A imprensa tem se posicionado à altura da expectativa da sociedade, diz Boechat

DEBATE NA FIEC

Ricardo Boechat considera que a imprensa se posiciona à altura da expectativa da sociedade

Âncora da BandNews FM, Ricardo Boechat falou sobre expectativas para o futuro em debate na Fiec

Por Jéssica Welma em Cotidiano

27 de junho de 2016 às 15:58

Há 3 anos
Ricardo Boechat participou de debate na Fiec sobre Crise, Imprensa e o Horizonte Visível (FOTO: Jéssica Welma/ Tribuna do Ceará)

Ricardo Boechat participou de debate na Fiec sobre Crise, Imprensa e o Horizonte Visível (FOTO: Jéssica Welma/ Tribuna do Ceará)

Um dos expoentes do jornalismo brasileiro, o âncora da rádio Bandnews FM e do Jornal da Band, Ricardo Boechat, defendeu a cobertura da imprensa sobre a crise política no Brasil, envolvendo o impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff (PT). Ele foi o convidado do Fórum Ideias em Debate, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) nesta segunda-feira (27), e tratou sobre o tema “Imprensa, Crise e o Horizonte Visível”. O debate foi mediado pela diretora de jornalismo do Sistema Jangadeiro, Isabela Martin.

“Do ponto de vista do conjunto, apesar de uma crítica ou outra ao trabalho da imprensa na cobertura da crise, ficamos com resultado mais positivo que negativo”, pontuou o jornalista. Boechat ressaltou que as posições passionais que dividiram a sociedade, principalmente em relação ao impeachment motivaram as críticas sobre a cobertura.

“Uma análise mais fria do processo da cobertura política ao longo da crise mostrará que ela deu mais espaço a uma tendência das duas em discussão, e isso é mais do que natural, porque a tendência que recebeu maior acolhida no noticiário foi a que maior identidade tinha com a opinião pública. (…) O volume de informações, de espaço, de colunistas, de comentários, de toda cobertura ao longo da crise, se deu com maior dedicação ao movimento pró-impeachment, porque era o que encontrava maior ressonância nas ruas. Não especificamente por uma questão de engajamento desse noticiário, ainda que, editorialmente, os jornais tenham caminhado para esse tipo de postura também”, afirmou.

“Não fosse a imprensa, muitas das notícias que definiram o posicionamento da classe política e o ritmo como essa classe política vem reagindo, essas informações não teriam vindo a público. (…) A imprensa está fazendo uma cobertura a altura das expectativas, não que haja nenhum mérito nisso, isso é dever dela, não estou fazendo elogio”.

Impeachment Collor x Dilma

Jornalista experiente e com três prêmios Esso na carreira, Boechat traçou um paralelo entre a cobertura jornalística no impeachment do ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Melo e de Dilma Rousseff. Ele ponderou que, na década de 1990, o jornalismo foi mais investigativo do que hoje. No entanto, os cenários são diferentes.

“Vivemos em outro contexto tecnológico, jurídico, com um Ministério Público atuante, produzindo informações. O Brasil nunca viveu um processo com a dimensão e as consequência da Lava Jato”, frisou. Para ele, é natural que a imprensa esteja “bebendo da fonte” da quantidade de informações produzidas nas investigações.

O jornalista também respondeu perguntas sobre como as novas tecnologias estão influenciando o trabalho jornalístico. Boechat recordou o início de sua carreira, quando se imaginava como “testemunha ocular da história”. Ele afirmou que, anos depois, repensou a crença e percebeu que não era ele a testemunha ocular, mas a pessoa a quem as testemunhas oculares buscavam para ter voz em um espaço que não as pertencia. Para Boechat, os jornalistas precisam rever o relacionamento com as fontes, tratando-as não apenas como uma pessoa que repassa conteúdo, mas que pode ter voz por ela mesma.

Futuro

Ricardo Boechat também fez ponderações sobre a situação da crise atual que, para ele, “se ainda não chegou ao fundo do poço, está muito perto”. Ele acredita que há um “horizonte visível” para o problema até 2018, data de novas eleições presidenciais. Ainda assim, pontua que “o grande desafio colocado para a sociedade e para a classe política, num prazo que precisa ser curto, é a repactuação da relação do Estado com sociedade”.

“Assuntos de natureza política que, antes, não motivavam o interesse de praticamente ninguém, de repente, viraram o assunto do cotidiano de todos nós. (…) Essa mudança de perfil da sociedade brasileira, associada à um quadro de crise que castiga quase 13 milhões de trabalhadores, associada à perda de perspectiva, projetam 2018 como um acerto de contas, uma oportunidade de mudar a longo prazo”, pontuou Boechat.

