Tragédia em Milagres é reflexo da falta de preparo da PM do Ceará, apontam especialistas

MORTE DE 6 REFÉNS

Tragédia em Milagres é reflexo da falta de preparo da PM do Ceará, apontam especialistas

Para especialistas, a “política” de enfrentamento determinada para a Polícia Militar do Ceará coloca civis em risco

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

10 de dezembro de 2018 às 11:43

Há 4 meses
Marcas de bala em paredes e postes retratam a ocorrência na cidade de Milagres (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Marcas de bala em paredes e postes retratam a ocorrência na cidade de Milagres (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

O secretário de Segurança Pública, André Costa, afirmou que os policiais envolvidos na tragédia de Milagres desconheciam a existência de reféns, em entrevistas após a morte de oito bandidos e seis pessoas sequestradas pelo grupo. Entretanto, especialistas consultados pela Tribuna Band News FM apontam que o resultado da operação foi reflexo da falta de preparo da Polícia Militar cearense e de uma orientação “política” que opta pelo confronto.

Segundo eles, se a abordagem tivesse sido coordenada entre as diversas forças de segurança pública, o desfecho teria sido outro.

O pesquisador do Laboratório dos Estudos da Violência Luís Fábio Paiva ressalta que a ocorrência não é um caso isolado, mas trata-se de uma tragédia “anunciada”, devido à postura da polícia que opta pelo confronto e não pela prevenção. Para ele, André Costa deixou claro que essa seria a abordagem da PM.

“Desde que ele assumiu a pasta, deixou muito claro que essa era a visão dele, uma polícia de enfrentamento que vai para cima”, destaca.

Luís Fábio ressalta que, ao escolher essa abordagem, a Polícia coloca em risco a vida de inocentes e demonstra que a prioridade não é a defesa pela vida. “A gente observou isso em outras ações, com a senhora que foi assassinada nas costas (caso de Giselle Távora) e do jogador de bilhar (morto em Campo Sales)“, relembra.

O advogado e coronel do Exército Brasileiro Valmir Medeiros, por sua vez, aponta erros em quatro vertentes da ação policial: no planejamento, na coordenação, no comando e no controle da atuação da força policial sobre o caso. Para ele, não houve o compartilhamento da informação de forma devida, nem foi traçado um plano de atuação condizente que fosse possível prevenir a ocorrência.

“O correto teria sido a informação chegar para os policiais que tinham reféns daquela quantidade e de terem atuado antes de chegarem ao local. Depois que chegaram ao local, foi um tiroteio. No tiroteio, é difícil você ter o controle. Deveria ter ali atiradores de elite posicionados em razão das informações. A história teria sido outra”, opina.

Já o advogado criminalista Leandro Vasques responsabiliza as mortes ao erro da Coordenadoria de Inteligência, que teria ordenado a operação. Segundo ele, houve um ruído de comunicação que ocasionou na tragédia, fazendo com que os policiais recebessem a informação de forma confusa.

“Tinham reféns e a Coin (Coordenadoria de Inteligência da SSPDS) não informou aos policiais sobre isso. A partir desse ruído de comunicação, a tragédia se configurou”, avalia.

Confira as entrevistas abaixo:

Pesquisador do Laboratório dos Estudos da Violência, Luís Fábio Paiva.

 

Advogado e coronel do Exército Brasileiro, Valmir Medeiros.

 

Advogado criminalista Leandro Vasques

 

Acompanhe as últimas matérias sobre o caso:

10/12/19 – “Ano começou com chacina que matou 14 e termina com a morte de 14”, critica General Theophilo

10/12/18 – Armas de policiais e de bandidos do ataque em Milagres foram recolhidas para perícia

9/12/18 – Familiares de reféns mortos em Milagres reclamam da ausência de membros do Governo em velório

9/12/18 – “Vimos uma cena horrorosa de guerra”, diz homem que perdeu 5 familiares em Milagres

8/12/18 – Governo ainda não responde de onde partiram os tiros que mataram 6 reféns em Milagres

8/12/18 – Caso de mortes em Milagres ganha repercussão internacional

8/12/18 – Vereador pede moção de repúdio contra declarações de Camilo Santana sobre caso de Milagres

