Novas vítimas denunciam cirurgião por erro médico e dizem que quase morreram

INVESTIGAÇÃO

Novas vítimas denunciam cirurgião por erro médico e dizem que quase morreram

Danilo Dias é investigado por uma série de deformações e por mortes de uma médica e de uma educadora física. O Sistema Jangadeiro descobriu mais vítimas do cirurgião

Por TV Jangadeiro em Segurança Pública

1 de abril de 2019 às 16:28

Há 2 meses
Os relatos continuam graves e as vítimas sempre revelam que quase morreram (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Os relatos continuam graves e as vítimas sempre revelam que quase morreram (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Por Márcia Feitosa

As denúncias se multiplicam. Depois que vieram à tona as supostas negligências cometidas pelo cirurgião plástico Danilo Dias, investigado por uma série de deformações e pelas mortes da médica Lia Pacheco – cunhada dele – e da educadora física paulista Sandra Trovino, os casos ganharam repercussão nacional. Os relatos continuam graves e as vítimas sempre revelam que quase morreram.

A autônoma Telma Santos foi a vítima mais recente descoberta pelo Sistema Jangadeiro. Ela veio de Salvador, em julho de 2017, para se submeter a uma cirurgia de remoção de excesso de pele na barriga e colocação de próteses de silicone nos seios. O resultado ficou longe do esperado e ela passou 12 dias na UTI de um hospital particular de Fortaleza, em coma, lutando pela vida.

“Procurei na internet e vi o nome dele (Danilo) no topo dos bons cirurgiões. Comecei a conversar com ele nas redes sociais e ele me passou muita segurança. Operava em Natal, no Rio Grande do Norte, e a princípio, eu faria a cirurgia lá, mas ele me convenceu a vir aqui para Fortaleza. Entrei para fazer a cirurgia e só acordei depois do coma. Tive falência múltipla dos órgãos e fiz hemodiálise. Precisei fazer outra cirurgia para sobreviver. É um milagre eu estar viva”, afirmou.

http://mais.uol.com.br/view/16631091

Com cicatrizes que não condizem com intervenções estéticas, a autônoma conta que encontra resistência de outros cirurgiões para fazer cirurgias reparadoras, porque Danilo Dias se nega a fornecer um laudo completo e assinado. O médico, porém, enviou um áudio à Telma dando instruções do que deveria dizer ao próximo cirurgião, em que se exime de qualquer culpa da intervenção anterior ter dado errado. “Ele mandou o áudio, mas o outro médico pediu para ele enviar por escrito. Ele até mandou, mas sem explicar direito a cirurgia e sem assinatura, nem carimbo. O médico daqui não aceita, porque disse que aquele laudo não tem validade nenhuma”.

O áudio de Danilo Dias sugere que Telma se diga 100% saudável, mesmo a mulher tendo ficado com problemas de memória, de locomoção e tenha sofrido de depressão. “Diga para ele que você teve um hematoma de um vaso que sangrou, após a cirurgia. Não tem nada a ver com saúde, hemorragia, trombofilia. (…) Diga que foi um hematoma no abdômen, por uma artéria que sangrou sozinha, após a cirurgia, no pós-operatório imediato”, afirmou o médico.

Ouça o áudio:

A empresária Gicelda veio de Quiterianópolis, no Interior do Ceará, não foi vítima apenas uma vez, mas duas. Em ambas diz ter sido enganada, porque os procedimentos pelos quais pagou não teriam sido realizados como o combinado. “Paguei uma lipo que ele não fez. Da segunda vez, ele fez só de um lado, e eu tenho cicatrizes e lesões horríveis, por causa disso”. Segundo as atendentes do consultório do médico, localizado na Rua Tibúrcio Cavalcante, ele está viajando para o exterior. Embora a indignação social aumente, nas esferas administrativa e criminal, o caso segue sem novidades. Enquanto até o Conselho Federal de Medicina já se manifestou, o do Ceará optou pela omissão do silêncio.

