Park, Palace ou Residence: prédios de Fortaleza são uma farra de palavras em inglês


Park, Palace ou Residence: prédios de Fortaleza são uma farra de palavras em inglês

Edifícios são batizados com nomes em inglês com objetivo de serem mais chiques. Porém, em empreendimentos para a classe C, preferência é pelo português

Por Hayanne Narlla em Cotidiano

13 de agosto de 2014 às 08:00

Há 5 anos
Edifícios são batizados como nomes em inglês com objetivo de ser mais chique (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Edifícios são batizados como nomes em inglês com objetivo de ser mais chique (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Não é de hoje que nomes estrangeiros compõem a rotina dos brasileiros. Em Fortaleza, por exemplo, ao caminhar pelas ruas, nos deparamos com carros, comércios e até com nome de pessoas em inglês ou em outros idiomas. Especialmente com condomínios residenciais, não é diferente.

Nos bairros mais nobres, parece que caminhamos por uma rua dos Estados Unidos, devido aos Park, Palace, Place e Residence acompanhados de outros nomes que batizam os prédios. Algumas expressões nem americanos ou ingleses entenderiam, devido à mistura de idiomas.

O professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) Leonel de Alencar Araripe, que faz parte do departamento de Letras Estrangeiras, justifica a utilização de tais expressões devido à valorização, até mesmo excessiva, ao que vem de fora.

“O nome em inglês traz um prestígio. Com isso, as pessoas querem atribuir alguma qualidade adicional ao imóvel. Essa valorização de fora favorece uma cultura específica. No passado, havia a tendência de dar nomes de ilhas gregas, espanholas ou em francês aos prédios. Só depois que passou para o inglês”.

Nome comercial

Porém, o nome de um condomínio não é escolhido por acaso. É realizado um estudo, baseado no conceito do empreendimento e no público-alvo. Geralmente, quando as vendas são direcionadas para a classe A ou B (com maior rendimento), a escolha beira entre o inglês e o francês, por ter um ar mais requintado.

“O nome não influencia diretamente na compra do imóvel. O que é analisado é a área de lazer, se o apartamento é bem dividido, quem é o arquiteto. Mas o nome é um detalhe que pode agregar. Ele é a base da comunicação e de como vamos trabalhar com o empreendimento”, explica Tiago Arcoverde, que faz parte do marketing da Diagonal.

Nome chique
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Mistura de idiomas em nome de prédios confunde até estrangeiros (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

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Mistura de idiomas em nome de prédios confunde até estrangeiros (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

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Mistura de idiomas em nome de prédios confunde até estrangeiros (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

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Mistura de idiomas em nome de prédios confunde até estrangeiros (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

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Mistura de idiomas em nome de prédios confunde até estrangeiros (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

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Mistura de idiomas em nome de prédios confunde até estrangeiros (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Hugo Lopes, professor universitário e diretor de criação da Index Digital, acredita que não haja desvalorização da cultura local com estrangeirismos, nem preconceitos xenófobos. Para ele, tudo fazer parte de um conceito.

“Se eu vou desenvolver um produto, seja ele um empreendimento imobiliário ou um restaurante e resolver chamá-lo com o nome de um artista francês, por que não utilizar na minha comunicação visual o nome de suas obras? Faz parte de uma pesquisa e aquilo fará inclusive com que alguém saiba quem é aquele artista e o que significam aqueles nomes”, justifica.

De qualquer modo, o requinte ainda fica destinado às classes A e B, já que ainda há um questionamento em como trabalhar com a classe C. “Existem muitos termos que acabam ficando, seja qual classe for. Quem nunca falou que ia comer um dogão referindo-se ao americano hot dog? Mesmo tendo cachorro-quente como termo equivalente em português?”.

Questão cultural

Comercial ou não, a valorização das expressões estrangeiras em demasia aponta uma crise de identidade local. Dessa forma, o fortalezense revela, com base nesse comportamento, um descuido com sua própria cultura. “Em Recife, andei pela orla e vi vários prédios luxuosos com nomes em português, sobretudo Maria”, revela Leonel.

Para ele, o problema não é utilizar uma palavra em inglês de uma coisa que não existe no Brasil, como a internet ou o mouse. “O problema é quando já existe uma palavra em português e você prefere usar uma em inglês para a mesma coisa. Não somos americanos. Nem seremos, por mais que nos esforcemos para isso”, avalia Leonel.

Se os prédios de Fortaleza se apoderassem dos nomes indígenas ou regionais – que fazem parte da fala do cearense –, talvez houvesse um destaque da essência local. Porém, com essa medida, o setor comercial poderia não sair ganhando. Pelo menos é o conceito formado pelas empresas.

