Dramaturgo com 10% da visão faz a alegria da criançada em Fortaleza com teatro de bonecos


Dramaturgo com 10% da visão faz a alegria da criançada em Fortaleza com teatro de bonecos

Cleodon perdeu 90% da visão aos 22 anos, ao ser agredido por um desconhecido em uma estação de trem. Mesmo com a limitação, ele consegue ler e escrever histórias

Por Roberta Tavares em Perfil

12 de novembro de 2014 às 08:00

Há 5 anos
Cleodon perdeu a visão aos 22 anos, mas segue levando felicidade a crianças da capital (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Cleodon perdeu a visão aos 22 anos, mas segue levando felicidade a crianças da capital (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Com apenas 10% da visão, Cleodon de Oliveira leva alegria centenas de crianças de Fortaleza. Artista plástico, produtor, dramaturgo, poeta, diretor e ator bonequeiro, o cearense – natural do município de Iguatu – é apaixonado pelas artes e dedicado à cultura desde os anos 80.

O teatro entrou na vida de Cleodon “graças” a uma fatalidade, ocorrida em 1978, quando tinha apenas 22 anos. O grande sonho era cursar Engenharia Civil. Em uma viagem de trem, em época de preparação para o vestibular, foi atingido com um soco no olho. Pura maldade. “Estava no trem, quando uma pessoa me deu um soco. Na época, nessas estações alguns malandros gostavam de pregar peças. Jogavam frutas, puxavam as camisas das pessoas, sempre na hora que o trem ia saindo”, lembra.

Como já tinha sofrido descolamento de retina na infância, a agressão resultou na perda de 90% da visão, após ser submetido a cerca de 10 cirurgias. Com a cegueira parcial, o objetivo de se tornar um engenheiro se esvaiu. Foi aí que a paixão pelas artes começou a tomar rumo. “Desde criança, eu sempre gostei. Ia aos cinemas do interior do Ceará, via muitos circos, lia gibis. O amor pelas artes retornou casualmente. Passei seis anos ocioso, e precisava buscar uma saída”, conta.

Por meio de um grupo religioso, começou a escrever histórias e criou um grupo de teatro, na década de 1980. Ele faz questão de ressaltar que não sabia nenhuma técnica teatral, “só tinha vontade de fazer”. No dia a dia, aprendeu as estratégias e percebeu a aptidão para participar de espetáculos. Até que, em 2010, surgiu a oportunidade de levar o teatro de bonecos a Fortaleza. Criou, então, a Companhia Chacoalho Teatro de Bonecos. Nela, Cleodon dá vida a bonecos e conta histórias de forma simples e divertida. “A gente começou brincando. Nada profissional. Até que a coisa foi melhorando, e me inscrevi em movimentos culturais do estado”, explica o dramaturgo.

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
1/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
2/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
3/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
4/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
5/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
6/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
7/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
8/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
9/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
10/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
11/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
12/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
13/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII. As apresentações não se restringem apenas às escolas, mas também a espaços culturais e festas de aniversário. As histórias quem escreve também é o cearense. Já existem mais de 30, com linguagem adaptada aos bonecos. “Elas surgem de outras histórias. Como leio bastante, vou criando a meu modo. Por exemplo, a ‘Chapeuzinho Vermelho’ se tornou ‘Chapeuzinho de Palha’, porque cito o Sertão Nordestino”.

Há quem pergunte como Cleodon consegue ler e escrever histórias, mesmo com a visão tão limitada. Cearense inventa de tudo, e foi o que o dramaturgo fez. Comprou diversas lupas e ajustou de acordo com a necessidade. “Fui comprando lupas grandes, menores, maiores, fui modificando e vendo o que dava certo e o que não dava”, revela. Além do instrumento óptico, também são usadas xerox ampliadas para facilitar a leitura.

Fantoches

Na casa de Cleodon, são guardados mais de 50 fantoches, a maioria feita por ele. “Já dei muitos bonecos, porque houve uma época que eu desisti do teatro, pela pouca oportunidade. Depois voltei a fazer esse trabalho, está no sangue”, brinca. Nas apresentações, o cearense – ao lado dos parceiros de trabalho Josifran Teixeira e Bima Moreira – ministra oficinas de criação de bonecos para as crianças.

Apesar de ter a noção de que a visão aos poucos irá embora, o dramaturgo não tem a intenção de largar tão cedo a profissão. Continuará conquistando e ajudando os pequenos a construírem suas próprias identidades, com poucas horas diárias de faz-de-conta e fantasia. “Não pretendo largar, faço porque gosto. Boneco é a minha paixão. Só vou parar quando a visão não me permitir mais”, conclui.

