Casal cria marca de roupa unissex para que as pessoas expressem o gênero que quiserem


Casal cria marca de roupa unissex para que as pessoas expressem o gênero que quiserem

Nilo Lima Barreto e Yágda Hissa, estudantes de Design de Moda, criaram a Pangea, que aposta na moda agênero, ainda pouco explorada no Brasil

Por Thamiris Treigher em Negócios

14 de fevereiro de 2016 às 06:00

Há 3 anos
A ideia surgiu através da convivência que do casal com a diversidade de pessoas que a moda possibilita (Foto: Arquivo Pessoal)A ideia surgiu através da convivência que do casal com a diversidade de pessoas que a moda possibilita (Foto: Arquivo Pessoal)

A ideia surgiu através da convivência que do casal com a diversidade de pessoas que a moda possibilita (Foto: Arquivo Pessoal)

Nilo Lima Barreto, de 24 anos, é graduando em Design de Moda. Yágda Hissa, de 23, também. Os dois formam um casal que decidiu inovar: eles criaram uma marca de moda agênero (unissex), a Pangea. O casal lançou a primeira coleção em dezembro de 2015, e atualmente disponibiliza os produtos através de uma lojinha virtual.

A ideia surgiu através da convivência do casal com a diversidade de pessoas que a moda possibilita. “Por estarmos inseridos num curso superior de moda e por estudarmos a história da moda, sua evolução e seus paradigmas, tudo isso serviu de bagagem para analisarmos melhor o mundo atual e perceber suas necessidades”, explica Nilo.

Uma dessas necessidades era relacionada às pessoas que tinham problemas em relação ao gênero na escolha de suas roupas. “Eram pessoas que gostavam de comprar em outras seções, mas não se sentiam confortáveis pelo fato de estarem adquirindo roupas do gênero oposto ao seu”, conta.

O casal fez uma pesquisa de público-alvo e atestou que o número de pessoas que gostam de usar ambas as roupas (feminina e masculina) era relevante. Nilo conta que foi a partir desse momento que surgiu a convicção de criar a marca.

“A moda agênero, ou unissex, sempre existiu, tendo oscilações na sua aceitação e no modo como ela é empregada. Atualmente com debates sobre expressão e identidade de gênero fervendo por todo mundo, a moda agênero se posiciona não como uma tendência que passa, mas sim como um discurso político de liberdade, diversidade e respeito a todos”, ressalta.

O desenvolvimento da marca aconteceu desde o começo de 2015 (Foto: Divulgação)

O desenvolvimento da marca aconteceu desde o começo de 2015 (Foto: Divulgação)

Lançamento da 1ª coleção

O desenvolvimento da marca aconteceu desde o começo de 2015. Nilo e Yágda estavam participando de uma incubadora de economia criativa dentro do Cuca Barra, projeto que foi muito importante para capacitar e firmar as bases para o novo empreendimento, como conta Nilo.

“Durante o primeiro semestre de 2015, nos capacitamos em várias áreas necessárias para administrar o negócio. Já no segundo semestre começamos os primeiros passos para delinear o que seria a marca como um todo”.

Em uma pesquisa de mercado, eles encontraram pouquíssimas marcas na linha agênero, o que os permitiu trilhar o próprio caminho. “Dedicamos um tempo estudando e desenvolvendo uma tabela de medidas própria e uma modelagem versátil, pois o que achamos mais delicado na moda agênero foi a adequação da roupa em vários corpos. O que mais tentamos deixar claro tanto nas peças quanto no posicionamento da marca é o fato das peças não serem uma adaptação de um gênero para outro e sim de uma roupa universal, que vista ambos os corpos e seja livre de estereótipos”, destaca Nilo.

O casal, então, seguiu a linha de desenvolvimento e produção que estudou na faculdade, com atenção a todas as etapas. “O processo todo foi muito difícil pelo fato de sermos apenas dois, e ainda estávamos escrevendo nossa monografia para a conclusão do nosso curso”.

Feedback

O feedback foi muito positivo. Apesar do otimismo do casal, eles não esperavam que o lançamento da marca tivesse o retorno que teve. “Por ser uma marca nova no mercado com um conceito novo, ainda existe uma certa resistência, mas estamos trabalhando para informarmos o público sobre o universo da marca e aumentarmos a proximidade da marca com o cliente”.

Como as atividades são apenas online (vendas através de loja virtual e comunicação via Facebook/ Instagram), o cliente pode se sentir inseguro em adquirir o produto sem antes prová-lo. “Por isso, nossas atitudes visam sempre a transparência, seja na forma de pagamento, na segurança dos dados, ou até mesmo visitas para apresentação das peças”.

