Bolacha com suco? Relatório aponta que Governo investiu abaixo do mínimo na merenda escolar

R$ 0,30 POR REFEIÇÃO

Bolacha com suco? Relatório aponta que Governo investiu abaixo do mínimo na merenda escolar

Secretaria da Educação nega prejuízo no repasse e pontua que execução orçamentária se altera conforme a compra dos gêneros alimentícios pelas escolas

Por Jéssica Welma em Educação

23 de maio de 2016 às 12:00

Há 3 anos
caic foto Fernanda Moura (1)

Estudantes em escolas ocupadas têm recebido doações de alimento para garantir refeições. (Foto: Tribuna do Ceará / Fernanda Moura)

Merenda escolar de qualidade é uma das principais reivindicações dos estudantes que ocupam mais de 50 escolas de Ensino Médio no Ceará. Apesar o aporte anunciado pelo Governo de R$ 6,4 milhões para a merenda, relatório do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca) mostra que, de janeiro a abril deste ano, o Estado não investiu o valor mínimo na alimentação dos alunos.

A Secretaria da Educação (Seduc) nega queda no repasse para a merenda e pontua que a execução do orçamento obedece as regras do programa e sofre alterações constantes, conforme o uso da verba pelas escolas.

Entre os estudantes, os relatos se repetem: o cardápio mais constante é “suco com bolacha”. Antes do relatório, já era considerado muito baixo ao valor de R$ 0,30 por aluno repassados pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) à Secretaria Estadual da Educação (Seduc).

“Todo dia é a mesma coisa. Teve um mês que foi só sopa, depois bolacha com suco. A mudança que acontece é essa”, afirma a estudante Ana Paula Souza de Andrade, de 18 anos, estudante do 2° ano do Liceu da Messejana.

O problema, contudo, é recente, conta a jovem: “Ano passado, a merenda era boa, tanto que a fila era enorme. Hoje em dia, se você botar bolacha com suco, quase ninguém vai pegar a merenda. O povo compra do lado de fora da escola ou faz grupos nas salas para levar alimentos”.

A estudante Jéssica Mendes, do Colégio Castelo Branco, reclama que já adoeceu após comer carne enlatada na escola. “A maioria das vezes é biscoito e um suco que mais parece água com açúcar”, critica.

Dias após a ocupação, o Governo do Estado anunciou complementação de R$ 6,4 milhões para a merenda. Segundo a Seduc, o valor “garante a aquisição e a distribuição de gêneros alimentícios durante todo o ano letivo, para todas as escolas estaduais, além dos recursos já repassados atualmente”. A pasta não respondeu em quanto aumentará o custeio por aluno com o aporte estadual.

Cedeca

Relatório feito pelo Cedeca detectou que o Governo do Estado não investiu o valor mínimo para a merenda escolar repassado pelo Pnae, entre janeiro e abril de 2016. A informação foi obtida a partir dos dados da Lei Orçamentária Anual (LOA) do Ceará de 2016 e da execução orçamentária nesses meses.

A LOA 2016 fixou um montante de R$ 2.961.812.754,16 bilhões para a Educação. Além dos recursos do Estado, a União transferiu R$ 145.897.311,33 milhões, de janeiro a março, para custear despesas da área.

No que diz respeito especificamente aos valores destinados à merenda escolar no Ensino Médio, no primeiro quadrimestre de 2016, o Governo utilizou apenas R$ 1.851.009,09 do montante de R$ 36.185.440,00. Em porcentagem, o uso corresponde a 5,12%. No mesmo período de 2015, a utilização do recurso foi de 15,21%. Ou seja, de R$ 32.800.000,00 foram usados R$ 4.987.522,45.

Em 2015, dos R$ 38,4 milhões destinados à merenda escolar no Ensino Médio, o Governo gastou 89,35% do valor, correspondente a R$ 34.311.745,45. Ou seja, restou um montante de R$ 4.088.254,55 milhões.

