Hotéis do Ceará reduzem tarifas devido à baixa procura por causa da crise

TURISMO

Hotéis do Ceará reduzem tarifas devido à baixa procura por causa da crise

Os meses pós-Carnaval são mais difíceis para o setor hoteleiro, mas agora proprietários têm de intensificar ações

Por Jéssica Welma em Negócios

9 de maio de 2016 às 07:00

Há 3 anos
© Local Foto_CO001109

Turismo nas praias cearenses sofre principalmente distante da Capital. (Foto: Tribuna do Ceará/Local Foto/Celso Oliveira)

Proprietários de hotéis e pousadas do litoral cearense têm se desdobrado para driblar a baixa estação do turismo aliada à crise financeira em 2016. Com ocupação abaixo do registrado em anos anteriores, empreendimentos estão apostando em redução de tarifas e divulgação de descontos em sites de compra coletiva para atrair hóspedes.

Se a baixa ocupação já era característica dos meses pós-Carnaval, o cenário econômico nacional tem piorado a arrecadação com o turismo na faixa litorânea. Na pousada País Tropical, em Icaraí de Amontada (litoral oeste), os quartos costumavam ser totalmente preenchidos durante os finais de semana, com o auxílio de promoções na Internet. Em 2016, segundo a recepcionista Elizonete Marques de Sousa, a procura caiu mais da metade mesmo nos finais de semana. A expectativa é de que o cenário se estenda até o final de junho, antes das férias escolares.

O prejuízo também é relatado pela proprietária da pousada Águas Belas Paraíso, na praia de Águas Belas (litoral leste), em Cascavel. Magda Pereira atua há quatro anos no ramo e também afirma que a situação está mais grave em 2016.

Nos últimos dois anos, a pousada tem anunciado promoções em sites de compra coletiva, mas a redução na procura chega a cerca de 70%, ressalta Magda. Ela critica a falta de publicidade para atrair turistas para o litoral cearense. Para ela, a crise acaba não sendo tão intensa em praias de maior apelo turístico como Jericoacoara.

“Águas Belas não é uma praia tão divulgada quanto Jeri, mas, quando as pessoas chegam aqui, se maravilham porque é tão bonita quanto”, destaca Magda.

Edileuda Moraes Barbosa trabalha há nove anos no setor de reservas da pousada Cabôco Sonhadô, na praia do Mundaú, em Trairi (no litoral oeste), e pontua que este ano a crise econômica tem chegado ao turismo com mais intensidade. “Sentimos a diferença. No fim de semana, a gente conseguia fechar todos os apartamentos, nesse ano não vejo isso”, frisa.

Tarifas reduzidas

O presidente do Sindicato Intermunicipal de Hotéis e Meios de Hospedagem no Estado do Ceará (Sindihotéis), Manuel Linhares, destaca que a crise tem resultado em queda nas tarifas a patamares adotados há dois anos. Ainda assim, os estabelecimentos têm mantido a rotina de trabalho graças a eventos, como workshops em hotéis.

“O  Ceará, como em todo o Brasil, vive uma baixa temporada. Dentro da hotelaria, estamos trabalhando com tarifas de dois anos atrás apesar de terem subido água, salário e outros insumos. A tarifa está baixa para não deixarmos nossos hotéis ociosos, para não fecharmos como tem acontecido em outros estados”, destaca Linhares.

Segundo o presidente do Sindihotéis, a queda nos preços chega a 30%. Linhares ressalta que é necessário o interesse do Governo do Estado em incentivar o turismo. O foco atualmente é a escolha do Ceará para sediar o HUB da TAM, um centro de conexões que deve atrair turistas do exterior para Fortaleza e demais áreas litorâneas.

Jericoacoara

Apesar da crise, um dos mais tradicionais destinos turísticos do Ceará, a praia de Jericoacoara (litoral oeste), mantém a rotina de procura, principalmente nos finais de semana. O proprietário da pousada Casa do Angelo, Angelo Farias, não tem do que reclamar. Ele destaca que manter preços acessíveis e oferecer serviço de qualidade são os segredos para não ter queda na procura.

