Governo diz que queda de 60% nos homicídios é fruto de "trabalho policial" e não da onda de ataques

BALANÇO DE JANEIRO

Governo diz que queda de 60% nos homicídios é fruto de “trabalho policial” e não da onda de ataques

Pela primeira vez, o Governo anunciou o balanço mensal de homicídios através do site, e não em coletiva de imprensa

Por Jéssica Welma em Segurança Pública

7 de fevereiro de 2019 às 12:05

Há 3 meses
SSPDS divulgou o total de 192 homicídios em janeiro de 2019. (Foto: Divulgação/SSPDS)

SSPDS divulgou o total de 192 homicídios em janeiro de 2019. (Foto: Divulgação/SSPDS)

O Ceará encerra o mês de janeiro – marcado pela onda de terror histórica no Estado – com redução de 60% em mortes violentas em comparação com janeiro de 2018, segundo dados oficiais. O secretário da Segurança Pública, André Costa, afirmou que o bom desempenho é resultado do trabalho do Governo “dentro e fora dos presídios”. Ele nega influência de suposta união de facções, apontada por especialistas.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) anunciou no final da tarde da quarta-feira (7) que em janeiro de 2019 foram registrado 192 Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs), contabilizando homicídio, lesão corporal seguida de morte e latrocínio. Não foram somados os dados de feminicídio.

“Estratégias do Governo”

O balanço do mês mostra que o Ceará teve o melhor desempenho e a melhor média diária desde agosto de 2011, ficando abaixo de sete vítimas por dia. O informativo divulgado pelo Governo, que não realizou coletiva de imprensa para anunciar os dados positivos, não cita a onda histórica de ataques criminosos no mês de janeiro. A redução dos homicídios é apontada como resultado de “estratégias e iniciativas adotadas pelo Governo do Ceará”.

A SSPDS cita o reforço de forças federais e apoio de outros estados, como Piauí, Bahia, São Paulo e Santa Catarina, mas não atrela o reforço à crise na segurança. Em janeiro, o Estado viveu quase 30 dias sob o terror de ataques a coletivos, prédios públicos e privados, tentativa de explosão de viadutos e pontes, dentre outras ações criminosas.

“Durante o mês de janeiro, em paralelo ao endurecimento das medidas adotadas pelo Governo dentro das unidades prisionais do Ceará, a SSPDS e suas vinculadas fortaleceram suas ações focadas no reforço ostensivo e na investigação criminal”, diz a nota.

Nas redes sociais, o secretário André Costa voltou a negar a informação de que facções teriam se unido contra o Governo, como apontado por especialistas ouvidos pelo Sistema Jangadeiro nas últimas semanas.

No início dos ataques, a TV Jangadeiro teve acesso a um áudio de um criminoso, recebido por uma fonte do sistema prisional, que afirmava a existência desse pacto. “Foi dada uma trégua entre as guerras de facções, pelo objetivo maior que é brigar contra o Governo do Estado, que tá querendo oprimir, torturar, matar nossos irmãos e todos os irmãos que se encontram no privado, entendeu?”, dizia um dos áudios.

Leia também: Trégua de facções no Ceará faz índices de homicídios caírem em janeiro

No entanto, o resultado, segundo Costa, deve ser atribuído ao trabalho dos profissionais da Segurança Pública. “As pessoas que professam esse tipo de comentário estão desmerecendo o trabalho incansável de nossos profissionais de segurança pública”, disse o chefe da pasta.

Divergência nos números

Levantamento do Tribuna do Ceará com base no registros diários de CVLIs disponibilizados até a manhã desta segunda-feira (6) contabilizou 180 crimes, somados homicídios, latrocínios e feminicídios, de 1° a 29 de janeiro. Somados os 15 casos de lesão corporal seguida de morte, os registros da SSPDS reuniam 195 crimes violentos.

Leia também: “Estado perdeu domínio dos presídios e dos bairros onde as facções atuam”, avalia especialista

Os relatórios diários de ocorrências dos dias 30 e 31 de janeiro acrescentavam mais oito casos. Esses episódios, no entanto, não constavam no registro de CVLIs e também não são parte do balanço final da SSPDS.

