Investigado na operação Lava-Jato, Padre Zé votou a favor de Impeachment de Collor


Investigado na operação Lava-Jato, Padre Zé votou a favor de Impeachment de Collor

Além dele, outros parlamentares participaram da votação do único Impeachment da história política do Brasil, como Edson Silva, Maria Luiza Fontenele e Moroni Torgan

Por Tribuna do Ceará em Política

13 de março de 2015 às 11:00

Há 4 anos
Investigado pelo STF em operação de corrupção, Padre Zé foi a favor de Impeachment de Collor (FOTO: Divulgação)

Investigado pelo STF em operação de corrupção, Padre Zé foi a favor de Impeachment de Collor (FOTO: Divulgação)

Citado na lista de envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras, o ex-deputado federal Padre José Linhares, por ironia, votou a favor do Impeachment de Fernando Collor, em 1992. Na época, votou em prol das punições pelos crimes realizados pelo então presidente. Além dele, outros parlamentares cearenses também participaram da votação, como Edson Silva, Maria Luiza Fontenele e Moroni Torgan.

Padre Zé Linhares, o atual presidente do Conselho de Educação Estadual (CEE), será investigado no processo da operação “Lava-Jato” pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O Tribuna do Ceará entrou em contato com a assessoria de imprensa do CEE. Segundo o órgão, o ex-parlamentar viajou a trabalho para Goiânia e não deu nenhuma declaração ou orientação sobre o assunto.

José Linhares, nascido em Sobral, é sacerdote, filósofo, professor, psicólogo e pedagogo, e foi deputado federal de 1991 a 2014. Sem cargo na Câmara, foi premiado com vaga no CEE, após negociação envolvendo seu partido, o PP.

Além do Padre Zé, mais 21 deputados do Ceará votaram na época, sendo outros 18 a favor do Impeachment e dois contra. Somente um parlamentar esteve ausente: Antonio dos Santos (PFL). Confira a lista:

A favor do Impeachment:

  • Aécio de Borba (PDS),
  • Ariosto Holanda (PSB),
  • Carlos Benevides (PMDB),
  • Edson Silva (PDT),
  • Ernani Viana (PSDB),
  • Gonzaga Mota (PMDB),
  • Jackson Pereira (PSDB),
  • José Linhares (PSDB),
  • Luiz Girão (PDT),
  • Luiz Pontes (PSDB),
  • Marco Penaforte (PSDB),
  • Maria Luiza Fontenele (PSB),
  • Mauro Sampaio (PSDB),
  • Moroni Torgan (PSDB),
  • Orlando Bezerra (Bloco),
  • Pinheiro Landim (PMDB),
  • Sérgio Machado (PSDB),
  • Ubiratan Aguiar (PMDB),
  • Vicente Fialho (Bloco).

Contra o Impeachment:
Carlos Virgiílio (PDS),
Etevaldo Nogueira (Bloco).

Impeachment de ontem e de hoje

A ex-prefeita de Fortaleza Maria Luiza Fontenele era deputada federal na época do Impeachment de Collor. Ela ainda considerava a política de representação eficaz, com o lema de “Nem Collor, nem Itamar, democracia direta já”.

Na época, ainda existia o gostinho das manifestações pelas “Diretas já”. “Você tinha um processo de Impeachment que transitava por dentro do parlamento e por fora. Eu estava na articulação com movimento social. Havia extrema inflação, atravessando um momento grave, com o molho que não é como o de hoje. Havia o processo de corrupção, mas tinha um problema do comportamento do Collor”, relembra a cearense, que hoje compõe o grupo Crítica Radical.

Atualmente, há um movimento que pede o Impeachment de Dilma Rousseff (PT), porém Maria Luiza já não acredita mais nessa possibilidade. “Hoje não estamos totalmente fora da política. Nem Impeachment, nem conciliação, queremos emancipação”.

Para ela, o que mudou dos insatisfeitos de 1992 para os de 2015 foram duas vertentes. “Hoje a juventude está mais contra a política, no entanto você não tem perspectiva de transformação da sociedade. Antes tinha a possibilidade”.

Em sua opinião, a corrupção exacerbada e o pedido de Impeachment é dar sustentação ao sistema capitalista, “que não tem mais saída”. “Como um Impeachment pode ter saída?”, indaga. Para ela, a única resposta é mudar não só a forma de governo, mas a relação das pessoas.

