Escolas públicas do interior do Ceará são destaque nacional com projetos inovadores


Escolas públicas do interior do Ceará são destaque nacional com projetos inovadores

Colégios de Santa Quitéria e Maranguape viraram referência por reorganizar a divisão do conteúdo tradicional das disciplinas

Por Thamiris Treigher em Educação

14 de fevereiro de 2016 às 06:00

Há 3 anos
Respeito a diversidade cultural, religiosa e sexual é tema de conversa em escola do interior (FOTO: Divulgação)

Respeito a diversidade cultural, religiosa e sexual é tema de conversa em escola do interior (FOTO: Divulgação)

Duas escolas públicas no interior do Ceará são exemplos de que a criatividade dos projetos educativos e a reorganização curricular podem contribuir para melhorar o convívio e o desempenho escolar.

Em Santa Quitéria, município de 48 mil habitantes a 220 km de Fortaleza, a Escola Estadual Júlia Catunda adotou a concepção de educação integral em projetos com diferentes temáticas, e reservou mais tempo de aula para as disciplinas.

A 200 quilômetros dali, a Escola Municipal José de Moura, na zona rural de Maranguape, também exibe inovação na forma de ensino e colhe os resultados positivos no aprendizado escolar desde 2011.

Segundo a diretora da escola de Santa Quitéria, Francisca Edna Camelo Torres, há dois anos a instituição deixou de usar a divisão do conteúdo tradicional em disciplinas diferentes a cada dia. No sistema atualmente adotado, os 575 alunos do ensino médio e das turmas de educação de jovens e adultos são imersos, a cada 15 dias, no conteúdo de determinada área de conhecimento. “Essa forma de organizar o currículo permite diversificar e aprofundar o conteúdo. Rende mais”, afirma a diretora.

George Muniz, professor de matemática, confirma os benefícios desse novo sistema. “Esse sistema exige do professor mais planejamento das aulas para que não fiquem cansativas, mas a vantagem é que temos mais tempo para trabalhar com o aluno, tirar as dúvidas e consolidar o aprendizado”, explica.

O resultado da nova sistemática tem gerado resultados positivos no desempenho disciplinar e escolar, com reflexo nas médias, mais altas, no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Dados da escola mostram ainda que a taxa de aprovação passou de 84,8% em 2008 para 92,7% em 2014. A taxa de abandono caiu para a metade nesse mesmo período, de 12,7% para 6,4%. 

Além disso, há dois anos a escola inseriu em sua grade curricular o respeito à diversidade como disciplina fundamental para os alunos do ensino médio da instituição. Mesmo que para alguns abordar o tema na escola ainda seja inadequado, a ideia vem dando certo e garantindo o bom relacionamento entre os alunos. A intenção é preparar o jovem para além do vestibular.

O projeto, intitulado como Desenvolvimento Pessoal e Social (DPS), permite um melhor convívio entre os adolescentes. Nesse conceito, os alunos são incentivados a apresentar trabalhos sobre as diversas religiões e falar sobre o tema dentro de sala de aula.

Além das aulas preparatórias para o vestibular, os alunos são condicionados a discutir assuntos relacionados ao respeito fora de sala de aula. Pelo menos uma vez por semana, os jovens vão em comunidades próximas à escola para difundir um tema abordado pelos professores. A escola foi selecionada pelo Ministério da Educação como uma das 178 instituições que promoveram a invenção e criatividade na grade curricular.

Comunidade

A Escola Municipal José de Moura, no distrito de Cachoeira, localizado a 25 quilômetros de Maranguape, desenvolve a educação integral através de uma iniciativa que envolve os moradores de 300 famílias da comunidade. O projeto da comunidade educadora começou em 2011 e reúne 250 crianças e jovens matriculados na escola, da educação infantil ao nono ano do ensino fundamental.

A Escola Municipal José de Moura desenvolve a educação integral através dos moradores de 300 famílias da comunidade (Foto: Prefeitura de Maranguape/Reprodução)

A Escola Municipal José de Moura foca nas 300 famílias da comunidade (Foto: Prefeitura de Maranguape/Reprodução)

Na nova visão adotada pela instituição de ensino, todas as pessoas do convívio dos alunos são vistas como professores fora da sala de aula. “Cada um tem algo a ensinar”, explica a diretora, Sandra Regina Freitas Lima. Em visitas às hortas, por exemplo, o agricultor vira professor ao passar seus conhecimentos. “E assim também o idoso conta histórias e seus saberes, o motorista do transporte escolar, a merendeira, a família e tantos outros”, diz Sandra Regina.

