FHC aponta corrupção em financiamento de campanha e admite: “somos fruto disso”.


FHC aponta corrupção em financiamento de campanha e admite: “somos fruto disso”

Ex-presidente afirmou que “tem fé” na ida de Aécio Neves para o segundo turno das eleições presidenciais

Por Pedro Alves em Política

30 de setembro de 2014 às 09:54

Há 5 anos
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Ex-presidente FHC (foto: Divulgação)

A convite de entidades representantes de construtoras, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) deu palestra em Fortaleza nesta segunda-feira (29), ocasião em que criticou o financiamento de campanhas eleitorais por empresas. Ele relacionou o financiamento privado à corrupção. “Eleição no Brasil é compra de voto, direto ou indireto”. Eleito senador em 1978 e duas vezes presidente (1994 e 1998), Fernando Henrique admitiu que sua fala é também uma autocrítica. “Não estou criticando A, B ou C, pois nós todos somos fruto disso”, disse.

Após o fim da palestra, o presidente do Sindicato das Construtores do Ceará (Sinduscon-CE), André Montenegro, disse que concorda com FHC e que recomenda às construtores filiadas que não doem para campanhas. “A gente recomenda que não participem financeiramente das campanhas, embora a lei permita”, afirmou. FHC disse que a crise das instituições, por causa da corrupção, e as falhas no sistema político brasileiro, representam problema ainda mais grave que o baixo desempenho na economia. Ele afirmou que a presidente Dilma Rouseff (PT) merece um prêmio Nobel por “arrebentar” o setor de petróleo, etanol e energia.

Sistema político

O tucano ainda apontou o que seria uma reforma política possível, em sua visão. Uma das medidas seria repensar o financiamento das campanhas eleitorais, tendo como possibilidade o uso de dinheiro público. No atual modelo, segundo ele, o candidato financiado se tornou um “corretor” que recebe dinheiro das empresas e repassa para o marqueteiro da campanha. “Também deveria ser proibido uma mesma empresa doar para todas as campanhas; devia-se impor alguma legitimidade política nesse financiamento”, defendeu. O ex-presidente também quer limites na produção dos programas eleitorais de TV. Segundo ele, deveriam ser proibidas as grandes produções da publicidade eleitoral que, segundo afirmou, não retratam a realidade.

FHC atualmente é presidente de honra do PSDB, e membro dos ELDERS, grupo independente de líderes globais que trabalham pelos direitos humanos, criado em 2007 por Nelson Mandela. FHC preside também Comissão Global sobre Política de Drogas e veio a Fortaleza a convite do Sinduscon, em parceria com a Cooperativa de Construtoras do Ceará (Coopercon-CE).

Gestão econômica

A política econômica do Governo Federal foi um dos temas mais abordados por FHC, em cerca de duas horas de palestra. Ele afirmou que Dilma consegiu fazer algo “muito difícil” ao colocar em crise os setores do petróleo, etanol e energia. “Ela merece um Nobel”, ironizou. Ele criticou ainda o modelo de isenção tributária adotado pelo Governo. “Uma hora é beneficiado um setor, e outra hora, outro setor. E os outros? Porque isso? Fica até esquisito”, questionou FHC, em entrevista coletiva após a palestra. O ex-presidente afirmou também que ainda acredita na ida do candidato Aécio Neves (PSDB) para o segundo turno das eleições presidenciais.

Publicidade

Dê sua opinião

FHC aponta corrupção em financiamento de campanha e admite: “somos fruto disso”

Ex-presidente afirmou que “tem fé” na ida de Aécio Neves para o segundo turno das eleições presidenciais

Por Pedro Alves em Política

30 de setembro de 2014 às 09:54

Há 5 anos
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Ex-presidente FHC (foto: Divulgação)

A convite de entidades representantes de construtoras, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) deu palestra em Fortaleza nesta segunda-feira (29), ocasião em que criticou o financiamento de campanhas eleitorais por empresas. Ele relacionou o financiamento privado à corrupção. “Eleição no Brasil é compra de voto, direto ou indireto”. Eleito senador em 1978 e duas vezes presidente (1994 e 1998), Fernando Henrique admitiu que sua fala é também uma autocrítica. “Não estou criticando A, B ou C, pois nós todos somos fruto disso”, disse.

Após o fim da palestra, o presidente do Sindicato das Construtores do Ceará (Sinduscon-CE), André Montenegro, disse que concorda com FHC e que recomenda às construtores filiadas que não doem para campanhas. “A gente recomenda que não participem financeiramente das campanhas, embora a lei permita”, afirmou. FHC disse que a crise das instituições, por causa da corrupção, e as falhas no sistema político brasileiro, representam problema ainda mais grave que o baixo desempenho na economia. Ele afirmou que a presidente Dilma Rouseff (PT) merece um prêmio Nobel por “arrebentar” o setor de petróleo, etanol e energia.

Sistema político

O tucano ainda apontou o que seria uma reforma política possível, em sua visão. Uma das medidas seria repensar o financiamento das campanhas eleitorais, tendo como possibilidade o uso de dinheiro público. No atual modelo, segundo ele, o candidato financiado se tornou um “corretor” que recebe dinheiro das empresas e repassa para o marqueteiro da campanha. “Também deveria ser proibido uma mesma empresa doar para todas as campanhas; devia-se impor alguma legitimidade política nesse financiamento”, defendeu. O ex-presidente também quer limites na produção dos programas eleitorais de TV. Segundo ele, deveriam ser proibidas as grandes produções da publicidade eleitoral que, segundo afirmou, não retratam a realidade.

FHC atualmente é presidente de honra do PSDB, e membro dos ELDERS, grupo independente de líderes globais que trabalham pelos direitos humanos, criado em 2007 por Nelson Mandela. FHC preside também Comissão Global sobre Política de Drogas e veio a Fortaleza a convite do Sinduscon, em parceria com a Cooperativa de Construtoras do Ceará (Coopercon-CE).

Gestão econômica

A política econômica do Governo Federal foi um dos temas mais abordados por FHC, em cerca de duas horas de palestra. Ele afirmou que Dilma consegiu fazer algo “muito difícil” ao colocar em crise os setores do petróleo, etanol e energia. “Ela merece um Nobel”, ironizou. Ele criticou ainda o modelo de isenção tributária adotado pelo Governo. “Uma hora é beneficiado um setor, e outra hora, outro setor. E os outros? Porque isso? Fica até esquisito”, questionou FHC, em entrevista coletiva após a palestra. O ex-presidente afirmou também que ainda acredita na ida do candidato Aécio Neves (PSDB) para o segundo turno das eleições presidenciais.