“Não temos alternativa à política, mas temos alternativa à política que está aí”

Bolsonaro

Um dos momentos de descontração na palestra de Boechat foi quando ele respondeu ao questionamento de um participante sobre possível candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) à presidência da República em 2018.

“Acho problemático para uma democracia onde as instituições são cronicamente frágeis, você botar uma figura como o ‘Jacaré’ no poder”, afirmou Boechat, chamando Bolsonaro por apelido ao qual se chamam mutuamente há longa data.

http://mais.uol.com.br/view/15909369

Boechat não acredita que, no Brasil, haverá apoio a uma candidatura de extrema direita. Em relação às eleições de 2016, ele pontuou que trará mudanças importantes para a conjuntura. “Ela vai ser um ajuste de contas da classe política”, afirmou.

Fiec

EMMY AWARDS RED CARPET DRESSES

O presidente da Fiec, Beto Studart, destacou a importância em se debater temas importantes dos cenários político e econômico. Para ele, o momento é de recuperação da crise, após o país ter chegado “ao fundo do túnel”. “O desemprego continua acontecendo, mas já em menor ritmo, atividade econômica já não cai, é o momento da inflexão. Se a gente conseguir arrendondar esse receio político de uma surpresa aqui e acolá, estaremos preparados. O empresariado é muito resiliente e muito forte”, pontuou.

O Fórum Ideias em Debate há mais de dois anos realiza reflexões acerca de temas relevantes no cenário local e nacional. A iniciativa conta com uma série de palestras com personalidades de diversas áreas para trazer informações atualizadas, visando o fortalecimento do setor produtivo e desenvolvimento de toda a sociedade. Já foram convidados do evento nomes como os economistas Maílson da Nóbrega e Paulo Rabello de Castro; o historiador Marco Antonio Villa; o CEO da CSP, Sérgio Leite; o embaixador da Coreia no Brasil, Bon-woo Koo; o jornalista Merval Pereira; o autor e pesquisador Augusto Cury; os jornalistas William Waack, Dony de Nuccio e Miriam Leitão; o ministro do TCU, Augusto Nardes; dentre outros.

Antes do evento, Boechat apresentou seu programa na Bandnews FM, ao vivo, direto de cabine móvel na Casa da Indústria. A presença do jornalista atraiu dezenas de admiradores de sua carreira que se fizeram fila para assistir ao programa e fazerem fotos com o jornalista.

Confira mais um vídeo da palestra de Boechat:

http://mais.uol.com.br/view/15909398

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DEBATE NA FIEC

Ricardo Boechat considera que a imprensa se posiciona à altura da expectativa da sociedade

Âncora da BandNews FM, Ricardo Boechat falou sobre expectativas para o futuro em debate na Fiec

Por Jéssica Welma em Cotidiano

27 de junho de 2016 às 15:58

Há 3 anos
Ricardo Boechat participou de debate na Fiec sobre Crise, Imprensa e o Horizonte Visível (FOTO: Jéssica Welma/ Tribuna do Ceará)

Ricardo Boechat participou de debate na Fiec sobre Crise, Imprensa e o Horizonte Visível (FOTO: Jéssica Welma/ Tribuna do Ceará)

Um dos expoentes do jornalismo brasileiro, o âncora da rádio Bandnews FM e do Jornal da Band, Ricardo Boechat, defendeu a cobertura da imprensa sobre a crise política no Brasil, envolvendo o impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff (PT). Ele foi o convidado do Fórum Ideias em Debate, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) nesta segunda-feira (27), e tratou sobre o tema “Imprensa, Crise e o Horizonte Visível”. O debate foi mediado pela diretora de jornalismo do Sistema Jangadeiro, Isabela Martin.

“Do ponto de vista do conjunto, apesar de uma crítica ou outra ao trabalho da imprensa na cobertura da crise, ficamos com resultado mais positivo que negativo”, pontuou o jornalista. Boechat ressaltou que as posições passionais que dividiram a sociedade, principalmente em relação ao impeachment motivaram as críticas sobre a cobertura.

“Uma análise mais fria do processo da cobertura política ao longo da crise mostrará que ela deu mais espaço a uma tendência das duas em discussão, e isso é mais do que natural, porque a tendência que recebeu maior acolhida no noticiário foi a que maior identidade tinha com a opinião pública. (…) O volume de informações, de espaço, de colunistas, de comentários, de toda cobertura ao longo da crise, se deu com maior dedicação ao movimento pró-impeachment, porque era o que encontrava maior ressonância nas ruas. Não especificamente por uma questão de engajamento desse noticiário, ainda que, editorialmente, os jornais tenham caminhado para esse tipo de postura também”, afirmou.