8/12/18 – Sobe para 8 o número de presos por participação em grupo que tentou roubar bancos

8/12/18 – Secretaria divulga lista de mortos em tentativa de assalto a banco; 2 eram adolescentes

8/12/18 – Sindicato dos Bancários avalia tentativa de assalto com mortes: “indignação e preocupação”

7/12/18 – Tentativa de assalto a banco em Milagres deixa 12 mortos, dentre eles pessoas de uma mesma família

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MORTE DE 6 REFÉNS

Tragédia em Milagres é reflexo da falta de preparo da PM do Ceará, apontam especialistas

Para especialistas, a “política” de enfrentamento determinada para a Polícia Militar do Ceará coloca civis em risco

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

10 de dezembro de 2018 às 11:43

Há 4 meses
Marcas de bala em paredes e postes retratam a ocorrência na cidade de Milagres (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Marcas de bala em paredes e postes retratam a ocorrência na cidade de Milagres (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

O secretário de Segurança Pública, André Costa, afirmou que os policiais envolvidos na tragédia de Milagres desconheciam a existência de reféns, em entrevistas após a morte de oito bandidos e seis pessoas sequestradas pelo grupo. Entretanto, especialistas consultados pela Tribuna Band News FM apontam que o resultado da operação foi reflexo da falta de preparo da Polícia Militar cearense e de uma orientação “política” que opta pelo confronto.

Segundo eles, se a abordagem tivesse sido coordenada entre as diversas forças de segurança pública, o desfecho teria sido outro.

O pesquisador do Laboratório dos Estudos da Violência Luís Fábio Paiva ressalta que a ocorrência não é um caso isolado, mas trata-se de uma tragédia “anunciada”, devido à postura da polícia que opta pelo confronto e não pela prevenção. Para ele, André Costa deixou claro que essa seria a abordagem da PM.

“Desde que ele assumiu a pasta, deixou muito claro que essa era a visão dele, uma polícia de enfrentamento que vai para cima”, destaca.

Luís Fábio ressalta que, ao escolher essa abordagem, a Polícia coloca em risco a vida de inocentes e demonstra que a prioridade não é a defesa pela vida. “A gente observou isso em outras ações, com a senhora que foi assassinada nas costas (caso de Giselle Távora) e do jogador de bilhar (morto em Campo Sales)“, relembra.

O advogado e coronel do Exército Brasileiro Valmir Medeiros, por sua vez, aponta erros em quatro vertentes da ação policial: no planejamento, na coordenação, no comando e no controle da atuação da força policial sobre o caso. Para ele, não houve o compartilhamento da informação de forma devida, nem foi traçado um plano de atuação condizente que fosse possível prevenir a ocorrência.

“O correto teria sido a informação chegar para os policiais que tinham reféns daquela quantidade e de terem atuado antes de chegarem ao local. Depois que chegaram ao local, foi um tiroteio. No tiroteio, é difícil você ter o controle. Deveria ter ali atiradores de elite posicionados em razão das informações. A história teria sido outra”, opina.

Já o advogado criminalista Leandro Vasques responsabiliza as mortes ao erro da Coordenadoria de Inteligência, que teria ordenado a operação. Segundo ele, houve um ruído de comunicação que ocasionou na tragédia, fazendo com que os policiais recebessem a informação de forma confusa.

“Tinham reféns e a Coin (Coordenadoria de Inteligência da SSPDS) não informou aos policiais sobre isso. A partir desse ruído de comunicação, a tragédia se configurou”, avalia.

Confira as entrevistas abaixo:

Pesquisador do Laboratório dos Estudos da Violência, Luís Fábio Paiva.

 

Advogado e coronel do Exército Brasileiro, Valmir Medeiros.

 

Advogado criminalista Leandro Vasques

 

Acompanhe as últimas matérias sobre o caso:

10/12/19 – “Ano começou com chacina que matou 14 e termina com a morte de 14”, critica General Theophilo

10/12/18 – Armas de policiais e de bandidos do ataque em Milagres foram recolhidas para perícia

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9/12/18 – “Vimos uma cena horrorosa de guerra”, diz homem que perdeu 5 familiares em Milagres

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