Sem Castanhão, Região Metropolitana de Fortaleza já estaria em colapso hídrico


Sem o Castanhão, Região Metropolitana de Fortaleza já estaria em colapso hídrico

Mesmo com apenas 35% de sua capacidade, seu pior estágio em uma década de existência, o maior açude da América Latina é garantia de abastecimento até 2015

Por Hayanne Narlla em Cotidiano

7 de agosto de 2014 às 08:00

Há 5 anos
Castanhão secou muito e atingiu 35% de sua capacidade. Com isso, a cidade submersa de Jaguaribara começou a reaparecer (FOTO: Divulgação/ Dnocs)

Castanhão atingiu 35% de sua capacidade. Com isso, a cidade submersa de Jaguaribara reapareceu (FOTO: Divulgação/ Dnocs)

O Ceará estaria com graves problemas sociais e econômicos caso não existisse o açude Castanhão, o maior da América Latina. A situação seria ainda pior para a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), que já teria entrado em colapso hídrico desde 2013.

Berthyer Peixoto, chefe de gabinete da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), explica que a água do açude é usada para consumo humano, além de abastecer todas as indústrias da região. “Inclusive o Complexo do Pecém seria um dos afetados”.

Dessa forma, além dos problemas sociais  – como a falta de higiene, fome e proliferação de doença -, a economia local já estaria em declínio desde o ano passado.

Após dois anos intensos de seca, a situação no estado não é fácil e a falta de água atinge níveis alarmantes. Até o gigante que represa água do rio Jaguaribe sofre – atualmente, abastecido com 35% de sua capacidade. Mesmo assim, Berthyer Peixoto assegura que a água está garantida à RMF pelo menos até o fim de 2015.

“O consumo da Região Metropolitana é de cerca de 110 milhões de metros cúbicos de água. Como o Castanhão tem 2,4 bilhões, mesmo que não haja quadra chuvosa, ele suporta o abastecimento até o fim de 2015. Por isso, temos abastecimento humano e para indústrias. E a RMF ainda tem uma segurança hídrica, que é o Orós”, revelou.

O fato é que, caso o Castanhão seque e entre em estado alarmante, o açude Orós já estaria pronto para abastecer a região. Atualmente, ele está com 59,29% de seu volume preenchido. Além do abastecimento estratégico, a Cogerh conta com o fim das obras da transposição do Rio São Francisco em 2015, que garantiria o abastecimento do Castanhão.

Orós é garantia em caso de colapso no Castanhão (FOTO: Dnocs/ Divulgação)

Orós é garantia em caso de colapso no Castanhão (FOTO: Dnocs/ Divulgação)

Alvo de polêmicas

Quem diria que o açude que teve construção bastante contestada garantiria o abastecimento de grande parte da população cearense em tempos difíceis? A criação do Castanhão foi criticada durante boa parte da década de 1990. Concluído em 2003, foram várias manifestações contra e a favor, que envolviam principalmente questões socioambientais.

Entre os impactos mais comentados, estavam a erosão fluvial; a alteração na atividade pesqueira e na qualidade da água; e a salinização dos solos utilizados para agricultura. Mas o maior impacto foi relação à extinção de parte do município de Jaguaribara, onde muitos tiveram que se despedir do lugar onde cresceram e foram felizes.

Sem o Castanhão, como aponta Berthyer Peixoto, possivelmente Fortaleza estaria fazendo agora racionamento de água para enfrentar mais uma fase de seca.

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Sem o Castanhão, Região Metropolitana de Fortaleza já estaria em colapso hídrico

Mesmo com apenas 35% de sua capacidade, seu pior estágio em uma década de existência, o maior açude da América Latina é garantia de abastecimento até 2015

Por Hayanne Narlla em Cotidiano

7 de agosto de 2014 às 08:00

Há 5 anos
Castanhão secou muito e atingiu 35% de sua capacidade. Com isso, a cidade submersa de Jaguaribara começou a reaparecer (FOTO: Divulgação/ Dnocs)

Castanhão atingiu 35% de sua capacidade. Com isso, a cidade submersa de Jaguaribara reapareceu (FOTO: Divulgação/ Dnocs)

O Ceará estaria com graves problemas sociais e econômicos caso não existisse o açude Castanhão, o maior da América Latina. A situação seria ainda pior para a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), que já teria entrado em colapso hídrico desde 2013.

Berthyer Peixoto, chefe de gabinete da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), explica que a água do açude é usada para consumo humano, além de abastecer todas as indústrias da região. “Inclusive o Complexo do Pecém seria um dos afetados”.

Dessa forma, além dos problemas sociais  – como a falta de higiene, fome e proliferação de doença -, a economia local já estaria em declínio desde o ano passado.

Após dois anos intensos de seca, a situação no estado não é fácil e a falta de água atinge níveis alarmantes. Até o gigante que represa água do rio Jaguaribe sofre – atualmente, abastecido com 35% de sua capacidade. Mesmo assim, Berthyer Peixoto assegura que a água está garantida à RMF pelo menos até o fim de 2015.

“O consumo da Região Metropolitana é de cerca de 110 milhões de metros cúbicos de água. Como o Castanhão tem 2,4 bilhões, mesmo que não haja quadra chuvosa, ele suporta o abastecimento até o fim de 2015. Por isso, temos abastecimento humano e para indústrias. E a RMF ainda tem uma segurança hídrica, que é o Orós”, revelou.

O fato é que, caso o Castanhão seque e entre em estado alarmante, o açude Orós já estaria pronto para abastecer a região. Atualmente, ele está com 59,29% de seu volume preenchido. Além do abastecimento estratégico, a Cogerh conta com o fim das obras da transposição do Rio São Francisco em 2015, que garantiria o abastecimento do Castanhão.

Orós é garantia em caso de colapso no Castanhão (FOTO: Dnocs/ Divulgação)

Orós é garantia em caso de colapso no Castanhão (FOTO: Dnocs/ Divulgação)

Alvo de polêmicas

Quem diria que o açude que teve construção bastante contestada garantiria o abastecimento de grande parte da população cearense em tempos difíceis? A criação do Castanhão foi criticada durante boa parte da década de 1990. Concluído em 2003, foram várias manifestações contra e a favor, que envolviam principalmente questões socioambientais.

Entre os impactos mais comentados, estavam a erosão fluvial; a alteração na atividade pesqueira e na qualidade da água; e a salinização dos solos utilizados para agricultura. Mas o maior impacto foi relação à extinção de parte do município de Jaguaribara, onde muitos tiveram que se despedir do lugar onde cresceram e foram felizes.

Sem o Castanhão, como aponta Berthyer Peixoto, possivelmente Fortaleza estaria fazendo agora racionamento de água para enfrentar mais uma fase de seca.