Advogado quer o indiciamento do namorado de jovem encontrada morta no carro dele

CASO DO PORTA-MALAS

Advogado quer o indiciamento do namorado de jovem encontrada morta no carro dele

Para advogado, a polícia já tem evidências para indiciar Gregório Donizeti por homicídio “por dolo eventual”

Por Roberta Tavares em Segurança Pública

11 de maio de 2016 às 15:17

Há 3 anos
Família estranha hematomas na universitária (FOTO: Divulgação)

Família estranha hematomas na universitária (FOTO: Divulgação)

O advogado da família da universitária morta Yrna de Souza Castro quer o indiciamento do namorado da vítima, Gregório Donizeti. A intenção, segundo o advogado João Victor Duarte, é que o empresário responda por homicídio por dolo eventual [quando se assume o risco de que o crime ocorra].

“A hipótese já consolidada nos autos permite o indiciamento dele, pelo dolo eventual, por ele ter assumido o risco de produzir o resultado no momento em que a substância é aplicada na Yrna”, explica o advogado, em entrevista ao programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT.

Segundo disse, é necessário que o empresário seja ouvido novamente pela polícia, para que sejam esclarecidos pontos divergentes na investigação. “Por exemplo, as marcas no corpo de Yrna, identificadas pela família. Mas nós continuaremos firmes, acompanhando. Temos indícios suficientes para o indiciamento dele e, inclusive, já colocamos nesse momento uma petição no inquérito. Já está formalizado”.

Nesta quarta-feira (11), amigas da estilista prestaram depoimento na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Fortaleza. “A autoridade policial quis ouvir para entender um pouco mais do cotidiano dela, do convívio social”, explica João Victor Dantas.

A Polícia Civil, que ainda não informou se acatará o pedido de indiciamento, solicitou novo exame a ser feito na Califórnia, nos Estados Unidos, para detectar uso ou não de entorpecentes em, pelo menos, 90 dias antes da morte. O exame, chamado janela larga de detecção, é feito a partir de coleta de material genético dos namorados.

Advogado de Gregório informou que o jovem revelou ser pacato, sereno e equilibrado (FOTO: Reprodução/Facebook)

Advogado de Gregório informou que o jovem revelou ser pacato, sereno e equilibrado (FOTO: Reprodução/Facebook)

Defesa

O advogado de Gregório Donizeti, Leandro Vasques, rebateu acusações de que o relacionamento do casal seria conturbado, “Eles namoravam há cinco meses, e o Greg me registrou com muita sinceridade que nunca houve nenhum tipo de desentendimento. Não existe nenhum histórico de violência por parte dele, que sempre revelou ser um jovem pacato, sereno, equilibrado e que, infelizmente, se viu refém da dependência química”, afirmou.

O caso

Yrna Castro foi encontrada dentro do porta-malas do carro do namorado na noite de 1º de maio, no Bairro Meireles, em Fortaleza. O casal teria injetado morfina misturada a outra substância.

Ao perceber que a namorada estava passando mal, Gregório contou à polícia que a levou até o carro, colocou no banco de trás do automóvel e buscou atendimento médico. No entanto, antes de chegar à unidade de saúde, ele teria “apagado” durante cerca de uma hora e, quando acordou, a jovem já estava sem sinais vitais.

“Em depoimento, ele disse que ficou rodando com ela no carro por várias ruas pela região do Bairro Cocó, sem saber o que fazer. Até que a retirou do banco de trás do carro e colocou no porta-malas. A intenção dele, segundo conta em depoimento, era se matar. Ele tentou isso durante o dia todo e só procurou o advogado e a família à noite”, relata a delegada Socorro Portela, da DHPP.

A morte teria acontecido por volta das 3h30 de domingo. O namorado, em depoimento, contou que voltou ao apartamento, localizado na Rua Professor Francisco Gonçalves, com a jovem no porta-malas. “Depois teria saído e tentado se matar, cortando os pulsos e de outras formas também. Deu para ver algumas lesões no braço dele”, explica. O rapaz compareceu à DHPP às 22h de domingo, na companhia dos advogados.

De acordo com Socorro Portela, o casal se conheceu no aplicativo de relacionamento Tinder, em dezembro de 2015. A jovem passava os finais de semana junto ao namorado, formado em Jornalismo e empresário. No entanto, a família de Yrna não o conhecia.