Angelo reconhece que a divulgação internacional de Jericoacoara contribui para a manutenção do turismo. Para ele, o segredo está em divulgar o destino turístico, não um hotel ou pousada específica. “Jeri está sempre com gente e são mais de 250 pousadas. Não adianta divulgar seu estabelecimento, tem de divulgar o destino, daí você traz o visitante para a sua pousada”, ressalta Angelo que atua no setor há mais de 20 anos.

Compras coletivas

Para driblar a baixa arrecadação, uma das estratégias do setor é apostar em vendas em sites de compra coletiva. O gerente comercial do site Barato Coletivo, Danilo Gurgel, ressalta que a procura de hotéis e pousadas para anunciar promoções é maior no primeiro semestre do ano, após o Carnaval. “Como no segundo semestre há vento no litoral, a crise diminui”, ressalta Gurgel, pontuado os eventos esportivos como o kite surf.

“Os preços estão reduzidos, começando com os mesmo valores anunciados no primeiro semestre do ano passado. Como hotel é considerado supérfluo para um período como esse, eles (proprietários) reduzem os preços e acrescentam detalhes, como jantar extra”, afirma Gurgel.

Governo

A Secretaria do Turismo do Estado (Setur) pontua que é natural os preços mais baratos durante a baixa estação. Em outubro do ano passado, o governo estadual projetou investimentos de R$ 65 milhões no turismo até o final de 2016, com a conclusão de obras turísticas, como o Acquario Ceará, e o funcionamento de novos aeroportos.

A arrecadação financeira com o setor em 2015 ultrapassou os valores de 2014. De 3.343.815 turistas que o rstado recebeu, 1.900.968 deles ficaram na rede hoteleira. No total, foram gerados R$ 7,1 bilhões de receita direta. Em 2014, foram 3.262.259 turistas, dos quais 1.810.446 se hospedaram em hotéis cearenses. A arrecadação foi de R$ 6,2 bilhões.

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Hotéis do Ceará reduzem tarifas devido à baixa procura por causa da crise

Os meses pós-Carnaval são mais difíceis para o setor hoteleiro, mas agora proprietários têm de intensificar ações

Por Jéssica Welma em Negócios

9 de maio de 2016 às 07:00

Há 3 anos
© Local Foto_CO001109

Turismo nas praias cearenses sofre principalmente distante da Capital. (Foto: Tribuna do Ceará/Local Foto/Celso Oliveira)

Proprietários de hotéis e pousadas do litoral cearense têm se desdobrado para driblar a baixa estação do turismo aliada à crise financeira em 2016. Com ocupação abaixo do registrado em anos anteriores, empreendimentos estão apostando em redução de tarifas e divulgação de descontos em sites de compra coletiva para atrair hóspedes.

Se a baixa ocupação já era característica dos meses pós-Carnaval, o cenário econômico nacional tem piorado a arrecadação com o turismo na faixa litorânea. Na pousada País Tropical, em Icaraí de Amontada (litoral oeste), os quartos costumavam ser totalmente preenchidos durante os finais de semana, com o auxílio de promoções na Internet. Em 2016, segundo a recepcionista Elizonete Marques de Sousa, a procura caiu mais da metade mesmo nos finais de semana. A expectativa é de que o cenário se estenda até o final de junho, antes das férias escolares.

O prejuízo também é relatado pela proprietária da pousada Águas Belas Paraíso, na praia de Águas Belas (litoral leste), em Cascavel. Magda Pereira atua há quatro anos no ramo e também afirma que a situação está mais grave em 2016.

Nos últimos dois anos, a pousada tem anunciado promoções em sites de compra coletiva, mas a redução na procura chega a cerca de 70%, ressalta Magda. Ela critica a falta de publicidade para atrair turistas para o litoral cearense. Para ela, a crise acaba não sendo tão intensa em praias de maior apelo turístico como Jericoacoara.

