Cearenses apostam em financiamento coletivo para estudar em universidades estrangeiras


Cearenses apostam em financiamento coletivo para estudar em universidades estrangeiras

Aprovados nas maiores universidades do mundo, Narelli Paiva, Matheus Carioca e Lucas Felipe precisam de dinheiro no sonho do diploma top

Por Renata Monte em Educação

5 de junho de 2015 às 07:00

Há 4 anos
Enquanto não consegue financiamento para estudar fora, Narelli cursa Engenharia de Materiais na USP, em São Paulo (FOTO: Arquivo pessoal)

Enquanto não consegue financiamento para estudar fora, Narelli cursa Engenharia de Materiais na USP, em São Paulo (FOTO: Arquivo pessoal)

Anos de dedicação na escola e o sonho de estudar em uma universidade fora do Brasil. O desejo é comum entre 26 brasileiros de diferentes regiões do país, que juntos decidiram fazer uma campanha para pedir doações para conseguirem se manter longe de casa, é o Aprenda lá, da cá. Desses, três são cearenses. Narelli Paiva, Matheus Carioca e Lucas Felipe são jovens talentosos que passaram em grandes universidades internacionais.

O grupo se conheceu através da Fundação Estudar, que dá oportunidades para os estudantes do Brasil desenvolverem seus potenciais fora do país. Os jovens passaram por diferentes provas, redações em inglês, entrevistas e análises de currículos de conquistas pessoais e acadêmicas. Foram aprovados em 18 das melhores universidades do mundo, como Harvard, MIT, Stanford, Princeton e Yale.

Os estudantes precisam de R$ 350 mil até o dia 25 de julho. Até agora, receberam 33 doações. Um valor equivalente a R$ 21.600. Quem quiser doar, o valor mínimo é de R$ 5. É preciso realizar um cadastro rápido no site do Aprenda lá, da cá e preencher as informações necessárias para efetuar a doação. Caso não consigam atingir a meta no tempo estimado, o dinheiro é devolvido aos contribuintes.

Narelli, de 18 anos, foi aprovada no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na Universidade de São Paulo (USP), na University of Pennsylvania (UPenn), Amherst College e Case Westnern. Atualmente, ela mora sozinha em São Paulo e cursa Engenharia de Materiais da USP, mas sonha em poder estudar na UPenn.

Ela conta que, além da amizade, os estudantes se uniram pela questão financeira. “Era difícil conseguir o dinheiro sozinha, então a gente se juntou para tentar arrecadar o dinheiro. É só para um começo, para a gente tentar se organizar e se manter”, conta a jovem que espera ansiosamente pelo sucesso da campanha.

Matheus mostra orgulhoso as aprovações nas universidades (FOTO: Arquivo pessoal)

Matheus mostra orgulhoso as aprovações nas universidades (FOTO: Arquivo pessoal)

Aprovado para os cursos de Economia, Business e Ciências da Computação, na Universidade Federal do Ceará (UFC), University of British Columbia e do Instituto de Tecnologia da Flórida, Matheus, que tem 19 anos, explicou que há bolsas de estudo nessas universidades, mas para estrangeiros é diferente. “A bolsa internacional não é tão boa. Ficou todo mundo pensando como seria difícil estudar fora, sem ter como ir”, explica.

O jovem contou que caso a campanha não seja bem sucedida, ele tentará outras formas de viajar. “Minha mãe vai fazer um empréstimo e vamos vender o carro”, explica o garoto. Cheio de esperança, Matheus afirma que além de pessoas físicas, estão procurando empresas que queiram investir e fazer doações.

Quem também passou em várias universidades internacionais foi o cearense Lucas Felipe. Com apenas 17 anos, Lucas foi aprovado em seis universidades internacionais, entre elas a Stetson University e a Assumption College, nos Estados Unidos, e três universidades brasileiras, UFC, Universidade Estadual do Ceará (Uece) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, tendo sido aprovado duas vezes nas instituições cearenses. Assim como Matheus, Lucas também quer estudar Business e se tornar empresário.

Além do esforço para estudar fora, todos os alunos possuem uma meta em comum: possuir um diploma internacional e voltar para o Brasil para investir no país. Foi a maneira que eles encontraram de tentar impulsionar o desenvolvimento tecnológico e científico da terra-natal em um lugar melhor.

Narelli, por exemplo, diz que pretende se  formar e trazer os conhecimentos adquiridos para fazer a diferença no Brasil. “São alunos que querem trabalhar com pesquisas, ciências sociais, políticas públicas. Eu vou me formar em Engenharia de Materiais, mas quero trabalhar desenvolvendo algo que possa ajudar as pessoas do Brasil”, conta. Na época da escola, Narelli e outros estudantes criaram um filtro de água, de baixo custo, para ajudar pessoas que vivem na seca.

Com a pretensão de se formar em Vancouver, no Canadá, Matheus quer ir além de ter uma empresa comum. “Não quero uma empresa que só lucra. Quero criar algo que possa mudar a sociedade, que tenha impacto na vida das pessoas”, explica.

Lucas, que deseja se formar pela Assumption College, pretende investir no Brasil, abrindo a própria empresa. “A situação econômica do Brasil está horrível. Mesmo assim, eu quero aprender a ser um bom empresário, abrir meu próprio negócio e gerar emprego e capital para o país”, afirma.