Novas vítimas denunciam cirurgião e afirmam quase terem morrido em plásticas
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Novas vítimas denunciam cirurgião e afirmam quase terem morrido em plásticas

Novas vítimas denunciam cirurgião e afirmam quase terem morrido em plásticas

Sequência de cirurgias

Uma médica, que preferiu não se identificar, disse que se considera negligenciada e abandonada pelo cirurgião, no pós-operário. Na iminência de uma asfixia, por conta de um edema, ela conta só ter visto Danilo Dias 12 horas depois da operação. Segundo a profissional, o cirurgião fez com ela o que costumava fazer com outros pacientes: indicar cirurgias em série. “Busquei o consultório dele para fazer um lifting, para correção de cicatrizes de acne. Porém, ele sugeriu procedimentos nas pálpebras, pescoço e boca. ”Ele vai sugerindo para aumentar os valores. Vai induzido o paciente a fazer várias cirurgias”. 

A médica disse que teve um edema na cavidade bucal imediatamente após a cirurgia, e estava se sentindo sufocada por uma faixa colocada envolvendo o rosto dela, após o procedimento. Somente algumas horas depois, a profissional que auxiliou Dias na cirurgia foi até o quarto e ligou para ele. “Quando ele atendeu ela gritou: ‘corre que deu esmeraldite’ – termo médico usado para casos em que acontecem problemas. Soube depois que ele não estava nem em Fortaleza, mesmo tento acordado comigo que não se ausentaria daqui naquele período”, afirmou.

A médica afirma que considera seu caso uma total negligência. “Não sei como não tive complicações mais sérias nessas 12 horas em que fui abandoada por ele. Tive coragem de falar agora, porque vi a quantidade de vítimas. Esse médico precisa, de alguma forma, ser avaliado. O Conselho Regional de Medicina do Ceará (Cremec) tem que tomar uma posição séria contra esse profissional. Quando o paciente vai fazer uma cirurgia estética é para melhorar na aparência e não para acabar indo a óbito ou para ser mutilada”.

Cremec em silêncio

Além do Ceará, Danilo Dias tinha autorização para realizar cirurgias em São Paulo e no Rio de Janeiro (FOTO: Divulgação)

Além do Ceará, Danilo Dias tinha autorização para realizar cirurgias em SP e RJ (FOTO: Divulgação)

Além do Ceará, Danilo Dias tinha autorização para realizar cirurgias em São Paulo e no Rio de Janeiro. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (CREMESP) já abriu uma sindicância para apurar a morte da educadora física Sandra Trovino, após uma lipoaspiração, no dia 9 de março, em um hospital no bairro Ipiranga. Na contramão dos relatos das vítimas, o Conselho Regional de Medicina do Ceará (CREMEC) absolveu Dias em duas sindicâncias por erro médico, segundo o advogado do cirurgião, Ricardo Gifoni. Porém, o cirurgião ainda responde a outros procedimentos pela realização de permutas.

A corregedoria do Conselho Federal de Medicina informou que pedirá esclarecimentos ao Cremec, presidido pelo médico Helvécio Feitosa, sobre o que está sendo feito, diante das graves denúncias contra o médico. A reportagem tentou novamente contato com o Conselho de Medicina do Ceará, mas recebeu resposta, por meio de nota, informando que “os procedimentos éticos que tramitam nesta autarquia federal têm caráter sigiloso, não cabendo qualquer informação ou publicidade acerca de sua instauração e tramitação”.

Spa

Tanto Telma Santos, quanto a médica entrevistadas disseram ter sido encaminhadas a um spa pelo médico. A esposa de Danilo Dias se identifica em um perfil de uma rede social como diretora do espaço. As duas falam que tiveram custos no local. Um policial que participou da investigação, e conversou com a reportagem em off, disse que este é mais um ponto a ser analisado pela Polícia. “Ir para um spa em um pós-operatório não e crime, mas a forma como você vai, sim. Essas pacientes eram encaminhadas para lá para ficar longe dos olhos de possíveis visitas? Era uma venda casada? É preciso investigar. Com certeza não é coincidência essas pacientes pararem no spa da mulher dele”.

Uma fonte, que disse ter contato direto com a família da mulher do cirurgião, revelou que Danilo Dias e a esposa levavam uma “vida de cinema”. “Eles foram para Miami só para um casamento. Havia um plano dele montar uma clínica em Portugal, na cidade que a irmã da esposa mora, mas com essa reviravolta não sei como as coisas vão ficar, afirmou”.

