Motoristas do Uber sofrem ameaças de agressão de taxistas de Fortaleza

TENSÃO

Motoristas do Uber sofrem ameaças de agressão de taxistas de Fortaleza

Parceiros do aplicativo de caronas pagas relatam tensão, diante da perseguição de taxistas insatisfeitos

Por Jéssica Welma em Mobilidade Urbana

10 de maio de 2016 às 07:00

Há 3 anos
uber-fortaleza-taxistas

Carro do Uber é “fechado” por taxistas próximo ao Aeroporto Internacional Pinto Martins. (Foto: Reprodução/Whatsapp)

Os primeiros dez dias de funcionamento do Uber em Fortaleza foram de apreensão para muitos motoristas que aderiram ao modelo de transporte em carros particulares. Isso acontece porque a inserção da empresa no mercado não agradou ao tradicional modelo de táxis. Motoristas do Uber têm relatado e registrado tentativas de agressão e ameaças de violência nas ruas.

Em grupos de Whatsapp, são compartilhados vídeos e áudios de ameaças a quem adere ao Uber e informações sobre locais de risco para os motoristas.

Um deles, que prefere não se identificar, deixou o trabalho como vendedor para investir no modelo do Uber. Logo nos primeiros dias, seu carro foi “fechado” por taxistas e apreendido pela Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) da Prefeitura de Fortaleza.

“Recebi uma chamada do Uber no bar Arriégua, na Rua Delmiro Gouveia. Quando cheguei e as pessoas entraram no carro, eram quatro advogados, então os taxistas fecharam meu carro. Um parou atrás e outro na frente. Foi um constrangimento muito grande”, relata o motorista.

“No dia seguinte, a Uber pagou a multa da apreensão e já comecei novamente. Fiquei com receio de rodar, mas os advogados garantiram que era legal”, ressalta. Segundo ele, o que tem aumentado a tensão entre os motoristas são as ameaças de que taxistas vão pedir carros do Uber para denunciar à Prefeitura.

http://mais.uol.com.br/view/15855807

“Se apreenderem o carro, sem agressão física, tudo bem. O medo de todo mundo é que haja agressão física”, pontua. O Tribuna do Ceará teve acesso a diálogos em um grupo do Whatsapp, chamado “Fora Uber – Fortaleza”. Em uma das conversas, dois homens falam sobre suposta emboscada a motoristas do Uber.

“Estou saindo aqui, do La Maison sentido Shopping Parangaba. Em torno de 20, 25 minutos, chego por aí pra gente formalizar o esquema e em seguida já peço o Uber”, diz um motorista no grupo.

Um dos vídeos registrados mostra um motorista do Uber sendo fechado por taxistas próximo à Rodoviária Engenheiro João Tomé, em Fortaleza. Após secarem os pneus dos carros, o grupo questiona sobre o passageiro e não permite que o motorista entre no carro novamente, dizendo que ele está proibido de pedir ajuda. O caso aconteceu na quinta-feira (5). 

“Não peça ajuda no celular. Se pedir, eu tomo o celular”, diz uma das pessoas que ameaçam o motorista do Uber. Outro fala para não deixarem que nem o motorista nem o passageiro saiam do local. Um dos homens que aparecem no vídeo pede para que não quebrem o carro.

Outro entrevistado pelo Tribuna do Ceará já foi taxista e aderiu ao Uber. Ele pontua que é um pequeno grupo de taxistas que tem adotado ações de violência. “Não são todos, é só um grupo. Não chega nem a 20 pessoas, mas fazem um barulho danado”, destaca. Mesmo sabendo que são poucos, ele teme por sua segurança e destaca que tem saído menos dias para trabalhar pelo Uber.

Um terceiro motorista defende a legalidade do Uber, mas afirma que trabalha preocupado com a fiscalização municipal. Sobre as ameaças de taxistas, ele defende que os profissionais do táxi tradicional estão prejudicando a própria imagem. “Ninguém resolve nada com violência. Eles têm o direito de questionar, porque é uma invasão à área deles”, ressalta.

Prefeitura

Na última semana, o prefeito Roberto Cláudio classificou como ilegal qualquer tipo de serviço na cidade que esteja à margem da lei e disse que o serviço está sendo fiscalizado. Sobre o projeto de regulamentação do Uber, proposto na Câmara Municipal, o chefe do Executivo disse ainda não ter conhecimento.

A Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) afirma que, até então, o transporte é considerado irregular e ilegal, sendo o veículo passível de multa e apreensão, conforme a lei de n° 7163 de 30 de junho de 1992, que proíbe o transporte remunerado de passageiros em veículo não-autorizado pela Prefeitura de Fortaleza.

“A regulamentação ou proibição do serviço Uber ainda está em discussão no âmbito da Câmara Municipal de Fortaleza. A Etufor, como órgão do Poder Executivo, não formula, a piori, juízo de valor sobre o tema”, afirmou a nota.

O presidente do Sinditáxi, Vicente de Paula, disse que há recomendações aos taxistas cadastrados para que não ajam “com as próprias mãos” em relação aos carros do Uber. “A gente orienta que não quebrem, não fechem os carros nas ruas, não levem à delegacia. Caso percebam que é Uber, anotem a placa e encaminhem ao sindicato”.