A próxima coleção de inverno está em desenvolvimento e contará o desenrolar da história da marca. “Nossos próximos passos serão de expansão. Desejamos aumentar a grade de tamanhos das peças e também a quantidade de unidades, de acordo com as demandas dos clientes. Estamos finalizando a montagem do nosso atelier onde concentrará toda a parte de pesquisa e desenvolvimento e também onde possamos receber melhor a visita de clientes”.

Veja algumas peças da marca:

Moda agênero
1/6

Moda agênero

(Foto: Divulgação)

Moda agênero
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Moda agênero

(Foto: Divulgação)

Moda agênero
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Moda agênero

(Foto: Divulgação)

Moda agênero
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Moda agênero

(Foto: Divulgação)

Moda agênero
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Moda agênero

(Foto: Divulgação)

Moda agênero
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Moda agênero

(Foto: Divulgação)

Moda e gênero

Nilo escolheu a moda no terceiro ano do ensino médio. “Minha vontade antes era de fazer computação, pois sempre fui apaixonado por games e tecnologia. Porém, quando encontrei alguns recortes de jornais em casa com matérias sobre moda, desfiles e estilistas, vi que existia um mundo todo por trás das roupas que vestíamos, e que eu poderia criar e desenhá-las (duas coisas que gosto desde criança)”, revela.

Yágda sempre teve dúvida durante o ensino médio sobre qual curso escolher. Dentro de casa, ela teve contato com diversas áreas, como medicina, farmácia, arquitetura, psicologia e direito, mas não se sentia atraída por nenhuma delas. “Numa reunião com a psicóloga do colégio, foi aplicado o famoso teste vocacional e o meu indicava áreas que envolviam criatividade. Conversando com amigas, elas começaram a comentar sobre o curso comigo, incentivando para que fosse essa a minha escolha”.

O casal compartilha de uma  mesma visão: a de que nenhuma marca pode limitar ou direcionar as escolhas dos clientes e que cada pessoa tem o direito de livre expressão, principalmente na moda, lugar conhecido por sempre aceitar as diferenças.

“Essa segmentação acaba excluindo aqueles que não se identificam com esse sistema binário de gênero. Queremos possibilitar a inclusão dessas pessoas, fazendo delas o principal fator significante da peça, e não o contrário”.

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Casal cria marca de roupa unissex para que as pessoas expressem o gênero que quiserem

Nilo Lima Barreto e Yágda Hissa, estudantes de Design de Moda, criaram a Pangea, que aposta na moda agênero, ainda pouco explorada no Brasil

Por Thamiris Treigher em Negócios

14 de fevereiro de 2016 às 06:00

Há 3 anos
A ideia surgiu através da convivência que do casal com a diversidade de pessoas que a moda possibilita (Foto: Arquivo Pessoal)A ideia surgiu através da convivência que do casal com a diversidade de pessoas que a moda possibilita (Foto: Arquivo Pessoal)

A ideia surgiu através da convivência que do casal com a diversidade de pessoas que a moda possibilita (Foto: Arquivo Pessoal)

Nilo Lima Barreto, de 24 anos, é graduando em Design de Moda. Yágda Hissa, de 23, também. Os dois formam um casal que decidiu inovar: eles criaram uma marca de moda agênero (unissex), a Pangea. O casal lançou a primeira coleção em dezembro de 2015, e atualmente disponibiliza os produtos através de uma lojinha virtual.

A ideia surgiu através da convivência do casal com a diversidade de pessoas que a moda possibilita. “Por estarmos inseridos num curso superior de moda e por estudarmos a história da moda, sua evolução e seus paradigmas, tudo isso serviu de bagagem para analisarmos melhor o mundo atual e perceber suas necessidades”, explica Nilo.

Uma dessas necessidades era relacionada às pessoas que tinham problemas em relação ao gênero na escolha de suas roupas. “Eram pessoas que gostavam de comprar em outras seções, mas não se sentiam confortáveis pelo fato de estarem adquirindo roupas do gênero oposto ao seu”, conta.

O casal fez uma pesquisa de público-alvo e atestou que o número de pessoas que gostam de usar ambas as roupas (feminina e masculina) era relevante. Nilo conta que foi a partir desse momento que surgiu a convicção de criar a marca.

“A moda agênero, ou unissex, sempre existiu, tendo oscilações na sua aceitação e no modo como ela é empregada. Atualmente com debates sobre expressão e identidade de gênero fervendo por todo mundo, a moda agênero se posiciona não como uma tendência que passa, mas sim como um discurso político de liberdade, diversidade e respeito a todos”, ressalta.