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Novas vítimas denunciam cirurgião por erro médico e dizem que quase morreram

Danilo Dias é investigado por uma série de deformações e por mortes de uma médica e de uma educadora física. O Sistema Jangadeiro descobriu mais vítimas do cirurgião

Por TV Jangadeiro em Segurança Pública

1 de abril de 2019 às 16:28

Há 2 meses
Os relatos continuam graves e as vítimas sempre revelam que quase morreram (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Os relatos continuam graves e as vítimas sempre revelam que quase morreram (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Por Márcia Feitosa

As denúncias se multiplicam. Depois que vieram à tona as supostas negligências cometidas pelo cirurgião plástico Danilo Dias, investigado por uma série de deformações e pelas mortes da médica Lia Pacheco – cunhada dele – e da educadora física paulista Sandra Trovino, os casos ganharam repercussão nacional. Os relatos continuam graves e as vítimas sempre revelam que quase morreram.

A autônoma Telma Santos foi a vítima mais recente descoberta pelo Sistema Jangadeiro. Ela veio de Salvador, em julho de 2017, para se submeter a uma cirurgia de remoção de excesso de pele na barriga e colocação de próteses de silicone nos seios. O resultado ficou longe do esperado e ela passou 12 dias na UTI de um hospital particular de Fortaleza, em coma, lutando pela vida.

“Procurei na internet e vi o nome dele (Danilo) no topo dos bons cirurgiões. Comecei a conversar com ele nas redes sociais e ele me passou muita segurança. Operava em Natal, no Rio Grande do Norte, e a princípio, eu faria a cirurgia lá, mas ele me convenceu a vir aqui para Fortaleza. Entrei para fazer a cirurgia e só acordei depois do coma. Tive falência múltipla dos órgãos e fiz hemodiálise. Precisei fazer outra cirurgia para sobreviver. É um milagre eu estar viva”, afirmou.

http://mais.uol.com.br/view/16631091

Com cicatrizes que não condizem com intervenções estéticas, a autônoma conta que encontra resistência de outros cirurgiões para fazer cirurgias reparadoras, porque Danilo Dias se nega a fornecer um laudo completo e assinado. O médico, porém, enviou um áudio à Telma dando instruções do que deveria dizer ao próximo cirurgião, em que se exime de qualquer culpa da intervenção anterior ter dado errado. “Ele mandou o áudio, mas o outro médico pediu para ele enviar por escrito. Ele até mandou, mas sem explicar direito a cirurgia e sem assinatura, nem carimbo. O médico daqui não aceita, porque disse que aquele laudo não tem validade nenhuma”.

O áudio de Danilo Dias sugere que Telma se diga 100% saudável, mesmo a mulher tendo ficado com problemas de memória, de locomoção e tenha sofrido de depressão. “Diga para ele que você teve um hematoma de um vaso que sangrou, após a cirurgia. Não tem nada a ver com saúde, hemorragia, trombofilia. (…) Diga que foi um hematoma no abdômen, por uma artéria que sangrou sozinha, após a cirurgia, no pós-operatório imediato”, afirmou o médico.

Ouça o áudio:

A empresária Gicelda veio de Quiterianópolis, no Interior do Ceará, não foi vítima apenas uma vez, mas duas. Em ambas diz ter sido enganada, porque os procedimentos pelos quais pagou não teriam sido realizados como o combinado. “Paguei uma lipo que ele não fez. Da segunda vez, ele fez só de um lado, e eu tenho cicatrizes e lesões horríveis, por causa disso”. Segundo as atendentes do consultório do médico, localizado na Rua Tibúrcio Cavalcante, ele está viajando para o exterior. Embora a indignação social aumente, nas esferas administrativa e criminal, o caso segue sem novidades. Enquanto até o Conselho Federal de Medicina já se manifestou, o do Ceará optou pela omissão do silêncio.

