Assinatura mensal para uso de bicicletas públicas custará R$ 10. Valor anual será de R$ 50


Assinatura mensal para uso de bicicletas públicas custará R$ 10. Valor anual será de R$ 50

A partir de novembro, a primeira estação começará a funcionar. Cada estação terá 10 bicicletas, e estão previstas 40 ao todo até junho de 2015, com 400 bicicletas

Por Thamiris Treigher em Mobilidade Urbana

22 de outubro de 2014 às 14:00

Há 5 anos
unimed-biciletas

O sistema de compartilhamento de bicicletas será inaugurado em novembro (Foto: Unimed/Divulgação)

Primeiro vieram as ciclofaixas das ruas Canuto de Aguiar e Ana Bilhar. Após a implantação do binário das Avenidas Santos Dumont e Dom Luís, mais duas ciclofaixas estavam disponíveis em Fortaleza. A Avenida Rui Barbosa foi a última adicionada no roteiro. As ciclofaixas do lazer são um sucesso aos domingos. Outras vias para uso de bicicletas já foram anunciadas em Fortaleza, que pode chegar até a 91,5 KM em toda a cidade. A última diz respeito ao compartilhamento de bicicletas que estará disponível em novembro. O Tribuna do Ceará colheu todas as informações para que você saiba como funcionará o sistema de bicicletas compartilhadas em Fortaleza.

Fortaleza terá o início do serviço de compartilhamento de bicicletas, que será inaugurado em novembro, com 15 estações que serão instaladas na zona leste da cidade, na Praia de Iracema, Meireles e Aldeota. De acordo com o cronograma, a partir do próximo mês, a primeira estação começará a funcionar. Cada estação terá 10 bicicletas, e estão previstas cerca de 40 estações em toda a cidade, com 400 bicicletas, até junho de 2015.

Como funcionará o serviço?

O fortalezense que já é usuário do Bilhete Único poderá usufruir de forma gratuita, o que deve fortalecer ainda mais o sistema. O modelo de bicicletas compartilhadas, mais do que lazer, tem a proposta de ser uma integração de modal de transporte.

O vereador Evaldo Lima (PCdoB), defensor do modal, destaca a facilidade do sistema. “Os interessados pela utilização do serviço devem realizar o cadastro através do site da Prefeitura de Fortaleza, do telefone (85) 3105-1464 ou do aplicativo de celular que será disponibilizado. A assinatura mensal custa R$ 10 (valor anual é de R$ 60), que dá direito a uma hora com a bicicleta para cada intervalo de 15 minutos entre as retiradas. Cada hora que o usuário exceder custará R$ 5. Quem quiser utilizar de forma avulsa a bicicleta compartilhada vai desembolsar R$ 5 por dia”.

O cidadão deverá retirar o equipamento em uma estação e devolvê-lo na outra. A proposta é de que o cidadão de Fortaleza use a bicicleta como um modo de transporte integrado ao Bilhete Único, e trate-a com zelo e como uma melhoria de locomoção ofertada à população da capital.

Utilização das ciclofaixas

Que os ciclistas podem usar livremente as ciclofaixas, já é de conhecimento público. Mas e os corredores e skatistas, também podem? O que diz a legislação?

Segundo o vereador Evaldo Lima, é permitido aos skatistas. “Pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), é permitido circular pelas ciclofaixas qualquer veículo movido por propulsão humana com no mínimo duas rodas, como skates e patins, por exemplo. Mas caminhada e corrida não são permitidas, pois não se encaixam nesta definição. O lugar das pessoas exercerem essas atividades é a calçada, que é a seção destinada aos pedestres nas ruas”.

Já em relação às bicicletas elétricas, uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) permite que estas transitem nas ciclofaixas, contanto que não ultrapassem o limite de 25km/h.

Opiniões

Phelipe Baray utiliza a bicicleta diariamente, há mais de um ano (Foto: Arquivo Pessoal)

Phelipe Rabay utiliza a bicicleta diariamente, há mais de um ano (Foto: Arquivo Pessoal)

Phelipe Rabay anda de bicicleta diariamente há mais de um ano. Ele conta que quebrou vários paradigmas. “Além da liberdade, de não pegar transito, e  de não ter problema com estacionamento, quebrei vários paradigmas, como questão do perigo de assalto, por exemplo. Hoje me sinto mais seguro na bike do que no carro, por causa do maior campo de visão, da maior flexibilidade de caminhos, e por poder desviar para qualquer lado em situação suspeita”. Ele comenta também a importância das discussões sobre o uso da bicicleta. “O convívio com os veículos tem melhorado, devido à crescente discussão sobre bicicleta e o crescente numero de adeptos. Hoje é muito comum conhecer algum amigo que ande de bicicleta, o que gera uma maior consciência no motorista”.

