Agricultor do sertão nordestino, cearense impressiona por semelhança física e com voz de Zé Ramalho


Agricultor do sertão nordestino, cearense impressiona por semelhança e voz de Zé Ramalho

Valter Silva tem um entusiasmo em ser reconhecido por seu talento que se contrapõe à realidade vivida por ele. Seu maior sonho é conhecer o ídolo

Por Marianna Gomes em Perfil

5 de setembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos
Valter Ramalho

Agricultor cearense impressiona pelo timbre de voz semelhante ao do cantor Zé Ramalho (FOTO: Fernanda Moura/ Tribuna do Ceará)

Em Quixadá, a 149 quilômetros de Fortaleza, um agricultor de 59 anos, de voz marcante e jeito tímido chama a atenção de quem lhe escuta cantar ou até mesmo falar. Ao fechar os olhos e escutá-lo, a impressão é de estar ouvindo o próprio cantor paraibano Zé Ramalho, conhecido por músicas como “Chão de giz”, “Sinônimo” e “Avôhai”. De tanta semelhança com o músico, Valter da Silva passou a ser chamado de “Valter Ramalho”, em analogia ao sobrenome do artista.

De família humilde, Valter aprendeu cedo, por intermédio dos pais, que precisava trabalhar para sobreviver.”Nasci e me criei na roça, na seca. Vim de uma família de oito irmãos, criados com dificuldade, mas com muito caráter”, conta. O primeiro contato com a música foi aos oito anos de idade. “A primeira vez que peguei em um violão, ainda pequeno, já aprendi as primeiras notas, sem ajuda de ninguém”, relembra.

Com muita dificuldade, devido ao trabalho na lavoura, Valter conseguiu concluir o Ensino Médio. O agricultor sempre quis ter a música como profissão, mas nunca conseguiu, pois seu pai dizia que “gente que cantava não tinha futuro”. “Isso ficou na minha cabeça por muito tempo e me fez não investir em uma possível carreira. Quem sabe se eu tivesse tido um apoio maior, já fosse um cantor profissional como eu sempre sonhei”, desabafa.

De Valter a Ramalho

Sempre com o violão de lado, cantando e compondo, mas não profissionalmente ainda, Valter não percebia muito a semelhança de sua voz com a do cantor. “Meus amigos é que diziam que a minha voz era parecida com a do Zé Ramalho, quando eu fazia umas cantorias lá em casa”, comenta.  Em 2010, ele recebeu uma visita da equipe do Gente na TV, da TV Jangadeiro. A partir daí, Valter teve o ânimo que precisava para acreditar no seu talento.

Assista ao vídeo e veja a semelhança:

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/15593209″]

“A Ian Gomes era repórter do programa Gente na TV (TV Jangadeiro) e foi fazer uma reportagem comigo, porque ouviram falar da minha voz. Quando eu cantei, na mesma hora ela me chamou de Valter Ramalho, e disse que minha voz era muito parecida com a dele [Zé Ramalho]. Desde então, o pessoal me conhece assim. Em 2014, foi o Nilson Fagata que foi”, ri. “Até hoje estou pra saber como eles me acharam, só tenho a agradecer por isso”, relembra, emocionado.

Depois da repercussão da matéria, Valter começou a ser chamado por estabelecimentos de Quixadá e cidades vizinhas para se apresentar, já com o nome artístico. “Como eu não tinha empresário nem era ajeitado [sic] pra isso, fui caindo no esquecimento“.  O agricultor jamais pensou que pudesse alcançar as notas e os timbres específicos do cantor. “Mas quando você quer alguma coisa, isso se torna uma motivação. Canto 150 músicas dele, e sei todas as letras de trás pra frente”, brinca.

“Canto 150 músicas dele e sei todas as letras de trás pra frente”. (Valter da Silva, agricultor)

Com duas caixas, uma mesa de som, dois microfones e um violão, o agricultor montou um cantinho em sua casa para ensaiar e escrever suas músicas. Compondo há 35 anos, ele diz que seu repertório já possui 3,5 mil canções autorais, todas escritas a mão, dividas em mais de 30 cadernos. “Quando você faz o que gosta, nunca enjoa”, afirma.

Motivado pelas dificuldades

Apesar das marcas do cansaço, dispostas em rugas aparentes pelo rosto magro e grandes calos nas mãos de muito arar a terra, Valter tem um entusiasmo em ser reconhecido por seu talento que se contrapõe à realidade vivida por ele. “Eu levo uma vida meio tirana sabe? Quem mora no Sertão, ainda tem quatro filhos pra terminar de criar, não tem salário próprio e é castigado por quatro anos de seca, você imagina, a coisa não é boa”, lamenta.

O sertanejo não vive da música, ganha uns trocados aqui e ali quando se apresenta em algum lugar pela sua cidade. “O que eu mais queria era encontrar alguém que visse minhas músicas, não precisava nem comprar, bastava gravar, com isso eu já ia poder ser conhecido sabe, e melhorar um bocadinho de vida”, deseja.

Há 40 anos, o maior sonho do agricultor é conhecer seu ídolo, Zé Ramalho. Para ele, o cantor é sua inspiração não só para a música, mas para a vida. “Se eu tivesse a oportunidade de conhecer ele, eu ficar ficaria feliz demais. O que ele fala é o que eu penso. As músicas dele são tocantes, mas eu tenho fé que um dia eu consigo, tenho fé mesmo”, conclui.

