"Militância precisa entrar em partidos", defende líder da nova direita do Ceará

ENTREVISTA

“Militância precisa entrar em partidos”, defende líder da nova direita do Ceará

Líder do Movimento Direita Ceará, Heitor Freire se diz empolgado com o crescimento das ideologias direitistas

Por Matheus Ribeiro em Política

5 de julho de 2016 às 07:00

Há 3 anos
Heitor Freire é vice-presidente do PSC Ceará (FOTO: Arquivo Pessoal)

Heitor Freire é vice-presidente do PSC Ceará (FOTO: Arquivo Pessoal)

Comparando-se com uma guerra, a arma utilizada por jovens líderes que influenciam multidões pelo país seria a ideologia. Destinado a oferecer um país melhor aos seus filhos, o Líder do Movimento Direita Ceará, Heitor Freire, de 34 anos, exibe com orgulho o crescente número de apoiadores dos princípios do movimento no Ceará. Sendo também vice-presidente estadual do Partido Social Cristão (PSC), Heitor compõe a banca organizadora do I Simpósio Direita na Terra da Luz, que ocorrerá no dia 7 de julho, em Fortaleza, e terá como convidado principal o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC).

Natural de Juazeiro do Norte, mas criado no município de Iguatu, a 380 km de Fortaleza, Heitor conta que sempre teve que lutar bastante para conquistar seus objetivos. Aos 18 anos, o cearense decidiu morar fora do país para conquistar uma vida melhor para si.

“Fui para os EUA, sem ser mandado pelos meus pais. Lá eu tive a oportunidade de estudar e me formar em Administração. Fiz pós graduações também, mas foi na Inglaterra que fiz meu mestrado e tive meus filhos. Passei 14 anos fora e saí de um país completamente diferente do que vejo hoje”, explicou em entrevista. 

Casado há 10 anos e pai de três filhos, engana-se quem pensa que o militante da direita sempre foi ligado diretamente com a política brasileira. “Eu nunca gostei de política, para falar a verdade. Eu tinha visão de que a política era suja e que não havia mais jeito, por isso nunca havia me interessado. Nunca tive interesse enquanto era solteiro e não tinha filhos. Hoje, com três filhos, venho com o objetivo de buscar uma vida melhor para eles”, relatou.

Heitor Freire concedeu entrevista ao Tribuna do Ceará e contou suas expectativas para a política nacional.

Heitor Freire
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Heitor Freire

Heitor, sua esposa Danielle Freire e os três filhos (FOTO: Arquivo Pessoal)

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Heitor Freire é vice-presidente do PSC Ceará (FOTO: Arquivo Pessoal)

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Heitor Freire é vice-presidente do PSC Ceará (FOTO: Arquivo Pessoal)

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Heitor Freire é vice-presidente do PSC Ceará (FOTO: Arquivo Pessoal)

 

Tribuna do Ceará – Qual o objetivo do I Simpósio Direita na Terra da Luz?
Heitor Freire – O Simpósio conta com o apoio do PSC Fortaleza e PSC Jovem e do Movimento Direita Ceará. Ele tem o objetivo de fortalecer a Direita em nosso estado, unir os movimentos e ajudar a politizar a sociedade quanto a consciência política.

Tribuna – Depois de muito tempo, por que você decidiu entrar para a política?
Heitor – Quando eu voltei da Inglaterra, em 2012, o Brasil estava no auge dos escândalos de corrupções. Aquilo era assustador e eu vi um declínio muito grande da sociedade. Então, eu percebi que a sociedade precisava mais de liberdade de expressão, de tolerância religiosa, e quando eu cheguei comecei a frequentar os movimentos de rua com a intenção de conseguir isso. Comecei naqueles movimentos da Copa do Mundo. Eu peguei todas aquelas manifestações. E aquilo foi gerando em mim um espírito de querer clamar por algo maior, ou seja, mostrar realmente que podemos mudar para melhor. Quando conseguimos o impeachment, a ficha caiu. Nós vimos que, na verdade, tem uma estrutura de corrupção toda formada e a única maneira de corrigir isso é colocando novos políticos, com novas visões. Pessoas sem apadrinhamento político, sem bagagem corrupta. A verdade é que nós saímos das redes sociais e fomos pras ruas. Agora, precisamos sair das ruas e ir para a política.

Nós saímos das redes sociais e fomos pras ruas. Agora, precisamos sair das ruas e ir para a política”.

