Fortaleza, cidade em estado de epidemia de homicídios


Fortaleza, cidade em estado de epidemia de homicídios

A capital do Ceará ostenta uma média de 66 homicídios por 100 mil habitantes. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma cidadade que possui uma média acima de 10 é considerada em estado de epidemia de homicídios.

Por Daniel Herculano em Fortaleza

8 de maio de 2013 às 13:28

Há 6 anos

Em Fortaleza e Região Metropolitana, apenas nos quatro primeiros meses de 2013 foram registrados 965 homicídios. Com esses números, já atingimos a média de 40 homicídios por 100 mil habitantes em 2013. Numa projeção simples podemos atingir, até o final do ano, o número de 120 homicídios por um grupo de 100 mil habitantes. Com esse quadro, Fortaleza apresenta um estado de epidemia de homicídios.

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma cidade que possui uma média acima de 10 homicídios por 100 mil é considerada em estado de epidemia. Fortaleza já supera o nível de epidemia de homicídios há algum tempo. Com 2,4 milhões de habitantes, Fortaleza registrou em 2008 a taxa de 36,6 homicídios por 100 mil habitantes; em 2009 caiu para 35; em 2010 houve um aumento para 45,9; em 2011 a taxa ficou em 43 e em 2012 equivale a 66 homicídios por grupo de 100 mil habitantes.

Os dados estão disponíveis no site da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), por meio da Coordenadoria de Medicina Legal (Comel) e constam também no Mapa da Violência, produzido pelo Instituto Sagari, a pedido do Ministério da Justiça, mas a secretaria, oficialmente não se pronuncia sobre o caso. Outros dados também são da fanpage ‘Fortaleza sem Medo’ publicado no Blog ‘Rotativa’ do Tribuna do Ceará.

Comparativo

Os números da violência, proporcionais, são piores que a cidade de São Paulo e comparáveis aos de Bogotá, quando considerada a cidade mais violenta do mundo. O município de São Paulo, que tem 10,8 milhões habitantes, teve em números absolutos de 2012, 1.497 homicídios, ou seja, 13,86 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. Em números absolutos temos mais assassinatos que São Paulo, que está sujeito às mesmas leis, sendo que a capital paulista tem quatro vezes a população de Fortaleza.

Bogotá, considerada a cidade mais perigosas do mundo em 1995, tinha uma taxa de 80 por 100 mil. Hoje, depois de vários programas estruturados de combate a violência, a cidade apresenta um índice de 22 homicídios por 100 mil. Lembrando que Bogotá é uma cidade que ainda sofre com a guerra contra as máfias do narcotráfico, as guerrilhas praticadas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e carros bomba. E ainda assim é considerada muito mais segura que Fortaleza.

Outros indicadores

Dos 965 homicídios de Fortaleza, 873 foram praticados a bala e 92 por arma branca. Nossa cidade estampa ainda 663 assaltos a ônibus e a vans somente em janeiro e fevereiro de 2013, com números que superam o ano inteiro de 2012.

Há números ainda de outras mortes (envenenamento, quedas, queimaduras, asfixia, choque elétrico, suicídio, enforcamento, afogamento, pauladas e pedradas) e ignoradas (ou não identificadas) que totalizam 563 mortes.

O Tribuna do Ceará já tratou do assunto ‘violência no Ceará‘ em várias matérias e no especial ‘Fortaleza quer Paz’.

fala governador

Foto/arte: reprodução Facebook Fortaleza sem medo

Vídeos no YouTube com flagrantes de violência, relatos de assaltos e assassinatos em redes sociais, denúncias de áreas tomadas pelo tráfico de drogas, sequestros relâmpagos e tiroteios. A internet é um dos campos escolhidos pelos cearenses para escancarar suas dores no que toca a questão da insegurança na nossa capital. 

A página do Facebook ‘Fortaleza sem Medo’ escancara as dores da população cearense no que toca a questão da insegurança na nossa capital.

