Urbanista e sociólogo debatem sobre futuro da Praça Portugal


Urbanista e sociólogo debatem sobre futuro da Praça Portugal

José Sales e Paulo Linhares argumentaram e incrementaram ainda mais a polêmica das obras envolvendo o trecho da Aldeota

Por Hayanne Narlla em Fortaleza

21 de março de 2014 às 20:16

Há 5 anos

O debate acerca da Praça Portugal não está somente no cotidiano dos moradores próximos ou de quem frequenta o local. Dessa vez, a discussão envolveu o lado acadêmico: o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), arquiteto e urbanista José Sales e o sociólogo e presidente do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Paulo Linhares.

Em entrevista à Tribuna Bandnews FM, os dois argumentaram e incrementaram ainda mais a polêmica das obras envolvendo o trecho da Aldeota. Para Paulo Linhares, há duas questões fundamentais que norteiam a pauta: uso de pedestres e a cultura.

 

Plano da Prefeitura de Fortaleza é transformar Praça Portugal em cruzamento (FOTO: Marcella Ruchet/ Tribuna do Ceará)

Plano da Prefeitura de Fortaleza é transformar Praça Portugal em cruzamento (FOTO: Marcella Ruchet/ Tribuna do Ceará)

“É dar uso maior ao pedestre. Eu chamo [a Praça Portugal] de um monumento aos carros. São rotatórias cercadas que você não pode atravessar e nem tem uso. O projeto me parece lógico. Você quer um cruzamento no meio e passa a ter mais espaço. E você vai ter uma praça para o pedestre. Essa é minha impressão com as quatro praças”.

Já sobre a cultura, Linhares questiona a razão de favorecer somente o colonizador, no caso, os portugueses. “Quero discutir que memória é essa que a gente quer preservar? A forma que estamos homenageando Portugal é exagerada. Eu acho que aquela praça ali deveria ser dos povos fundadores. Fica uma coisa colonizada. Que memória é essa? Será que é só do colonizador?”, questiona.

> LEIA MAIS

Estacionamentos irregulares

Já José Sales dá ênfase nos estacionamentos irregulares como a maior causa do engarrafamento da região. “Temos, a grosso modo, mais de 200 irregulares sobre as calçadas. Toda vez que um estacionamento daquele permite o acesso de carro, ele interrompe o tráfego. A gente tem ali no entorno, que a gente chama de nó na Praça Portugal, uns 30 estacionamentos irregulares”, palpita.

O Rio de Janeiro já teve esse problema, que foi resolvido com a proibição dos tais estacionamentos. “Quem resolveu o problema no Rio de Janeiro foi o coronel Fontenele. Ele resolveu tirar os estacionamentos de cima da calçada. O cara parava, ele ia lá e furava o pneu. Foi só dessa maneira que se resolveu esse problema lá. Hoje, você acha bonito andar quilômetros e quilômetros lá sem carro na calçada”.

O fim das invasões de calçadas pelos carros poderia acarretar a um maior preenchimento do espaço urbano pelos pedestres. “Ou a gente resolve essa questão de gente andar em Fortaleza, e uma das ruas mais interessantes para se andar é a Dom Luís, ou… É uma questão básica: como você prioriza transporte de massa e pedestres?”, questiona mais uma vez Linhares.

Questões futuras

Além da questão da Praça Portugal em si, Sales e Linhares observaram as obras do binário e a promessa do metrô. Eles entraram em consenso que a maneira de tirar os carros das vias é a criação da Linha Leste do metrô, que ligaria o Centro de Fortaleza, passando pela Avenida Santos Dumont, indo até a avenida Washington Soares.

“Essa solução do binário é a curto prazo, porque a médio prazo seria esse metrô com um fluxo transversal. Esse plano me parece emergencial”, acredita Linhares. Já Sales ressaltou que o plano de instalar um binário na região já tem mais de 15 anos, o que não acarretaria grandes mudanças no local.

Por fim, ambos concordaram que esse é um momento histórico para Fortaleza, já que a própria sociedade, agora, discute as melhorias da cidade e as prioridades para uma maior qualidade de vida. Além da Aldeota, com o debate sobre a Praça Portugal, há outros lugares que merecem o olhar dos fortalezenses para efetuar reais mudanças.

