Tasso diz que Bolsonaro está queimando capital político com questões inúteis

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Tasso diz que Bolsonaro está queimando capital político com questões inúteis

O senador disse ainda que falta foco ao governo e que Bolsonaro perdeu prazo ideal para encaminhar a reforma da previdência

Por Tribuna do Ceará em Política

18 de março de 2019 às 12:18

Há 1 mês
Tasso Jereissati mostrou preocupação com desorganização do Governo Bolsonaro. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

Tasso Jereissati mostrou preocupação com desorganização do Governo Bolsonaro. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

O senador Tasso Jereissati (PSDB), futuro relator da reforma da Previdência Social quando a proposta chegar ao Senado, fez críticas à condução política do presidente Jair Bolsonaro em entrevista ao jornal Valor Econômico, publicada nesta segunda-feira (18). Para Tasso, o Governo Bolsonaro está queimando capital político com questões “inúteis” que podem comprometer a aprovação das mudanças nas regras de aposentadoria, consideradas cruciais para equacionar a crise econômica no País.

“Nunca tivemos um momento tão propício para fazer a reforma. Justiça seja feita ao (ex-presidente) Michel Temer, ele quebrou o tabu e abriu a discussão. Todo governo tinha muita dificuldade de entrar de frente nesse assunto. A primeira dificuldade vem do próprio governo, com bate-cabeças e bobagens ditas e feitas pelo presidente, assuntos secundários e polêmicos levantados desnecessariamente, trazendo para dentro do Congresso discussões e rejeições. Há uma falta de foco do governo”, criticou Tasso.

Apesar de crítico da atual gestão, o senador mostra preocupação com o risco de fracasso da agenda econômica. Mesmo contrário à adesão do PSDB ao governo, pela divergência com a visão conservadora dos costumes do grupo de Bolsonaro, Tasso quer ajudar a aprovar a reforma.

O primeiro prejuízo, segundo o senador, é o tempo. O prazo ideal para dar rumo à discussão eram os dois primeiros meses de governo, janeiro e fevereiro. Além disso, o senador lembra que as principais pressões ainda nem começaram.

“Na Câmara, tem que passar até julho. Voltando do recesso parlamentar sem ter resolvido na Câmara, vai ficar muito difícil. Passa uma coisinha ou outra, mas bem magrinha. Enquanto o presidente estiver com boa popularidade, a força moral dele sobre o parlamento é grande. Mas a gente que está aqui há muito tempo sabe que isso acaba. Se na lua-de-mel as coisas não acontecem, vai se complicar”.

Previdência e Orçamento

O tucano considera “boa” a proposta para a Previdência, mas pontua que são necessários ajustes.

“É urgente que Bolsonaro assuma o controle e diga qual é a cara do governo e o que ele espera de nós do Congresso. Tem que dizer qual é o projeto dele”

Ele é contrário também à tramitação da proposta de desvinculação total dos recursos orçamentários juntamente com a Previdência porque, segundo ele, coloca parlamentares das bancadas da saúde e da educação contra a reforma. “Muita gente que potencialmente votaria a favor da Previdência passará a ser contra. Você acha que a bancada da Saúde, por exemplo, é a favor de desvincular? A da Educação, na qual a questão da vinculação de um percentual do Orçamento é quase sagrada? Cria um núcleo de insatisfação por uma ação errada do próprio governo”, ressalta.

Para Tasso, falta uniformidade ao Governo Bolsonaro: “é um Frankenstein, um objeto disforme”. Na entrevista, ele cita como exemplo da falta de unidade a divergência entre a agenda liberal do ministro da Economia, Paulo Guedes, e o discurso antiglobalista do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

“Parece que Bolsonaro ainda não assumiu o papel de presidente da República do Brasil. Essa é a sensação que passa. Ele não sentou e falou ‘eu sou o presidente de todos e quero harmonia’. Ao contrário: ele está fomentando a discórdia. É a antítese do que um presidente quer para o seu governo. Ele não pode sair por aí dizendo qualquer coisa, polêmica, às vezes fora da realidade, que pode até ser a opinião pessoal dele, mas não é a do país. E agora ele fala pelo país”, disse Tasso.