Publicidade

Dê sua opinião

Dramaturgo com 10% da visão faz a alegria da criançada em Fortaleza com teatro de bonecos

Cleodon perdeu 90% da visão aos 22 anos, ao ser agredido por um desconhecido em uma estação de trem. Mesmo com a limitação, ele consegue ler e escrever histórias

Por Roberta Tavares em Perfil

12 de novembro de 2014 às 08:00

Há 5 anos
Cleodon perdeu a visão aos 22 anos, mas segue levando felicidade a crianças da capital (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Cleodon perdeu a visão aos 22 anos, mas segue levando felicidade a crianças da capital (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Com apenas 10% da visão, Cleodon de Oliveira leva alegria centenas de crianças de Fortaleza. Artista plástico, produtor, dramaturgo, poeta, diretor e ator bonequeiro, o cearense – natural do município de Iguatu – é apaixonado pelas artes e dedicado à cultura desde os anos 80.

O teatro entrou na vida de Cleodon “graças” a uma fatalidade, ocorrida em 1978, quando tinha apenas 22 anos. O grande sonho era cursar Engenharia Civil. Em uma viagem de trem, em época de preparação para o vestibular, foi atingido com um soco no olho. Pura maldade. “Estava no trem, quando uma pessoa me deu um soco. Na época, nessas estações alguns malandros gostavam de pregar peças. Jogavam frutas, puxavam as camisas das pessoas, sempre na hora que o trem ia saindo”, lembra.

Como já tinha sofrido descolamento de retina na infância, a agressão resultou na perda de 90% da visão, após ser submetido a cerca de 10 cirurgias. Com a cegueira parcial, o objetivo de se tornar um engenheiro se esvaiu. Foi aí que a paixão pelas artes começou a tomar rumo. “Desde criança, eu sempre gostei. Ia aos cinemas do interior do Ceará, via muitos circos, lia gibis. O amor pelas artes retornou casualmente. Passei seis anos ocioso, e precisava buscar uma saída”, conta.

Por meio de um grupo religioso, começou a escrever histórias e criou um grupo de teatro, na década de 1980. Ele faz questão de ressaltar que não sabia nenhuma técnica teatral, “só tinha vontade de fazer”. No dia a dia, aprendeu as estratégias e percebeu a aptidão para participar de espetáculos. Até que, em 2010, surgiu a oportunidade de levar o teatro de bonecos a Fortaleza. Criou, então, a Companhia Chacoalho Teatro de Bonecos. Nela, Cleodon dá vida a bonecos e conta histórias de forma simples e divertida. “A gente começou brincando. Nada profissional. Até que a coisa foi melhorando, e me inscrevi em movimentos culturais do estado”, explica o dramaturgo.

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
1/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
2/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
3/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
4/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
5/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
6/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
7/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
8/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
9/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
10/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
11/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
12/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira
13/13

Dramaturgo cearense, Cleodon de Oliveira

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII, em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Cleodon de Oliveira)

A companhia alegra crianças dos bairros Ellery, Bela Vista e João XXIII. As apresentações não se restringem apenas às escolas, mas também a espaços culturais e festas de aniversário. As histórias quem escreve também é o cearense. Já existem mais de 30, com linguagem adaptada aos bonecos. “Elas surgem de outras histórias. Como leio bastante, vou criando a meu modo. Por exemplo, a ‘Chapeuzinho Vermelho’ se tornou ‘Chapeuzinho de Palha’, porque cito o Sertão Nordestino”.

Há quem pergunte como Cleodon consegue ler e escrever histórias, mesmo com a visão tão limitada. Cearense inventa de tudo, e foi o que o dramaturgo fez. Comprou diversas lupas e ajustou de acordo com a necessidade. “Fui comprando lupas grandes, menores, maiores, fui modificando e vendo o que dava certo e o que não dava”, revela. Além do instrumento óptico, também são usadas xerox ampliadas para facilitar a leitura.

Fantoches

Na casa de Cleodon, são guardados mais de 50 fantoches, a maioria feita por ele. “Já dei muitos bonecos, porque houve uma época que eu desisti do teatro, pela pouca oportunidade. Depois voltei a fazer esse trabalho, está no sangue”, brinca. Nas apresentações, o cearense – ao lado dos parceiros de trabalho Josifran Teixeira e Bima Moreira – ministra oficinas de criação de bonecos para as crianças.

Apesar de ter a noção de que a visão aos poucos irá embora, o dramaturgo não tem a intenção de largar tão cedo a profissão. Continuará conquistando e ajudando os pequenos a construírem suas próprias identidades, com poucas horas diárias de faz-de-conta e fantasia. “Não pretendo largar, faço porque gosto. Boneco é a minha paixão. Só vou parar quando a visão não me permitir mais”, conclui.