Phelipe aprova o novo sistema de compartilhamento do meio de transporte. “Já usei o sistema em São Paulo e Brasília. É muito bom na questão do incentivo a quem quer experimentar. As bicicletas têm boa qualidade, as estações são próximas e o sistema é simples de usar. Para o turista também é muito bom, existe muita liberdade e você acaba acostumando um pouco com o mapa do local“.

Erich Soares, membro do Fórum dos Direitos Urbanos, ressalta a importância do debate público sobre mobilidade urbana com ênfase em soluções sustentáveis. “O debate público por modelos mais sustentáveis e humanizados (e críticos ao rodoviarismo) é puxado principalmente por grupos e coletivos que pautam essas questões – Massa Crítica, Associação de Ciclistas Urbanos de Fortaleza (Ciclovida), e Fórum Direitos Urbanos, notadamente”.

Segundo ele, a implantação do sistema de bicicletas compartilhadas é um bom modelo de incentivo ao uso deste modal para deslocamentos de curta e médias distâncias, onde a bicicleta se mostra perfeitamente possível e eficaz. Mas, para Erich, o sistema também possui falhas. ” O investimento  em equipamentos e obras acontece prioritariamente no eixo Grande Aldeota da cidade. Na primeira fase de execução do projeto, as 15 estações previstas até novembro se localizam apenas nos bairros Papicu, Avenida Beira-Mar, Praia de Iracema, Aldeota e Meireles. E mesmo quando da ampliação do sistema ao total de 60 estações, estas não compreendem da mesma forma regiões da cidade como sul e oeste. Este é o caso também do Plano Diretor Cicloviário (PDCI)”.

A organização popular em torno desse assunto é extremamente importante pra pressionar o poder público a realizá-las, como comenta Erich. “O último exemplo foi a ação de ciclofaixa cidadã do Massa Crítica no Bom Jardim, nas ruas Oscar Araripe e Oscar França, numa região de movimento intenso de ciclistas, trabalhadores e estudantes, e onde mais se carece de estrutura cicloviária. Outra boa notícia anunciada, além do lançamento do sistema de bicicletas compartilhadas, foi o binário de ciclofaixas nestas duas vias até o final do ano“.

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Assinatura mensal para uso de bicicletas públicas custará R$ 10. Valor anual será de R$ 50

A partir de novembro, a primeira estação começará a funcionar. Cada estação terá 10 bicicletas, e estão previstas 40 ao todo até junho de 2015, com 400 bicicletas

Por Thamiris Treigher em Mobilidade Urbana

22 de outubro de 2014 às 14:00

Há 5 anos
unimed-biciletas

O sistema de compartilhamento de bicicletas será inaugurado em novembro (Foto: Unimed/Divulgação)

Primeiro vieram as ciclofaixas das ruas Canuto de Aguiar e Ana Bilhar. Após a implantação do binário das Avenidas Santos Dumont e Dom Luís, mais duas ciclofaixas estavam disponíveis em Fortaleza. A Avenida Rui Barbosa foi a última adicionada no roteiro. As ciclofaixas do lazer são um sucesso aos domingos. Outras vias para uso de bicicletas já foram anunciadas em Fortaleza, que pode chegar até a 91,5 KM em toda a cidade. A última diz respeito ao compartilhamento de bicicletas que estará disponível em novembro. O Tribuna do Ceará colheu todas as informações para que você saiba como funcionará o sistema de bicicletas compartilhadas em Fortaleza.

Fortaleza terá o início do serviço de compartilhamento de bicicletas, que será inaugurado em novembro, com 15 estações que serão instaladas na zona leste da cidade, na Praia de Iracema, Meireles e Aldeota. De acordo com o cronograma, a partir do próximo mês, a primeira estação começará a funcionar. Cada estação terá 10 bicicletas, e estão previstas cerca de 40 estações em toda a cidade, com 400 bicicletas, até junho de 2015.

Como funcionará o serviço?

O fortalezense que já é usuário do Bilhete Único poderá usufruir de forma gratuita, o que deve fortalecer ainda mais o sistema. O modelo de bicicletas compartilhadas, mais do que lazer, tem a proposta de ser uma integração de modal de transporte.