No ranking de repasse de valores por aluno, por dia, transferidos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), as escolas de Ensino Médio ocupam a segunda posição em menor valor, R$ 0,30. Perde apenas para a Educação de Jovens e Adultos Semipresencial, que custa R$ 0,06. Os maiores valores são destinados às creches, inclusive das escolas indígenas e quilombolas e às escolas de tempo integral com, no mínimo, 7 horas de atividades escolares, no valor de R$ 1,00.

Repasses

A Secretaria da Educação nega mudanças no abastecimento da merenda e afirma que o Governo tem cumprido as determinações do Pnae. Segundo a Seduc, a transferência da verba é realizada em 10 parcelas para o Governo. Até abril de 2016, três foram transferidas. “O valor repassado é distribuído integralmente às escolas de acordo com a matrícula do ano anterior”, ressalta a nota da Seduc. A compra dos alimentos é feita pelas escolas durante os primeiros meses do ano, sem interferência no investimento total durante o ano.

Em 2016, o Pnae prevê repasse de R$ 31.735.320,00 para a alimentação escolar no Ceará. “Além deste repasse, a partir de 2016, o Ceará realizará, com recursos do Tesouro Estadual, a aquisição de cinco gêneros alimentícios para complementar a alimentação escolar (açúcar, arroz, feijão, macarrão e farinha de milho), com entrega diretamente nas escolas durante todo o ano letivo. O Pregão Eletrônico para a compra destes produtos será lançado ainda esta semana”, afirma a secretaria.

A Seduc ressalta que, apesar do gasto de apenas R$ 1.931.719,68 milhão, de janeiro a abril, apontado pelo Cedeca, a alimentação escolar do toda a educação básica recebeu, em maio, aporte de R$ 6.203.203,49. Dessa forma, já foram investidos mais de R$ 8 milhões na alimentação escolar em 2016.

A execução do valores repassados para as escolas é alterada conforme a compra de alimentos por cada unidade escolar. Os registros junto à Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag) são modificados constantemente de acordo com a execução orçamentária, pontua a Seduc.

Ocupação Caic Maria Alves Carioca
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Ocupação Caic Maria Alves Carioca

Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

Valor mínimo

O valor de 30 centavos repassado pela União é o mínimo para ser investido na educação, explica o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e especialista em políticas públicas de alimentação, José Arimatéia Barros Bezerra.

“Há uma reclamação constante sobre o custo. Esse é o valor que a União repassa. Como isso pode ser melhorado? Através da contrapartida dos governos estaduais e municipais. O que acontece é que o custeio fica apenas com o repasse federal. É insuficiente para oferecer uma alimentação de qualidade”, pontua o professor.

Arimatéia estuda há décadas a situação da merenda escolar no Estado e é responsável por programas de aperfeiçoamento de integrantes de conselhos da merenda escolar e profissionais da área. Ele ressalta que as verbas geralmente são destinadas para a compra de gêneros alimentícios para a oferta de sopas. Em décadas de pesquisa, no entanto, já foi detectado que essas não é a alimentação mais adequada para um lanche.

“O nosso cardápio semanal varia entre sopa, suco/leite com bolacha e, vez ou outra, temos cuscuz com frango. Aparentemente parece não ser tão ruim, mas isso tudo é feito com muita dificuldade, e os sabores não são os melhores. Os funcionários fazem o possível para que a merenda saia de melhor gosto possível, porém, diante de tudo isso, fica difícil. Gostaríamos que houvesse uma inclusão de frutas, saladas, uma alimentação mais reforçada como arroz e feijão, enfim, alimentos que, infelizmente, não temos aqui na escola”, destacam as alunas Elaine Cleide de Freitas e Marina Silveira Araújo. Eles são estudantes da escola Maria Conceição De Araújo, no município de Acaraú.

“Temos uma necessidade de que a merenda não seja apenas complementada como o governador pretende fazer, mas que haja sim um aumento”, afirma o estudante Eduardo Mendes, da escola Margarida de Castro Almeida, no Conjunto Esperança. A afirmação de que a merenda é principalmente “suco com bolacha” se repete na escola.

