UFC nega que tenha expulso de sala aluna que assistia a aula fardada e armada

PROCESSO JUDICIAL

UFC nega que tenha expulso de sala aluna que assistia a aula fardada e armada

Em nota, a universidade se manifestou sobre o processo movido por policial aluna do curso de Letras, que alega ter sido retirada de sala por estar fardada

Por Rosana Romão em Cotidiano

21 de julho de 2016 às 12:50

Há 3 anos
O caso aconteceu em 2014 e UFC foi condenada a pagar indenização de R$ 16 mil. (FOTO: Davi Pinheiro/UFC Informa)

O caso aconteceu em 2014 e UFC foi condenada a pagar indenização de R$ 16 mil. (FOTO: Davi Pinheiro/UFC Informa)

O Conselho do Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará (UFC) se manifestou sobre um processo em andamento contra a instituição. Ele foi feito pela ex-aluna Emanuele Alves, que alega ter sido impedida de assistir aula no curso de Letras por estar armada e vestida com a farda do trabalho, e além de afirmar ter sofrido danos morais.

A UFC defende que a aluna foi chamada à direção e orientada a guardar a arma no cofre da instituição, mas que ela não concordou com a sugestão.

A aluna é militar e assistia à aula portando duas armas de fogo, motivo pelo qual seus colegas interpelaram a diretora do Centro sobre o mal estar causado nestas circunstâncias, havendo a diretora, no mesmo sentido, interpelado a aluna.

“Não é verdade que a aluna foi expulsa de sala ou do campus. A UFC possui regulamento que reserva exclusivamente ao Magnífico Reitor a prerrogativa de expulsão de alunos, e não sem, antes, garantir-lhes o direito à ampla defesa”, disse em nota.

A universidade também afirma que aluna não sofreu represália por estar fardada. “A estudante não foi e não será a última policial militar a sentar nos bancos desta universidade e a frequentar as aulas fardada, sem que com isso seja tratada de forma diferente dos demais alunos. O problema não foi o uso da farda militar, mas o porte das armas de fogo”, completa.

A entidade destaca que alunos e professores são livres para expressar suas opiniões e desenvolverem o pensamento científico e crítico. O conselho do CH considera que os tribunais são necessários à boa ordem social, mas discorda de que as relações devam sempre ser resolvidas sob acusações e reprimendas.

A instituição ressalta que a atitude de a diretora do centro, professora Vládia Maria Cabral Borges, foi no sentido de que a luna pudesse seguir com suas atividades em sala de aula e garantir que seus pares, assim como o professor que ministrava aula, se sentissem de igual modo tranquilos para ali prosseguirem. 

Entenda o caso

De acordo com a UFC, alunos se sentiram incomodados com a presença ostensiva de arma de fogo no recinto da sala de aula portada pela estudante. “Este Conselho partilha do entendimento segundo o qual armas de fogo são incompatíveis com o ambiente de uma sala de aula, e que não é necessário portá-las dentro do campus da Universidade, pois isto gera incômodo e desconforto entre todos”, argumenta.

A entidade informa que a professora Vládia agiu no sentido de, primeiramente, preservar a aluna de qualquer constrangimento, bem como de manter, como é seu dever, o ambiente de paz e favorável ao aprendizado, dentro do campus que está sob sua responsabilidade como gestora acadêmica.  “É por acreditar que ainda somos capazes de construir essa sociedade igualitária e plural, que não nos calamos ao vermos Vládia Borges, atual diretora do Centro de Humanidades, ser constrangida e punida pelo simples exercício de seu cargo”, declara.

Por fim, a nota expressa repúdio a qualquer tentativa de constranger professores no desenvolvimento de sua profissão, dentro dos limites do Estado Livre de Direito. “Tampouco, permitiremos que a tarefa nobilitante de formar sujeitos numa instituição de ensino superior seja ultrapassada por quaisquer instrumentos de coerção, que pretendam silenciar a tarefa do professor de promover, dentro de nossa instituição de ensino, o respeito, a tolerância e a paz de que nos fazemos todos credores na atual conjuntura em que vivemos”, finaliza.

