Animais com calazar vivem em situação de abandono no Centro de Zoonoses


Animais com calazar vivem em situação de abandono no Centro de Zoonoses

25 a 30 animais são mantidos em uma mesma baia e disputam o único recipiente de ração

Por Rosana Romão em Fortaleza

27 de fevereiro de 2014 às 12:50

Há 5 anos
Visita surpresa ao CCZ flagra abandono de animais. (FOTO: OAB-CE)

Visita surpresa ao CCZ flagra abandono de animais. (FOTO: OAB-CE)

A prática de sacrificar animais diagnosticados com Leishmaniose – ou Calazar, como é popularmente conhecida – existe há 10 anos em Fortaleza, e sempre causou polêmica entre veterinários e associações de defesa aos animais.

Uma denúncia anônima da prática de eutanásia de animais com requintes de crueldade nas dependências do Centro de Controle de Zoonoses de Fortaleza (CCZ) chegou até o gabinete da Sub Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais, na Ordem dos Advogados do Estado do Ceará (OAB-CE). Após analisarem a denúncia, um grupo de 10 advogados da Sub Comissão decidiu realizar uma visita surpresa ao órgão para apurar a veracidade da denúncia.

Durante a visita, os funcionários informaram que os animais são alimentados uma única vez ao dia, o que ocorre sempre por volta do meio dia. Além disso, em cada baia são mantidos 25 a 30 animais, disputando um único recipiente de ração. O objetivo, segundo as denúncias, é de enfraquecer o animal para que ofereça pouca resistência no procedimento da eutanásia. O anestésico necessário para ser utilizado antes da eutanásia também não foi encontrado.

“O local é sujo, com grades enferrujadas. Eu não vi nem água pros animais se hidratarem. Mas o que mais me impressionou foi uma marreta suja e enferrujada que encontramos na sala em que os animais são eutanasiados.”, relembra Tiziane Machado, advogada membro da Sub Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais na OAB-CE.

Visita surpresa ao CCZ flagra abandono de animais
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Visita surpresa ao CCZ flagra abandono de animais

Marreta enferrujada encontrada no local onde são feitas as eutanásias. (FOTO: OAB-CE)

Visita surpresa ao CCZ flagra abandono de animais
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Visita surpresa ao CCZ flagra abandono de animais

Na baia onde os animais ficam só havia um prato com ração para alimentar todos os animais. (FOTO: OAB-CE)

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Na baia onde os animais ficam só havia um prato com ração para alimentar todos os animais. (FOTO: OAB-CE)

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Móveis velhos e enferrujados foram encontrados no local. (FOTO: OAB-CE)

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Móveis velhos e enferrujados foram encontrados no local. (FOTO: OAB-CE)

Visita surpresa ao CCZ flagra abandono de animais. (FOTO: OAB-CE)
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Visita surpresa ao CCZ flagra abandono de animais. (FOTO: OAB-CE)

Móveis velhos e enferrujados foram encontrados no local. (FOTO: OAB-CE)

O Dr. Nélio Morais, administrador do Centro de Controle de Zoonoses de Fortaleza e vice-presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Ceará (CRMV-CE) informou que as condições precárias do Centro, como ferrugem e sujeira, são consequências da gestão anterior:

“Quando eu cheguei aqui era muito pior. Eu queria que o grupo da OAB tivesse vindo aqui antes pra ver como era a situação.”

Segundo ele, o centro está passará por uma reforma e contará com parcerias de Organizações Não Governamentais (ONGs) e da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual do Ceará (UECE) para ampliar os serviços. Também enfatizou que possui todas as notas fiscais que comprovam as compras de ração e de anestésicos, rebatendo as denúncias.

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Apesar de ser uma prática legal e adotada pelo Ministério da Saúde, a eutanásia é questionada pela advogada Tiziane Machado:

“Quem transmite a doença não é o animal, e sim o mosquito. Então porque mata-se o animal e não há um combate ao mosquito? Enquanto esses animais morrem, o mosquito continua vivo. Precisamos, na verdade, tratar esses animais, e não sacrificá-los.”

O grupo enviou um ofício à administração do CCZ em que pedia a relação de todos os animais eutanasiados e os processos que comprovam que o animal estava doente, além de questionar a eficácia do exame que detecta o calazar, mas até hoje não teve resposta. Então o grupo fez um relatório com fotos e informações do que presenciou no local e enviou ao Ministério Público. O promotor já pediu ao juiz que determine a suspensão das eutanásias. “Agora estamos aguardando a decisão do juiz.”, explica a advogada.