Alimentação

A Seduc destaca que o Pnae segue princípios e diretrizes que garantem o oferecimento de uma alimentação escolar saudável e adequada. No Ceará, a secretaria “adotou o modelo de gestão escolarizada que fortalece a autonomia escolar e favorece a participação da comunidade”.

As sugestões de cardápio são definidas conforme as diretrizes do PNAE e adequadas por cada unidade escolar conforme a preferência dos alunos. Os nutricionistas do programa também acompanham a execução da verba, segundo a Seduc.

O professor da UFC ressalta que é justa a reivindicação dos alunos diante de falhas na gestão da merenda escolar, algumas delas históricas, como o desvio de verba. Ele pontua que há ainda uma concepção equivocada de que o aluno vai para a escola principalmente para comer. “Minha tese de doutorado mostrou o contrário: vão pelo conhecimento, pela ascensão social, pela escolarização do trabalho”, afirma.

“Há uma ideologia relacionada a visão das pessoas pobres de que se pode servir qualquer coisa”, critica. Ele também destaca a importância da fiscalização dos programas de merenda escolar em relação ao que é servido de acordo com o horário da refeição e conforme a necessidade dos alunos.

Para acessar a nota na íntegra do Cedeca, acesse este link.

Escolas ocupadas no Ceará:

1 CAIC MARIA ALVES CARIOCA – Bom Jardim – Fortaleza
2 ESCOLA POLIVALENTE – Juazeiro do Norte
3 EEFM JOÃO MATTOS – Montese – Fortaleza
4 COLÉGIO CASTELO BRANCO – Montese – Fortaleza
5 EEM GOVERNADOR ADAUTO BEZERRA – Bairro de Fátima – Fortaleza
6 EEFM JADER MOREIRA DE CARVALHO – Serrinha – Fortaleza
7 EEM MARIANO MARTINS – Henrique Jorge – Fortaleza
8 EEFM DOM ANTÔNIO DE ALMEIDA LUSTOSA – Edson Queiroz – Fortaleza
9 ESCOLA MARIA AMÉLIA BEZERRA – Juazeiro do Norte
10 EEFM IRAPUAN CAVALCANTE PINHEIRO – Conjunto Esperança – Fortaleza
11 LICEU DE MESSEJANA – Messejana – Fortaleza
12 EEFM DR. CESAR CALS – Farias Brito – Fortaleza
13 EEFM JOSÉ ALVES FIGUEIREDO – Crato
14 EEFM PADRE ROCHA – Fortaleza
15 EEFM MARECHAL HUMBERTO DE ALENCAR CASTELO BRANCO – Fortaleza
16 LICEU DO CRATO – Crato
17 LICEU DE MARACANAÚ – Maracanaú
18 EEFM ADAHIL BARRETO CAVALCANTE – Maracanaú
19 EEM PROFª: EUDES VERA – Maracanaú
20 EEFM MONSENHOR DOURADO – Padre Andrade – Fortaleza
21 EEFM ADALGISA BONFIM SOARES – Conjunto Esperança – Fortaleza
22 EEFM NOEL HUNGNEN DE O. PAIVA – Fortaleza
23 EEFM IRMÃO URBANO – Parque São José – Fortaleza
24 EEFM SENADOR OSIRES PONTES – Canindezinho – Fortaleza
25 EEFM JOÃO NOGUEIRA JUCÁ – Sapiranga – Fortaleza
26 EEFM HERÁCLITO DE CASTRO E SILVA – João XXIII – Fortaleza
27 EEFM JOSÉ BEZERRA DE MENEZES – Antônio Bezerra – Fortaleza
28 EEFM GENERAL EUDORO CORREA – Parangaba – Fortaleza
29 EEFM JOSÉ DE ALENCAR – Messejana – Fortaleza
30 ESCOLA POLIVALENTE MODELO DE FORTALEZA – José Walter – Fortaleza
31 LICEU DO CONJUNTO CEARÁ – Conj. Ceará I – Fortaleza
32 EEFM Dra. ALDACI BARBOSA – Conj. Palmeira – Fortaleza
33 EEFM WALTER DE SÁ CAVALCANTE – Cidade dos Funcionários – Fortaleza
34 EEFM DR. GENTIL BARREIRA UV2 – Conj. Ceará – Fortaleza
35 EEFM JOSÉ MARIA CAMPOS DE OLIVEIRA UV8 – Conj. Ceará – Fortaleza
36 EEFM ANTONIETA SIQUEIRA – Jóquei Clube – Fortaleza
37 EEFM DEP. PAULO BENEVIDES – Messejana – Fortaleza
38 EEFM LOURENÇO FILHO – Crateús
39 EEFM PROF. TELINA BARBOSA DA COSTA – Messejana – Fortaleza
40 EEFM PROF. MÁRIO SCHENBERG – Vila Manoel Sátiro – Fortaleza
41 EEFM MARIA CONCEIÇÃO DE ARAUJO – Aranaú – Acaraú
42 EEFM PROF. ANTONIO ALBUQUERQUE DE SOUSA FILHO – Iguatu
43 EEFM PREFEITO ANTONIO CONSERVA FEITOSA – Juazeiro do Norte
44 EEFM DOM HELDER C MARA – Jardim Guanabara – Fortaleza
45 EEFM CAIC DOM ANTÔNIO CAMPELO – Juazeiro do Norte
46 EEFM JULIA ALVES PESSOA – Autran Nunes – Fortaleza
47 COLÉGIO ESTADUAL LICEU DE CAUCAIA – Caucaia
48 EEFM LAURO REBOUÇAS DE OLIVEIRA – Limoeiro do Norte
49 EEFM ESTADO DO PARANÁ – Montese – Fortaleza
50 EEFM MARIA MARGARIDA DE CASTRO ALMEIDA – Conj. Esperança – Fortaleza
51 EEFM DONA MARIA MENEZES DE SERPA – Vila Velha – Fortaleza
52 EEFM TENENTE MÁRIO LIMA – Maracanaú

