Sustentabilidade: priorizar bicicletas é o caminho para uma Fortaleza possível


Sustentabilidade: priorizar bicicletas é o caminho para uma Fortaleza possível

Há uma forma saudável para ciclistas, pedestres e motoristas dos diversos veículos que transitam pela cidade conviverem bem

Por Felipe Lima em Mobilidade Urbana

27 de julho de 2015 às 06:00

Há 4 anos

De casa ao trabalho, da escola para o shopping. Do cinema para a praia. Nesta infinita highway, os caminhos vão sempre encontrar um dos maiores problemas das grandes metrópoles: o trânsito caótico. A necessidade de se locomover – e direito civil básico –, seja a pé, de carro ou ônibus, encontra entraves que causam prejuízo ao cidadão e até mesmo aos próprios veículos quando envolvidos em acidentes.

Para sanar tal situação, um modal de corpo e rodas magricelas pode ser a solução. A bicicleta é hoje uma das apostas em um cenário de caos no trânsito como opção sustentável que, além de ocupar menos espaço, se adapta a pequenos espaços pode melhorar a saúde do usuário e diminuir a poluição.

Ações em torno do uso da bicicleta tornaram-se comuns em Fortaleza (FOTO: Divulgação/Ciclovida)

Ações em torno do uso da bicicleta tornaram-se comuns em Fortaleza (FOTO: Divulgação/Ciclovida)

Neste cenário, Fortaleza começou a investir em ciclovias e ciclofaixas há dois anos. De lá pra cá, o que se vê é uma cidade respirando bikes. Quem já costumava usar mesmo sem uma malha viária adequada, reforçou as pedaladas; quem não tinha, comprou; e ainda quem guardava no canto do porão resolveu tirar a poeira e fazer a “magrela” sentir a cidade.

De acordo com o engenheiro da Prefeitura de Fortaleza, Gustavo Pinheiro, o embrião da malha cicloviária foi iniciada com a implementação da ciclofaixa da Rua Benjamim Brasil, no bairro Mondubim, em setembro de 2012. Mas o boom de pedaladas veio com as ciclofaixas das ruas canuto de Aguiar e Ana Bilhar, na Aldeota, região nobre de Fortaleza, o que inicialmente causou burburinho: “mas os ricos andam de carro!”.

Naquela época, segundo a Autarquia Municipal de Trânsito (AMC), optou-se em escolher o binário Ana Bilhar/Canuto de Aguiar por ser um corredor de tráfego com vias paralelas de sentido único, possuir integração com outras ciclofaixas propostas e com a ciclovia da Via Expressa, além de ter apresentado maiores volumes de ciclistas dentre as vias analisadas e baixos conflitos com pontos de paradas..

As rotas cresceram e hoje possuem 125,5 quilômetros de extensão e, de acordo com o Plano de Ações Imediatas de Transporte e Trânsito (Paitt), o objetivo é construir mais 100 km até 2016.

Com objetivo de fortalecer as atuais políticas de mobilidade urbana, priorizando o transporte público não motorizado, a Prefeitura de Fortaleza deu início às ações de ordenamento e gerenciamento das atividades cicloviárias a partir da entrega do Plano Diretor Cicloviário Integrado (PDCI), em novembro de 2014, indicando políticas de atuação e gerenciamento de obras na área, pelo período de 15 anos, prevendo 524 quilômetros de rede para duas rodas.

Rota de perigo?

Com o crescimento dos usuários de bicicletas, a “concorrência” com os veículos motorizados trouxe riscos aos ciclistas e pedestres. Mas o Plano de Ações Imediatas de Transporte e Trânsito de Fortaleza (Paitt), que visa a melhoria do transporte e do trânsito de Fortaleza, vem prometendo a segurança viária. E este fator é fundamental para que mais pessoas utilizem os modais não motorizados.

Em 10 anos (2003 a 2013), 40 pessoas morreram em acidentes com bicicletas em Fortaleza segundos dados colhidos pelo Tribuna do Ceará por meio do DataSUS. Numa comparação com as demais capitais brasileiras, o número não é tão alto, pois São Paulo, que é a cidade com maior quantidade de óbitos desta categoria, registrou 537 acidentes fatais no mesmo período.

“A Prefeitura de Fortaleza segue as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, em que deve-se priorizar o transporte coletivo e não motorizado sobre o transporte individual. As ações do Paitt buscam essas diretrizes, ao mesmo tempo que busca uma otimização do espaço viário destinado ao transporte individual. São feitas ações de fiscalização sobre o uso indevido das ciclofaixas e estão sendo planejadas ações para intensificação da fiscalização, bem como de adoção de campanhas educativas”, comenta Gustavo Pinheiro.