São mais de 8 mil pessoas conectadas para gritar por socorro. Diariamente são publicados testemunhos de medo e angústia, que atingem a população de Fortaleza a cada esquina. A violência está em todo lugar, não escolhe cor, nem bairro. Mas será que o poder público está atento a esse grito do povo?

Omissão

Desde a última quinta-feira, 2, o Tribuna do Ceará ligou inúmeras vezes para a Assessoria de Imprensa da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Até a tarde desta quarta, 8, não obtivemos nenhuma resposta.

Monitoramento

Já o titular da Secretaria de Segurança Cidadã, da Prefeitura de Fortaleza, Francisco Veras, admitiu dificuldades frente aos números da violência, ao afirmar que não tem as condições necessárias para monitor as denúncias da internet.

“São muitas as ocorrências e existe a dificuldade de entrar em contato com as pessoas atingidas. O que nós possuímos é um monitoramento através da secretaria e do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), pois temos um setor de inteligência, além do centro de denúncias que trabalha junto a ouvidoria” explica. Contudo, o titular da secretaria concorda ao afirmar “na internet o que acontece é o reflexo do real, não há como negar”.

Plano de Segurança Cidadã

O secretário municipal promete ainda para este mês um plano de ações para combater essa sensação de insegurança. “Estamos formando um plano de segurança cidadã de Fortaleza, de responsabilidade da secretaria do município. Até o final de maio essa proposta será apresentada ao Prefeito Roberto Cláudio, que levará ao Governador Cid Gomes, para assim fazer uma ação conjunta entre estado e prefeitura” esclarece o secretário. Contudo, o secretário arremata em tom de desabafo: “temos de nos comprometer com ações exequíveis, pois se não conseguir não adianta planejar ou prometer”.

sem medo 1

Foto/arte: reprodução Facebook Fortaleza Sem Medo

Na página do ‘Fortaleza Sem Medo’45 ideias para uma cidade mais segura. “Nós compilamos um conjunto de ações, vindo das mais diferentes cidades do mundo, com resultados positivos e com um único interesse: a paz”, ressalta Bosco Couto, co-criador e administrador da página.

As ideias listadas por Bosco e Elias Hissa – co-criador da fanpage – ressaltam também a importância da apropriação do espaço urbano pela sociedade. De acordo com eles, temos de ter mais senso de cidade, pois quanto mais pessoas nas ruas, mais tranquilidade é gerada. Eles ainda consideram que o que acontece atualmente é uma espécie de política do umbigo, em que as pessoas não se importam com as outras e muito menos com a cidade, causando uma anestesia social que não se forma uma condição de se viver em sociedade.

“Já tive contato com os criados da página, Bosco (Couto) e Elias (Hissa), e me parecem pessoas corretas. Considero benéfico esse tipo de inciativa com responsabilidade e esse nosso plano de ações precisa da participação popular. Algumas das sugestões serão contempladas outras já estão em curso” afirma o secretário Veras.

Ordenação

Dentre as ações para estancar essa sensação de insegurança, a Secretaria de Segurança Cidadã já implanta a ordenação do espaço público, como a reorganização da feira da José Avelino. “Andar ali no centro estava impossível. Com a nova ordenação, os feirantes tem dois dias e horários específicos, se instalando apenas na José Avelino” assume Francisco Veras.

Já na Praça da Estação houve a desocupação de permissionários, deslocados ao Beco da Poeira. Além da ordenação do espaço público, a secretaria lista que acontece com frequência a fiscalização de bares e restaurantes e uma constante operação contra a poluição sonora – em conjunto com o governo do estado.” Todas são medidas de segurança cidadã, apesar de imperceptíveis em primeiro momento pela população” informa o secretário.

Adote uma Praça/Iluminação

Dentro do conceito de melhoria do nosso desenho urbano, a secretaria comunica que existem em curso construções e reformas de praças públicas, assim como o projeto ‘Adote uma Praça’. No projeto, empresários e as comunidades, assumem o compromisso de fazer toda a manutenção para deixá-las em condições de uso para a sociedade. O secretário municipal ressaltou também que há uma melhoria na iluminação pública, “pois onde não há luz a incidência de crime é maior” finaliza.