O vereador Evaldo Lima (PCdoB), defensor do modal, destaca a facilidade do sistema. “Os interessados pela utilização do serviço devem realizar o cadastro através do site da Prefeitura de Fortaleza, do telefone (85) 3105-1464 ou do aplicativo de celular que será disponibilizado. A assinatura mensal custa R$ 10 (valor anual é de R$ 60), que dá direito a uma hora com a bicicleta para cada intervalo de 15 minutos entre as retiradas. Cada hora que o usuário exceder custará R$ 5. Quem quiser utilizar de forma avulsa a bicicleta compartilhada vai desembolsar R$ 5 por dia”.

O cidadão deverá retirar o equipamento em uma estação e devolvê-lo na outra. A proposta é de que o cidadão de Fortaleza use a bicicleta como um modo de transporte integrado ao Bilhete Único, e trate-a com zelo e como uma melhoria de locomoção ofertada à população da capital.

Utilização das ciclofaixas

Que os ciclistas podem usar livremente as ciclofaixas, já é de conhecimento público. Mas e os corredores e skatistas, também podem? O que diz a legislação?

Segundo o vereador Evaldo Lima, é permitido aos skatistas. “Pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), é permitido circular pelas ciclofaixas qualquer veículo movido por propulsão humana com no mínimo duas rodas, como skates e patins, por exemplo. Mas caminhada e corrida não são permitidas, pois não se encaixam nesta definição. O lugar das pessoas exercerem essas atividades é a calçada, que é a seção destinada aos pedestres nas ruas”.

Já em relação às bicicletas elétricas, uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) permite que estas transitem nas ciclofaixas, contanto que não ultrapassem o limite de 25km/h.

Opiniões

Phelipe Baray utiliza a bicicleta diariamente, há mais de um ano (Foto: Arquivo Pessoal)

Phelipe Rabay utiliza a bicicleta diariamente, há mais de um ano (Foto: Arquivo Pessoal)

Phelipe Rabay anda de bicicleta diariamente há mais de um ano. Ele conta que quebrou vários paradigmas. “Além da liberdade, de não pegar transito, e  de não ter problema com estacionamento, quebrei vários paradigmas, como questão do perigo de assalto, por exemplo. Hoje me sinto mais seguro na bike do que no carro, por causa do maior campo de visão, da maior flexibilidade de caminhos, e por poder desviar para qualquer lado em situação suspeita”. Ele comenta também a importância das discussões sobre o uso da bicicleta. “O convívio com os veículos tem melhorado, devido à crescente discussão sobre bicicleta e o crescente numero de adeptos. Hoje é muito comum conhecer algum amigo que ande de bicicleta, o que gera uma maior consciência no motorista”.

Phelipe aprova o novo sistema de compartilhamento do meio de transporte. “Já usei o sistema em São Paulo e Brasília. É muito bom na questão do incentivo a quem quer experimentar. As bicicletas têm boa qualidade, as estações são próximas e o sistema é simples de usar. Para o turista também é muito bom, existe muita liberdade e você acaba acostumando um pouco com o mapa do local“.

Erich Soares, membro do Fórum dos Direitos Urbanos, ressalta a importância do debate público sobre mobilidade urbana com ênfase em soluções sustentáveis. “O debate público por modelos mais sustentáveis e humanizados (e críticos ao rodoviarismo) é puxado principalmente por grupos e coletivos que pautam essas questões – Massa Crítica, Associação de Ciclistas Urbanos de Fortaleza (Ciclovida), e Fórum Direitos Urbanos, notadamente”.

Segundo ele, a implantação do sistema de bicicletas compartilhadas é um bom modelo de incentivo ao uso deste modal para deslocamentos de curta e médias distâncias, onde a bicicleta se mostra perfeitamente possível e eficaz. Mas, para Erich, o sistema também possui falhas. ” O investimento  em equipamentos e obras acontece prioritariamente no eixo Grande Aldeota da cidade. Na primeira fase de execução do projeto, as 15 estações previstas até novembro se localizam apenas nos bairros Papicu, Avenida Beira-Mar, Praia de Iracema, Aldeota e Meireles. E mesmo quando da ampliação do sistema ao total de 60 estações, estas não compreendem da mesma forma regiões da cidade como sul e oeste. Este é o caso também do Plano Diretor Cicloviário (PDCI)”.

A organização popular em torno desse assunto é extremamente importante pra pressionar o poder público a realizá-las, como comenta Erich. “O último exemplo foi a ação de ciclofaixa cidadã do Massa Crítica no Bom Jardim, nas ruas Oscar Araripe e Oscar França, numa região de movimento intenso de ciclistas, trabalhadores e estudantes, e onde mais se carece de estrutura cicloviária. Outra boa notícia anunciada, além do lançamento do sistema de bicicletas compartilhadas, foi o binário de ciclofaixas nestas duas vias até o final do ano“.