Nome em português
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Nome em português

Meridiano e Navegantes. Condomínios em bairros de classe C com nome em português

Nome em português
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Reserva Passaré. Condomínios em bairros de classe C com nome em português

Nome em português
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Nome em português

Atlântico Sul. Condomínios em bairros de classe C com nome em português

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Park, Palace ou Residence: prédios de Fortaleza são uma farra de palavras em inglês

Edifícios são batizados com nomes em inglês com objetivo de serem mais chiques. Porém, em empreendimentos para a classe C, preferência é pelo português

Por Hayanne Narlla em Cotidiano

13 de agosto de 2014 às 08:00

Há 5 anos
Edifícios são batizados como nomes em inglês com objetivo de ser mais chique (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Edifícios são batizados como nomes em inglês com objetivo de ser mais chique (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Não é de hoje que nomes estrangeiros compõem a rotina dos brasileiros. Em Fortaleza, por exemplo, ao caminhar pelas ruas, nos deparamos com carros, comércios e até com nome de pessoas em inglês ou em outros idiomas. Especialmente com condomínios residenciais, não é diferente.

Nos bairros mais nobres, parece que caminhamos por uma rua dos Estados Unidos, devido aos Park, Palace, Place e Residence acompanhados de outros nomes que batizam os prédios. Algumas expressões nem americanos ou ingleses entenderiam, devido à mistura de idiomas.

O professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) Leonel de Alencar Araripe, que faz parte do departamento de Letras Estrangeiras, justifica a utilização de tais expressões devido à valorização, até mesmo excessiva, ao que vem de fora.

“O nome em inglês traz um prestígio. Com isso, as pessoas querem atribuir alguma qualidade adicional ao imóvel. Essa valorização de fora favorece uma cultura específica. No passado, havia a tendência de dar nomes de ilhas gregas, espanholas ou em francês aos prédios. Só depois que passou para o inglês”.

Nome comercial

Porém, o nome de um condomínio não é escolhido por acaso. É realizado um estudo, baseado no conceito do empreendimento e no público-alvo. Geralmente, quando as vendas são direcionadas para a classe A ou B (com maior rendimento), a escolha beira entre o inglês e o francês, por ter um ar mais requintado.

“O nome não influencia diretamente na compra do imóvel. O que é analisado é a área de lazer, se o apartamento é bem dividido, quem é o arquiteto. Mas o nome é um detalhe que pode agregar. Ele é a base da comunicação e de como vamos trabalhar com o empreendimento”, explica Tiago Arcoverde, que faz parte do marketing da Diagonal.

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Mistura de idiomas em nome de prédios confunde até estrangeiros (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

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Mistura de idiomas em nome de prédios confunde até estrangeiros (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

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Mistura de idiomas em nome de prédios confunde até estrangeiros (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

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Mistura de idiomas em nome de prédios confunde até estrangeiros (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

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Mistura de idiomas em nome de prédios confunde até estrangeiros (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

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Mistura de idiomas em nome de prédios confunde até estrangeiros (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

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Mistura de idiomas em nome de prédios confunde até estrangeiros (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Hugo Lopes, professor universitário e diretor de criação da Index Digital, acredita que não haja desvalorização da cultura local com estrangeirismos, nem preconceitos xenófobos. Para ele, tudo fazer parte de um conceito.

“Se eu vou desenvolver um produto, seja ele um empreendimento imobiliário ou um restaurante e resolver chamá-lo com o nome de um artista francês, por que não utilizar na minha comunicação visual o nome de suas obras? Faz parte de uma pesquisa e aquilo fará inclusive com que alguém saiba quem é aquele artista e o que significam aqueles nomes”, justifica.

De qualquer modo, o requinte ainda fica destinado às classes A e B, já que ainda há um questionamento em como trabalhar com a classe C. “Existem muitos termos que acabam ficando, seja qual classe for. Quem nunca falou que ia comer um dogão referindo-se ao americano hot dog? Mesmo tendo cachorro-quente como termo equivalente em português?”.

Questão cultural

Comercial ou não, a valorização das expressões estrangeiras em demasia aponta uma crise de identidade local. Dessa forma, o fortalezense revela, com base nesse comportamento, um descuido com sua própria cultura. “Em Recife, andei pela orla e vi vários prédios luxuosos com nomes em português, sobretudo Maria”, revela Leonel.

Para ele, o problema não é utilizar uma palavra em inglês de uma coisa que não existe no Brasil, como a internet ou o mouse. “O problema é quando já existe uma palavra em português e você prefere usar uma em inglês para a mesma coisa. Não somos americanos. Nem seremos, por mais que nos esforcemos para isso”, avalia Leonel.

Se os prédios de Fortaleza se apoderassem dos nomes indígenas ou regionais – que fazem parte da fala do cearense –, talvez houvesse um destaque da essência local. Porém, com essa medida, o setor comercial poderia não sair ganhando. Pelo menos é o conceito formado pelas empresas.

Nome em português
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Nome em português

Meridiano e Navegantes. Condomínios em bairros de classe C com nome em português

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Reserva Passaré. Condomínios em bairros de classe C com nome em português

Nome em português
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Nome em português

Atlântico Sul. Condomínios em bairros de classe C com nome em português