Tribuna – Como vocês pensam em fortalecer a militância de direita no Ceará?
Heitor – A única maneira de fazer isso é ocupando os partidos. A nossa estratégia é ocupar os espaços e começarmos a nos filiarmos aos partidos. No caso do PSC, nós temos o pastor Everaldo, que é de direita, e é uma pessoa importantíssima em nosso partido. Agora, veio a figura do (Jair) Bolsonaro. Então, com todos esses políticos vindo para o PSC, nosso partido começou a respirar novos ares de direita. Eu fui para o PSC, fiz minha filiação e chamei muitos dos meus amigos de direita para o partido. E nós continuamos com essa filiação em massa. Nos últimos dois meses, quase 500 pessoas dos movimentos de direita do Ceará se filiaram. A nossa estratégia é ocupar os partidos e alavancar a ideologia de direita no Ceará”.

Tribuna – O que te atrai na política?
Heitor – O que sempre me inspirou em tudo na minha vida foram os meus filhos. Dar um futuro melhor para eles sempre foi um objetivo. Mas o que me inspira ainda hoje é resgatar os valores que vêm sendo degradados aos poucos e perdidos nos últimos 10 anos. Temos que retornar os princípios conservadores de direita. Isso é exatamente o que grande parte da população quer. Esses tipos de eventos, como o Simpósio, é o que queremos fazer. Ou seja, mobilizar um grande número de pessoas em busca de um país melhor”.

“Temos que retornar os princípios conservadores de direita”.

Tribuna – Quais são as suas expectativas para a política no Brasil?
Heitor – Ultimamente eu estava conversando com trabalhadores na Praça do Ferreira e algo me chamou atenção. Se você perguntar o nome dos jogadores da seleção brasileira, tem gente que não sabe quem são todos que estão ali. Mas hoje, todo mundo sabe o nome dos ministros do STF. A população esttá evoluindo no quesito político. E em 2018 não vai ser o dinheiro que vai mandar, mas sim a ideologia. Eu acredito que o país está em mudança para melhor. Esse processo de impeachment vai se concluir e a cassação de corruptos vai continuar. A população vai exigir bons políticos, com ideologias positivas e, daqui a 10 anos, o Brasil vai estar numa situação bem melhor economicamente, socialmente. No país onde eu realmente quero criar meus filhos.

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“Militância precisa entrar em partidos”, defende líder da nova direita do Ceará

Líder do Movimento Direita Ceará, Heitor Freire se diz empolgado com o crescimento das ideologias direitistas

Por Matheus Ribeiro em Política

5 de julho de 2016 às 07:00

Há 3 anos
Heitor Freire é vice-presidente do PSC Ceará (FOTO: Arquivo Pessoal)

Heitor Freire é vice-presidente do PSC Ceará (FOTO: Arquivo Pessoal)

Comparando-se com uma guerra, a arma utilizada por jovens líderes que influenciam multidões pelo país seria a ideologia. Destinado a oferecer um país melhor aos seus filhos, o Líder do Movimento Direita Ceará, Heitor Freire, de 34 anos, exibe com orgulho o crescente número de apoiadores dos princípios do movimento no Ceará. Sendo também vice-presidente estadual do Partido Social Cristão (PSC), Heitor compõe a banca organizadora do I Simpósio Direita na Terra da Luz, que ocorrerá no dia 7 de julho, em Fortaleza, e terá como convidado principal o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC).

Natural de Juazeiro do Norte, mas criado no município de Iguatu, a 380 km de Fortaleza, Heitor conta que sempre teve que lutar bastante para conquistar seus objetivos. Aos 18 anos, o cearense decidiu morar fora do país para conquistar uma vida melhor para si.

“Fui para os EUA, sem ser mandado pelos meus pais. Lá eu tive a oportunidade de estudar e me formar em Administração. Fiz pós graduações também, mas foi na Inglaterra que fiz meu mestrado e tive meus filhos. Passei 14 anos fora e saí de um país completamente diferente do que vejo hoje”, explicou em entrevista. 

Casado há 10 anos e pai de três filhos, engana-se quem pensa que o militante da direita sempre foi ligado diretamente com a política brasileira. “Eu nunca gostei de política, para falar a verdade. Eu tinha visão de que a política era suja e que não havia mais jeito, por isso nunca havia me interessado. Nunca tive interesse enquanto era solteiro e não tinha filhos. Hoje, com três filhos, venho com o objetivo de buscar uma vida melhor para eles”, relatou.

Heitor Freire concedeu entrevista ao Tribuna do Ceará e contou suas expectativas para a política nacional.