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Animais com calazar vivem em situação de abandono no Centro de Zoonoses

25 a 30 animais são mantidos em uma mesma baia e disputam o único recipiente de ração

Por Rosana Romão em Fortaleza

27 de fevereiro de 2014 às 12:50

Há 5 anos
Visita surpresa ao CCZ flagra abandono de animais. (FOTO: OAB-CE)

Visita surpresa ao CCZ flagra abandono de animais. (FOTO: OAB-CE)

A prática de sacrificar animais diagnosticados com Leishmaniose – ou Calazar, como é popularmente conhecida – existe há 10 anos em Fortaleza, e sempre causou polêmica entre veterinários e associações de defesa aos animais.

Uma denúncia anônima da prática de eutanásia de animais com requintes de crueldade nas dependências do Centro de Controle de Zoonoses de Fortaleza (CCZ) chegou até o gabinete da Sub Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais, na Ordem dos Advogados do Estado do Ceará (OAB-CE). Após analisarem a denúncia, um grupo de 10 advogados da Sub Comissão decidiu realizar uma visita surpresa ao órgão para apurar a veracidade da denúncia.

Durante a visita, os funcionários informaram que os animais são alimentados uma única vez ao dia, o que ocorre sempre por volta do meio dia. Além disso, em cada baia são mantidos 25 a 30 animais, disputando um único recipiente de ração. O objetivo, segundo as denúncias, é de enfraquecer o animal para que ofereça pouca resistência no procedimento da eutanásia. O anestésico necessário para ser utilizado antes da eutanásia também não foi encontrado.

“O local é sujo, com grades enferrujadas. Eu não vi nem água pros animais se hidratarem. Mas o que mais me impressionou foi uma marreta suja e enferrujada que encontramos na sala em que os animais são eutanasiados.”, relembra Tiziane Machado, advogada membro da Sub Comissão de Defesa dos Direitos dos Animais na OAB-CE.

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Marreta enferrujada encontrada no local onde são feitas as eutanásias. (FOTO: OAB-CE)

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Na baia onde os animais ficam só havia um prato com ração para alimentar todos os animais. (FOTO: OAB-CE)

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Na baia onde os animais ficam só havia um prato com ração para alimentar todos os animais. (FOTO: OAB-CE)

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Móveis velhos e enferrujados foram encontrados no local. (FOTO: OAB-CE)

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Móveis velhos e enferrujados foram encontrados no local. (FOTO: OAB-CE)

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Móveis velhos e enferrujados foram encontrados no local. (FOTO: OAB-CE)

O Dr. Nélio Morais, administrador do Centro de Controle de Zoonoses de Fortaleza e vice-presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Ceará (CRMV-CE) informou que as condições precárias do Centro, como ferrugem e sujeira, são consequências da gestão anterior:

“Quando eu cheguei aqui era muito pior. Eu queria que o grupo da OAB tivesse vindo aqui antes pra ver como era a situação.”

Segundo ele, o centro está passará por uma reforma e contará com parcerias de Organizações Não Governamentais (ONGs) e da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual do Ceará (UECE) para ampliar os serviços. Também enfatizou que possui todas as notas fiscais que comprovam as compras de ração e de anestésicos, rebatendo as denúncias.

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Apesar de ser uma prática legal e adotada pelo Ministério da Saúde, a eutanásia é questionada pela advogada Tiziane Machado:

“Quem transmite a doença não é o animal, e sim o mosquito. Então porque mata-se o animal e não há um combate ao mosquito? Enquanto esses animais morrem, o mosquito continua vivo. Precisamos, na verdade, tratar esses animais, e não sacrificá-los.”

O grupo enviou um ofício à administração do CCZ em que pedia a relação de todos os animais eutanasiados e os processos que comprovam que o animal estava doente, além de questionar a eficácia do exame que detecta o calazar, mas até hoje não teve resposta. Então o grupo fez um relatório com fotos e informações do que presenciou no local e enviou ao Ministério Público. O promotor já pediu ao juiz que determine a suspensão das eutanásias. “Agora estamos aguardando a decisão do juiz.”, explica a advogada.