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R$ 0,30 POR REFEIÇÃO

Bolacha com suco? Relatório aponta que Governo investiu abaixo do mínimo na merenda escolar

Secretaria da Educação nega prejuízo no repasse e pontua que execução orçamentária se altera conforme a compra dos gêneros alimentícios pelas escolas

Por Jéssica Welma em Educação

23 de maio de 2016 às 12:00

Há 3 anos
caic foto Fernanda Moura (1)

Estudantes em escolas ocupadas têm recebido doações de alimento para garantir refeições. (Foto: Tribuna do Ceará / Fernanda Moura)

Merenda escolar de qualidade é uma das principais reivindicações dos estudantes que ocupam mais de 50 escolas de Ensino Médio no Ceará. Apesar o aporte anunciado pelo Governo de R$ 6,4 milhões para a merenda, relatório do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca) mostra que, de janeiro a abril deste ano, o Estado não investiu o valor mínimo na alimentação dos alunos.

A Secretaria da Educação (Seduc) nega queda no repasse para a merenda e pontua que a execução do orçamento obedece as regras do programa e sofre alterações constantes, conforme o uso da verba pelas escolas.

Entre os estudantes, os relatos se repetem: o cardápio mais constante é “suco com bolacha”. Antes do relatório, já era considerado muito baixo ao valor de R$ 0,30 por aluno repassados pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) à Secretaria Estadual da Educação (Seduc).

“Todo dia é a mesma coisa. Teve um mês que foi só sopa, depois bolacha com suco. A mudança que acontece é essa”, afirma a estudante Ana Paula Souza de Andrade, de 18 anos, estudante do 2° ano do Liceu da Messejana.

O problema, contudo, é recente, conta a jovem: “Ano passado, a merenda era boa, tanto que a fila era enorme. Hoje em dia, se você botar bolacha com suco, quase ninguém vai pegar a merenda. O povo compra do lado de fora da escola ou faz grupos nas salas para levar alimentos”.

A estudante Jéssica Mendes, do Colégio Castelo Branco, reclama que já adoeceu após comer carne enlatada na escola. “A maioria das vezes é biscoito e um suco que mais parece água com açúcar”, critica.

