Dois pares de gêmeos cearenses são aprovados juntos no vestibular do IME


Dois pares de gêmeos cearenses são aprovados juntos no vestibular do IME

Com origem humilde, as duplas de irmãos estudam na mesma sala no Colégio Farias Brito. Juntos, eles mostraram que a “união faz a força”

Por Mayana Fontenele em Educação

16 de novembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos
Com apenas 17 e 18 anos, as duplas já conquistaram a aprovação no IME e em uma série de olimpíadas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Com 17 e 18 anos, as duplas já conquistaram a aprovação no IME e em uma série de olimpíadas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Que cearense “se garante” em vestibulares Brasil afora a gente já sabe, mas que dá show em dose dupla, isso é novidade. Dois pares de gêmeos foram aprovados simultaneamente na primeira fase de um dos vestibulares mais difíceis do país, do Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio de Janeiro.

Os irmãos Felipe e Mateus de Castro cursam o 3º ano do ensino médio junto com os outros dois gêmeos, Wesley e William Rodrigues, no Colégio Farias Brito, em Fortaleza. O coordenador Marcelo Pena conta que as duplas trazem orgulho não só para as famílias, mas também para a instituição.

“São meninos excelentes. Passam o dia na escola, assistindo aula ou estudando. São muito disciplinados. Os quatro têm uma afinidade muito grande, são meninos focados”, aponta o coordenador.

Felipe e Mateus têm 18 anos e são filhos da assistente de supermercado Vera Lucia. As semelhanças são muitas: desde o time do coração (o Ceará) à matéria preferida no colégio. Ambos também partilham o sonho de ser engenheiro aeronáutico. “Nos diferenciamos no jeito. Sou mais agitado, enquanto o Felipe é mais tranquilo, mas desde pequenos sempre gostamos das mesmas coisas”, afirma Mateus.

A mãe, orgulhosa, conta que sempre criou os meninos muito unidos. “Eles estudaram juntos no Colégio dos Bombeiros, depois no Colégio Militar e agora estão no Farias Brito. Só tenho o que agradecer à instituição que dá pra eles todo apoio”.

“Os quatro têm uma afinidade muito grande, são meninos focados”.
(Marcelo Pena, coordenador do Farias Brito)

Os filhos ressaltam que, desde criança, são incentivados pela mãe. Sobre a alegria em dose dupla, Vera diz que o sentimento é indescritível. “Sempre acreditei que eles iriam conquistar juntos a aprovação. Meu coração continua apertado, ainda tem o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica, em São José dos Campos-SP)”, conta a mãe.

Em setembro deste ano, Mateus representou o Brasil na 20ª Olimpíada Ibero Americana de Física, que ocorreu em Cochabamba, na Bolívia, e foi o único brasileiro que faturou medalha de ouro.

Felipe participou da 46ª Olimpíada Internacional de Física na Índia, em 2014, e trouxe a medalha de bronze para o Estado. “Os 5 alunos brasileiros que foram representar a nação eram nordestinos, para você ter noção da força que o Nordeste tem”, conta o coordenador.

Com William e Wesley não é diferente. “Sempre gostamos de estudar e brincar juntos. Quando começamos a estudar matérias exatas, também logo nos identificamos”, relata William.

Os meninos de 17 anos estudaram no Colégio Militar, e no ensino médio foram para o Farias Brito. Eles hoje pretendem cursar engenharia eletrônica. Os irmãos já conquistaram inúmeros títulos em olimpíadas regionais e nacionais de astronomia, física e robótica. Ao total, foram 10.

Odete, a mãe da dupla, é vendedora ambulante. E, emocionada, relata que assumiu as rédeas da família e dos estudos dos meninos após eles ficarem órfãos. “Quando eles completaram um ano, meu marido faleceu e desde muito novos eu os incentivei a estudar. Apesar da pouca idade, já sabem o que querem. Isso me deixa muito orgulhosa”, diz a mãe, que vende lanche na porta de colégios.

Eles estudam juntos e se ajudam. “No começo, estudávamos em salas diferentes, mas tivemos um desenvolvimento melhor quando começamos a estudar juntos. Sempre tiramos dúvidas um com o outro”, relata Wesley.

A família unida segue contente com as conquistas e pensa no futuro. “Estou fazendo e fiz a minha parte na criação deles. Entendo que os filhos crescem e criam asas. Para seguir o sonho deles, eles terão que morar um tempo longe de casa, mas eu já avisei: se emagrecerem, eu vou lá buscar e trago de volta”. Entre risos, a mãe orgulhosa já prepara o coração para a partida.

Eles poderiam ser apenas gêmeos que partilham uma série de semelhanças, mas o que os fazem diferente é a ligação que vai além da aparência física. A torcida pelo sucesso do outro e as conquistas em dose dupla seguem. Como foi na primeira fase do vestibular, será na segunda e permanecerá na vida. Eles mostram que “a união faz a força”.