AGRICULTOR DO SERTÃO NORDESTINO É  COVER DO ZÉ RAMALHO
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(FOTO: Fernanda Moura/ Tribuna do Ceará)

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(FOTO: Fernanda Moura/ Tribuna do Ceará)

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(FOTO: Fernanda Moura/ Tribuna do Ceará)

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Agricultor do sertão nordestino, cearense impressiona por semelhança e voz de Zé Ramalho

Valter Silva tem um entusiasmo em ser reconhecido por seu talento que se contrapõe à realidade vivida por ele. Seu maior sonho é conhecer o ídolo

Por Marianna Gomes em Perfil

5 de setembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos
Valter Ramalho

Agricultor cearense impressiona pelo timbre de voz semelhante ao do cantor Zé Ramalho (FOTO: Fernanda Moura/ Tribuna do Ceará)

Em Quixadá, a 149 quilômetros de Fortaleza, um agricultor de 59 anos, de voz marcante e jeito tímido chama a atenção de quem lhe escuta cantar ou até mesmo falar. Ao fechar os olhos e escutá-lo, a impressão é de estar ouvindo o próprio cantor paraibano Zé Ramalho, conhecido por músicas como “Chão de giz”, “Sinônimo” e “Avôhai”. De tanta semelhança com o músico, Valter da Silva passou a ser chamado de “Valter Ramalho”, em analogia ao sobrenome do artista.

De família humilde, Valter aprendeu cedo, por intermédio dos pais, que precisava trabalhar para sobreviver.”Nasci e me criei na roça, na seca. Vim de uma família de oito irmãos, criados com dificuldade, mas com muito caráter”, conta. O primeiro contato com a música foi aos oito anos de idade. “A primeira vez que peguei em um violão, ainda pequeno, já aprendi as primeiras notas, sem ajuda de ninguém”, relembra.

Com muita dificuldade, devido ao trabalho na lavoura, Valter conseguiu concluir o Ensino Médio. O agricultor sempre quis ter a música como profissão, mas nunca conseguiu, pois seu pai dizia que “gente que cantava não tinha futuro”. “Isso ficou na minha cabeça por muito tempo e me fez não investir em uma possível carreira. Quem sabe se eu tivesse tido um apoio maior, já fosse um cantor profissional como eu sempre sonhei”, desabafa.

De Valter a Ramalho

Sempre com o violão de lado, cantando e compondo, mas não profissionalmente ainda, Valter não percebia muito a semelhança de sua voz com a do cantor. “Meus amigos é que diziam que a minha voz era parecida com a do Zé Ramalho, quando eu fazia umas cantorias lá em casa”, comenta.  Em 2010, ele recebeu uma visita da equipe do Gente na TV, da TV Jangadeiro. A partir daí, Valter teve o ânimo que precisava para acreditar no seu talento.

Assista ao vídeo e veja a semelhança:

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/15593209″]

“A Ian Gomes era repórter do programa Gente na TV (TV Jangadeiro) e foi fazer uma reportagem comigo, porque ouviram falar da minha voz. Quando eu cantei, na mesma hora ela me chamou de Valter Ramalho, e disse que minha voz era muito parecida com a dele [Zé Ramalho]. Desde então, o pessoal me conhece assim. Em 2014, foi o Nilson Fagata que foi”, ri. “Até hoje estou pra saber como eles me acharam, só tenho a agradecer por isso”, relembra, emocionado.

Depois da repercussão da matéria, Valter começou a ser chamado por estabelecimentos de Quixadá e cidades vizinhas para se apresentar, já com o nome artístico. “Como eu não tinha empresário nem era ajeitado [sic] pra isso, fui caindo no esquecimento“.  O agricultor jamais pensou que pudesse alcançar as notas e os timbres específicos do cantor. “Mas quando você quer alguma coisa, isso se torna uma motivação. Canto 150 músicas dele, e sei todas as letras de trás pra frente”, brinca.

“Canto 150 músicas dele e sei todas as letras de trás pra frente”. (Valter da Silva, agricultor)

Com duas caixas, uma mesa de som, dois microfones e um violão, o agricultor montou um cantinho em sua casa para ensaiar e escrever suas músicas. Compondo há 35 anos, ele diz que seu repertório já possui 3,5 mil canções autorais, todas escritas a mão, dividas em mais de 30 cadernos. “Quando você faz o que gosta, nunca enjoa”, afirma.

Motivado pelas dificuldades

Apesar das marcas do cansaço, dispostas em rugas aparentes pelo rosto magro e grandes calos nas mãos de muito arar a terra, Valter tem um entusiasmo em ser reconhecido por seu talento que se contrapõe à realidade vivida por ele. “Eu levo uma vida meio tirana sabe? Quem mora no Sertão, ainda tem quatro filhos pra terminar de criar, não tem salário próprio e é castigado por quatro anos de seca, você imagina, a coisa não é boa”, lamenta.

O sertanejo não vive da música, ganha uns trocados aqui e ali quando se apresenta em algum lugar pela sua cidade. “O que eu mais queria era encontrar alguém que visse minhas músicas, não precisava nem comprar, bastava gravar, com isso eu já ia poder ser conhecido sabe, e melhorar um bocadinho de vida”, deseja.

Há 40 anos, o maior sonho do agricultor é conhecer seu ídolo, Zé Ramalho. Para ele, o cantor é sua inspiração não só para a música, mas para a vida. “Se eu tivesse a oportunidade de conhecer ele, eu ficar ficaria feliz demais. O que ele fala é o que eu penso. As músicas dele são tocantes, mas eu tenho fé que um dia eu consigo, tenho fé mesmo”, conclui.

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(FOTO: Fernanda Moura/ Tribuna do Ceará)

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(FOTO: Fernanda Moura/ Tribuna do Ceará)

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(FOTO: Fernanda Moura/ Tribuna do Ceará)