O desenvolvimento da marca aconteceu desde o começo de 2015 (Foto: Divulgação)

O desenvolvimento da marca aconteceu desde o começo de 2015 (Foto: Divulgação)

Lançamento da 1ª coleção

O desenvolvimento da marca aconteceu desde o começo de 2015. Nilo e Yágda estavam participando de uma incubadora de economia criativa dentro do Cuca Barra, projeto que foi muito importante para capacitar e firmar as bases para o novo empreendimento, como conta Nilo.

“Durante o primeiro semestre de 2015, nos capacitamos em várias áreas necessárias para administrar o negócio. Já no segundo semestre começamos os primeiros passos para delinear o que seria a marca como um todo”.

Em uma pesquisa de mercado, eles encontraram pouquíssimas marcas na linha agênero, o que os permitiu trilhar o próprio caminho. “Dedicamos um tempo estudando e desenvolvendo uma tabela de medidas própria e uma modelagem versátil, pois o que achamos mais delicado na moda agênero foi a adequação da roupa em vários corpos. O que mais tentamos deixar claro tanto nas peças quanto no posicionamento da marca é o fato das peças não serem uma adaptação de um gênero para outro e sim de uma roupa universal, que vista ambos os corpos e seja livre de estereótipos”, destaca Nilo.

O casal, então, seguiu a linha de desenvolvimento e produção que estudou na faculdade, com atenção a todas as etapas. “O processo todo foi muito difícil pelo fato de sermos apenas dois, e ainda estávamos escrevendo nossa monografia para a conclusão do nosso curso”.

Feedback

O feedback foi muito positivo. Apesar do otimismo do casal, eles não esperavam que o lançamento da marca tivesse o retorno que teve. “Por ser uma marca nova no mercado com um conceito novo, ainda existe uma certa resistência, mas estamos trabalhando para informarmos o público sobre o universo da marca e aumentarmos a proximidade da marca com o cliente”.

Como as atividades são apenas online (vendas através de loja virtual e comunicação via Facebook/ Instagram), o cliente pode se sentir inseguro em adquirir o produto sem antes prová-lo. “Por isso, nossas atitudes visam sempre a transparência, seja na forma de pagamento, na segurança dos dados, ou até mesmo visitas para apresentação das peças”.

A próxima coleção de inverno está em desenvolvimento e contará o desenrolar da história da marca. “Nossos próximos passos serão de expansão. Desejamos aumentar a grade de tamanhos das peças e também a quantidade de unidades, de acordo com as demandas dos clientes. Estamos finalizando a montagem do nosso atelier onde concentrará toda a parte de pesquisa e desenvolvimento e também onde possamos receber melhor a visita de clientes”.

Veja algumas peças da marca:

Moda agênero
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Moda agênero

(Foto: Divulgação)

Moda agênero
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Moda agênero

(Foto: Divulgação)

Moda agênero
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Moda agênero

(Foto: Divulgação)

Moda agênero
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Moda agênero

(Foto: Divulgação)

Moda agênero
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Moda agênero

(Foto: Divulgação)

Moda agênero
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Moda agênero

(Foto: Divulgação)

Moda e gênero

Nilo escolheu a moda no terceiro ano do ensino médio. “Minha vontade antes era de fazer computação, pois sempre fui apaixonado por games e tecnologia. Porém, quando encontrei alguns recortes de jornais em casa com matérias sobre moda, desfiles e estilistas, vi que existia um mundo todo por trás das roupas que vestíamos, e que eu poderia criar e desenhá-las (duas coisas que gosto desde criança)”, revela.

Yágda sempre teve dúvida durante o ensino médio sobre qual curso escolher. Dentro de casa, ela teve contato com diversas áreas, como medicina, farmácia, arquitetura, psicologia e direito, mas não se sentia atraída por nenhuma delas. “Numa reunião com a psicóloga do colégio, foi aplicado o famoso teste vocacional e o meu indicava áreas que envolviam criatividade. Conversando com amigas, elas começaram a comentar sobre o curso comigo, incentivando para que fosse essa a minha escolha”.

O casal compartilha de uma  mesma visão: a de que nenhuma marca pode limitar ou direcionar as escolhas dos clientes e que cada pessoa tem o direito de livre expressão, principalmente na moda, lugar conhecido por sempre aceitar as diferenças.

“Essa segmentação acaba excluindo aqueles que não se identificam com esse sistema binário de gênero. Queremos possibilitar a inclusão dessas pessoas, fazendo delas o principal fator significante da peça, e não o contrário”.