Cerca de 30 pessoas da comunidade participam das atividades da escola. De acordo com a diretora, os alunos recebem formação humanística através da prática educativa. “Eles aprendem a ouvir, a respeitar o meio ambiente e o outro. Essa é a nossa concepção de educação integral: a criança e o jovem estão em formação não apenas na escola, mas na rua, em casa e na comunidade”, ressalta.

Outro projeto inovador da escola é fruto da criação de 12 turmas interativas, com alunos do sexto ao nono ano para pesquisas em grupo. Cada turma tem dez alunos. Todos os meses, um tema diferente deve ser pesquisado. O projeto complementa o conteúdo e aproxima alunos de diferentes turmas, melhorando o convívio em toda a escola, já que todos passam a se conhecer.

Os professores dão o suporte necessário aos trabalhos de pesquisas por meio de orientações aos alunos. “Essas turmas interativas funcionam bem e são bem produtivas porque vemos mais de perto a necessidade de cada aluno”, afirma a professora de matemática Maria Dejane Costa da Rocha.

A preocupação da nova prática educativa não se restringe ao conteúdo, mas ao desenvolvimento integral do aluno. Os resultados aparecem na maior autonomia dos estudantes nos estudos, na capacidade de produção de textos e na oralidade.

Exemplos

O Ministério da Educação selecionou 178 instituições entre as 683 que participaram, de setembro a novembro de 2015, de chamada pública destinada a identificar, reconhecer e mapear iniciativas educacionais inovadoras na educação básica desenvolvidas em escolas públicas e particulares e em organizações não governamentais de todo o país.

A seleção abrangeu instituições escolares e não escolares, escolas indígenas, quilombolas, do campo e urbanas, da educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e da educação de jovens e adultos.

As informações relacionadas ao trabalho desenvolvido pelas 178 instituições selecionadas estão disponíveis no Mapa da Inovação e Criatividade na Educação Básica.

Escola Estadual Júlia Catunda
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Na nova visão adotada pela instituição de ensino, todas as pessoas do convívio dos alunos são vistas como professores fora da sala de aula (FOTO: Divulgação)

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Na nova visão adotada pela instituição de ensino, todas as pessoas do convívio dos alunos são vistas como professores fora da sala de aula (FOTO: Divulgação)

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Na nova visão adotada pela instituição de ensino, todas as pessoas do convívio dos alunos são vistas como professores fora da sala de aula (FOTO: Divulgação)

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Na nova visão adotada pela instituição de ensino, todas as pessoas do convívio dos alunos são vistas como professores fora da sala de aula (FOTO: Divulgação)

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Na nova visão adotada pela instituição de ensino, todas as pessoas do convívio dos alunos são vistas como professores fora da sala de aula (FOTO: Divulgação)

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Na nova visão adotada pela instituição de ensino, todas as pessoas do convívio dos alunos são vistas como professores fora da sala de aula (FOTO: Divulgação)

*Com informações do MEC

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Escolas públicas do interior do Ceará são destaque nacional com projetos inovadores

Colégios de Santa Quitéria e Maranguape viraram referência por reorganizar a divisão do conteúdo tradicional das disciplinas

Por Thamiris Treigher em Educação

14 de fevereiro de 2016 às 06:00

Há 3 anos
Respeito a diversidade cultural, religiosa e sexual é tema de conversa em escola do interior (FOTO: Divulgação)

Respeito a diversidade cultural, religiosa e sexual é tema de conversa em escola do interior (FOTO: Divulgação)

Duas escolas públicas no interior do Ceará são exemplos de que a criatividade dos projetos educativos e a reorganização curricular podem contribuir para melhorar o convívio e o desempenho escolar.

Em Santa Quitéria, município de 48 mil habitantes a 220 km de Fortaleza, a Escola Estadual Júlia Catunda adotou a concepção de educação integral em projetos com diferentes temáticas, e reservou mais tempo de aula para as disciplinas.

A 200 quilômetros dali, a Escola Municipal José de Moura, na zona rural de Maranguape, também exibe inovação na forma de ensino e colhe os resultados positivos no aprendizado escolar desde 2011.

Segundo a diretora da escola de Santa Quitéria, Francisca Edna Camelo Torres, há dois anos a instituição deixou de usar a divisão do conteúdo tradicional em disciplinas diferentes a cada dia. No sistema atualmente adotado, os 575 alunos do ensino médio e das turmas de educação de jovens e adultos são imersos, a cada 15 dias, no conteúdo de determinada área de conhecimento. “Essa forma de organizar o currículo permite diversificar e aprofundar o conteúdo. Rende mais”, afirma a diretora.