“Águas Belas não é uma praia tão divulgada quanto Jeri, mas, quando as pessoas chegam aqui, se maravilham porque é tão bonita quanto”, destaca Magda.

Edileuda Moraes Barbosa trabalha há nove anos no setor de reservas da pousada Cabôco Sonhadô, na praia do Mundaú, em Trairi (no litoral oeste), e pontua que este ano a crise econômica tem chegado ao turismo com mais intensidade. “Sentimos a diferença. No fim de semana, a gente conseguia fechar todos os apartamentos, nesse ano não vejo isso”, frisa.

Tarifas reduzidas

O presidente do Sindicato Intermunicipal de Hotéis e Meios de Hospedagem no Estado do Ceará (Sindihotéis), Manuel Linhares, destaca que a crise tem resultado em queda nas tarifas a patamares adotados há dois anos. Ainda assim, os estabelecimentos têm mantido a rotina de trabalho graças a eventos, como workshops em hotéis.

“O  Ceará, como em todo o Brasil, vive uma baixa temporada. Dentro da hotelaria, estamos trabalhando com tarifas de dois anos atrás apesar de terem subido água, salário e outros insumos. A tarifa está baixa para não deixarmos nossos hotéis ociosos, para não fecharmos como tem acontecido em outros estados”, destaca Linhares.

Segundo o presidente do Sindihotéis, a queda nos preços chega a 30%. Linhares ressalta que é necessário o interesse do Governo do Estado em incentivar o turismo. O foco atualmente é a escolha do Ceará para sediar o HUB da TAM, um centro de conexões que deve atrair turistas do exterior para Fortaleza e demais áreas litorâneas.

Jericoacoara

Apesar da crise, um dos mais tradicionais destinos turísticos do Ceará, a praia de Jericoacoara (litoral oeste), mantém a rotina de procura, principalmente nos finais de semana. O proprietário da pousada Casa do Angelo, Angelo Farias, não tem do que reclamar. Ele destaca que manter preços acessíveis e oferecer serviço de qualidade são os segredos para não ter queda na procura.

Angelo reconhece que a divulgação internacional de Jericoacoara contribui para a manutenção do turismo. Para ele, o segredo está em divulgar o destino turístico, não um hotel ou pousada específica. “Jeri está sempre com gente e são mais de 250 pousadas. Não adianta divulgar seu estabelecimento, tem de divulgar o destino, daí você traz o visitante para a sua pousada”, ressalta Angelo que atua no setor há mais de 20 anos.

Compras coletivas

Para driblar a baixa arrecadação, uma das estratégias do setor é apostar em vendas em sites de compra coletiva. O gerente comercial do site Barato Coletivo, Danilo Gurgel, ressalta que a procura de hotéis e pousadas para anunciar promoções é maior no primeiro semestre do ano, após o Carnaval. “Como no segundo semestre há vento no litoral, a crise diminui”, ressalta Gurgel, pontuado os eventos esportivos como o kite surf.

“Os preços estão reduzidos, começando com os mesmo valores anunciados no primeiro semestre do ano passado. Como hotel é considerado supérfluo para um período como esse, eles (proprietários) reduzem os preços e acrescentam detalhes, como jantar extra”, afirma Gurgel.

Governo

A Secretaria do Turismo do Estado (Setur) pontua que é natural os preços mais baratos durante a baixa estação. Em outubro do ano passado, o governo estadual projetou investimentos de R$ 65 milhões no turismo até o final de 2016, com a conclusão de obras turísticas, como o Acquario Ceará, e o funcionamento de novos aeroportos.

A arrecadação financeira com o setor em 2015 ultrapassou os valores de 2014. De 3.343.815 turistas que o rstado recebeu, 1.900.968 deles ficaram na rede hoteleira. No total, foram gerados R$ 7,1 bilhões de receita direta. Em 2014, foram 3.262.259 turistas, dos quais 1.810.446 se hospedaram em hotéis cearenses. A arrecadação foi de R$ 6,2 bilhões.