Dias após a ocupação, o Governo do Estado anunciou complementação de R$ 6,4 milhões para a merenda. Segundo a Seduc, o valor “garante a aquisição e a distribuição de gêneros alimentícios durante todo o ano letivo, para todas as escolas estaduais, além dos recursos já repassados atualmente”. A pasta não respondeu em quanto aumentará o custeio por aluno com o aporte estadual.

Cedeca

Relatório feito pelo Cedeca detectou que o Governo do Estado não investiu o valor mínimo para a merenda escolar repassado pelo Pnae, entre janeiro e abril de 2016. A informação foi obtida a partir dos dados da Lei Orçamentária Anual (LOA) do Ceará de 2016 e da execução orçamentária nesses meses.

A LOA 2016 fixou um montante de R$ 2.961.812.754,16 bilhões para a Educação. Além dos recursos do Estado, a União transferiu R$ 145.897.311,33 milhões, de janeiro a março, para custear despesas da área.

No que diz respeito especificamente aos valores destinados à merenda escolar no Ensino Médio, no primeiro quadrimestre de 2016, o Governo utilizou apenas R$ 1.851.009,09 do montante de R$ 36.185.440,00. Em porcentagem, o uso corresponde a 5,12%. No mesmo período de 2015, a utilização do recurso foi de 15,21%. Ou seja, de R$ 32.800.000,00 foram usados R$ 4.987.522,45.

Em 2015, dos R$ 38,4 milhões destinados à merenda escolar no Ensino Médio, o Governo gastou 89,35% do valor, correspondente a R$ 34.311.745,45. Ou seja, restou um montante de R$ 4.088.254,55 milhões.

No ranking de repasse de valores por aluno, por dia, transferidos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), as escolas de Ensino Médio ocupam a segunda posição em menor valor, R$ 0,30. Perde apenas para a Educação de Jovens e Adultos Semipresencial, que custa R$ 0,06. Os maiores valores são destinados às creches, inclusive das escolas indígenas e quilombolas e às escolas de tempo integral com, no mínimo, 7 horas de atividades escolares, no valor de R$ 1,00.

Repasses

A Secretaria da Educação nega mudanças no abastecimento da merenda e afirma que o Governo tem cumprido as determinações do Pnae. Segundo a Seduc, a transferência da verba é realizada em 10 parcelas para o Governo. Até abril de 2016, três foram transferidas. “O valor repassado é distribuído integralmente às escolas de acordo com a matrícula do ano anterior”, ressalta a nota da Seduc. A compra dos alimentos é feita pelas escolas durante os primeiros meses do ano, sem interferência no investimento total durante o ano.

Em 2016, o Pnae prevê repasse de R$ 31.735.320,00 para a alimentação escolar no Ceará. “Além deste repasse, a partir de 2016, o Ceará realizará, com recursos do Tesouro Estadual, a aquisição de cinco gêneros alimentícios para complementar a alimentação escolar (açúcar, arroz, feijão, macarrão e farinha de milho), com entrega diretamente nas escolas durante todo o ano letivo. O Pregão Eletrônico para a compra destes produtos será lançado ainda esta semana”, afirma a secretaria.

A Seduc ressalta que, apesar do gasto de apenas R$ 1.931.719,68 milhão, de janeiro a abril, apontado pelo Cedeca, a alimentação escolar do toda a educação básica recebeu, em maio, aporte de R$ 6.203.203,49. Dessa forma, já foram investidos mais de R$ 8 milhões na alimentação escolar em 2016.

A execução do valores repassados para as escolas é alterada conforme a compra de alimentos por cada unidade escolar. Os registros junto à Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag) são modificados constantemente de acordo com a execução orçamentária, pontua a Seduc.

