Crescimento de 74% no número veículos faz trânsito aparecer como 'maior problema' de Fortaleza


Crescimento de 74% no número veículos faz trânsito aparecer como ‘maior problema’ de Fortaleza

Problemas relacionados à mobilidade urbana são os que causam maior impacto na vida da população

Por Roberta Tavares em Fortaleza

4 de setembro de 2013 às 11:27

Há 6 anos

Um levantamento realizado pelo Sindicato Nacional de Arquitetura (Sinaenco) mostra que o trânsito e o transporte público são os maiores problemas de infraestrutura de Fortaleza. A pesquisa realizada nos últimos 15 dias entrevistou 2 mil fortalezenses.

Na última década, o número de veículos em Fortaleza obteve um crescimento acumulado de 74,23% (FOTO: Camila Cabral)

Na última década, o número de veículos em Fortaleza obteve um crescimento acumulado de 74,23% (FOTO: Camila Cabral)

De acordo com 70% dos entrevistados, os problemas relacionados à mobilidade urbana são os que causam maior impacto na vida da população. E não é para menos. Fortaleza é a quinta maior cidade do Brasil, com mais de 2,4 milhões de habitantes. A região metropolitana soma mais de 3,2 milhões de habitantes.

Aumento do número de veículos

Na última década, o número de veículos em Fortaleza obteve um crescimento acumulado de 74,23%, enquanto que nas cidades conurbadas a frota foi duplicada, com elevação de 216,46%. No Ceará, a frota registrou um crescimento médio de 9,31% ao ano, entre 2008 e 2012.

De acordo com o presidente do Sinaenco no Ceará, Arthur Oliveira Costa Sousa, a infraestrutura da cidade não acompanhou este crescimento da frota. “Os problemas se acumularam nas duas últimas décadas, devido principalmente à falta de planejamento com uma visão integrada da macrometrópole”.

Saneamento

O segundo ponto de infraestrutura que causa maior preocupação na população da Região Metropolitana de Fortaleza são os baixos índices de saneamento, com 15% das respostas. Para o presidente do Sinaenco, o resultado também reflete os baixos índices de atendimento de água e esgoto nas cidades conurbadas a Fortaleza.

Apenas 35,21% dos domicílios são atendidos por uma rede geral de esgoto e a maioria – 41,71% – tem como tipo de esgotamento as fossas rudimentares. “Em Fortaleza, os resultados são mais altos por se tratar de uma capital, mas ainda assim são insatisfatórios. O índice de atendimento aos domicílios por uma rede geral de esgoto é de 59,46%”, destaca Arthur.

Ainda segundo a pesquisa, foram registrados problemas no mobiliário urbano (equipamentos instalados em ruas e estradas, como rede de luz e energia, lixeiros, caixas de coletas de correios), com 8% das respostas, e na habitação, com 7%.

Outras cidades

O mesmo levantamento foi realizado em outras três cidades brasileiras: João Pessoa, Curitiba e Belo Horizonte. O trânsito foi apontado como o principal problema de infraestrutura nos locais. No entanto, Fortaleza foi a cidade que apresentou maior índice de insatisfação com o saneamento.

Palavra de especialista

De acordo com o geógrafo e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) José Borzacchiello, a situação de mobilidade e acessibilidade em Fortaleza está agravada. Segundo ele, o problema ocorre em razão do aumento do número de veículos, a partir da facilidade de compra, da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e da qualidade dos transportes coletivos.

“A quantidade de carros na capital está diretamente ligada ao desejo que as pessoas têm por um automóvel, seja pela facilidade de compra ou para evitar usar ônibus”, explica.

Para o geógrafo, algumas medidas podem ser feitas para minimizar o problema do trânsito caótico em Fortaleza. “Melhorar as linhas de ônibus, ampliar as linhas de metrô, aumentar o número de terminais [atualmente são sete terminais fechados integrados e dois terminais abertos não integrados], respeitar as ciclovias e regularizar a situação das motocicletas já seriam mudanças bastante positivas”, finaliza.

