Tabagismo: governo quer ampliação do tratamento


Tabagismo: governo quer ampliação do tratamento

Em todos os 92 postos de saúde de Fortaleza podem atender os fumantes que querem se tratar do vício

Por Hayanne Narlla em Fortaleza

12 de abril de 2013 às 19:00

Há 6 anos

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou nesta semana, uma portaria que amplia o acesso de pessoas tabagistas ao tratamento contra o fumo. A medida permite ampliar em até 10 vezes o número de unidades e serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) que oferecem tratamento aos fumantes. A inscrição dessas unidades para o serviço já começa em abril.

Atualmente, 3 mil unidades e serviços do SUS oferecem o tratamento, que inclui apoio psicológico e medicamentos, atendimentos educativos e terapêuticos, além de prevenção. Pelas novas regras, a habilitação de serviços ocorrerá por meio do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade (PMAQ), do Ministério da Saúde, que já atinge 30 mil unidades em 5,1 mil municípios do país. Todas elas poderão optar por oferecer o serviço.

Críticas ao tratamento em Fortaleza

Para o tratamento do fumante na capital, somente 10 encontravam-se em funcionamento em dezembro de 2012, dentre estas, duas unidades eram hospitalares e da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), segundo a coordenadora da comissão de Tabagismo da Sociedade Cearense de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SCPCT), Penha Uchoa. A Sesa informou que as unidades citadas são: Hospital de Messejana e o Centro de Saúde do Meireles.

Além disso, Penha ressaltou que o tabagismo é uma questão de saúde pública, com elevada morbimortalidade, “cujo tratamento deveria ser realizado basicamente em unidades de saúde”. “O tratamento do fumante no nosso meio não é ideal e precisa ser ampliado para outras unidades de atenção básica. Os principais problemas da implementação do tratamento nestas unidades é a distribuição dos medicamentos e o grande rodízio de profissionais”, explicou.

Organização institucional

De acordo com a coordenadora da Assessoria Técnica do Grupo de Tabagismo da Secretaria Municipal de Saúde, Eliziane Ribeiro, em todos os 92 postos de saúde de Fortaleza podem atender os fumantes que querem se tratar do vício. “Isso pode ser feito em qualquer posto de saúde, mas para fazer adesão do programa [do Ministério da Saúde] tem que ter médicos treinados”, disse.

Além disso, ela informou que a portaria do ministério requer uma campanha de ênfase no tratamento do vício. “Já temos mais profissionais, mas falta capacitá-los [para o atendimento]. Queremos firmar o compromisso”. Sobre o rodízio de médico, Eliziane afirma que muito saem por vários fatores, como mudança de município, aprovação em um residência, o que dificulta a manutenção do acompanhamento dos fumantes por meio de agrupamento.

Segundo a coordenadora, o atendimento dos paciente é realizado em grupo, com no mínimo seis pessoas e no máximo 15. Esse grupo deve ser acompanhado por um médico pelo menos uma vez por semana, com duração de uma hora. Essas são as exigências do Instituto Nacional de Câncer (Inca), responsável pelo repasse de medicamentos.

“A medicação é enviada pelo Inca, que só faz a distribuição mediante a alimentação do sistema, com envio de planilhas relatando o acompanhamento dos grupos. Enviamos um por trimestre. Se o grupo não funcionar, o Inca não manda a medicação”, informou.

Sobre o tabagismo

Penha Uchoa ressaltou que o tabagismo é uma doença crônica com componente de dependência física e psicológica. Os pacientes podem apresentar recaídas, que devem ser consideradas como aprendizado para se atingir o sucesso em tentativa futura. “A doença é tratada com abordagem comportamental e terapia medicamentosa para aliviar a síndrome de abstinência. O indivíduo é considerado ex-fumante somente um ano depois de cessar o tabagismo”, declarou.

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Tabagismo: governo quer ampliação do tratamento

Em todos os 92 postos de saúde de Fortaleza podem atender os fumantes que querem se tratar do vício

Por Hayanne Narlla em Fortaleza

12 de abril de 2013 às 19:00

Há 6 anos

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou nesta semana, uma portaria que amplia o acesso de pessoas tabagistas ao tratamento contra o fumo. A medida permite ampliar em até 10 vezes o número de unidades e serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) que oferecem tratamento aos fumantes. A inscrição dessas unidades para o serviço já começa em abril.

Atualmente, 3 mil unidades e serviços do SUS oferecem o tratamento, que inclui apoio psicológico e medicamentos, atendimentos educativos e terapêuticos, além de prevenção. Pelas novas regras, a habilitação de serviços ocorrerá por meio do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade (PMAQ), do Ministério da Saúde, que já atinge 30 mil unidades em 5,1 mil municípios do país. Todas elas poderão optar por oferecer o serviço.

Críticas ao tratamento em Fortaleza

Para o tratamento do fumante na capital, somente 10 encontravam-se em funcionamento em dezembro de 2012, dentre estas, duas unidades eram hospitalares e da Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), segundo a coordenadora da comissão de Tabagismo da Sociedade Cearense de Pneumologia e Cirurgia Torácica (SCPCT), Penha Uchoa. A Sesa informou que as unidades citadas são: Hospital de Messejana e o Centro de Saúde do Meireles.

Além disso, Penha ressaltou que o tabagismo é uma questão de saúde pública, com elevada morbimortalidade, “cujo tratamento deveria ser realizado basicamente em unidades de saúde”. “O tratamento do fumante no nosso meio não é ideal e precisa ser ampliado para outras unidades de atenção básica. Os principais problemas da implementação do tratamento nestas unidades é a distribuição dos medicamentos e o grande rodízio de profissionais”, explicou.

Organização institucional

De acordo com a coordenadora da Assessoria Técnica do Grupo de Tabagismo da Secretaria Municipal de Saúde, Eliziane Ribeiro, em todos os 92 postos de saúde de Fortaleza podem atender os fumantes que querem se tratar do vício. “Isso pode ser feito em qualquer posto de saúde, mas para fazer adesão do programa [do Ministério da Saúde] tem que ter médicos treinados”, disse.

Além disso, ela informou que a portaria do ministério requer uma campanha de ênfase no tratamento do vício. “Já temos mais profissionais, mas falta capacitá-los [para o atendimento]. Queremos firmar o compromisso”. Sobre o rodízio de médico, Eliziane afirma que muito saem por vários fatores, como mudança de município, aprovação em um residência, o que dificulta a manutenção do acompanhamento dos fumantes por meio de agrupamento.

Segundo a coordenadora, o atendimento dos paciente é realizado em grupo, com no mínimo seis pessoas e no máximo 15. Esse grupo deve ser acompanhado por um médico pelo menos uma vez por semana, com duração de uma hora. Essas são as exigências do Instituto Nacional de Câncer (Inca), responsável pelo repasse de medicamentos.

“A medicação é enviada pelo Inca, que só faz a distribuição mediante a alimentação do sistema, com envio de planilhas relatando o acompanhamento dos grupos. Enviamos um por trimestre. Se o grupo não funcionar, o Inca não manda a medicação”, informou.

Sobre o tabagismo

Penha Uchoa ressaltou que o tabagismo é uma doença crônica com componente de dependência física e psicológica. Os pacientes podem apresentar recaídas, que devem ser consideradas como aprendizado para se atingir o sucesso em tentativa futura. “A doença é tratada com abordagem comportamental e terapia medicamentosa para aliviar a síndrome de abstinência. O indivíduo é considerado ex-fumante somente um ano depois de cessar o tabagismo”, declarou.