Ocupação Caic Maria Alves Carioca
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Ocupação Caic Maria Alves Carioca

Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

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Escola foi a primeira a ser ocupada no Ceará, no dia 28 de abril. Estudantes cobram reformas na estrutura, qualidade de ensino e mudanças no repasse para a merenda escolar. Foto: Fernanda Moura

Valor mínimo

O valor de 30 centavos repassado pela União é o mínimo para ser investido na educação, explica o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e especialista em políticas públicas de alimentação, José Arimatéia Barros Bezerra.

“Há uma reclamação constante sobre o custo. Esse é o valor que a União repassa. Como isso pode ser melhorado? Através da contrapartida dos governos estaduais e municipais. O que acontece é que o custeio fica apenas com o repasse federal. É insuficiente para oferecer uma alimentação de qualidade”, pontua o professor.

Arimatéia estuda há décadas a situação da merenda escolar no Estado e é responsável por programas de aperfeiçoamento de integrantes de conselhos da merenda escolar e profissionais da área. Ele ressalta que as verbas geralmente são destinadas para a compra de gêneros alimentícios para a oferta de sopas. Em décadas de pesquisa, no entanto, já foi detectado que essas não é a alimentação mais adequada para um lanche.

“O nosso cardápio semanal varia entre sopa, suco/leite com bolacha e, vez ou outra, temos cuscuz com frango. Aparentemente parece não ser tão ruim, mas isso tudo é feito com muita dificuldade, e os sabores não são os melhores. Os funcionários fazem o possível para que a merenda saia de melhor gosto possível, porém, diante de tudo isso, fica difícil. Gostaríamos que houvesse uma inclusão de frutas, saladas, uma alimentação mais reforçada como arroz e feijão, enfim, alimentos que, infelizmente, não temos aqui na escola”, destacam as alunas Elaine Cleide de Freitas e Marina Silveira Araújo. Eles são estudantes da escola Maria Conceição De Araújo, no município de Acaraú.

“Temos uma necessidade de que a merenda não seja apenas complementada como o governador pretende fazer, mas que haja sim um aumento”, afirma o estudante Eduardo Mendes, da escola Margarida de Castro Almeida, no Conjunto Esperança. A afirmação de que a merenda é principalmente “suco com bolacha” se repete na escola.

Alimentação

A Seduc destaca que o Pnae segue princípios e diretrizes que garantem o oferecimento de uma alimentação escolar saudável e adequada. No Ceará, a secretaria “adotou o modelo de gestão escolarizada que fortalece a autonomia escolar e favorece a participação da comunidade”.

As sugestões de cardápio são definidas conforme as diretrizes do PNAE e adequadas por cada unidade escolar conforme a preferência dos alunos. Os nutricionistas do programa também acompanham a execução da verba, segundo a Seduc.

O professor da UFC ressalta que é justa a reivindicação dos alunos diante de falhas na gestão da merenda escolar, algumas delas históricas, como o desvio de verba. Ele pontua que há ainda uma concepção equivocada de que o aluno vai para a escola principalmente para comer. “Minha tese de doutorado mostrou o contrário: vão pelo conhecimento, pela ascensão social, pela escolarização do trabalho”, afirma.

“Há uma ideologia relacionada a visão das pessoas pobres de que se pode servir qualquer coisa”, critica. Ele também destaca a importância da fiscalização dos programas de merenda escolar em relação ao que é servido de acordo com o horário da refeição e conforme a necessidade dos alunos.

Para acessar a nota na íntegra do Cedeca, acesse este link.

Escolas ocupadas no Ceará:

1 CAIC MARIA ALVES CARIOCA – Bom Jardim – Fortaleza
2 ESCOLA POLIVALENTE – Juazeiro do Norte
3 EEFM JOÃO MATTOS – Montese – Fortaleza
4 COLÉGIO CASTELO BRANCO – Montese – Fortaleza
5 EEM GOVERNADOR ADAUTO BEZERRA – Bairro de Fátima – Fortaleza
6 EEFM JADER MOREIRA DE CARVALHO – Serrinha – Fortaleza
7 EEM MARIANO MARTINS – Henrique Jorge – Fortaleza
8 EEFM DOM ANTÔNIO DE ALMEIDA LUSTOSA – Edson Queiroz – Fortaleza
9 ESCOLA MARIA AMÉLIA BEZERRA – Juazeiro do Norte
10 EEFM IRAPUAN CAVALCANTE PINHEIRO – Conjunto Esperança – Fortaleza
11 LICEU DE MESSEJANA – Messejana – Fortaleza
12 EEFM DR. CESAR CALS – Farias Brito – Fortaleza
13 EEFM JOSÉ ALVES FIGUEIREDO – Crato
14 EEFM PADRE ROCHA – Fortaleza
15 EEFM MARECHAL HUMBERTO DE ALENCAR CASTELO BRANCO – Fortaleza
16 LICEU DO CRATO – Crato
17 LICEU DE MARACANAÚ – Maracanaú
18 EEFM ADAHIL BARRETO CAVALCANTE – Maracanaú
19 EEM PROFª: EUDES VERA – Maracanaú
20 EEFM MONSENHOR DOURADO – Padre Andrade – Fortaleza
21 EEFM ADALGISA BONFIM SOARES – Conjunto Esperança – Fortaleza
22 EEFM NOEL HUNGNEN DE O. PAIVA – Fortaleza
23 EEFM IRMÃO URBANO – Parque São José – Fortaleza
24 EEFM SENADOR OSIRES PONTES – Canindezinho – Fortaleza
25 EEFM JOÃO NOGUEIRA JUCÁ – Sapiranga – Fortaleza
26 EEFM HERÁCLITO DE CASTRO E SILVA – João XXIII – Fortaleza
27 EEFM JOSÉ BEZERRA DE MENEZES – Antônio Bezerra – Fortaleza
28 EEFM GENERAL EUDORO CORREA – Parangaba – Fortaleza
29 EEFM JOSÉ DE ALENCAR – Messejana – Fortaleza
30 ESCOLA POLIVALENTE MODELO DE FORTALEZA – José Walter – Fortaleza
31 LICEU DO CONJUNTO CEARÁ – Conj. Ceará I – Fortaleza
32 EEFM Dra. ALDACI BARBOSA – Conj. Palmeira – Fortaleza
33 EEFM WALTER DE SÁ CAVALCANTE – Cidade dos Funcionários – Fortaleza
34 EEFM DR. GENTIL BARREIRA UV2 – Conj. Ceará – Fortaleza
35 EEFM JOSÉ MARIA CAMPOS DE OLIVEIRA UV8 – Conj. Ceará – Fortaleza
36 EEFM ANTONIETA SIQUEIRA – Jóquei Clube – Fortaleza
37 EEFM DEP. PAULO BENEVIDES – Messejana – Fortaleza
38 EEFM LOURENÇO FILHO – Crateús
39 EEFM PROF. TELINA BARBOSA DA COSTA – Messejana – Fortaleza
40 EEFM PROF. MÁRIO SCHENBERG – Vila Manoel Sátiro – Fortaleza
41 EEFM MARIA CONCEIÇÃO DE ARAUJO – Aranaú – Acaraú
42 EEFM PROF. ANTONIO ALBUQUERQUE DE SOUSA FILHO – Iguatu
43 EEFM PREFEITO ANTONIO CONSERVA FEITOSA – Juazeiro do Norte
44 EEFM DOM HELDER C MARA – Jardim Guanabara – Fortaleza
45 EEFM CAIC DOM ANTÔNIO CAMPELO – Juazeiro do Norte
46 EEFM JULIA ALVES PESSOA – Autran Nunes – Fortaleza
47 COLÉGIO ESTADUAL LICEU DE CAUCAIA – Caucaia
48 EEFM LAURO REBOUÇAS DE OLIVEIRA – Limoeiro do Norte
49 EEFM ESTADO DO PARANÁ – Montese – Fortaleza
50 EEFM MARIA MARGARIDA DE CASTRO ALMEIDA – Conj. Esperança – Fortaleza
51 EEFM DONA MARIA MENEZES DE SERPA – Vila Velha – Fortaleza
52 EEFM TENENTE MÁRIO LIMA – Maracanaú