#Retrospectiva2015: Fortaleza registra no ano um boom de novas ciclofaixas e faixas de ônibus


#Retrospectiva2015: Fortaleza registra no ano um boom de novas ciclofaixas e faixas de ônibus

Em 2015, houve o aumento de 24,5 km de ciclovias, contando agora com 137,5 km. E mais 34,8 km de faixas exclusivas para ônibus

Por Hayanne Narlla em Mobilidade Urbana

28 de dezembro de 2015 às 06:00

Há 3 anos

Antes de se tornar nutricionista, Letícia Albuquerque já pegava a bicicleta para se locomover. De vez em quando, pedalava até a Universidade Estadual do Ceará (Uece), desde sua casa, localizada na Parquelândia. Naquele tempo, andar de bike em Fortaleza era coisa estranha.

Em 2015, ao mesmo tempo em que Letícia se formou, as políticas de mobilidade para ciclistas foram mais intensificadas. “Costumava andar de bicicleta pela cidade antes da introdução das ciclofaixas, e quando comentava com alguém que andava de bicicleta, muitos me questionavam se eu não tinha medo de ser assaltada ou de me envolver em acidentes”.

De 2013 para 2015, houve aumento de 88% da infraestrutura (FOTO: Divulgação/ Ciclovida)

De 2013 para 2015, houve aumento de 88% da infraestrutura cicloviária em Fortaleza (FOTO: Divulgação/ Ciclovida)

A nutricionista continua com os costumes de antes: toma cuidado, tenta andar equipada e evita lugares escuros ou com pouco fluxo de pessoas. E nunca aconteceu nada de perigoso com ela.

Durante o ano de 2015, houve o aumento de 24,5 quilômetros (km) de infraestrutura cicloviária na capital cearense, chegando ao total de 137,5 km. De 2013 para cá, o aumento foi de 88%, pois só contava como 73 km. Os dados são da Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (SCSP). Confira os locais onde há ciclofaixas e ciclovias.

Apropriação

Depois desse aumento de ciclofaixas, Letícia notou uma diferença na quantidade de pessoas que utilizavam a bicicleta para lazer ou transporte. Por isso, ela vibrava a cada nova iniciativa criada. Assim foi com o Bicicletar, o sistema que compartilha o veículo.

Atualmente, o sistema tem 60 estações e é o mais utilizado do país, com 6,4 viagens de bicicleta por dia. E também foi criada a Ciclofaixa de Lazer, com a rota de aproximadamente 11 km aos domingos, de 7h às 13h, onde participam em média 4 mil pessoas.

“Pude notar também que os motoristas passaram a nos respeitar mais. Porém eu, pessoalmente, continuo me prevenindo sempre, por exemplo, mesmo que seja minha via preferencial, costumo reduzir a velocidade a cada esquina pois muitos motoristas não nos veem ou não nos respeitam”, revelou.

Dessa forma, Letícia deixou sugestão para que a Prefeitura de Fortaleza “fizesse campanhas de educação sobre como os ciclistas devem se portar nas ruas, que equipamentos devem usar e como podem denunciar os motoristas e motociclistas que os desrespeitam”. Ela ainda sente falta disso.

Faixas exclusivas garantem mais rapidez para usuários do transporte público (FOTO: Prefeitura de Fortaleza/Divulgação)

Faixas exclusivas garantem mais rapidez para usuários do transporte público (FOTO: Prefeitura de Fortaleza/Divulgação)

A pé ou de ônibus

Para aqueles que optam por utilizar o transporte público, algumas políticas também foram realizadas. O ano é encerrado com 89,3 km de faixas exclusivas para ônibus. Isso afeta, direta ou indiretamente, cerca de 250 mil passageiros do transporte público diariamente. Somente em 2015, foram implantados 34,8 km.

Segundo a Secretaria de conservação, com essa iniciativa, nas vias que já receberam a intervenção, a taxa de velocidade operacional dos ônibus foi superada, ficando entre 60% e 200%.

Formado em Direito, Júlio Henrique é usuário do transporte público diariamente. Ele até considera que houve melhora no tempo de viagem do ônibus em pequenas distâncias. Mas de sua casa, na Avenida Bezerra de Menezes, para a Unifor, ele constata que economiza agora cerca de uma hora.

“Isso melhorou, mas os ônibus continuam atrasando bastante e os motoristas continuam queimando parada – quando a gente dá o sinal e ele não para. Mas para mim o pior foi o fim das topiques. Antigamente, no meu trajeto, eu pegava duas topiques. Era melhor do que ir para o terminal. Prefiro ônibus no horário certo e topiques do que o ar condicionado no veículo”.

Categoria

O ano de 2015 pode ter sido bom para algumas pessoas, mas foi bem difícil para outras. O presidente do Sindiônibus, Dimas Barreira, considera que a dificuldade foi a combinação da diminuição do movimento com alta inflação.

Ele ressalta que houve uma prioridade ao transporte coletivo, conforme a Lei Federal da Mobilidade. “Soma-se ao fato das viagens começarem a ter seus tempos encurtados a realidade, já palpável, do conforto térmico. Mais de um décimo da frota já está climatizada e seguiremos avançando gradualmente, para que o ônibus seja opção cada vez mais viável para quem puder deixar o carro para momentos de lazer ou necessidade específica”, finalizou.