“O irmão dela, o primo e um advogado vieram à DHPP e conversaram comigo. Eles não tinham conhecimento que ela usava drogas. A família sabia do relacionamento, sabia que eles ficavam o fim de semana juntos, mas não o conhecia”, afirmou, acrescentando que o empresário declarou usar drogas desde os 17 anos e ter feito tratamento para recuperação.

Família se pronuncia

Em 6 de maio, a família de Gregório Donizeti se pronunciou pela primeira vez sobre o caso. Com o mesmo nome do filho, o pai Gregório divulgou uma nota sobre a “tragédia sem tradução, decorrente da nociva influência das drogas”. Ele ressalta a dependência química do filho, que já é uma batalha de algum tempo.

“Ao que aparentava, para nós familiares e amigos, [Gregório] estava sóbrio há alguns anos, razão pela qual o ocorrido do último final de semana nos tomou de grande surpresa e tristeza. Lamento ver a devastação que a droga tem causado às famílias de forma avassaladora e impiedosa, não escolhendo cor, credo ou classe social. Meu coração sangra, especialmente diante da impotência que me domina”.

Acompanhe o caso:

10 de maio – Polícia pede novo exame para detectar uso de morfina em universitária

7 de maio – Moradores do entorno da Praça da Gentilândia denunciam livre comércio de drogas na região

6 de maio – Pai de empresário atribui às drogas a culpa da morte da namorada do filho

6 de maio – Desviada de hospitais, morfina é negociada de forma escancarada na internet

6 de maio – Pai de empresário já havia pedido à Justiça a interdição do filho, devido ao vício em drogas

5 de maio – Para advogado, internação de namorado de universitária morta é para atrapalhar a polícia

5 de maio – Campanha no Facebook questiona hematomas no corpo de jovem achada morta em porta-malas

4 de maio – Perito e delegada afirmam que não viram hematomas no corpo de universitária

4 de maio – Amigas de universitária achada morta em porta-malas cobram maior investigação

4 de maio – “Ela nunca falou sobre drogas”, diz amiga íntima de universitária achada morta em porta-malas

3 de maio – Namorado diz à Polícia que tentou se matar após ver universitária morta no carro

3 de maio – Familiares apontam hematomas no corpo de universitária encontrada morta em porta-malas

3 de maio – Universitária encontrada em porta-malas do carro do namorado teria injetado morfina

2 de maio – Universitária é encontrada morta no porta-malas do carro do namorado

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CASO DO PORTA-MALAS

Advogado quer o indiciamento do namorado de jovem encontrada morta no carro dele

Para advogado, a polícia já tem evidências para indiciar Gregório Donizeti por homicídio “por dolo eventual”

Por Roberta Tavares em Segurança Pública

11 de maio de 2016 às 15:17

Há 3 anos
Família estranha hematomas na universitária (FOTO: Divulgação)

Família estranha hematomas na universitária (FOTO: Divulgação)

O advogado da família da universitária morta Yrna de Souza Castro quer o indiciamento do namorado da vítima, Gregório Donizeti. A intenção, segundo o advogado João Victor Duarte, é que o empresário responda por homicídio por dolo eventual [quando se assume o risco de que o crime ocorra].

“A hipótese já consolidada nos autos permite o indiciamento dele, pelo dolo eventual, por ele ter assumido o risco de produzir o resultado no momento em que a substância é aplicada na Yrna”, explica o advogado, em entrevista ao programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT.

Segundo disse, é necessário que o empresário seja ouvido novamente pela polícia, para que sejam esclarecidos pontos divergentes na investigação. “Por exemplo, as marcas no corpo de Yrna, identificadas pela família. Mas nós continuaremos firmes, acompanhando. Temos indícios suficientes para o indiciamento dele e, inclusive, já colocamos nesse momento uma petição no inquérito. Já está formalizado”.

Nesta quarta-feira (11), amigas da estilista prestaram depoimento na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Fortaleza. “A autoridade policial quis ouvir para entender um pouco mais do cotidiano dela, do convívio social”, explica João Victor Dantas.

A Polícia Civil, que ainda não informou se acatará o pedido de indiciamento, solicitou novo exame a ser feito na Califórnia, nos Estados Unidos, para detectar uso ou não de entorpecentes em, pelo menos, 90 dias antes da morte. O exame, chamado janela larga de detecção, é feito a partir de coleta de material genético dos namorados.