George Muniz, professor de matemática, confirma os benefícios desse novo sistema. “Esse sistema exige do professor mais planejamento das aulas para que não fiquem cansativas, mas a vantagem é que temos mais tempo para trabalhar com o aluno, tirar as dúvidas e consolidar o aprendizado”, explica.

O resultado da nova sistemática tem gerado resultados positivos no desempenho disciplinar e escolar, com reflexo nas médias, mais altas, no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Dados da escola mostram ainda que a taxa de aprovação passou de 84,8% em 2008 para 92,7% em 2014. A taxa de abandono caiu para a metade nesse mesmo período, de 12,7% para 6,4%. 

Além disso, há dois anos a escola inseriu em sua grade curricular o respeito à diversidade como disciplina fundamental para os alunos do ensino médio da instituição. Mesmo que para alguns abordar o tema na escola ainda seja inadequado, a ideia vem dando certo e garantindo o bom relacionamento entre os alunos. A intenção é preparar o jovem para além do vestibular.

O projeto, intitulado como Desenvolvimento Pessoal e Social (DPS), permite um melhor convívio entre os adolescentes. Nesse conceito, os alunos são incentivados a apresentar trabalhos sobre as diversas religiões e falar sobre o tema dentro de sala de aula.

Além das aulas preparatórias para o vestibular, os alunos são condicionados a discutir assuntos relacionados ao respeito fora de sala de aula. Pelo menos uma vez por semana, os jovens vão em comunidades próximas à escola para difundir um tema abordado pelos professores. A escola foi selecionada pelo Ministério da Educação como uma das 178 instituições que promoveram a invenção e criatividade na grade curricular.

Comunidade

A Escola Municipal José de Moura, no distrito de Cachoeira, localizado a 25 quilômetros de Maranguape, desenvolve a educação integral através de uma iniciativa que envolve os moradores de 300 famílias da comunidade. O projeto da comunidade educadora começou em 2011 e reúne 250 crianças e jovens matriculados na escola, da educação infantil ao nono ano do ensino fundamental.

A Escola Municipal José de Moura desenvolve a educação integral através dos moradores de 300 famílias da comunidade (Foto: Prefeitura de Maranguape/Reprodução)

A Escola Municipal José de Moura foca nas 300 famílias da comunidade (Foto: Prefeitura de Maranguape/Reprodução)

Na nova visão adotada pela instituição de ensino, todas as pessoas do convívio dos alunos são vistas como professores fora da sala de aula. “Cada um tem algo a ensinar”, explica a diretora, Sandra Regina Freitas Lima. Em visitas às hortas, por exemplo, o agricultor vira professor ao passar seus conhecimentos. “E assim também o idoso conta histórias e seus saberes, o motorista do transporte escolar, a merendeira, a família e tantos outros”, diz Sandra Regina.

Cerca de 30 pessoas da comunidade participam das atividades da escola. De acordo com a diretora, os alunos recebem formação humanística através da prática educativa. “Eles aprendem a ouvir, a respeitar o meio ambiente e o outro. Essa é a nossa concepção de educação integral: a criança e o jovem estão em formação não apenas na escola, mas na rua, em casa e na comunidade”, ressalta.

Outro projeto inovador da escola é fruto da criação de 12 turmas interativas, com alunos do sexto ao nono ano para pesquisas em grupo. Cada turma tem dez alunos. Todos os meses, um tema diferente deve ser pesquisado. O projeto complementa o conteúdo e aproxima alunos de diferentes turmas, melhorando o convívio em toda a escola, já que todos passam a se conhecer.

Os professores dão o suporte necessário aos trabalhos de pesquisas por meio de orientações aos alunos. “Essas turmas interativas funcionam bem e são bem produtivas porque vemos mais de perto a necessidade de cada aluno”, afirma a professora de matemática Maria Dejane Costa da Rocha.

A preocupação da nova prática educativa não se restringe ao conteúdo, mas ao desenvolvimento integral do aluno. Os resultados aparecem na maior autonomia dos estudantes nos estudos, na capacidade de produção de textos e na oralidade.

Exemplos

O Ministério da Educação selecionou 178 instituições entre as 683 que participaram, de setembro a novembro de 2015, de chamada pública destinada a identificar, reconhecer e mapear iniciativas educacionais inovadoras na educação básica desenvolvidas em escolas públicas e particulares e em organizações não governamentais de todo o país.

A seleção abrangeu instituições escolares e não escolares, escolas indígenas, quilombolas, do campo e urbanas, da educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e da educação de jovens e adultos.

As informações relacionadas ao trabalho desenvolvido pelas 178 instituições selecionadas estão disponíveis no Mapa da Inovação e Criatividade na Educação Básica.

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*Com informações do MEC