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Crescimento de 74% no número veículos faz trânsito aparecer como ‘maior problema’ de Fortaleza

Problemas relacionados à mobilidade urbana são os que causam maior impacto na vida da população

Por Roberta Tavares em Fortaleza

4 de setembro de 2013 às 11:27

Há 6 anos

Um levantamento realizado pelo Sindicato Nacional de Arquitetura (Sinaenco) mostra que o trânsito e o transporte público são os maiores problemas de infraestrutura de Fortaleza. A pesquisa realizada nos últimos 15 dias entrevistou 2 mil fortalezenses.

Na última década, o número de veículos em Fortaleza obteve um crescimento acumulado de 74,23% (FOTO: Camila Cabral)

Na última década, o número de veículos em Fortaleza obteve um crescimento acumulado de 74,23% (FOTO: Camila Cabral)

De acordo com 70% dos entrevistados, os problemas relacionados à mobilidade urbana são os que causam maior impacto na vida da população. E não é para menos. Fortaleza é a quinta maior cidade do Brasil, com mais de 2,4 milhões de habitantes. A região metropolitana soma mais de 3,2 milhões de habitantes.

Aumento do número de veículos

Na última década, o número de veículos em Fortaleza obteve um crescimento acumulado de 74,23%, enquanto que nas cidades conurbadas a frota foi duplicada, com elevação de 216,46%. No Ceará, a frota registrou um crescimento médio de 9,31% ao ano, entre 2008 e 2012.

De acordo com o presidente do Sinaenco no Ceará, Arthur Oliveira Costa Sousa, a infraestrutura da cidade não acompanhou este crescimento da frota. “Os problemas se acumularam nas duas últimas décadas, devido principalmente à falta de planejamento com uma visão integrada da macrometrópole”.

Saneamento

O segundo ponto de infraestrutura que causa maior preocupação na população da Região Metropolitana de Fortaleza são os baixos índices de saneamento, com 15% das respostas. Para o presidente do Sinaenco, o resultado também reflete os baixos índices de atendimento de água e esgoto nas cidades conurbadas a Fortaleza.

Apenas 35,21% dos domicílios são atendidos por uma rede geral de esgoto e a maioria – 41,71% – tem como tipo de esgotamento as fossas rudimentares. “Em Fortaleza, os resultados são mais altos por se tratar de uma capital, mas ainda assim são insatisfatórios. O índice de atendimento aos domicílios por uma rede geral de esgoto é de 59,46%”, destaca Arthur.

Ainda segundo a pesquisa, foram registrados problemas no mobiliário urbano (equipamentos instalados em ruas e estradas, como rede de luz e energia, lixeiros, caixas de coletas de correios), com 8% das respostas, e na habitação, com 7%.

Outras cidades

O mesmo levantamento foi realizado em outras três cidades brasileiras: João Pessoa, Curitiba e Belo Horizonte. O trânsito foi apontado como o principal problema de infraestrutura nos locais. No entanto, Fortaleza foi a cidade que apresentou maior índice de insatisfação com o saneamento.

Palavra de especialista

De acordo com o geógrafo e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) José Borzacchiello, a situação de mobilidade e acessibilidade em Fortaleza está agravada. Segundo ele, o problema ocorre em razão do aumento do número de veículos, a partir da facilidade de compra, da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e da qualidade dos transportes coletivos.

“A quantidade de carros na capital está diretamente ligada ao desejo que as pessoas têm por um automóvel, seja pela facilidade de compra ou para evitar usar ônibus”, explica.

Para o geógrafo, algumas medidas podem ser feitas para minimizar o problema do trânsito caótico em Fortaleza. “Melhorar as linhas de ônibus, ampliar as linhas de metrô, aumentar o número de terminais [atualmente são sete terminais fechados integrados e dois terminais abertos não integrados], respeitar as ciclovias e regularizar a situação das motocicletas já seriam mudanças bastante positivas”, finaliza.