Benfica: a história convivendo com a realidade


Benfica: a história convivendo com a realidade

Ocupando uma área de 143,1 hectares, ao lado do Centro de Fortaleza, o logadouro oferece um passeio por várias datas, por conta de seus casarões antigos

Por Jackson Cruz em Fortaleza

17 de agosto de 2012 às 14:14

Há 7 anos

O bairro Benfica foi o bairro escolhido pela seção “Meu Bairro no Jangadeiro Online’ deste semana. Conheça um pouco mais da história dessa área

Boêmio, histórico e residencial. Mais que um bairro para morar, no Benfica, as pessoas costumam vivenciar e conviver. Ocupando uma área de 143,1 hectares, ao lado do Centro de Fortaleza, o logadouro oferece um passeio por várias datas, por conta de seus casarões antigos.

De tudo um pouco, o bairro oferece um leque de variedades. O estádio Presidente Vargas, Shopping Benfica, bares universitários, a Universidade Federal do Ceará (UFC), Instituto Federal do Ceará (IFCE), escolas, praças, igreja etc. Isso é o “algo a mais” que o local possui.

O bairro do Benfica começou a ser formado em 1910, ao redor da Igreja dos Remédios. O construtor foi João Antônio do Amaral, que veio da cidade Benfica, localizada em Portugal. Além disso, a história do bairro também está ligada a família Gentil especialmente ao banqueiro e coronel José Gentil, que em 1909 adquiriu a chácara localizada na avenida Visconde de Cauípe (atual avenida da Universidade).

Você sabia?

Antes, alguns caminhos que ligavam localidades do interior do estado ao Centro da cidade de Fortaleza foram ocupados, no século XIX, por chácaras de famílias abastadas, muitas vindas de outros municípios. Ao contrário do sítio, onde a produção agrícola era mais intensa, nas chácaras o abastecimento era feito através dos serviços e comércio da cidade, embora os moradores pudessem manter algumas atividades como a criação de galinhas e plantação de hortas.

Este foi o primeiro tipo de ocupação dos terrenos que atualmente compõem o Benfica. As ruas de terra do lugar, eram parte do caminho percorrido pelo gado que vinha de Messejana, Parangaba e do sertão em direção ao matadouro municipal. Por isso, poucas famílias instalavam-se na região, evitando a poeira e o estrume causados pelos bois.

Após desinstalação do matadouro, que se mudou para outra parte da cidade, José Gentil Alves de Carvalho comprou a chácara da família Garcia. Vindo de Sobral, o patriarca acumulara algum capital com a venda de produtos agrícolas e passou a investir em negócios do setor secundário e terciário. Virou banqueiro e dono de imobiliária. Loteou terrenos vizinhos a chácara, construiu casas de vila para alugar e de tão poderoso, fez do nome próprio o sobrenome da família toda e construiu um pequeno império ao redor de sua mansão, a Gentilândia.

Em 1955, a mansão foi comprada pela UFC por Cr$ 500 mil (cruzeiros), moeda que valia na época. Com o passar dos anos, algumas construções foram demolidas, mas muitas foram preservadas. O solar da família Gentil foi ampliado e transformado em sede da Reitoria. Já os outros casarões passaram a abrigar as Casas de Cultura Estrangeira, as Pró-Reitorias e alguns blocos didáticos.

