Facções se espalham pelo interior do Ceará e assustam moradores com aumento da violência

ESPECIAL ELEIÇÕES 2018

Facções se espalham pelo interior do Ceará e assustam moradores com aumento da violência

A insegurança no Ceará deixa a população em alerta. A 6ª reportagem da série do Jornal Jangadeiro aborda mais um tema em que o Ceará precisa avançar nas eleições de 2018

Por TV Jangadeiro em Eleições 2018

21 de setembro de 2018 às 11:56

Há 9 meses
Policiais em referência a Crimes cometidos por facções criminosas aumentam violência no interior do estado

As facções criminosas estão se espalhando por todo o estado do Ceará (FOTO: Reprodução/ TV Jangadeiro)

Mais de 3 mil assassinatos foram registrados este ano no Ceará. A estatística está relacionada à atuação do crime organizado. Um fenômeno que, além de apavorar Fortaleza, é visto em pequenas cidades e localidades do interior do estado.

As pichações nos muros, que se tornaram comuns na Região Metropolitana, indicam a presença de facções, e hoje tomam conta de pequenas comunidades do estado.

Na localidade conhecida como Quatro Bocas, a 120 km de Fortaleza, as organizações despertam o medo da população. A auxiliar de serviços gerais Maria de Fátima Honorato comenta sobre o medo de sair de casa. “O muro bem alto é para poder ter sossego, saio de casa mais não”.

A rivalidade dentro e fora dos presídios e as disputas pelo controle do narcotráfico marcam essa realidade em todo o estado. No início do ano, Fortaleza registrou a maior chacina da história do Ceará. O caso ficou conhecido como Chacina das Cajazeiras. O crime foi motivado por guerra entre duas organizações e não custou a ter consequências longe da capital.

No dia 29 de janeiro, dois dias após a maior chacina que vitimou 14 pessoas na capital, um conflito entre facções criminosas resultou na morte de 10 presidiários e 6 saíram feridos na cadeia pública de Itapajé.

Prisão de Lideres

Menos de um mês após grandes casos envolvendo as facções Guardiões do Estado e Comando Vermelho, dois membros da cúpula nacional de outra organização criminosa foram encontrados mortos no Ceará. Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, eram líderes do Primeiro Comando da Capital, o PCC de São Paulo.

Os líderes entraram para uma estatística que amedronta a população. Este ano, de janeiro a agosto, o Ceará registrou 3.110 assassinatos. O crime aconteceu em uma pequena reserva indígena na Região Metropolitana.

http://mais.uol.com.br/view/16545884

Crimes no interior

Diferente do que possa parecer, os crimes ocorridos no interior também têm consequências na capital. Em julho, Fortaleza sofreu com uma onda de ataques a ônibus e prédios públicos que durou quase uma semana. A violência começou após uma operação policial em Amontada, que terminou com a morte de três homens acusados de assaltos a um banco. A ação teria sido ordenada de dentro do presídio.

As agências bancárias são os alvos de ataques mais comuns no interior do estado. Hoje, 750 mil cearenses estão sem acesso a serviços bancários após ataques e explosões de agências e 38 municípios estão com dificuldades nos atendimentos.

Somente em 2018, foram 30 ataques a bancos no Ceará. Um mês após a operação policial em Amontada, já em agosto, a cidade teve duas agências atacadas em uma única ação. Os moradores da região precisam se deslocar para outros municípios quando necessitam de serviço bancários. A comerciante Elianor de Lima comenta que os bandidos ainda fazem vítimas e reféns. “A cidade toda parou, comércio, não teve mais movimento de dinheiro”.

A Polícia Civil afirma que tem atuado para coibir a ação do crime organizado na região. De acordo com o delegado titular da cidade de Amontada, as ações da polícia estão obtendo resultados. “Tem muitas ações em andamento em relação ao combate ao crime organizado, ao tráfico de drogas, e existem pessoas presas, mas é um trabalho paulatino”.

Insegurança interior do estado

A cidade de Boa Viagem, que conta com uma população de um pouco mais de 50 mil habitantes, é o berço do homem apontado como líder do furto ao Banco Central, onde foram levados R$ 164 milhões. O crime aconteceu em 2005 e teve participação de cearenses com apoio de criminosos de São Paulo. O caso aconteceu há 15 anos, mas somente em 2016 o estado criou uma delegacia para investigar o crime organizado.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), um primo de Alemão, Raimundo Laurindo Barbosa Neto, o Neto Laurindo, foi preso em Boa Viagem. Ele também participou do furto ao Banco Central, é investigado por integrar um grupo criminoso especializado em roubo a instituição financeira e veículos de transporte de valores.

A polícia afirma que ele tem passagens por sequestro, tráfico de drogas e por integrar organização criminosa. Já um outro membro que participou do crime segue foragido, Juvenal Laurindo, o Carca, segue na lista dos mais procurados do Ceará.

A cidade é reduto de criminosos ligados ao maior furto a banco da história do Brasil e é um triste exemplo de como a insegurança já não é problema apenas de grandes cidades no Ceará. O agricultor Egídio Luiz da Silva comenta que as cidades não têm mais segurança. “Tá na mão dos bandidos”.  