Publicidade

Dê sua opinião

Cearenses apostam em financiamento coletivo para estudar em universidades estrangeiras

Aprovados nas maiores universidades do mundo, Narelli Paiva, Matheus Carioca e Lucas Felipe precisam de dinheiro no sonho do diploma top

Por Renata Monte em Educação

5 de junho de 2015 às 07:00

Há 4 anos
Enquanto não consegue financiamento para estudar fora, Narelli cursa Engenharia de Materiais na USP, em São Paulo (FOTO: Arquivo pessoal)

Enquanto não consegue financiamento para estudar fora, Narelli cursa Engenharia de Materiais na USP, em São Paulo (FOTO: Arquivo pessoal)

Anos de dedicação na escola e o sonho de estudar em uma universidade fora do Brasil. O desejo é comum entre 26 brasileiros de diferentes regiões do país, que juntos decidiram fazer uma campanha para pedir doações para conseguirem se manter longe de casa, é o Aprenda lá, da cá. Desses, três são cearenses. Narelli Paiva, Matheus Carioca e Lucas Felipe são jovens talentosos que passaram em grandes universidades internacionais.

O grupo se conheceu através da Fundação Estudar, que dá oportunidades para os estudantes do Brasil desenvolverem seus potenciais fora do país. Os jovens passaram por diferentes provas, redações em inglês, entrevistas e análises de currículos de conquistas pessoais e acadêmicas. Foram aprovados em 18 das melhores universidades do mundo, como Harvard, MIT, Stanford, Princeton e Yale.

Os estudantes precisam de R$ 350 mil até o dia 25 de julho. Até agora, receberam 33 doações. Um valor equivalente a R$ 21.600. Quem quiser doar, o valor mínimo é de R$ 5. É preciso realizar um cadastro rápido no site do Aprenda lá, da cá e preencher as informações necessárias para efetuar a doação. Caso não consigam atingir a meta no tempo estimado, o dinheiro é devolvido aos contribuintes.

Narelli, de 18 anos, foi aprovada no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na Universidade de São Paulo (USP), na University of Pennsylvania (UPenn), Amherst College e Case Westnern. Atualmente, ela mora sozinha em São Paulo e cursa Engenharia de Materiais da USP, mas sonha em poder estudar na UPenn.

Ela conta que, além da amizade, os estudantes se uniram pela questão financeira. “Era difícil conseguir o dinheiro sozinha, então a gente se juntou para tentar arrecadar o dinheiro. É só para um começo, para a gente tentar se organizar e se manter”, conta a jovem que espera ansiosamente pelo sucesso da campanha.

Matheus mostra orgulhoso as aprovações nas universidades (FOTO: Arquivo pessoal)

Matheus mostra orgulhoso as aprovações nas universidades (FOTO: Arquivo pessoal)

Aprovado para os cursos de Economia, Business e Ciências da Computação, na Universidade Federal do Ceará (UFC), University of British Columbia e do Instituto de Tecnologia da Flórida, Matheus, que tem 19 anos, explicou que há bolsas de estudo nessas universidades, mas para estrangeiros é diferente. “A bolsa internacional não é tão boa. Ficou todo mundo pensando como seria difícil estudar fora, sem ter como ir”, explica.

O jovem contou que caso a campanha não seja bem sucedida, ele tentará outras formas de viajar. “Minha mãe vai fazer um empréstimo e vamos vender o carro”, explica o garoto. Cheio de esperança, Matheus afirma que além de pessoas físicas, estão procurando empresas que queiram investir e fazer doações.

Quem também passou em várias universidades internacionais foi o cearense Lucas Felipe. Com apenas 17 anos, Lucas foi aprovado em seis universidades internacionais, entre elas a Stetson University e a Assumption College, nos Estados Unidos, e três universidades brasileiras, UFC, Universidade Estadual do Ceará (Uece) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, tendo sido aprovado duas vezes nas instituições cearenses. Assim como Matheus, Lucas também quer estudar Business e se tornar empresário.

Além do esforço para estudar fora, todos os alunos possuem uma meta em comum: possuir um diploma internacional e voltar para o Brasil para investir no país. Foi a maneira que eles encontraram de tentar impulsionar o desenvolvimento tecnológico e científico da terra-natal em um lugar melhor.

Narelli, por exemplo, diz que pretende se  formar e trazer os conhecimentos adquiridos para fazer a diferença no Brasil. “São alunos que querem trabalhar com pesquisas, ciências sociais, políticas públicas. Eu vou me formar em Engenharia de Materiais, mas quero trabalhar desenvolvendo algo que possa ajudar as pessoas do Brasil”, conta. Na época da escola, Narelli e outros estudantes criaram um filtro de água, de baixo custo, para ajudar pessoas que vivem na seca.

Com a pretensão de se formar em Vancouver, no Canadá, Matheus quer ir além de ter uma empresa comum. “Não quero uma empresa que só lucra. Quero criar algo que possa mudar a sociedade, que tenha impacto na vida das pessoas”, explica.

Lucas, que deseja se formar pela Assumption College, pretende investir no Brasil, abrindo a própria empresa. “A situação econômica do Brasil está horrível. Mesmo assim, eu quero aprender a ser um bom empresário, abrir meu próprio negócio e gerar emprego e capital para o país”, afirma.