Mãe da vendedora de lanches baleada em chacina decide doar órgãos

BARBÁRIE EM FORTALEZA

Mãe da vendedora de lanches morta em chacina decide doar órgãos

A mulher que passava na rua acabou baleada. Agora, deixa seis filhos aos cuidados da avó

Por Lyvia Rocha em Segurança Pública

27 de janeiro de 2018 às 18:21

Há 1 ano
Foram pelo menos 14 mortos (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Foram pelo menos 14 mortos (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

A vendedora de lanches Marisa Mara foi outra vítima da chacina que deixou pelo menos 14 mortos neste sábado (27), no Bairro Cajazeiras, em Fortaleza. De acordo com a mãe da vítima, a filha vendia lanches próximo ao hospital de Messejana e estava apenas passando pelo local no momento dos tiros.

“Ela não estava no forró, estava passando próximo e um conhecido chamou. Mas, momentos depois, começou o tiroteio e ela morreu no local”, diz a mãe, identificada apenas como Sandra.

A vítima tinha 37 anos e seis filhos. Mesmo em meio a dor, a mãe irá doar as córneas da filha. “Eu quero dar uma continuidade ao que ela fazia, que era ajudar as pessoas. Então, vou doar as córneas e ajudar alguém a enxergar”, disse a mãe.

Sobre a dor de perder uma filha, a mãe fala com serenidade que irá pedir força a Deus. “Vai ser mais uma lembrança, mais uma saudade, Deus me dará forças para continuar e superar”, desabafou.

Maior matança da história

Pelo menos 14 pessoas foram vítimas de uma chacina na madrugada deste sábado (27), no Bairro Cajazeiras. O caso aconteceu em uma pequena casa de shows, conhecida como “Forró do Gago”, na Rua Madre Tereza de Calcutá, na Comunidade Barreirão.

Pessoas armadas chegaram em carros e atiraram em outras que estavam na rua, sem qualquer alvo certo. Morreram clientes do local, trabalhadores que estavam vendendo lanches e até um motorista do Uber, que passava pela região.

Apesar de a SSPDS confirmar 14 mortes (oito mulheres e seis homens), outros órgãos já afirmam que 18 pessoas teriam sido vítimas do crime.

Feridos

Além dos 14 mortos, sete pessoas feridas (quatro mulheres, dois homens e uma criança de 12 anos) seguem internadas até às 18h30 deste sábado (27), no Instituto Dr. José Frota (IJF), no Centro de Fortaleza. Duas mulheres receberam alta.

“Sem pânico”

Após a maior chacina da história do Ceará, o secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, afirmou que “não há motivo para pânico, para temor”, durante coletiva na manhã deste sábado (27). “Não há perda de controle, foi um evento isolado. No mundo todo tem situações assim. É difícil evitar”, avaliou o secretário.

André Costa disse ainda que não vê necessidade do Governo do Estado acionar tropas federais de segurança. “Não temos motivo para intervenção federal”, tranquilizou. “Espero que a violência pare aqui”.

Evento cancelado

Em respeito às vítimas, o evento que seria realizado no Bairro Barroso, Feira Massa, foi cancelado.

Acompanhe o caso:

27/1 – Motorista de Uber levava passageiro quando foi atingido por tiros na Chacina das Cajazeiras

27/1 – Facção assume autoria de Chacina das Cajazeiras; Facção rival promete revanche

27/1 – Sobrevivente detalha momentos de terror durante maior chacina do Ceará

27/1 – Preso o 1º suspeito de chacina que deixou pelo menos 14 mortos em Fortaleza

27/1 – “Não há motivo para pânico”, declara secretário da Segurança Pública após maior chacina no Ceará

27/1 – Número de homicídios no Ceará saltou 545% nos últimos 20 anos

27/1 – Presidente do Sinpol culpa Governo por chacina: “Governo negou existência de facções por muito tempo”

27/1 – Chacina das Cajazeiras deixa pelo menos 18 mortos durante festa

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Mãe da vendedora de lanches morta em chacina decide doar órgãos

A mulher que passava na rua acabou baleada. Agora, deixa seis filhos aos cuidados da avó

Por Lyvia Rocha em Segurança Pública

27 de janeiro de 2018 às 18:21

Há 1 ano
Foram pelo menos 14 mortos (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Foram pelo menos 14 mortos (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

A vendedora de lanches Marisa Mara foi outra vítima da chacina que deixou pelo menos 14 mortos neste sábado (27), no Bairro Cajazeiras, em Fortaleza. De acordo com a mãe da vítima, a filha vendia lanches próximo ao hospital de Messejana e estava apenas passando pelo local no momento dos tiros.

“Ela não estava no forró, estava passando próximo e um conhecido chamou. Mas, momentos depois, começou o tiroteio e ela morreu no local”, diz a mãe, identificada apenas como Sandra.

A vítima tinha 37 anos e seis filhos. Mesmo em meio a dor, a mãe irá doar as córneas da filha. “Eu quero dar uma continuidade ao que ela fazia, que era ajudar as pessoas. Então, vou doar as córneas e ajudar alguém a enxergar”, disse a mãe.

Sobre a dor de perder uma filha, a mãe fala com serenidade que irá pedir força a Deus. “Vai ser mais uma lembrança, mais uma saudade, Deus me dará forças para continuar e superar”, desabafou.

Maior matança da história

Pelo menos 14 pessoas foram vítimas de uma chacina na madrugada deste sábado (27), no Bairro Cajazeiras. O caso aconteceu em uma pequena casa de shows, conhecida como “Forró do Gago”, na Rua Madre Tereza de Calcutá, na Comunidade Barreirão.

Pessoas armadas chegaram em carros e atiraram em outras que estavam na rua, sem qualquer alvo certo. Morreram clientes do local, trabalhadores que estavam vendendo lanches e até um motorista do Uber, que passava pela região.

Apesar de a SSPDS confirmar 14 mortes (oito mulheres e seis homens), outros órgãos já afirmam que 18 pessoas teriam sido vítimas do crime.

Feridos

Além dos 14 mortos, sete pessoas feridas (quatro mulheres, dois homens e uma criança de 12 anos) seguem internadas até às 18h30 deste sábado (27), no Instituto Dr. José Frota (IJF), no Centro de Fortaleza. Duas mulheres receberam alta.

“Sem pânico”

Após a maior chacina da história do Ceará, o secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, afirmou que “não há motivo para pânico, para temor”, durante coletiva na manhã deste sábado (27). “Não há perda de controle, foi um evento isolado. No mundo todo tem situações assim. É difícil evitar”, avaliou o secretário.

André Costa disse ainda que não vê necessidade do Governo do Estado acionar tropas federais de segurança. “Não temos motivo para intervenção federal”, tranquilizou. “Espero que a violência pare aqui”.

Evento cancelado

Em respeito às vítimas, o evento que seria realizado no Bairro Barroso, Feira Massa, foi cancelado.

Acompanhe o caso:

27/1 – Motorista de Uber levava passageiro quando foi atingido por tiros na Chacina das Cajazeiras

27/1 – Facção assume autoria de Chacina das Cajazeiras; Facção rival promete revanche

27/1 – Sobrevivente detalha momentos de terror durante maior chacina do Ceará

27/1 – Preso o 1º suspeito de chacina que deixou pelo menos 14 mortos em Fortaleza

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