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REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Tasso diz que Bolsonaro está queimando capital político com questões inúteis

O senador disse ainda que falta foco ao governo e que Bolsonaro perdeu prazo ideal para encaminhar a reforma da previdência

Por Tribuna do Ceará em Política

18 de março de 2019 às 12:18

Há 1 mês
Tasso Jereissati mostrou preocupação com desorganização do Governo Bolsonaro. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

Tasso Jereissati mostrou preocupação com desorganização do Governo Bolsonaro. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

O senador Tasso Jereissati (PSDB), futuro relator da reforma da Previdência Social quando a proposta chegar ao Senado, fez críticas à condução política do presidente Jair Bolsonaro em entrevista ao jornal Valor Econômico, publicada nesta segunda-feira (18). Para Tasso, o Governo Bolsonaro está queimando capital político com questões “inúteis” que podem comprometer a aprovação das mudanças nas regras de aposentadoria, consideradas cruciais para equacionar a crise econômica no País.

“Nunca tivemos um momento tão propício para fazer a reforma. Justiça seja feita ao (ex-presidente) Michel Temer, ele quebrou o tabu e abriu a discussão. Todo governo tinha muita dificuldade de entrar de frente nesse assunto. A primeira dificuldade vem do próprio governo, com bate-cabeças e bobagens ditas e feitas pelo presidente, assuntos secundários e polêmicos levantados desnecessariamente, trazendo para dentro do Congresso discussões e rejeições. Há uma falta de foco do governo”, criticou Tasso.

Apesar de crítico da atual gestão, o senador mostra preocupação com o risco de fracasso da agenda econômica. Mesmo contrário à adesão do PSDB ao governo, pela divergência com a visão conservadora dos costumes do grupo de Bolsonaro, Tasso quer ajudar a aprovar a reforma.

O primeiro prejuízo, segundo o senador, é o tempo. O prazo ideal para dar rumo à discussão eram os dois primeiros meses de governo, janeiro e fevereiro. Além disso, o senador lembra que as principais pressões ainda nem começaram.

“Na Câmara, tem que passar até julho. Voltando do recesso parlamentar sem ter resolvido na Câmara, vai ficar muito difícil. Passa uma coisinha ou outra, mas bem magrinha. Enquanto o presidente estiver com boa popularidade, a força moral dele sobre o parlamento é grande. Mas a gente que está aqui há muito tempo sabe que isso acaba. Se na lua-de-mel as coisas não acontecem, vai se complicar”.

Previdência e Orçamento

O tucano considera “boa” a proposta para a Previdência, mas pontua que são necessários ajustes.

“É urgente que Bolsonaro assuma o controle e diga qual é a cara do governo e o que ele espera de nós do Congresso. Tem que dizer qual é o projeto dele”

Ele é contrário também à tramitação da proposta de desvinculação total dos recursos orçamentários juntamente com a Previdência porque, segundo ele, coloca parlamentares das bancadas da saúde e da educação contra a reforma. “Muita gente que potencialmente votaria a favor da Previdência passará a ser contra. Você acha que a bancada da Saúde, por exemplo, é a favor de desvincular? A da Educação, na qual a questão da vinculação de um percentual do Orçamento é quase sagrada? Cria um núcleo de insatisfação por uma ação errada do próprio governo”, ressalta.

Para Tasso, falta uniformidade ao Governo Bolsonaro: “é um Frankenstein, um objeto disforme”. Na entrevista, ele cita como exemplo da falta de unidade a divergência entre a agenda liberal do ministro da Economia, Paulo Guedes, e o discurso antiglobalista do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

“Parece que Bolsonaro ainda não assumiu o papel de presidente da República do Brasil. Essa é a sensação que passa. Ele não sentou e falou ‘eu sou o presidente de todos e quero harmonia’. Ao contrário: ele está fomentando a discórdia. É a antítese do que um presidente quer para o seu governo. Ele não pode sair por aí dizendo qualquer coisa, polêmica, às vezes fora da realidade, que pode até ser a opinião pessoal dele, mas não é a do país. E agora ele fala pelo país”, disse Tasso.