Veja as reportagens da série Eleições 2018:

20/9/2018 – Falta de planejamento causa atrasos em diferentes obras do Governo do Estado, aponta MP

19/9/2018 – Desafio do Ceará é repetir o sucesso do Ensino Fundamental também no Ensino Médio

14/9/2018 – Cobertura de esgotamento no Ceará atinge somente 31%

13/9/2018 – Ceará precisa de 258 leitos de UTIs neonatais a mais para atender demanda de todo o estado

12/9/2018 – Ceará possui cobertura de somente 15% dos municípios para exames de mamografia

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ESPECIAL ELEIÇÕES 2018

Facções se espalham pelo interior do Ceará e assustam moradores com aumento da violência

A insegurança no Ceará deixa a população em alerta. A 6ª reportagem da série do Jornal Jangadeiro aborda mais um tema em que o Ceará precisa avançar nas eleições de 2018

Por TV Jangadeiro em Eleições 2018

21 de setembro de 2018 às 11:56

Há 9 meses
Policiais em referência a Crimes cometidos por facções criminosas aumentam violência no interior do estado

As facções criminosas estão se espalhando por todo o estado do Ceará (FOTO: Reprodução/ TV Jangadeiro)

Mais de 3 mil assassinatos foram registrados este ano no Ceará. A estatística está relacionada à atuação do crime organizado. Um fenômeno que, além de apavorar Fortaleza, é visto em pequenas cidades e localidades do interior do estado.

As pichações nos muros, que se tornaram comuns na Região Metropolitana, indicam a presença de facções, e hoje tomam conta de pequenas comunidades do estado.

Na localidade conhecida como Quatro Bocas, a 120 km de Fortaleza, as organizações despertam o medo da população. A auxiliar de serviços gerais Maria de Fátima Honorato comenta sobre o medo de sair de casa. “O muro bem alto é para poder ter sossego, saio de casa mais não”.

A rivalidade dentro e fora dos presídios e as disputas pelo controle do narcotráfico marcam essa realidade em todo o estado. No início do ano, Fortaleza registrou a maior chacina da história do Ceará. O caso ficou conhecido como Chacina das Cajazeiras. O crime foi motivado por guerra entre duas organizações e não custou a ter consequências longe da capital.

No dia 29 de janeiro, dois dias após a maior chacina que vitimou 14 pessoas na capital, um conflito entre facções criminosas resultou na morte de 10 presidiários e 6 saíram feridos na cadeia pública de Itapajé.

Prisão de Lideres

Menos de um mês após grandes casos envolvendo as facções Guardiões do Estado e Comando Vermelho, dois membros da cúpula nacional de outra organização criminosa foram encontrados mortos no Ceará. Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, eram líderes do Primeiro Comando da Capital, o PCC de São Paulo.

Os líderes entraram para uma estatística que amedronta a população. Este ano, de janeiro a agosto, o Ceará registrou 3.110 assassinatos. O crime aconteceu em uma pequena reserva indígena na Região Metropolitana.

http://mais.uol.com.br/view/16545884

Crimes no interior

Diferente do que possa parecer, os crimes ocorridos no interior também têm consequências na capital. Em julho, Fortaleza sofreu com uma onda de ataques a ônibus e prédios públicos que durou quase uma semana. A violência começou após uma operação policial em Amontada, que terminou com a morte de três homens acusados de assaltos a um banco. A ação teria sido ordenada de dentro do presídio.

As agências bancárias são os alvos de ataques mais comuns no interior do estado. Hoje, 750 mil cearenses estão sem acesso a serviços bancários após ataques e explosões de agências e 38 municípios estão com dificuldades nos atendimentos.

Somente em 2018, foram 30 ataques a bancos no Ceará. Um mês após a operação policial em Amontada, já em agosto, a cidade teve duas agências atacadas em uma única ação. Os moradores da região precisam se deslocar para outros municípios quando necessitam de serviço bancários. A comerciante Elianor de Lima comenta que os bandidos ainda fazem vítimas e reféns. “A cidade toda parou, comércio, não teve mais movimento de dinheiro”.

A Polícia Civil afirma que tem atuado para coibir a ação do crime organizado na região. De acordo com o delegado titular da cidade de Amontada, as ações da polícia estão obtendo resultados. “Tem muitas ações em andamento em relação ao combate ao crime organizado, ao tráfico de drogas, e existem pessoas presas, mas é um trabalho paulatino”.

Insegurança interior do estado

A cidade de Boa Viagem, que conta com uma população de um pouco mais de 50 mil habitantes, é o berço do homem apontado como líder do furto ao Banco Central, onde foram levados R$ 164 milhões. O crime aconteceu em 2005 e teve participação de cearenses com apoio de criminosos de São Paulo. O caso aconteceu há 15 anos, mas somente em 2016 o estado criou uma delegacia para investigar o crime organizado.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), um primo de Alemão, Raimundo Laurindo Barbosa Neto, o Neto Laurindo, foi preso em Boa Viagem. Ele também participou do furto ao Banco Central, é investigado por integrar um grupo criminoso especializado em roubo a instituição financeira e veículos de transporte de valores.

A polícia afirma que ele tem passagens por sequestro, tráfico de drogas e por integrar organização criminosa. Já um outro membro que participou do crime segue foragido, Juvenal Laurindo, o Carca, segue na lista dos mais procurados do Ceará.

A cidade é reduto de criminosos ligados ao maior furto a banco da história do Brasil e é um triste exemplo de como a insegurança já não é problema apenas de grandes cidades no Ceará. O agricultor Egídio Luiz da Silva comenta que as cidades não têm mais segurança. “Tá na mão dos bandidos”.  

Veja as reportagens da série Eleições 2018:

20/9/2018 – Falta de planejamento causa atrasos em diferentes obras do Governo do Estado, aponta MP

19/9/2018 – Desafio do Ceará é repetir o sucesso do Ensino Fundamental também no Ensino Médio

14/9/2018 – Cobertura de esgotamento no Ceará atinge somente 31%

13/9/2018 – Ceará precisa de 258 leitos de UTIs neonatais a mais para atender demanda de todo o estado

12/9/2018 – Ceará possui cobertura de somente 15% dos municípios para exames de mamografia