* Os motoristas do Uber tiveram o nome preservado, por receio de represálias.

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Motoristas do Uber sofrem ameaças de agressão de taxistas de Fortaleza

Parceiros do aplicativo de caronas pagas relatam tensão, diante da perseguição de taxistas insatisfeitos

Por Jéssica Welma em Mobilidade Urbana

10 de maio de 2016 às 07:00

Há 3 anos
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Carro do Uber é “fechado” por taxistas próximo ao Aeroporto Internacional Pinto Martins. (Foto: Reprodução/Whatsapp)

Os primeiros dez dias de funcionamento do Uber em Fortaleza foram de apreensão para muitos motoristas que aderiram ao modelo de transporte em carros particulares. Isso acontece porque a inserção da empresa no mercado não agradou ao tradicional modelo de táxis. Motoristas do Uber têm relatado e registrado tentativas de agressão e ameaças de violência nas ruas.

Em grupos de Whatsapp, são compartilhados vídeos e áudios de ameaças a quem adere ao Uber e informações sobre locais de risco para os motoristas.

Um deles, que prefere não se identificar, deixou o trabalho como vendedor para investir no modelo do Uber. Logo nos primeiros dias, seu carro foi “fechado” por taxistas e apreendido pela Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) da Prefeitura de Fortaleza.

“Recebi uma chamada do Uber no bar Arriégua, na Rua Delmiro Gouveia. Quando cheguei e as pessoas entraram no carro, eram quatro advogados, então os taxistas fecharam meu carro. Um parou atrás e outro na frente. Foi um constrangimento muito grande”, relata o motorista.

“No dia seguinte, a Uber pagou a multa da apreensão e já comecei novamente. Fiquei com receio de rodar, mas os advogados garantiram que era legal”, ressalta. Segundo ele, o que tem aumentado a tensão entre os motoristas são as ameaças de que taxistas vão pedir carros do Uber para denunciar à Prefeitura.

http://mais.uol.com.br/view/15855807

“Se apreenderem o carro, sem agressão física, tudo bem. O medo de todo mundo é que haja agressão física”, pontua. O Tribuna do Ceará teve acesso a diálogos em um grupo do Whatsapp, chamado “Fora Uber – Fortaleza”. Em uma das conversas, dois homens falam sobre suposta emboscada a motoristas do Uber.

“Estou saindo aqui, do La Maison sentido Shopping Parangaba. Em torno de 20, 25 minutos, chego por aí pra gente formalizar o esquema e em seguida já peço o Uber”, diz um motorista no grupo.

Um dos vídeos registrados mostra um motorista do Uber sendo fechado por taxistas próximo à Rodoviária Engenheiro João Tomé, em Fortaleza. Após secarem os pneus dos carros, o grupo questiona sobre o passageiro e não permite que o motorista entre no carro novamente, dizendo que ele está proibido de pedir ajuda. O caso aconteceu na quinta-feira (5). 

“Não peça ajuda no celular. Se pedir, eu tomo o celular”, diz uma das pessoas que ameaçam o motorista do Uber. Outro fala para não deixarem que nem o motorista nem o passageiro saiam do local. Um dos homens que aparecem no vídeo pede para que não quebrem o carro.

Outro entrevistado pelo Tribuna do Ceará já foi taxista e aderiu ao Uber. Ele pontua que é um pequeno grupo de taxistas que tem adotado ações de violência. “Não são todos, é só um grupo. Não chega nem a 20 pessoas, mas fazem um barulho danado”, destaca. Mesmo sabendo que são poucos, ele teme por sua segurança e destaca que tem saído menos dias para trabalhar pelo Uber.

Um terceiro motorista defende a legalidade do Uber, mas afirma que trabalha preocupado com a fiscalização municipal. Sobre as ameaças de taxistas, ele defende que os profissionais do táxi tradicional estão prejudicando a própria imagem. “Ninguém resolve nada com violência. Eles têm o direito de questionar, porque é uma invasão à área deles”, ressalta.

Prefeitura

Na última semana, o prefeito Roberto Cláudio classificou como ilegal qualquer tipo de serviço na cidade que esteja à margem da lei e disse que o serviço está sendo fiscalizado. Sobre o projeto de regulamentação do Uber, proposto na Câmara Municipal, o chefe do Executivo disse ainda não ter conhecimento.

A Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) afirma que, até então, o transporte é considerado irregular e ilegal, sendo o veículo passível de multa e apreensão, conforme a lei de n° 7163 de 30 de junho de 1992, que proíbe o transporte remunerado de passageiros em veículo não-autorizado pela Prefeitura de Fortaleza.

“A regulamentação ou proibição do serviço Uber ainda está em discussão no âmbito da Câmara Municipal de Fortaleza. A Etufor, como órgão do Poder Executivo, não formula, a piori, juízo de valor sobre o tema”, afirmou a nota.

O presidente do Sinditáxi, Vicente de Paula, disse que há recomendações aos taxistas cadastrados para que não ajam “com as próprias mãos” em relação aos carros do Uber. “A gente orienta que não quebrem, não fechem os carros nas ruas, não levem à delegacia. Caso percebam que é Uber, anotem a placa e encaminhem ao sindicato”.

* Os motoristas do Uber tiveram o nome preservado, por receio de represálias.