Ailton Lopes teve 4 vezes mais votos que vereador eleito menos votado

5º MAIS VOTADO

Derrubado pelo quociente eleitoral, Ailton Lopes teve 4 vezes mais votos que vereador eleito menos votado

O candidato do Psol ficou na 5ª colocação na disputa para vereador, mas não atingiu o quociente eleitoral

Por Rosana Romão em Política

3 de outubro de 2016 às 13:27

Há 3 anos
405 votos impediram a eleição de Ailton Lopes. (FOTO: reprodução/ facebook)

405 votos impediram a eleição de Ailton Lopes como vereador em Fortaleza. (FOTO: Reprodução Facebook)

Ailton Lopes (Psol) foi o 5º candidato mais votado em Fortaleza, alcançando mais de 12 mil votos, mas ainda assim não conseguiu se eleger. O fato se deu devido ao quociente eleitoral, que exigia da coligação Psol/PCB pelo menos 29.200 votos. Porém, 405 votos impediram a sua eleição. A coligação só conseguiu 28.795 votos.

“Vamos continuar na luta do povo. Ela não se faz só na Câmara de Vereadores. Até porque o povo não é bem recebido lá. Quando o povo aparece para ocupar é recebido com spray de pimenta, o povo só é bem quisto lá se for pra dizer sim”, declara Ailton Lopes.

Na disputa ao cargo de vereador, o candidato somou 12.483 votos, quatro vezes mais votos do que Dummar Ribeiro (PPS), vereador eleito com menos votos na capital.

Ailton obteve mais votos que candidatos com nomes ou sobrenomes conhecidos na política cearense, como Iraguassú Filho (PDT), com 12.204 votos; Dr. Elpídio (PDT), com 10.394 votos; e Renan Colares (PDT), com 11.525 votos. “Tínhamos uma expectativa de ter um bom resultado devido às nossas atividades e à militância. Havíamos avaliado o quociente eleitoral, mas o sistema é injusto. Não só o eleitoral como o político”, comenta.

Como exemplo de sua luta popular, Ailton cita o documento que pede a Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e movimentos sociais.

Ele critica a diferença de tempo destinada aos candidatos na mídia e defende que haja uma reforma política elaborada pelo povo, e não pelo parlamento, citando a minirreforma eleitoral, aprovada por Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na Câmara dos Deputados. “Sabemos que uma candidatura a prefeito dá expressividade à legenda. Enquanto uns tiveram mais tempo, outros tiveram menos. A gente percebe o desprezo que a mídia tem pelo povo”, afirma.

Candidato a governador em 2014, Ailton Lopes conquistou apenas 102.394 votos, sendo derrotado pelo atual governador do estado Camilo Santana (PT).  

Vítimas do quociente eleitoral

Renato Roseno também foi vítima do quociente eleitoral em 2010, quando se candidatou a deputado federal. Na época foi o segundo mais votado em Fortaleza e nono no Ceará, mas não conseguiu ser eleito. Em 2014, candidatou-se a deputado estadual, obtendo êxito com a coligação Psol, PCB e PSTU, ultrapassando o quociente eleitoral.

“Optamos por ter apenas uma coligação, mas tivemos o apoio da Nova Organização Socialista e da Unidade Popular. Para nós, a coligação não é apenas um ajuntamento de partidos, é a expressão da política no cotidiano, precisamos ter coerência”, explica Ailton.

A luta em prol dos professores e por moradia também são citadas pelo candidato. “Estamos ao lado da luta pelos professores, por moradia, não nos aliamos a qualquer um. Tivemos uma vice que sofreu despejo no Alto da Paz, mulher, pobre, da periferia, negra. Ninguém tinha uma expressão social como a nossa”, continua.

Por que candidato a vereador?

Ailton explica ainda que, para renovar a Câmara de Fortaleza, o Psol optou pela sua candidatura como vereador, e não como prefeito. “O João Alfredo já teve dois mandatos como vereador e como deputado, então compreendemos que era preciso renovar a Câmara apostando em um novo nome, e eu assumi a tarefa. Nesse sentido, João assumiu como prefeito”, diz. Sobre o 2º turno em Fortaleza, Ailton acha pouco provável que o Psol apoie alguma das duas candidaturas.