Novas vítimas denunciam cirurgião e afirmam quase terem morrido em plásticas
Novas vítimas denunciam cirurgião e afirmam quase terem morrido em plásticas
Novas vítimas denunciam cirurgião e afirmam quase terem morrido em plásticas
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Novas vítimas denunciam cirurgião e afirmam quase terem morrido em plásticas

Novas vítimas denunciam cirurgião e afirmam quase terem morrido em plásticas

Sequência de cirurgias

Uma médica, que preferiu não se identificar, disse que se considera negligenciada e abandonada pelo cirurgião, no pós-operário. Na iminência de uma asfixia, por conta de um edema, ela conta só ter visto Danilo Dias 12 horas depois da operação. Segundo a profissional, o cirurgião fez com ela o que costumava fazer com outros pacientes: indicar cirurgias em série. “Busquei o consultório dele para fazer um lifting, para correção de cicatrizes de acne. Porém, ele sugeriu procedimentos nas pálpebras, pescoço e boca. ”Ele vai sugerindo para aumentar os valores. Vai induzido o paciente a fazer várias cirurgias”. 

A médica disse que teve um edema na cavidade bucal imediatamente após a cirurgia, e estava se sentindo sufocada por uma faixa colocada envolvendo o rosto dela, após o procedimento. Somente algumas horas depois, a profissional que auxiliou Dias na cirurgia foi até o quarto e ligou para ele. “Quando ele atendeu ela gritou: ‘corre que deu esmeraldite’ – termo médico usado para casos em que acontecem problemas. Soube depois que ele não estava nem em Fortaleza, mesmo tento acordado comigo que não se ausentaria daqui naquele período”, afirmou.

A médica afirma que considera seu caso uma total negligência. “Não sei como não tive complicações mais sérias nessas 12 horas em que fui abandoada por ele. Tive coragem de falar agora, porque vi a quantidade de vítimas. Esse médico precisa, de alguma forma, ser avaliado. O Conselho Regional de Medicina do Ceará (Cremec) tem que tomar uma posição séria contra esse profissional. Quando o paciente vai fazer uma cirurgia estética é para melhorar na aparência e não para acabar indo a óbito ou para ser mutilada”.

Cremec em silêncio

Além do Ceará, Danilo Dias tinha autorização para realizar cirurgias em São Paulo e no Rio de Janeiro (FOTO: Divulgação)

Além do Ceará, Danilo Dias tinha autorização para realizar cirurgias em SP e RJ (FOTO: Divulgação)

Além do Ceará, Danilo Dias tinha autorização para realizar cirurgias em São Paulo e no Rio de Janeiro. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (CREMESP) já abriu uma sindicância para apurar a morte da educadora física Sandra Trovino, após uma lipoaspiração, no dia 9 de março, em um hospital no bairro Ipiranga. Na contramão dos relatos das vítimas, o Conselho Regional de Medicina do Ceará (CREMEC) absolveu Dias em duas sindicâncias por erro médico, segundo o advogado do cirurgião, Ricardo Gifoni. Porém, o cirurgião ainda responde a outros procedimentos pela realização de permutas.

A corregedoria do Conselho Federal de Medicina informou que pedirá esclarecimentos ao Cremec, presidido pelo médico Helvécio Feitosa, sobre o que está sendo feito, diante das graves denúncias contra o médico. A reportagem tentou novamente contato com o Conselho de Medicina do Ceará, mas recebeu resposta, por meio de nota, informando que “os procedimentos éticos que tramitam nesta autarquia federal têm caráter sigiloso, não cabendo qualquer informação ou publicidade acerca de sua instauração e tramitação”.

Spa

Tanto Telma Santos, quanto a médica entrevistadas disseram ter sido encaminhadas a um spa pelo médico. A esposa de Danilo Dias se identifica em um perfil de uma rede social como diretora do espaço. As duas falam que tiveram custos no local. Um policial que participou da investigação, e conversou com a reportagem em off, disse que este é mais um ponto a ser analisado pela Polícia. “Ir para um spa em um pós-operatório não e crime, mas a forma como você vai, sim. Essas pacientes eram encaminhadas para lá para ficar longe dos olhos de possíveis visitas? Era uma venda casada? É preciso investigar. Com certeza não é coincidência essas pacientes pararem no spa da mulher dele”.

Uma fonte, que disse ter contato direto com a família da mulher do cirurgião, revelou que Danilo Dias e a esposa levavam uma “vida de cinema”. “Eles foram para Miami só para um casamento. Havia um plano dele montar uma clínica em Portugal, na cidade que a irmã da esposa mora, mas com essa reviravolta não sei como as coisas vão ficar, afirmou”.