Advogado de Gregório informou que o jovem revelou ser pacato, sereno e equilibrado (FOTO: Reprodução/Facebook)

Advogado de Gregório informou que o jovem revelou ser pacato, sereno e equilibrado (FOTO: Reprodução/Facebook)

Defesa

O advogado de Gregório Donizeti, Leandro Vasques, rebateu acusações de que o relacionamento do casal seria conturbado, “Eles namoravam há cinco meses, e o Greg me registrou com muita sinceridade que nunca houve nenhum tipo de desentendimento. Não existe nenhum histórico de violência por parte dele, que sempre revelou ser um jovem pacato, sereno, equilibrado e que, infelizmente, se viu refém da dependência química”, afirmou.

O caso

Yrna Castro foi encontrada dentro do porta-malas do carro do namorado na noite de 1º de maio, no Bairro Meireles, em Fortaleza. O casal teria injetado morfina misturada a outra substância.

Ao perceber que a namorada estava passando mal, Gregório contou à polícia que a levou até o carro, colocou no banco de trás do automóvel e buscou atendimento médico. No entanto, antes de chegar à unidade de saúde, ele teria “apagado” durante cerca de uma hora e, quando acordou, a jovem já estava sem sinais vitais.

“Em depoimento, ele disse que ficou rodando com ela no carro por várias ruas pela região do Bairro Cocó, sem saber o que fazer. Até que a retirou do banco de trás do carro e colocou no porta-malas. A intenção dele, segundo conta em depoimento, era se matar. Ele tentou isso durante o dia todo e só procurou o advogado e a família à noite”, relata a delegada Socorro Portela, da DHPP.

A morte teria acontecido por volta das 3h30 de domingo. O namorado, em depoimento, contou que voltou ao apartamento, localizado na Rua Professor Francisco Gonçalves, com a jovem no porta-malas. “Depois teria saído e tentado se matar, cortando os pulsos e de outras formas também. Deu para ver algumas lesões no braço dele”, explica. O rapaz compareceu à DHPP às 22h de domingo, na companhia dos advogados.

De acordo com Socorro Portela, o casal se conheceu no aplicativo de relacionamento Tinder, em dezembro de 2015. A jovem passava os finais de semana junto ao namorado, formado em Jornalismo e empresário. No entanto, a família de Yrna não o conhecia.

“O irmão dela, o primo e um advogado vieram à DHPP e conversaram comigo. Eles não tinham conhecimento que ela usava drogas. A família sabia do relacionamento, sabia que eles ficavam o fim de semana juntos, mas não o conhecia”, afirmou, acrescentando que o empresário declarou usar drogas desde os 17 anos e ter feito tratamento para recuperação.

Família se pronuncia

Em 6 de maio, a família de Gregório Donizeti se pronunciou pela primeira vez sobre o caso. Com o mesmo nome do filho, o pai Gregório divulgou uma nota sobre a “tragédia sem tradução, decorrente da nociva influência das drogas”. Ele ressalta a dependência química do filho, que já é uma batalha de algum tempo.

“Ao que aparentava, para nós familiares e amigos, [Gregório] estava sóbrio há alguns anos, razão pela qual o ocorrido do último final de semana nos tomou de grande surpresa e tristeza. Lamento ver a devastação que a droga tem causado às famílias de forma avassaladora e impiedosa, não escolhendo cor, credo ou classe social. Meu coração sangra, especialmente diante da impotência que me domina”.

Acompanhe o caso:

10 de maio – Polícia pede novo exame para detectar uso de morfina em universitária

7 de maio – Moradores do entorno da Praça da Gentilândia denunciam livre comércio de drogas na região

6 de maio – Pai de empresário atribui às drogas a culpa da morte da namorada do filho

6 de maio – Desviada de hospitais, morfina é negociada de forma escancarada na internet

6 de maio – Pai de empresário já havia pedido à Justiça a interdição do filho, devido ao vício em drogas

5 de maio – Para advogado, internação de namorado de universitária morta é para atrapalhar a polícia

5 de maio – Campanha no Facebook questiona hematomas no corpo de jovem achada morta em porta-malas

4 de maio – Perito e delegada afirmam que não viram hematomas no corpo de universitária

4 de maio – Amigas de universitária achada morta em porta-malas cobram maior investigação

4 de maio – “Ela nunca falou sobre drogas”, diz amiga íntima de universitária achada morta em porta-malas

3 de maio – Namorado diz à Polícia que tentou se matar após ver universitária morta no carro

3 de maio – Familiares apontam hematomas no corpo de universitária encontrada morta em porta-malas

3 de maio – Universitária encontrada em porta-malas do carro do namorado teria injetado morfina

2 de maio – Universitária é encontrada morta no porta-malas do carro do namorado