“Não fosse a imprensa, muitas das notícias que definiram o posicionamento da classe política e o ritmo como essa classe política vem reagindo, essas informações não teriam vindo a público. (…) A imprensa está fazendo uma cobertura a altura das expectativas, não que haja nenhum mérito nisso, isso é dever dela, não estou fazendo elogio”.

Impeachment Collor x Dilma

Jornalista experiente e com três prêmios Esso na carreira, Boechat traçou um paralelo entre a cobertura jornalística no impeachment do ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Melo e de Dilma Rousseff. Ele ponderou que, na década de 1990, o jornalismo foi mais investigativo do que hoje. No entanto, os cenários são diferentes.

“Vivemos em outro contexto tecnológico, jurídico, com um Ministério Público atuante, produzindo informações. O Brasil nunca viveu um processo com a dimensão e as consequência da Lava Jato”, frisou. Para ele, é natural que a imprensa esteja “bebendo da fonte” da quantidade de informações produzidas nas investigações.

O jornalista também respondeu perguntas sobre como as novas tecnologias estão influenciando o trabalho jornalístico. Boechat recordou o início de sua carreira, quando se imaginava como “testemunha ocular da história”. Ele afirmou que, anos depois, repensou a crença e percebeu que não era ele a testemunha ocular, mas a pessoa a quem as testemunhas oculares buscavam para ter voz em um espaço que não as pertencia. Para Boechat, os jornalistas precisam rever o relacionamento com as fontes, tratando-as não apenas como uma pessoa que repassa conteúdo, mas que pode ter voz por ela mesma.

Futuro

Ricardo Boechat também fez ponderações sobre a situação da crise atual que, para ele, “se ainda não chegou ao fundo do poço, está muito perto”. Ele acredita que há um “horizonte visível” para o problema até 2018, data de novas eleições presidenciais. Ainda assim, pontua que “o grande desafio colocado para a sociedade e para a classe política, num prazo que precisa ser curto, é a repactuação da relação do Estado com sociedade”.

“Assuntos de natureza política que, antes, não motivavam o interesse de praticamente ninguém, de repente, viraram o assunto do cotidiano de todos nós. (…) Essa mudança de perfil da sociedade brasileira, associada à um quadro de crise que castiga quase 13 milhões de trabalhadores, associada à perda de perspectiva, projetam 2018 como um acerto de contas, uma oportunidade de mudar a longo prazo”, pontuou Boechat.

“Não temos alternativa à política, mas temos alternativa à política que está aí”

Bolsonaro

Um dos momentos de descontração na palestra de Boechat foi quando ele respondeu ao questionamento de um participante sobre possível candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) à presidência da República em 2018.

“Acho problemático para uma democracia onde as instituições são cronicamente frágeis, você botar uma figura como o ‘Jacaré’ no poder”, afirmou Boechat, chamando Bolsonaro por apelido ao qual se chamam mutuamente há longa data.

http://mais.uol.com.br/view/15909369

Boechat não acredita que, no Brasil, haverá apoio a uma candidatura de extrema direita. Em relação às eleições de 2016, ele pontuou que trará mudanças importantes para a conjuntura. “Ela vai ser um ajuste de contas da classe política”, afirmou.

Fiec

EMMY AWARDS RED CARPET DRESSES

O presidente da Fiec, Beto Studart, destacou a importância em se debater temas importantes dos cenários político e econômico. Para ele, o momento é de recuperação da crise, após o país ter chegado “ao fundo do túnel”. “O desemprego continua acontecendo, mas já em menor ritmo, atividade econômica já não cai, é o momento da inflexão. Se a gente conseguir arrendondar esse receio político de uma surpresa aqui e acolá, estaremos preparados. O empresariado é muito resiliente e muito forte”, pontuou.

O Fórum Ideias em Debate há mais de dois anos realiza reflexões acerca de temas relevantes no cenário local e nacional. A iniciativa conta com uma série de palestras com personalidades de diversas áreas para trazer informações atualizadas, visando o fortalecimento do setor produtivo e desenvolvimento de toda a sociedade. Já foram convidados do evento nomes como os economistas Maílson da Nóbrega e Paulo Rabello de Castro; o historiador Marco Antonio Villa; o CEO da CSP, Sérgio Leite; o embaixador da Coreia no Brasil, Bon-woo Koo; o jornalista Merval Pereira; o autor e pesquisador Augusto Cury; os jornalistas William Waack, Dony de Nuccio e Miriam Leitão; o ministro do TCU, Augusto Nardes; dentre outros.

Antes do evento, Boechat apresentou seu programa na Bandnews FM, ao vivo, direto de cabine móvel na Casa da Indústria. A presença do jornalista atraiu dezenas de admiradores de sua carreira que se fizeram fila para assistir ao programa e fazerem fotos com o jornalista.

Confira mais um vídeo da palestra de Boechat:

http://mais.uol.com.br/view/15909398