As rotas de Fortaleza cresceram e hoje possuem 125,5 quilômetros de extensão (FOTO: Divulgação/Ciclovida)

As rotas de Fortaleza cresceram e hoje possuem 125,5 quilômetros de extensão (FOTO: Divulgação/Ciclovida)

Para manter a segurança viária na capital cearense, a Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP) segue as diretrizes do Plano Cicloviário, que segue o padrão do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). “O Plano Cicloviário determina que as ciclofaixas unidirecionais deve ter o mínimo de 1,20 metro, enquanto que a bidirecional deve ter 2,40 metros. A largura de cada ciclofaixa é determinada a partir desse mínimo, podendo ter largura maior de acordo com a largura total da via, fluxo veicular e outros aspectos. Existem ciclofaixas com o mínimo (1,20), bem como existem ciclofaixas mais largas (até 1,60).”, explica o engenheiro da Prefeitura.

A ampliação da malha viária tem interferido até mesmo na saúde pública. O Instituto Doutor José Frota (IJF) teve redução no atendimento a ciclistas feridos de janeiro a junho de 2015, comparado ao mesmo período do ano passado. Em 2014 foram 675 atendimentos, enquanto em 2015 foram apenas 475 atendimentos a vítimas de acidentes com bicicletas.

Bike para todos

Para contribuir para o debate sobre a inclusão das bicicletas em Fortaleza, a Associação dos Ciclistas Urbanos de Fortaleza (Ciclovida) lançou a campanha de financiamento coletivo para o Mês da Mobilidade 2015. Com o tema Educação: o segredo para uma mobilidade mais humana, o evento está previsto para setembro e contará com diversas atividades abertas e gratuitas em Fortaleza.

Para o advogado e diretor da Ciclovida, Celso Sakuraba, há uma forma saudável para ciclistas, pedestres e motoristas dos diversos veículos que transitam pela cidade conviverem bem.

Sustentabilidade sobre duas rodas: o caminho para um Fortaleza possível

Para dar oportunidade para quem não possui bicicleta, o governo municipal lançou, em dezembro de 2014, o Bicicletar, o sistema de bicicletas compartilhadas. Com assinatura mensal e também com pagamento via Bilhete único, já foram registradas mais de 300 mil viagens e uma economia de 108 mil toneladas de CO².

Até 2016, Fortaleza deve receber 40 novas estações do Programa de Bicicletas Compartilhadas de Fortaleza, o Bicicletar. Diversos bairros da cidade serão contemplados com o serviço, que tem o objetivo de incentivar o uso das bicicletas como meio de transporte e contribuir para uma mobilidade sustentável.

Fortaleza no caminho certo

O especialista em mobilidade urbana e professor cearense do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) Dr. João Alencar Júnior acredita que Fortaleza está no caminho certo, mas defende mais políticas públicas para o transporte coletivo.

Para João Alencar, a inclusão de ciclofaixas e ciclovias é um ajuste na infraestrutura mal planejada ao longo dos tempos e defende que muitos fatos levaram ao caos do trânsito instalado nas grandes metrópoles. “Claro que não se pode impedir que as pessoas que têm possibilidade comprar um carro trafegar na rua, mas há um total descontrole quanto ao uso dos veículos não motorizados. Somado a isso, exite o fato dos gestores municipais terem pensado, ao longo das décadas anteriores, somente nos carros. Você não tem uma cidade estruturada se não pensar em redes de transportes”, comenta.

Para o professor João Alencar Jr., Fortaleza está no caminho certo (FOTO: Reprodução/Facebook)

Para o professor João Alencar Jr., Fortaleza está no caminho certo (FOTO: Reprodução/Facebook)

O pesquisador alerta para a Lei 12.587/12, que lançou a Política Nacional de Mobilidade Urbana. O objetivo é que até 2015 todos os municípios com mais de 20 mil habitantes apresentem um planejamento específico para o transporte coletivo.

Esta rede que o especialista comenta é, em síntese, um sistema de transporte interligado de rotas específicas, onde circulam transportes de diferentes modalidades. “Fortaleza precisa integrar todos os modais, sejam eles motorizados ou não. Se faz necessário que o cidadão sai de carro de casa, deixe seu veículo em um estacionamento seguro e, logo em seguida, tome uma bicicleta para continuar sua jornada”, explica.