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Urbanista e sociólogo debatem sobre futuro da Praça Portugal

José Sales e Paulo Linhares argumentaram e incrementaram ainda mais a polêmica das obras envolvendo o trecho da Aldeota

Por Hayanne Narlla em Fortaleza

21 de março de 2014 às 20:16

Há 5 anos

O debate acerca da Praça Portugal não está somente no cotidiano dos moradores próximos ou de quem frequenta o local. Dessa vez, a discussão envolveu o lado acadêmico: o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), arquiteto e urbanista José Sales e o sociólogo e presidente do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Paulo Linhares.

Em entrevista à Tribuna Bandnews FM, os dois argumentaram e incrementaram ainda mais a polêmica das obras envolvendo o trecho da Aldeota. Para Paulo Linhares, há duas questões fundamentais que norteiam a pauta: uso de pedestres e a cultura.

 

Plano da Prefeitura de Fortaleza é transformar Praça Portugal em cruzamento (FOTO: Marcella Ruchet/ Tribuna do Ceará)

Plano da Prefeitura de Fortaleza é transformar Praça Portugal em cruzamento (FOTO: Marcella Ruchet/ Tribuna do Ceará)

“É dar uso maior ao pedestre. Eu chamo [a Praça Portugal] de um monumento aos carros. São rotatórias cercadas que você não pode atravessar e nem tem uso. O projeto me parece lógico. Você quer um cruzamento no meio e passa a ter mais espaço. E você vai ter uma praça para o pedestre. Essa é minha impressão com as quatro praças”.

Já sobre a cultura, Linhares questiona a razão de favorecer somente o colonizador, no caso, os portugueses. “Quero discutir que memória é essa que a gente quer preservar? A forma que estamos homenageando Portugal é exagerada. Eu acho que aquela praça ali deveria ser dos povos fundadores. Fica uma coisa colonizada. Que memória é essa? Será que é só do colonizador?”, questiona.

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Estacionamentos irregulares

Já José Sales dá ênfase nos estacionamentos irregulares como a maior causa do engarrafamento da região. “Temos, a grosso modo, mais de 200 irregulares sobre as calçadas. Toda vez que um estacionamento daquele permite o acesso de carro, ele interrompe o tráfego. A gente tem ali no entorno, que a gente chama de nó na Praça Portugal, uns 30 estacionamentos irregulares”, palpita.

O Rio de Janeiro já teve esse problema, que foi resolvido com a proibição dos tais estacionamentos. “Quem resolveu o problema no Rio de Janeiro foi o coronel Fontenele. Ele resolveu tirar os estacionamentos de cima da calçada. O cara parava, ele ia lá e furava o pneu. Foi só dessa maneira que se resolveu esse problema lá. Hoje, você acha bonito andar quilômetros e quilômetros lá sem carro na calçada”.

O fim das invasões de calçadas pelos carros poderia acarretar a um maior preenchimento do espaço urbano pelos pedestres. “Ou a gente resolve essa questão de gente andar em Fortaleza, e uma das ruas mais interessantes para se andar é a Dom Luís, ou… É uma questão básica: como você prioriza transporte de massa e pedestres?”, questiona mais uma vez Linhares.

Questões futuras

Além da questão da Praça Portugal em si, Sales e Linhares observaram as obras do binário e a promessa do metrô. Eles entraram em consenso que a maneira de tirar os carros das vias é a criação da Linha Leste do metrô, que ligaria o Centro de Fortaleza, passando pela Avenida Santos Dumont, indo até a avenida Washington Soares.

“Essa solução do binário é a curto prazo, porque a médio prazo seria esse metrô com um fluxo transversal. Esse plano me parece emergencial”, acredita Linhares. Já Sales ressaltou que o plano de instalar um binário na região já tem mais de 15 anos, o que não acarretaria grandes mudanças no local.

Por fim, ambos concordaram que esse é um momento histórico para Fortaleza, já que a própria sociedade, agora, discute as melhorias da cidade e as prioridades para uma maior qualidade de vida. Além da Aldeota, com o debate sobre a Praça Portugal, há outros lugares que merecem o olhar dos fortalezenses para efetuar reais mudanças.