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Fortaleza, cidade em estado de epidemia de homicídios

A capital do Ceará ostenta uma média de 66 homicídios por 100 mil habitantes. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma cidadade que possui uma média acima de 10 é considerada em estado de epidemia de homicídios.

Por Daniel Herculano em Fortaleza

8 de maio de 2013 às 13:28

Há 6 anos

Em Fortaleza e Região Metropolitana, apenas nos quatro primeiros meses de 2013 foram registrados 965 homicídios. Com esses números, já atingimos a média de 40 homicídios por 100 mil habitantes em 2013. Numa projeção simples podemos atingir, até o final do ano, o número de 120 homicídios por um grupo de 100 mil habitantes. Com esse quadro, Fortaleza apresenta um estado de epidemia de homicídios.

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma cidade que possui uma média acima de 10 homicídios por 100 mil é considerada em estado de epidemia. Fortaleza já supera o nível de epidemia de homicídios há algum tempo. Com 2,4 milhões de habitantes, Fortaleza registrou em 2008 a taxa de 36,6 homicídios por 100 mil habitantes; em 2009 caiu para 35; em 2010 houve um aumento para 45,9; em 2011 a taxa ficou em 43 e em 2012 equivale a 66 homicídios por grupo de 100 mil habitantes.

Os dados estão disponíveis no site da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), por meio da Coordenadoria de Medicina Legal (Comel) e constam também no Mapa da Violência, produzido pelo Instituto Sagari, a pedido do Ministério da Justiça, mas a secretaria, oficialmente não se pronuncia sobre o caso. Outros dados também são da fanpage ‘Fortaleza sem Medo’ publicado no Blog ‘Rotativa’ do Tribuna do Ceará.

Comparativo

Os números da violência, proporcionais, são piores que a cidade de São Paulo e comparáveis aos de Bogotá, quando considerada a cidade mais violenta do mundo. O município de São Paulo, que tem 10,8 milhões habitantes, teve em números absolutos de 2012, 1.497 homicídios, ou seja, 13,86 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. Em números absolutos temos mais assassinatos que São Paulo, que está sujeito às mesmas leis, sendo que a capital paulista tem quatro vezes a população de Fortaleza.

Bogotá, considerada a cidade mais perigosas do mundo em 1995, tinha uma taxa de 80 por 100 mil. Hoje, depois de vários programas estruturados de combate a violência, a cidade apresenta um índice de 22 homicídios por 100 mil. Lembrando que Bogotá é uma cidade que ainda sofre com a guerra contra as máfias do narcotráfico, as guerrilhas praticadas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e carros bomba. E ainda assim é considerada muito mais segura que Fortaleza.

Outros indicadores

Dos 965 homicídios de Fortaleza, 873 foram praticados a bala e 92 por arma branca. Nossa cidade estampa ainda 663 assaltos a ônibus e a vans somente em janeiro e fevereiro de 2013, com números que superam o ano inteiro de 2012.

Há números ainda de outras mortes (envenenamento, quedas, queimaduras, asfixia, choque elétrico, suicídio, enforcamento, afogamento, pauladas e pedradas) e ignoradas (ou não identificadas) que totalizam 563 mortes.

O Tribuna do Ceará já tratou do assunto ‘violência no Ceará‘ em várias matérias e no especial ‘Fortaleza quer Paz’.

fala governador

Foto/arte: reprodução Facebook Fortaleza sem medo

Vídeos no YouTube com flagrantes de violência, relatos de assaltos e assassinatos em redes sociais, denúncias de áreas tomadas pelo tráfico de drogas, sequestros relâmpagos e tiroteios. A internet é um dos campos escolhidos pelos cearenses para escancarar suas dores no que toca a questão da insegurança na nossa capital. 

A página do Facebook ‘Fortaleza sem Medo’ escancara as dores da população cearense no que toca a questão da insegurança na nossa capital.