O Doutor em Engenharia de Transportes reforça ainda que além de uma infraestrutura de transporte adequada, os órgãos governamentais precisam disponibilizar também segurança, iluminação, além de outros fatores que proporcionem caminhos mais tranquilos para o cidadão.

Este comentário parte da ideia de uma cidade para as pessoas, que beneficie principalmente o cidadão que anda a pé, de bicicleta e de transporte público. “A cidade deve se adaptar aos pedestres. Anteriormente a oferta era limitada, mas as cidades foram crescendo. O trânsito caótico é apenas uma consequência disso tudo. Neste cenário alguém tem que ceder, e este alguém é o motorista de carro, que foi beneficiado por 30, 40 anos”, diz João Araújo.

Apesar do avanço para o trânsito sustentável, Fortaleza ainda tem muito o que fazer. Abrir novos caminhos por meio das duas rodas pode resolver entraves da saúde pública, como foi em Amsterdã, na Holanda. “Na década de 70, a Holanda, principalmente em Amsterdã, sofreu um boom de carros nas ruas, mas com isso veio o crescimento de acidente. Crianças eram atropeladas e mortas. Com isso, houve uma pressão da população para reverter esta situação”, lembra o professor da UniCEUB.

Até 2013, a cidade holandesa tinha quase 900 mil bicicletas para uma população de 800 mil pessoas. Cham da de “capital do ciclismo”, a cidade enfrenta problema para encontrar estacionamentos para as “magrelas”. Em 20 anos houve aumento de 40% nas viagens de bikes.

Outra cidade que se destaca no uso de bicicletas é Bogotá, na Colômbia. De 1998 a 2001, o então prefeito da cidade, Enrique Peñalosa foi responsável pela implementação de 300 quilômetros de ciclovias na capital colombiana. Hoje a urbe tem quase 400 quilômetros e tornou-se referência internacional em mobilidade.

As 20 melhores cidades do mundo para andar de bike
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1. COPENHAGEN, DINAMARCA

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2. AMSTERDÃ, HOLANDA

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3. UTREQUE, HOLANDA

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4. STRASBOURG, FRANÇA

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10. SEVILHA, ESPANHA

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11. BARCELONA, ESPANHA

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12. BERLIM, ALEMANHA

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13. LJUBLJANA, ESLOVÊNIA

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14. BUENOS AIRES, ARGENTINA

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15. DUBLIN, IRLANDA

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17. PARIS, FRANÇA

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20. MONTRÉAL, CANADÁ

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Sustentabilidade: priorizar bicicletas é o caminho para uma Fortaleza possível

Há uma forma saudável para ciclistas, pedestres e motoristas dos diversos veículos que transitam pela cidade conviverem bem

Por Felipe Lima em Mobilidade Urbana

27 de julho de 2015 às 06:00

Há 4 anos

De casa ao trabalho, da escola para o shopping. Do cinema para a praia. Nesta infinita highway, os caminhos vão sempre encontrar um dos maiores problemas das grandes metrópoles: o trânsito caótico. A necessidade de se locomover – e direito civil básico –, seja a pé, de carro ou ônibus, encontra entraves que causam prejuízo ao cidadão e até mesmo aos próprios veículos quando envolvidos em acidentes.

Para sanar tal situação, um modal de corpo e rodas magricelas pode ser a solução. A bicicleta é hoje uma das apostas em um cenário de caos no trânsito como opção sustentável que, além de ocupar menos espaço, se adapta a pequenos espaços pode melhorar a saúde do usuário e diminuir a poluição.

Ações em torno do uso da bicicleta tornaram-se comuns em Fortaleza (FOTO: Divulgação/Ciclovida)

Ações em torno do uso da bicicleta tornaram-se comuns em Fortaleza (FOTO: Divulgação/Ciclovida)

Neste cenário, Fortaleza começou a investir em ciclovias e ciclofaixas há dois anos. De lá pra cá, o que se vê é uma cidade respirando bikes. Quem já costumava usar mesmo sem uma malha viária adequada, reforçou as pedaladas; quem não tinha, comprou; e ainda quem guardava no canto do porão resolveu tirar a poeira e fazer a “magrela” sentir a cidade.