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Dois pares de gêmeos cearenses são aprovados juntos no vestibular do IME

Com origem humilde, as duplas de irmãos estudam na mesma sala no Colégio Farias Brito. Juntos, eles mostraram que a “união faz a força”

Por Mayana Fontenele em Educação

16 de novembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos
Com apenas 17 e 18 anos, as duplas já conquistaram a aprovação no IME e em uma série de olimpíadas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Com 17 e 18 anos, as duplas já conquistaram a aprovação no IME e em uma série de olimpíadas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Que cearense “se garante” em vestibulares Brasil afora a gente já sabe, mas que dá show em dose dupla, isso é novidade. Dois pares de gêmeos foram aprovados simultaneamente na primeira fase de um dos vestibulares mais difíceis do país, do Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio de Janeiro.

Os irmãos Felipe e Mateus de Castro cursam o 3º ano do ensino médio junto com os outros dois gêmeos, Wesley e William Rodrigues, no Colégio Farias Brito, em Fortaleza. O coordenador Marcelo Pena conta que as duplas trazem orgulho não só para as famílias, mas também para a instituição.

“São meninos excelentes. Passam o dia na escola, assistindo aula ou estudando. São muito disciplinados. Os quatro têm uma afinidade muito grande, são meninos focados”, aponta o coordenador.

Felipe e Mateus têm 18 anos e são filhos da assistente de supermercado Vera Lucia. As semelhanças são muitas: desde o time do coração (o Ceará) à matéria preferida no colégio. Ambos também partilham o sonho de ser engenheiro aeronáutico. “Nos diferenciamos no jeito. Sou mais agitado, enquanto o Felipe é mais tranquilo, mas desde pequenos sempre gostamos das mesmas coisas”, afirma Mateus.

A mãe, orgulhosa, conta que sempre criou os meninos muito unidos. “Eles estudaram juntos no Colégio dos Bombeiros, depois no Colégio Militar e agora estão no Farias Brito. Só tenho o que agradecer à instituição que dá pra eles todo apoio”.

“Os quatro têm uma afinidade muito grande, são meninos focados”.
(Marcelo Pena, coordenador do Farias Brito)

Os filhos ressaltam que, desde criança, são incentivados pela mãe. Sobre a alegria em dose dupla, Vera diz que o sentimento é indescritível. “Sempre acreditei que eles iriam conquistar juntos a aprovação. Meu coração continua apertado, ainda tem o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica, em São José dos Campos-SP)”, conta a mãe.

Em setembro deste ano, Mateus representou o Brasil na 20ª Olimpíada Ibero Americana de Física, que ocorreu em Cochabamba, na Bolívia, e foi o único brasileiro que faturou medalha de ouro.

Felipe participou da 46ª Olimpíada Internacional de Física na Índia, em 2014, e trouxe a medalha de bronze para o Estado. “Os 5 alunos brasileiros que foram representar a nação eram nordestinos, para você ter noção da força que o Nordeste tem”, conta o coordenador.

Com William e Wesley não é diferente. “Sempre gostamos de estudar e brincar juntos. Quando começamos a estudar matérias exatas, também logo nos identificamos”, relata William.

Os meninos de 17 anos estudaram no Colégio Militar, e no ensino médio foram para o Farias Brito. Eles hoje pretendem cursar engenharia eletrônica. Os irmãos já conquistaram inúmeros títulos em olimpíadas regionais e nacionais de astronomia, física e robótica. Ao total, foram 10.

Odete, a mãe da dupla, é vendedora ambulante. E, emocionada, relata que assumiu as rédeas da família e dos estudos dos meninos após eles ficarem órfãos. “Quando eles completaram um ano, meu marido faleceu e desde muito novos eu os incentivei a estudar. Apesar da pouca idade, já sabem o que querem. Isso me deixa muito orgulhosa”, diz a mãe, que vende lanche na porta de colégios.

Eles estudam juntos e se ajudam. “No começo, estudávamos em salas diferentes, mas tivemos um desenvolvimento melhor quando começamos a estudar juntos. Sempre tiramos dúvidas um com o outro”, relata Wesley.

A família unida segue contente com as conquistas e pensa no futuro. “Estou fazendo e fiz a minha parte na criação deles. Entendo que os filhos crescem e criam asas. Para seguir o sonho deles, eles terão que morar um tempo longe de casa, mas eu já avisei: se emagrecerem, eu vou lá buscar e trago de volta”. Entre risos, a mãe orgulhosa já prepara o coração para a partida.

Eles poderiam ser apenas gêmeos que partilham uma série de semelhanças, mas o que os fazem diferente é a ligação que vai além da aparência física. A torcida pelo sucesso do outro e as conquistas em dose dupla seguem. Como foi na primeira fase do vestibular, será na segunda e permanecerá na vida. Eles mostram que “a união faz a força”.