São mais de 8 mil pessoas conectadas para gritar por socorro. Diariamente são publicados testemunhos de medo e angústia, que atingem a população de Fortaleza a cada esquina. A violência está em todo lugar, não escolhe cor, nem bairro. Mas será que o poder público está atento a esse grito do povo?

Omissão

Desde a última quinta-feira, 2, o Tribuna do Ceará ligou inúmeras vezes para a Assessoria de Imprensa da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Até a tarde desta quarta, 8, não obtivemos nenhuma resposta.

Monitoramento

Já o titular da Secretaria de Segurança Cidadã, da Prefeitura de Fortaleza, Francisco Veras, admitiu dificuldades frente aos números da violência, ao afirmar que não tem as condições necessárias para monitor as denúncias da internet.

“São muitas as ocorrências e existe a dificuldade de entrar em contato com as pessoas atingidas. O que nós possuímos é um monitoramento através da secretaria e do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), pois temos um setor de inteligência, além do centro de denúncias que trabalha junto a ouvidoria” explica. Contudo, o titular da secretaria concorda ao afirmar “na internet o que acontece é o reflexo do real, não há como negar”.

Plano de Segurança Cidadã

O secretário municipal promete ainda para este mês um plano de ações para combater essa sensação de insegurança. “Estamos formando um plano de segurança cidadã de Fortaleza, de responsabilidade da secretaria do município. Até o final de maio essa proposta será apresentada ao Prefeito Roberto Cláudio, que levará ao Governador Cid Gomes, para assim fazer uma ação conjunta entre estado e prefeitura” esclarece o secretário. Contudo, o secretário arremata em tom de desabafo: “temos de nos comprometer com ações exequíveis, pois se não conseguir não adianta planejar ou prometer”.

sem medo 1

Foto/arte: reprodução Facebook Fortaleza Sem Medo

Na página do ‘Fortaleza Sem Medo’45 ideias para uma cidade mais segura. “Nós compilamos um conjunto de ações, vindo das mais diferentes cidades do mundo, com resultados positivos e com um único interesse: a paz”, ressalta Bosco Couto, co-criador e administrador da página.

As ideias listadas por Bosco e Elias Hissa – co-criador da fanpage – ressaltam também a importância da apropriação do espaço urbano pela sociedade. De acordo com eles, temos de ter mais senso de cidade, pois quanto mais pessoas nas ruas, mais tranquilidade é gerada. Eles ainda consideram que o que acontece atualmente é uma espécie de política do umbigo, em que as pessoas não se importam com as outras e muito menos com a cidade, causando uma anestesia social que não se forma uma condição de se viver em sociedade.

“Já tive contato com os criados da página, Bosco (Couto) e Elias (Hissa), e me parecem pessoas corretas. Considero benéfico esse tipo de inciativa com responsabilidade e esse nosso plano de ações precisa da participação popular. Algumas das sugestões serão contempladas outras já estão em curso” afirma o secretário Veras.

Ordenação

Dentre as ações para estancar essa sensação de insegurança, a Secretaria de Segurança Cidadã já implanta a ordenação do espaço público, como a reorganização da feira da José Avelino. “Andar ali no centro estava impossível. Com a nova ordenação, os feirantes tem dois dias e horários específicos, se instalando apenas na José Avelino” assume Francisco Veras.

Já na Praça da Estação houve a desocupação de permissionários, deslocados ao Beco da Poeira. Além da ordenação do espaço público, a secretaria lista que acontece com frequência a fiscalização de bares e restaurantes e uma constante operação contra a poluição sonora – em conjunto com o governo do estado.” Todas são medidas de segurança cidadã, apesar de imperceptíveis em primeiro momento pela população” informa o secretário.

Adote uma Praça/Iluminação

Dentro do conceito de melhoria do nosso desenho urbano, a secretaria comunica que existem em curso construções e reformas de praças públicas, assim como o projeto ‘Adote uma Praça’. No projeto, empresários e as comunidades, assumem o compromisso de fazer toda a manutenção para deixá-las em condições de uso para a sociedade. O secretário municipal ressaltou também que há uma melhoria na iluminação pública, “pois onde não há luz a incidência de crime é maior” finaliza.