De acordo com o engenheiro da Prefeitura de Fortaleza, Gustavo Pinheiro, o embrião da malha cicloviária foi iniciada com a implementação da ciclofaixa da Rua Benjamim Brasil, no bairro Mondubim, em setembro de 2012. Mas o boom de pedaladas veio com as ciclofaixas das ruas canuto de Aguiar e Ana Bilhar, na Aldeota, região nobre de Fortaleza, o que inicialmente causou burburinho: “mas os ricos andam de carro!”.

Naquela época, segundo a Autarquia Municipal de Trânsito (AMC), optou-se em escolher o binário Ana Bilhar/Canuto de Aguiar por ser um corredor de tráfego com vias paralelas de sentido único, possuir integração com outras ciclofaixas propostas e com a ciclovia da Via Expressa, além de ter apresentado maiores volumes de ciclistas dentre as vias analisadas e baixos conflitos com pontos de paradas..

As rotas cresceram e hoje possuem 125,5 quilômetros de extensão e, de acordo com o Plano de Ações Imediatas de Transporte e Trânsito (Paitt), o objetivo é construir mais 100 km até 2016.

Com objetivo de fortalecer as atuais políticas de mobilidade urbana, priorizando o transporte público não motorizado, a Prefeitura de Fortaleza deu início às ações de ordenamento e gerenciamento das atividades cicloviárias a partir da entrega do Plano Diretor Cicloviário Integrado (PDCI), em novembro de 2014, indicando políticas de atuação e gerenciamento de obras na área, pelo período de 15 anos, prevendo 524 quilômetros de rede para duas rodas.

Rota de perigo?

Com o crescimento dos usuários de bicicletas, a “concorrência” com os veículos motorizados trouxe riscos aos ciclistas e pedestres. Mas o Plano de Ações Imediatas de Transporte e Trânsito de Fortaleza (Paitt), que visa a melhoria do transporte e do trânsito de Fortaleza, vem prometendo a segurança viária. E este fator é fundamental para que mais pessoas utilizem os modais não motorizados.

Em 10 anos (2003 a 2013), 40 pessoas morreram em acidentes com bicicletas em Fortaleza segundos dados colhidos pelo Tribuna do Ceará por meio do DataSUS. Numa comparação com as demais capitais brasileiras, o número não é tão alto, pois São Paulo, que é a cidade com maior quantidade de óbitos desta categoria, registrou 537 acidentes fatais no mesmo período.

“A Prefeitura de Fortaleza segue as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, em que deve-se priorizar o transporte coletivo e não motorizado sobre o transporte individual. As ações do Paitt buscam essas diretrizes, ao mesmo tempo que busca uma otimização do espaço viário destinado ao transporte individual. São feitas ações de fiscalização sobre o uso indevido das ciclofaixas e estão sendo planejadas ações para intensificação da fiscalização, bem como de adoção de campanhas educativas”, comenta Gustavo Pinheiro.

As rotas de Fortaleza cresceram e hoje possuem 125,5 quilômetros de extensão (FOTO: Divulgação/Ciclovida)

As rotas de Fortaleza cresceram e hoje possuem 125,5 quilômetros de extensão (FOTO: Divulgação/Ciclovida)

Para manter a segurança viária na capital cearense, a Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP) segue as diretrizes do Plano Cicloviário, que segue o padrão do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). “O Plano Cicloviário determina que as ciclofaixas unidirecionais deve ter o mínimo de 1,20 metro, enquanto que a bidirecional deve ter 2,40 metros. A largura de cada ciclofaixa é determinada a partir desse mínimo, podendo ter largura maior de acordo com a largura total da via, fluxo veicular e outros aspectos. Existem ciclofaixas com o mínimo (1,20), bem como existem ciclofaixas mais largas (até 1,60).”, explica o engenheiro da Prefeitura.

A ampliação da malha viária tem interferido até mesmo na saúde pública. O Instituto Doutor José Frota (IJF) teve redução no atendimento a ciclistas feridos de janeiro a junho de 2015, comparado ao mesmo período do ano passado. Em 2014 foram 675 atendimentos, enquanto em 2015 foram apenas 475 atendimentos a vítimas de acidentes com bicicletas.

Bike para todos

Para contribuir para o debate sobre a inclusão das bicicletas em Fortaleza, a Associação dos Ciclistas Urbanos de Fortaleza (Ciclovida) lançou a campanha de financiamento coletivo para o Mês da Mobilidade 2015. Com o tema Educação: o segredo para uma mobilidade mais humana, o evento está previsto para setembro e contará com diversas atividades abertas e gratuitas em Fortaleza.