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BALANÇO DE JANEIRO

Governo diz que queda de 60% nos homicídios é fruto de “trabalho policial” e não da onda de ataques

Pela primeira vez, o Governo anunciou o balanço mensal de homicídios através do site, e não em coletiva de imprensa

Por Jéssica Welma em Segurança Pública

7 de fevereiro de 2019 às 12:05

Há 3 meses
SSPDS divulgou o total de 192 homicídios em janeiro de 2019. (Foto: Divulgação/SSPDS)

SSPDS divulgou o total de 192 homicídios em janeiro de 2019. (Foto: Divulgação/SSPDS)

O Ceará encerra o mês de janeiro – marcado pela onda de terror histórica no Estado – com redução de 60% em mortes violentas em comparação com janeiro de 2018, segundo dados oficiais. O secretário da Segurança Pública, André Costa, afirmou que o bom desempenho é resultado do trabalho do Governo “dentro e fora dos presídios”. Ele nega influência de suposta união de facções, apontada por especialistas.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) anunciou no final da tarde da quarta-feira (7) que em janeiro de 2019 foram registrado 192 Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs), contabilizando homicídio, lesão corporal seguida de morte e latrocínio. Não foram somados os dados de feminicídio.

“Estratégias do Governo”

O balanço do mês mostra que o Ceará teve o melhor desempenho e a melhor média diária desde agosto de 2011, ficando abaixo de sete vítimas por dia. O informativo divulgado pelo Governo, que não realizou coletiva de imprensa para anunciar os dados positivos, não cita a onda histórica de ataques criminosos no mês de janeiro. A redução dos homicídios é apontada como resultado de “estratégias e iniciativas adotadas pelo Governo do Ceará”.

A SSPDS cita o reforço de forças federais e apoio de outros estados, como Piauí, Bahia, São Paulo e Santa Catarina, mas não atrela o reforço à crise na segurança. Em janeiro, o Estado viveu quase 30 dias sob o terror de ataques a coletivos, prédios públicos e privados, tentativa de explosão de viadutos e pontes, dentre outras ações criminosas.

“Durante o mês de janeiro, em paralelo ao endurecimento das medidas adotadas pelo Governo dentro das unidades prisionais do Ceará, a SSPDS e suas vinculadas fortaleceram suas ações focadas no reforço ostensivo e na investigação criminal”, diz a nota.

Nas redes sociais, o secretário André Costa voltou a negar a informação de que facções teriam se unido contra o Governo, como apontado por especialistas ouvidos pelo Sistema Jangadeiro nas últimas semanas.

No início dos ataques, a TV Jangadeiro teve acesso a um áudio de um criminoso, recebido por uma fonte do sistema prisional, que afirmava a existência desse pacto. “Foi dada uma trégua entre as guerras de facções, pelo objetivo maior que é brigar contra o Governo do Estado, que tá querendo oprimir, torturar, matar nossos irmãos e todos os irmãos que se encontram no privado, entendeu?”, dizia um dos áudios.

Leia também: Trégua de facções no Ceará faz índices de homicídios caírem em janeiro

No entanto, o resultado, segundo Costa, deve ser atribuído ao trabalho dos profissionais da Segurança Pública. “As pessoas que professam esse tipo de comentário estão desmerecendo o trabalho incansável de nossos profissionais de segurança pública”, disse o chefe da pasta.

Divergência nos números

Levantamento do Tribuna do Ceará com base no registros diários de CVLIs disponibilizados até a manhã desta segunda-feira (6) contabilizou 180 crimes, somados homicídios, latrocínios e feminicídios, de 1° a 29 de janeiro. Somados os 15 casos de lesão corporal seguida de morte, os registros da SSPDS reuniam 195 crimes violentos.

Leia também: “Estado perdeu domínio dos presídios e dos bairros onde as facções atuam”, avalia especialista

Os relatórios diários de ocorrências dos dias 30 e 31 de janeiro acrescentavam mais oito casos. Esses episódios, no entanto, não constavam no registro de CVLIs e também não são parte do balanço final da SSPDS.