(ARTE: Tiago Leite)

(ARTE: Tiago Leite)

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#Retrospectiva2015: Fortaleza registra no ano um boom de novas ciclofaixas e faixas de ônibus

Em 2015, houve o aumento de 24,5 km de ciclovias, contando agora com 137,5 km. E mais 34,8 km de faixas exclusivas para ônibus

Por Hayanne Narlla em Mobilidade Urbana

28 de dezembro de 2015 às 06:00

Há 3 anos

Antes de se tornar nutricionista, Letícia Albuquerque já pegava a bicicleta para se locomover. De vez em quando, pedalava até a Universidade Estadual do Ceará (Uece), desde sua casa, localizada na Parquelândia. Naquele tempo, andar de bike em Fortaleza era coisa estranha.

Em 2015, ao mesmo tempo em que Letícia se formou, as políticas de mobilidade para ciclistas foram mais intensificadas. “Costumava andar de bicicleta pela cidade antes da introdução das ciclofaixas, e quando comentava com alguém que andava de bicicleta, muitos me questionavam se eu não tinha medo de ser assaltada ou de me envolver em acidentes”.

De 2013 para 2015, houve aumento de 88% da infraestrutura (FOTO: Divulgação/ Ciclovida)

De 2013 para 2015, houve aumento de 88% da infraestrutura cicloviária em Fortaleza (FOTO: Divulgação/ Ciclovida)

A nutricionista continua com os costumes de antes: toma cuidado, tenta andar equipada e evita lugares escuros ou com pouco fluxo de pessoas. E nunca aconteceu nada de perigoso com ela.

Durante o ano de 2015, houve o aumento de 24,5 quilômetros (km) de infraestrutura cicloviária na capital cearense, chegando ao total de 137,5 km. De 2013 para cá, o aumento foi de 88%, pois só contava como 73 km. Os dados são da Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (SCSP). Confira os locais onde há ciclofaixas e ciclovias.

Apropriação

Depois desse aumento de ciclofaixas, Letícia notou uma diferença na quantidade de pessoas que utilizavam a bicicleta para lazer ou transporte. Por isso, ela vibrava a cada nova iniciativa criada. Assim foi com o Bicicletar, o sistema que compartilha o veículo.

Atualmente, o sistema tem 60 estações e é o mais utilizado do país, com 6,4 viagens de bicicleta por dia. E também foi criada a Ciclofaixa de Lazer, com a rota de aproximadamente 11 km aos domingos, de 7h às 13h, onde participam em média 4 mil pessoas.

“Pude notar também que os motoristas passaram a nos respeitar mais. Porém eu, pessoalmente, continuo me prevenindo sempre, por exemplo, mesmo que seja minha via preferencial, costumo reduzir a velocidade a cada esquina pois muitos motoristas não nos veem ou não nos respeitam”, revelou.

Dessa forma, Letícia deixou sugestão para que a Prefeitura de Fortaleza “fizesse campanhas de educação sobre como os ciclistas devem se portar nas ruas, que equipamentos devem usar e como podem denunciar os motoristas e motociclistas que os desrespeitam”. Ela ainda sente falta disso.

Faixas exclusivas garantem mais rapidez para usuários do transporte público (FOTO: Prefeitura de Fortaleza/Divulgação)

Faixas exclusivas garantem mais rapidez para usuários do transporte público (FOTO: Prefeitura de Fortaleza/Divulgação)

A pé ou de ônibus

Para aqueles que optam por utilizar o transporte público, algumas políticas também foram realizadas. O ano é encerrado com 89,3 km de faixas exclusivas para ônibus. Isso afeta, direta ou indiretamente, cerca de 250 mil passageiros do transporte público diariamente. Somente em 2015, foram implantados 34,8 km.

Segundo a Secretaria de conservação, com essa iniciativa, nas vias que já receberam a intervenção, a taxa de velocidade operacional dos ônibus foi superada, ficando entre 60% e 200%.

Formado em Direito, Júlio Henrique é usuário do transporte público diariamente. Ele até considera que houve melhora no tempo de viagem do ônibus em pequenas distâncias. Mas de sua casa, na Avenida Bezerra de Menezes, para a Unifor, ele constata que economiza agora cerca de uma hora.

“Isso melhorou, mas os ônibus continuam atrasando bastante e os motoristas continuam queimando parada – quando a gente dá o sinal e ele não para. Mas para mim o pior foi o fim das topiques. Antigamente, no meu trajeto, eu pegava duas topiques. Era melhor do que ir para o terminal. Prefiro ônibus no horário certo e topiques do que o ar condicionado no veículo”.

Categoria

O ano de 2015 pode ter sido bom para algumas pessoas, mas foi bem difícil para outras. O presidente do Sindiônibus, Dimas Barreira, considera que a dificuldade foi a combinação da diminuição do movimento com alta inflação.

Ele ressalta que houve uma prioridade ao transporte coletivo, conforme a Lei Federal da Mobilidade. “Soma-se ao fato das viagens começarem a ter seus tempos encurtados a realidade, já palpável, do conforto térmico. Mais de um décimo da frota já está climatizada e seguiremos avançando gradualmente, para que o ônibus seja opção cada vez mais viável para quem puder deixar o carro para momentos de lazer ou necessidade específica”, finalizou.

(ARTE: Tiago Leite)

(ARTE: Tiago Leite)