons frutos. Segundo o engenheiro eletricista, o protótipo em estágio inicial fez parte das edições 2011 e 2012 de tecnologias assistivas do Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (Fortec). A versão mais recente foi apresentada em dezembro do ano passado, durante a Semana de Aplicações Industriais (Setapi).

Apesar de o projeto já ter permitido que o dispositivo saísse do papel, de acordo com Geraldo ainda há muito a ser desenvolvido, principalmente no que se refere ao uso de algoritmos computacionais para interpretação dos movimentos. Mesmo que os recursos de comandos por voz – e até pela mente – tenham alcançado excelentes níveis de usabilidade, o teclado e o mouse ainda permanecerão por algum tempo sendo as formas principais de interação com o computador.

“Em um projeto paralelo, estamos conseguindo filtrar os movimentos aleatórios produzidos por pessoas idosas ou com Mal de Parkinson, permitindo que produzam movimentos mais precisos do cursor na tela do computador. Um passo por vez, vamos avançar rumo ao objetivo de construir algo que ajude as pessoas”, finaliza.

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Professor e alunos desenvolvem dispositivo que possibilita uso do mouse por deficientes

O experimento captura movimentos a partir de sensores fixados no corpo da pessoa, os processa usando algoritmos computacionais e transmite para o computador

Por Roberta Tavares em Tecnologia

4 de abril de 2015 às 07:00

Há 4 anos
O experimento capta movimentos por meio de sensores fixados no corpo dos usuários (FOTO: Arquivo pessoal/Geraldo Ramalho)

O experimento capta movimentos por meio de sensores fixados no corpo dos usuários (FOTO: Arquivo pessoal/Geraldo Ramalho)

Imagine tornar possível que pessoas fisicamente debilitadas realizem tarefas complexas com um computador? Uma pesquisa desenvolvida por um professor e dois estudantes do Instituto Federal do Ceará (IFCE) pretende facilitar o uso da máquina por aqueles que apresentam dificuldades no manuseio do mouse. A ideia surgiu no município de Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Segundo o engenheiro eletricista Geraldo Ramalho, professor de automação industrial, o dispositivo captura e interpreta movimentos. “Dentre as aplicações, está permitir que pessoas com limitações físicas, que tornam difícil o uso do mouse, possam utilizar o computador por meio de um dispositivo que se adapte às suas necessidades especiais”, cita.

Com o apoio de dois alunos bolsistas Jefferson Almeida e Daniel Castro, o professor criou o projeto batizado de “Capaz” (Controle de Apontamento Assistido), que consiste em um sistema de sensores e de processamento de sinais eficaz no sentido de detectar movimentos sutis e interpretar gestos. O experimento é adaptativo e aprende os gestos do usuário. “Ele interpreta os movimentos para gerar o deslocamento do apontador [seta controlada pelo mouse], na tela do computador. Além disso, filtra a ação do usuário para aumentar a precisão e facilitar o controle dessa seta”, explica Geraldo.

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O ‘Capaz’ captura movimentos a partir de sensores (acelerômetros e giroscópio) fixados no corpo da pessoa, os processa usando algoritmos computacionais e transmite para o PC (FOTO: Arquivo pessoal/Geraldo Ramalho)

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Em 2010, Geraldo transformou a concepção em patente. No ano passado, surgiu a oportunidade de incluir dois bolsistas no projeto (FOTO: Arquivo pessoal)

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Em um dos experimentos, o dispositivo é fixado na cabeça, mas existem outras possibilidades. O cursor também pode ser controlado utilizando movimentos do ombro (FOTO: Arquivo pessoal/Geraldo Ramalho)

A ideia nasceu em 2009, como uma proposta de trabalho de iniciação científica de um ex-aluno do professor. Em 2010, Geraldo transformou a concepção em patente. No ano passado, surgiu a oportunidade de incluir dois bolsistas no projeto, com a finalidade de criar um protótipo de fácil uso.

“Eu tinha necessidade de dar um retorno à comunidade das pesquisas que desenvolvo. Como eu trabalho em projetos de detenção de falhas em equipamentos industriais usando sensores diversos, pensei que poderia direcionar o conhecimento que havia acumulado nessa área para desenvolver um produto para pessoas com necessidades especiais”. Optou, então, pelo uso de computadores e inclusão digital, por se tratar de assuntos relacionados à sua área de ensino.

Como funciona?

O Capaz captura movimentos a partir de sensores (acelerômetros e giroscópio) fixados no corpo da pessoa, os processa usando algoritmos computacionais e transmite para o PC. Os gestos identificados são transformados em comando. “Um programa de computador recebe esses dados do dispositivo e transforma em movimentos da seta e em ações de clique. Tudo pode ser ajustado para atender às necessidades especiais do usuário”.

Em um dos experimentos, o dispositivo é fixado na cabeça, mas existem outras possibilidades. O cursor também pode ser controlado utilizando movimentos do ombro. Por isso, o projeto é destinado a qualquer pessoa com dificuldade de movimentação dos membros superiores, mas que possuem movimentos preservados de pescoço/cabeça ou ombros. Nesse perfil estão pessoas com paralisia cerebral, que sofreram AVC ou simplesmente têm dificuldade de usar um mouse com as mãos.

Comunidades

Após desenvolver o Capaz, o professor visitou uma escola destinada a crianças excepcionais e um centro de reabilitação que atende pessoas com paralisia cerebral em Maracanaú. “Conheci vários outros problemas dessas pessoas, com os quais espero poder contribuir com soluções em algum momento. Infelizmente, a realidade é que, nas instituições que visitei, especializadas em atender pessoas carentes, falta o básico: que é um computador e programas educacionais de inclusão digital”.

E o experimento já vem rendendo bons frutos. Segundo o engenheiro eletricista, o protótipo em estágio inicial fez parte das edições 2011 e 2012 de tecnologias assistivas do Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (Fortec). A versão mais recente foi apresentada em dezembro do ano passado, durante a Semana de Aplicações Industriais (Setapi).

Apesar de o projeto já ter permitido que o dispositivo saísse do papel, de acordo com Geraldo ainda há muito a ser desenvolvido, principalmente no que se refere ao uso de algoritmos computacionais para interpretação dos movimentos. Mesmo que os recursos de comandos por voz – e até pela mente – tenham alcançado excelentes níveis de usabilidade, o teclado e o mouse ainda permanecerão por algum tempo sendo as formas principais de interação com o computador.

“Em um projeto paralelo, estamos conseguindo filtrar os movimentos aleatórios produzidos por pessoas idosas ou com Mal de Parkinson, permitindo que produzam movimentos mais precisos do cursor na tela do computador. Um passo por vez, vamos avançar rumo ao objetivo de construir algo que ajude as pessoas”, finaliza.