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Investigado na operação Lava-Jato, Padre Zé votou a favor de Impeachment de Collor

Além dele, outros parlamentares participaram da votação do único Impeachment da história política do Brasil, como Edson Silva, Maria Luiza Fontenele e Moroni Torgan

Por Tribuna do Ceará em Política

13 de março de 2015 às 11:00

Há 4 anos
Investigado pelo STF em operação de corrupção, Padre Zé foi a favor de Impeachment de Collor (FOTO: Divulgação)

Investigado pelo STF em operação de corrupção, Padre Zé foi a favor de Impeachment de Collor (FOTO: Divulgação)

Citado na lista de envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras, o ex-deputado federal Padre José Linhares, por ironia, votou a favor do Impeachment de Fernando Collor, em 1992. Na época, votou em prol das punições pelos crimes realizados pelo então presidente. Além dele, outros parlamentares cearenses também participaram da votação, como Edson Silva, Maria Luiza Fontenele e Moroni Torgan.

Padre Zé Linhares, o atual presidente do Conselho de Educação Estadual (CEE), será investigado no processo da operação “Lava-Jato” pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O Tribuna do Ceará entrou em contato com a assessoria de imprensa do CEE. Segundo o órgão, o ex-parlamentar viajou a trabalho para Goiânia e não deu nenhuma declaração ou orientação sobre o assunto.

José Linhares, nascido em Sobral, é sacerdote, filósofo, professor, psicólogo e pedagogo, e foi deputado federal de 1991 a 2014. Sem cargo na Câmara, foi premiado com vaga no CEE, após negociação envolvendo seu partido, o PP.

Além do Padre Zé, mais 21 deputados do Ceará votaram na época, sendo outros 18 a favor do Impeachment e dois contra. Somente um parlamentar esteve ausente: Antonio dos Santos (PFL). Confira a lista:

A favor do Impeachment:

  • Aécio de Borba (PDS),
  • Ariosto Holanda (PSB),
  • Carlos Benevides (PMDB),
  • Edson Silva (PDT),
  • Ernani Viana (PSDB),
  • Gonzaga Mota (PMDB),
  • Jackson Pereira (PSDB),
  • José Linhares (PSDB),
  • Luiz Girão (PDT),
  • Luiz Pontes (PSDB),
  • Marco Penaforte (PSDB),
  • Maria Luiza Fontenele (PSB),
  • Mauro Sampaio (PSDB),
  • Moroni Torgan (PSDB),
  • Orlando Bezerra (Bloco),
  • Pinheiro Landim (PMDB),
  • Sérgio Machado (PSDB),
  • Ubiratan Aguiar (PMDB),
  • Vicente Fialho (Bloco).

Contra o Impeachment:
Carlos Virgiílio (PDS),
Etevaldo Nogueira (Bloco).

Impeachment de ontem e de hoje

A ex-prefeita de Fortaleza Maria Luiza Fontenele era deputada federal na época do Impeachment de Collor. Ela ainda considerava a política de representação eficaz, com o lema de “Nem Collor, nem Itamar, democracia direta já”.

Na época, ainda existia o gostinho das manifestações pelas “Diretas já”. “Você tinha um processo de Impeachment que transitava por dentro do parlamento e por fora. Eu estava na articulação com movimento social. Havia extrema inflação, atravessando um momento grave, com o molho que não é como o de hoje. Havia o processo de corrupção, mas tinha um problema do comportamento do Collor”, relembra a cearense, que hoje compõe o grupo Crítica Radical.

Atualmente, há um movimento que pede o Impeachment de Dilma Rousseff (PT), porém Maria Luiza já não acredita mais nessa possibilidade. “Hoje não estamos totalmente fora da política. Nem Impeachment, nem conciliação, queremos emancipação”.

Para ela, o que mudou dos insatisfeitos de 1992 para os de 2015 foram duas vertentes. “Hoje a juventude está mais contra a política, no entanto você não tem perspectiva de transformação da sociedade. Antes tinha a possibilidade”.

Em sua opinião, a corrupção exacerbada e o pedido de Impeachment é dar sustentação ao sistema capitalista, “que não tem mais saída”. “Como um Impeachment pode ter saída?”, indaga. Para ela, a única resposta é mudar não só a forma de governo, mas a relação das pessoas.