Para o advogado e diretor da Ciclovida, Celso Sakuraba, há uma forma saudável para ciclistas, pedestres e motoristas dos diversos veículos que transitam pela cidade conviverem bem.

Sustentabilidade sobre duas rodas: o caminho para um Fortaleza possível

Para dar oportunidade para quem não possui bicicleta, o governo municipal lançou, em dezembro de 2014, o Bicicletar, o sistema de bicicletas compartilhadas. Com assinatura mensal e também com pagamento via Bilhete único, já foram registradas mais de 300 mil viagens e uma economia de 108 mil toneladas de CO².

Até 2016, Fortaleza deve receber 40 novas estações do Programa de Bicicletas Compartilhadas de Fortaleza, o Bicicletar. Diversos bairros da cidade serão contemplados com o serviço, que tem o objetivo de incentivar o uso das bicicletas como meio de transporte e contribuir para uma mobilidade sustentável.

Fortaleza no caminho certo

O especialista em mobilidade urbana e professor cearense do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) Dr. João Alencar Júnior acredita que Fortaleza está no caminho certo, mas defende mais políticas públicas para o transporte coletivo.

Para João Alencar, a inclusão de ciclofaixas e ciclovias é um ajuste na infraestrutura mal planejada ao longo dos tempos e defende que muitos fatos levaram ao caos do trânsito instalado nas grandes metrópoles. “Claro que não se pode impedir que as pessoas que têm possibilidade comprar um carro trafegar na rua, mas há um total descontrole quanto ao uso dos veículos não motorizados. Somado a isso, exite o fato dos gestores municipais terem pensado, ao longo das décadas anteriores, somente nos carros. Você não tem uma cidade estruturada se não pensar em redes de transportes”, comenta.

Para o professor João Alencar Jr., Fortaleza está no caminho certo (FOTO: Reprodução/Facebook)

Para o professor João Alencar Jr., Fortaleza está no caminho certo (FOTO: Reprodução/Facebook)

O pesquisador alerta para a Lei 12.587/12, que lançou a Política Nacional de Mobilidade Urbana. O objetivo é que até 2015 todos os municípios com mais de 20 mil habitantes apresentem um planejamento específico para o transporte coletivo.

Esta rede que o especialista comenta é, em síntese, um sistema de transporte interligado de rotas específicas, onde circulam transportes de diferentes modalidades. “Fortaleza precisa integrar todos os modais, sejam eles motorizados ou não. Se faz necessário que o cidadão sai de carro de casa, deixe seu veículo em um estacionamento seguro e, logo em seguida, tome uma bicicleta para continuar sua jornada”, explica.

O Doutor em Engenharia de Transportes reforça ainda que além de uma infraestrutura de transporte adequada, os órgãos governamentais precisam disponibilizar também segurança, iluminação, além de outros fatores que proporcionem caminhos mais tranquilos para o cidadão.

Este comentário parte da ideia de uma cidade para as pessoas, que beneficie principalmente o cidadão que anda a pé, de bicicleta e de transporte público. “A cidade deve se adaptar aos pedestres. Anteriormente a oferta era limitada, mas as cidades foram crescendo. O trânsito caótico é apenas uma consequência disso tudo. Neste cenário alguém tem que ceder, e este alguém é o motorista de carro, que foi beneficiado por 30, 40 anos”, diz João Araújo.

Apesar do avanço para o trânsito sustentável, Fortaleza ainda tem muito o que fazer. Abrir novos caminhos por meio das duas rodas pode resolver entraves da saúde pública, como foi em Amsterdã, na Holanda. “Na década de 70, a Holanda, principalmente em Amsterdã, sofreu um boom de carros nas ruas, mas com isso veio o crescimento de acidente. Crianças eram atropeladas e mortas. Com isso, houve uma pressão da população para reverter esta situação”, lembra o professor da UniCEUB.

Até 2013, a cidade holandesa tinha quase 900 mil bicicletas para uma população de 800 mil pessoas. Cham da de “capital do ciclismo”, a cidade enfrenta problema para encontrar estacionamentos para as “magrelas”. Em 20 anos houve aumento de 40% nas viagens de bikes.

Outra cidade que se destaca no uso de bicicletas é Bogotá, na Colômbia. De 1998 a 2001, o então prefeito da cidade, Enrique Peñalosa foi responsável pela implementação de 300 quilômetros de ciclovias na capital colombiana. Hoje a urbe tem quase 400 quilômetros e tornou-se referência internacional em mobilidade.

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10. SEVILHA, ESPANHA

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