Confira as fotos (Arquivo Nirez e Blanchard Girão)

Igreja do remedios
1/4

Igreja do remedios

Igreja Nossa Senhora dos Remédios

Avenida 13 de maio
2/4

Avenida 13 de maio

Rotatoria da avenida 13 de maio com avenia da Universidade

Avenida da Universidade
3/4

Avenida da Universidade

Avenida Visconde de Cauipe (atual avenida da Universidade) com o bonde do Benfica

Bilhete bonde
4/4

Bilhete bonde

Um dos cupons do Bonde do Benfica, que custava 100 réis

Publicidade

Dê sua opinião

Benfica: a história convivendo com a realidade

Ocupando uma área de 143,1 hectares, ao lado do Centro de Fortaleza, o logadouro oferece um passeio por várias datas, por conta de seus casarões antigos

Por Jackson Cruz em Fortaleza

17 de agosto de 2012 às 14:14

Há 7 anos

O bairro Benfica foi o bairro escolhido pela seção “Meu Bairro no Jangadeiro Online’ deste semana. Conheça um pouco mais da história dessa área

Boêmio, histórico e residencial. Mais que um bairro para morar, no Benfica, as pessoas costumam vivenciar e conviver. Ocupando uma área de 143,1 hectares, ao lado do Centro de Fortaleza, o logadouro oferece um passeio por várias datas, por conta de seus casarões antigos.

De tudo um pouco, o bairro oferece um leque de variedades. O estádio Presidente Vargas, Shopping Benfica, bares universitários, a Universidade Federal do Ceará (UFC), Instituto Federal do Ceará (IFCE), escolas, praças, igreja etc. Isso é o “algo a mais” que o local possui.

O bairro do Benfica começou a ser formado em 1910, ao redor da Igreja dos Remédios. O construtor foi João Antônio do Amaral, que veio da cidade Benfica, localizada em Portugal. Além disso, a história do bairro também está ligada a família Gentil especialmente ao banqueiro e coronel José Gentil, que em 1909 adquiriu a chácara localizada na avenida Visconde de Cauípe (atual avenida da Universidade).

Você sabia?

Antes, alguns caminhos que ligavam localidades do interior do estado ao Centro da cidade de Fortaleza foram ocupados, no século XIX, por chácaras de famílias abastadas, muitas vindas de outros municípios. Ao contrário do sítio, onde a produção agrícola era mais intensa, nas chácaras o abastecimento era feito através dos serviços e comércio da cidade, embora os moradores pudessem manter algumas atividades como a criação de galinhas e plantação de hortas.

Este foi o primeiro tipo de ocupação dos terrenos que atualmente compõem o Benfica. As ruas de terra do lugar, eram parte do caminho percorrido pelo gado que vinha de Messejana, Parangaba e do sertão em direção ao matadouro municipal. Por isso, poucas famílias instalavam-se na região, evitando a poeira e o estrume causados pelos bois.

Após desinstalação do matadouro, que se mudou para outra parte da cidade, José Gentil Alves de Carvalho comprou a chácara da família Garcia. Vindo de Sobral, o patriarca acumulara algum capital com a venda de produtos agrícolas e passou a investir em negócios do setor secundário e terciário. Virou banqueiro e dono de imobiliária. Loteou terrenos vizinhos a chácara, construiu casas de vila para alugar e de tão poderoso, fez do nome próprio o sobrenome da família toda e construiu um pequeno império ao redor de sua mansão, a Gentilândia.

Em 1955, a mansão foi comprada pela UFC por Cr$ 500 mil (cruzeiros), moeda que valia na época. Com o passar dos anos, algumas construções foram demolidas, mas muitas foram preservadas. O solar da família Gentil foi ampliado e transformado em sede da Reitoria. Já os outros casarões passaram a abrigar as Casas de Cultura Estrangeira, as Pró-Reitorias e alguns blocos didáticos.

Confira as fotos (Arquivo Nirez e Blanchard Girão)

Igreja do remedios
1/4

Igreja do remedios

Igreja Nossa Senhora dos Remédios

Avenida 13 de maio
2/4

Avenida 13 de maio

Rotatoria da avenida 13 de maio com avenia da Universidade

Avenida da Universidade
3/4

Avenida da Universidade

Avenida Visconde de Cauipe (atual avenida da Universidade) com o bonde do Benfica

Bilhete bonde
4/4

Bilhete bonde

Um dos cupons do Bonde do Benfica, que custava 100 réis