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5º MAIS VOTADO

Derrubado pelo quociente eleitoral, Ailton Lopes teve 4 vezes mais votos que vereador eleito menos votado

O candidato do Psol ficou na 5ª colocação na disputa para vereador, mas não atingiu o quociente eleitoral

Por Rosana Romão em Política

3 de outubro de 2016 às 13:27

Há 3 anos
405 votos impediram a eleição de Ailton Lopes. (FOTO: reprodução/ facebook)

405 votos impediram a eleição de Ailton Lopes como vereador em Fortaleza. (FOTO: Reprodução Facebook)

Ailton Lopes (Psol) foi o 5º candidato mais votado em Fortaleza, alcançando mais de 12 mil votos, mas ainda assim não conseguiu se eleger. O fato se deu devido ao quociente eleitoral, que exigia da coligação Psol/PCB pelo menos 29.200 votos. Porém, 405 votos impediram a sua eleição. A coligação só conseguiu 28.795 votos.

“Vamos continuar na luta do povo. Ela não se faz só na Câmara de Vereadores. Até porque o povo não é bem recebido lá. Quando o povo aparece para ocupar é recebido com spray de pimenta, o povo só é bem quisto lá se for pra dizer sim”, declara Ailton Lopes.

Na disputa ao cargo de vereador, o candidato somou 12.483 votos, quatro vezes mais votos do que Dummar Ribeiro (PPS), vereador eleito com menos votos na capital.

Ailton obteve mais votos que candidatos com nomes ou sobrenomes conhecidos na política cearense, como Iraguassú Filho (PDT), com 12.204 votos; Dr. Elpídio (PDT), com 10.394 votos; e Renan Colares (PDT), com 11.525 votos. “Tínhamos uma expectativa de ter um bom resultado devido às nossas atividades e à militância. Havíamos avaliado o quociente eleitoral, mas o sistema é injusto. Não só o eleitoral como o político”, comenta.

Como exemplo de sua luta popular, Ailton cita o documento que pede a Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e movimentos sociais.

Ele critica a diferença de tempo destinada aos candidatos na mídia e defende que haja uma reforma política elaborada pelo povo, e não pelo parlamento, citando a minirreforma eleitoral, aprovada por Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na Câmara dos Deputados. “Sabemos que uma candidatura a prefeito dá expressividade à legenda. Enquanto uns tiveram mais tempo, outros tiveram menos. A gente percebe o desprezo que a mídia tem pelo povo”, afirma.

Candidato a governador em 2014, Ailton Lopes conquistou apenas 102.394 votos, sendo derrotado pelo atual governador do estado Camilo Santana (PT).  

Vítimas do quociente eleitoral

Renato Roseno também foi vítima do quociente eleitoral em 2010, quando se candidatou a deputado federal. Na época foi o segundo mais votado em Fortaleza e nono no Ceará, mas não conseguiu ser eleito. Em 2014, candidatou-se a deputado estadual, obtendo êxito com a coligação Psol, PCB e PSTU, ultrapassando o quociente eleitoral.

“Optamos por ter apenas uma coligação, mas tivemos o apoio da Nova Organização Socialista e da Unidade Popular. Para nós, a coligação não é apenas um ajuntamento de partidos, é a expressão da política no cotidiano, precisamos ter coerência”, explica Ailton.

A luta em prol dos professores e por moradia também são citadas pelo candidato. “Estamos ao lado da luta pelos professores, por moradia, não nos aliamos a qualquer um. Tivemos uma vice que sofreu despejo no Alto da Paz, mulher, pobre, da periferia, negra. Ninguém tinha uma expressão social como a nossa”, continua.

Por que candidato a vereador?

Ailton explica ainda que, para renovar a Câmara de Fortaleza, o Psol optou pela sua candidatura como vereador, e não como prefeito. “O João Alfredo já teve dois mandatos como vereador e como deputado, então compreendemos que era preciso renovar a Câmara apostando em um novo nome, e eu assumi a tarefa. Nesse sentido, João assumiu como prefeito”, diz. Sobre o 2º turno em Fortaleza, Ailton acha pouco provável que o Psol apoie alguma das duas candidaturas.