Diário da Chikungunya #1: Repórter relata as dores e marcas deixadas pela doença

SURTO DA DOENÇA

Diário da Chikungunya #1: Repórter relata as dores e marcas deixadas pela doença

A repórter Lyvia Rocha fará um diário durante os dias de tratamento depois que foi diagnosticada com chikungunya

Por Lyvia Rocha em Saúde

10 de abril de 2017 às 11:39

Há 2 anos
Lyvia Rocha está com chicuncunya, e também com zika (FOTO: Acervo pessoal)

Lyvia Rocha está com chicuncunya, e também com zika (FOTO: Acervo pessoal)

Começou na noite deste sábado (8) à noite. Meu joelho começou a doer intensamente. Não consegui dormir. Optei por ir ao hospital só na manhã deste domingo (9), e veio a suspeita: febre chikungunya. Virei mais um número na estatística do surto da doença no Ceará em 2017.

Diante disso, o médico perguntou se havia registros da doença no bairro em que moro, e a assertiva confirmou o prognóstico. Meu corpo estava empolado, cheio de caroços e todo vermelho, efeito do inevitável coçar. Não bastasse, o médico ainda identificou resquícios de zika.

Meu atendimento foi rápido, já que tenho plano de saúde. Em 40 minutos, eu já estava liberada. Se dependesse de hospital público, rotina que já foi minha até um passado recente, certamente precisaria de mais tempo até receber o diagnóstico.

A maioria das pessoas que procuravam atendimento no hospital tinha sinais da chikungunya, inclusive com as mesmas dores no corpo que eu. Isso ajudou na identificação da causa.

Bem, o médico receitou uma injeção de dipirona, medicamento que eu teria de tomar de seis em seis horas a partir dali. Também ministrou um outro remédio para a zika, que fariam passar a coceira e as manchas vermelhas.

Um remédio para dor, outro para coceira. Fora isso, manter-se sempre hidratada. Muito soro, muita água, muito suco de goiaba. A medicação melhorou um pouco meu estado de saúde no domingo.

Mas, na segunda, levantar-se da cama foi um sacrifício. Andar é muito dolorido. Amanheci com muitas dores — muitas mesmo — nas pernas, principalmente, nos joelhos e nos pés, e nas mãos. Até para digitar no celular é horrível. Para se ter uma noção, preciso de ajuda até para vestir a roupa. Minha mãe penteia o meu cabelo. Não consigo nem fechar a mão. Os pés também seguem inchados.

O antialérgico receitado pelo médico amenizou a incidência dos caroços que se acumulavam pelo meu corpo. Nem mesmo o rosto escapava. Meu olho estava inchado no domingo. No entanto, um alento: não tive febre até agora. Que continue assim nos próximos dias.

> Nos próximos dias, a repórter Lyvia Rocha, do Tribuna do Ceará, vai relatar o dia a dia de um paciente com chikungunya. Por enquanto, ela está de molho em casa. Este texto, apesar de estar em 1ª pessoa, foi redigido por um repórter na redação, a partir de conversa por telefone.

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Diário da Chikungunya #1: Repórter relata as dores e marcas deixadas pela doença

A repórter Lyvia Rocha fará um diário durante os dias de tratamento depois que foi diagnosticada com chikungunya

Por Lyvia Rocha em Saúde

10 de abril de 2017 às 11:39

Há 2 anos
Lyvia Rocha está com chicuncunya, e também com zika (FOTO: Acervo pessoal)

Lyvia Rocha está com chicuncunya, e também com zika (FOTO: Acervo pessoal)

Começou na noite deste sábado (8) à noite. Meu joelho começou a doer intensamente. Não consegui dormir. Optei por ir ao hospital só na manhã deste domingo (9), e veio a suspeita: febre chikungunya. Virei mais um número na estatística do surto da doença no Ceará em 2017.

Diante disso, o médico perguntou se havia registros da doença no bairro em que moro, e a assertiva confirmou o prognóstico. Meu corpo estava empolado, cheio de caroços e todo vermelho, efeito do inevitável coçar. Não bastasse, o médico ainda identificou resquícios de zika.

Meu atendimento foi rápido, já que tenho plano de saúde. Em 40 minutos, eu já estava liberada. Se dependesse de hospital público, rotina que já foi minha até um passado recente, certamente precisaria de mais tempo até receber o diagnóstico.

A maioria das pessoas que procuravam atendimento no hospital tinha sinais da chikungunya, inclusive com as mesmas dores no corpo que eu. Isso ajudou na identificação da causa.

Bem, o médico receitou uma injeção de dipirona, medicamento que eu teria de tomar de seis em seis horas a partir dali. Também ministrou um outro remédio para a zika, que fariam passar a coceira e as manchas vermelhas.

Um remédio para dor, outro para coceira. Fora isso, manter-se sempre hidratada. Muito soro, muita água, muito suco de goiaba. A medicação melhorou um pouco meu estado de saúde no domingo.

Mas, na segunda, levantar-se da cama foi um sacrifício. Andar é muito dolorido. Amanheci com muitas dores — muitas mesmo — nas pernas, principalmente, nos joelhos e nos pés, e nas mãos. Até para digitar no celular é horrível. Para se ter uma noção, preciso de ajuda até para vestir a roupa. Minha mãe penteia o meu cabelo. Não consigo nem fechar a mão. Os pés também seguem inchados.

O antialérgico receitado pelo médico amenizou a incidência dos caroços que se acumulavam pelo meu corpo. Nem mesmo o rosto escapava. Meu olho estava inchado no domingo. No entanto, um alento: não tive febre até agora. Que continue assim nos próximos dias.

> Nos próximos dias, a repórter Lyvia Rocha, do Tribuna do Ceará, vai relatar o dia a dia de um paciente com chikungunya. Por enquanto, ela está de molho em casa. Este texto, apesar de estar em 1ª pessoa, foi redigido por um repórter na redação, a partir de conversa por telefone.