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UFC nega que tenha expulso de sala aluna que assistia a aula fardada e armada

Em nota, a universidade se manifestou sobre o processo movido por policial aluna do curso de Letras, que alega ter sido retirada de sala por estar fardada

Por Rosana Romão em Cotidiano

21 de julho de 2016 às 12:50

Há 3 anos
O caso aconteceu em 2014 e UFC foi condenada a pagar indenização de R$ 16 mil. (FOTO: Davi Pinheiro/UFC Informa)

O caso aconteceu em 2014 e UFC foi condenada a pagar indenização de R$ 16 mil. (FOTO: Davi Pinheiro/UFC Informa)

O Conselho do Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará (UFC) se manifestou sobre um processo em andamento contra a instituição. Ele foi feito pela ex-aluna Emanuele Alves, que alega ter sido impedida de assistir aula no curso de Letras por estar armada e vestida com a farda do trabalho, e além de afirmar ter sofrido danos morais.

A UFC defende que a aluna foi chamada à direção e orientada a guardar a arma no cofre da instituição, mas que ela não concordou com a sugestão.

A aluna é militar e assistia à aula portando duas armas de fogo, motivo pelo qual seus colegas interpelaram a diretora do Centro sobre o mal estar causado nestas circunstâncias, havendo a diretora, no mesmo sentido, interpelado a aluna.

“Não é verdade que a aluna foi expulsa de sala ou do campus. A UFC possui regulamento que reserva exclusivamente ao Magnífico Reitor a prerrogativa de expulsão de alunos, e não sem, antes, garantir-lhes o direito à ampla defesa”, disse em nota.

A universidade também afirma que aluna não sofreu represália por estar fardada. “A estudante não foi e não será a última policial militar a sentar nos bancos desta universidade e a frequentar as aulas fardada, sem que com isso seja tratada de forma diferente dos demais alunos. O problema não foi o uso da farda militar, mas o porte das armas de fogo”, completa.

A entidade destaca que alunos e professores são livres para expressar suas opiniões e desenvolverem o pensamento científico e crítico. O conselho do CH considera que os tribunais são necessários à boa ordem social, mas discorda de que as relações devam sempre ser resolvidas sob acusações e reprimendas.

A instituição ressalta que a atitude de a diretora do centro, professora Vládia Maria Cabral Borges, foi no sentido de que a luna pudesse seguir com suas atividades em sala de aula e garantir que seus pares, assim como o professor que ministrava aula, se sentissem de igual modo tranquilos para ali prosseguirem. 

Entenda o caso

De acordo com a UFC, alunos se sentiram incomodados com a presença ostensiva de arma de fogo no recinto da sala de aula portada pela estudante. “Este Conselho partilha do entendimento segundo o qual armas de fogo são incompatíveis com o ambiente de uma sala de aula, e que não é necessário portá-las dentro do campus da Universidade, pois isto gera incômodo e desconforto entre todos”, argumenta.

A entidade informa que a professora Vládia agiu no sentido de, primeiramente, preservar a aluna de qualquer constrangimento, bem como de manter, como é seu dever, o ambiente de paz e favorável ao aprendizado, dentro do campus que está sob sua responsabilidade como gestora acadêmica.  “É por acreditar que ainda somos capazes de construir essa sociedade igualitária e plural, que não nos calamos ao vermos Vládia Borges, atual diretora do Centro de Humanidades, ser constrangida e punida pelo simples exercício de seu cargo”, declara.

Por fim, a nota expressa repúdio a qualquer tentativa de constranger professores no desenvolvimento de sua profissão, dentro dos limites do Estado Livre de Direito. “Tampouco, permitiremos que a tarefa nobilitante de formar sujeitos numa instituição de ensino superior seja ultrapassada por quaisquer instrumentos de coerção, que pretendam silenciar a tarefa do professor de promover, dentro de nossa instituição de ensino, o respeito, a tolerância e a paz de que nos fazemos todos credores na atual conjuntura em que vivemos”, finaliza.