Heitor Freire
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Heitor Freire

Heitor, sua esposa Danielle Freire e os três filhos (FOTO: Arquivo Pessoal)

Heitor Freire
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Heitor Freire

Heitor Freire é vice-presidente do PSC Ceará (FOTO: Arquivo Pessoal)

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Heitor Freire

Heitor Freire é vice-presidente do PSC Ceará (FOTO: Arquivo Pessoal)

Heitor Freire
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Heitor Freire

Heitor Freire é vice-presidente do PSC Ceará (FOTO: Arquivo Pessoal)

 

Tribuna do Ceará – Qual o objetivo do I Simpósio Direita na Terra da Luz?
Heitor Freire – O Simpósio conta com o apoio do PSC Fortaleza e PSC Jovem e do Movimento Direita Ceará. Ele tem o objetivo de fortalecer a Direita em nosso estado, unir os movimentos e ajudar a politizar a sociedade quanto a consciência política.

Tribuna – Depois de muito tempo, por que você decidiu entrar para a política?
Heitor – Quando eu voltei da Inglaterra, em 2012, o Brasil estava no auge dos escândalos de corrupções. Aquilo era assustador e eu vi um declínio muito grande da sociedade. Então, eu percebi que a sociedade precisava mais de liberdade de expressão, de tolerância religiosa, e quando eu cheguei comecei a frequentar os movimentos de rua com a intenção de conseguir isso. Comecei naqueles movimentos da Copa do Mundo. Eu peguei todas aquelas manifestações. E aquilo foi gerando em mim um espírito de querer clamar por algo maior, ou seja, mostrar realmente que podemos mudar para melhor. Quando conseguimos o impeachment, a ficha caiu. Nós vimos que, na verdade, tem uma estrutura de corrupção toda formada e a única maneira de corrigir isso é colocando novos políticos, com novas visões. Pessoas sem apadrinhamento político, sem bagagem corrupta. A verdade é que nós saímos das redes sociais e fomos pras ruas. Agora, precisamos sair das ruas e ir para a política.

Nós saímos das redes sociais e fomos pras ruas. Agora, precisamos sair das ruas e ir para a política”.

Tribuna – Como vocês pensam em fortalecer a militância de direita no Ceará?
Heitor – A única maneira de fazer isso é ocupando os partidos. A nossa estratégia é ocupar os espaços e começarmos a nos filiarmos aos partidos. No caso do PSC, nós temos o pastor Everaldo, que é de direita, e é uma pessoa importantíssima em nosso partido. Agora, veio a figura do (Jair) Bolsonaro. Então, com todos esses políticos vindo para o PSC, nosso partido começou a respirar novos ares de direita. Eu fui para o PSC, fiz minha filiação e chamei muitos dos meus amigos de direita para o partido. E nós continuamos com essa filiação em massa. Nos últimos dois meses, quase 500 pessoas dos movimentos de direita do Ceará se filiaram. A nossa estratégia é ocupar os partidos e alavancar a ideologia de direita no Ceará”.

Tribuna – O que te atrai na política?
Heitor – O que sempre me inspirou em tudo na minha vida foram os meus filhos. Dar um futuro melhor para eles sempre foi um objetivo. Mas o que me inspira ainda hoje é resgatar os valores que vêm sendo degradados aos poucos e perdidos nos últimos 10 anos. Temos que retornar os princípios conservadores de direita. Isso é exatamente o que grande parte da população quer. Esses tipos de eventos, como o Simpósio, é o que queremos fazer. Ou seja, mobilizar um grande número de pessoas em busca de um país melhor”.

“Temos que retornar os princípios conservadores de direita”.

Tribuna – Quais são as suas expectativas para a política no Brasil?
Heitor – Ultimamente eu estava conversando com trabalhadores na Praça do Ferreira e algo me chamou atenção. Se você perguntar o nome dos jogadores da seleção brasileira, tem gente que não sabe quem são todos que estão ali. Mas hoje, todo mundo sabe o nome dos ministros do STF. A população esttá evoluindo no quesito político. E em 2018 não vai ser o dinheiro que vai mandar, mas sim a ideologia. Eu acredito que o país está em mudança para melhor. Esse processo de impeachment vai se concluir e a cassação de corruptos vai continuar. A população vai exigir bons políticos, com ideologias positivas e, daqui a 10 anos, o Brasil vai estar numa situação bem melhor economicamente, socialmente. No país onde eu realmente quero criar meus filhos.