Motorista colide em bicicleta e registra BO para se proteger de reclamações de ciclista


Motorista colide em bicicleta e registra BO contra ciclista para se proteger de reclamações na Justiça

Após o acidente, registrado na Aldeota, o motorista defendeu que bicicleta não é meio de transporte. “Se é meio de transporte, cadê a placa?”

Por Roberta Tavares em Cotidiano

4 de dezembro de 2014 às 10:00

Há 5 anos
Ciclista foi arrastado por carro em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Leonardo Ribeiro)

Ciclista foi arrastado por carro em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Leonardo Ribeiro)

Com o aumento do número de ciclistas trafegando nas vias, mais acidentes envolvendo bicicletas são registrados em Fortaleza. Um fato curioso ocorreu na ciclofaixa da Avenida Santos Dumont, no cruzamento com a Avenida Senador Virgílio Távora, na Aldeota. O motorista de um carro colidiu em uma bicicleta e registrou um Boletim de Ocorrência (BO) com o objetivo de se proteger contra possíveis reclamações do ciclista.

O fato aconteceu na segunda-feira (1º) e causou repercussão em redes sociais. Em publicação no Facebook, o ciclista Leonardo Ribeiro, estudante de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), explica que trafegava na ciclofaixa, no sinal verde do semáforo, quando teria sido surpreendido por um carro. “Como sempre, olho para o lado para ver se está com o pisca-alerta ligado. Nenhum sinal que dobraria na Virgílio Távora. Tranquilo, vou reto. Quando, de repente, o carro decide dobrar”, conta.

O resultado foi desagradável. O pedal da bicicleta ficou preso no carro e o jovem foi arrastado, conforme ele conta. “Bato com a mão no vidro da porta traseira esquerda e grito, para alertar. Mas de nada adiantou. Fiz a curva completa com o veículo e, quando terminei de fazer a conversão, meu pedal se desprendeu e cai no asfalto de 12h30”.

Leonardo ficou no chão sem acreditar no que tinha acontecido, já que estava na faixa destinada ao uso de bicicletas. Ao se levantar, o carro reduziu a velocidade. “Pensei que iriam me ajudar. Mas não. Coloquei minha bicicleta no ombro e gesticulei querendo dizer: ‘Vão ficar aí parados? Não vão me ajudar?’. Arrancar e continuar seu destino foram os gestos de resposta. Sentimento de raiva e impotência resume o que senti”, admite.

“Bicicleta não é meio de transporte”

Momentos após o acidente, o estudante encontrou o carro envolvido no acidente estacionado próximo à Avenida Dom Luís. “Tinham dois arranhões na altura do pedal e na altura do guidão”, lembra. De acordo com Leonardo, o motorista chegou ao local e aproveitou para informar que o ciclista havia batido em seu carro e deveria pagar pelos arranhões. “Você que estava atrás do meu carro e me atropelou. Você deveria ter freado e deixado eu passar, ele dizia (…) Ainda veio se gabar dos seus 60 anos como motorista e que nunca havia se envolvido em um acidente”.

Mais de 1,2 mil pessoas compartilharam a publicação (IMAGEM: Reprodução/Facebook)

Mais de 1,2 mil pessoas compartilharam a publicação (IMAGEM: Reprodução/Facebook)

Para completar, de acordo com o ciclista, o condutor do carro ainda teria citado frases, como “bicicleta não é meio de transporte”, “se é meio de transporte, cadê a placa?”; e “bicicleta é que nem pedestre, tem que ficar na calçada”.

Ambos registraram Boletim de Ocorrência no 2º Distrito Policial, no Meireles. O motorista envolvido no acidente, Ivan Ari, conversou com o Tribuna do Ceará e informou que o pisca-alerta estaria ligado sim, indicando que faria conversão à esquerda, na Avenida Virgílio Távora.

“Eu nem cheguei a ver. Ele bateu na porta traseira do carro, ouvi a pancada, minha esposa gritou dizendo que tinha uma pessoa querendo quebrar a porta, pensando que era um assaltante”. Segundo explicou, Ivan trafegou por cerca de 50 metros e viu que era um ciclista. “Ele caiu da bicicleta, levantou, vi que não aconteceu nada e fui embora”, admite.

De acordo com o motorista, o ciclista o ameaçou informando que já tinha obtido todos os dados dele, como telefone e endereço. A fim de se proteger, resolveu registrar um BO contra o estudante. “Foi imprudente, irresponsável e perigoso. É um marginal. Eu vou novamente à polícia para saber como conseguiu o meu endereço”, disse.

Já o ciclista registrou o boletim para declarar o que, na sua visão dos fatos, aconteceu, além de ter feito exame de corpo de delito. “Ele queria que eu o levasse ao hospital, mas foi uma coisa besta, bastava colocar um curativo e estava resolvido. Bicicleta não é veículo. Cadê a placa? Cadê a sinaleira? Tem que parar, observar. Só porque está em cima de duas rodas não quer dizer que é veículo”, finaliza o condutor do automóvel.

Tribuna do Ceará entrou em contato o 2º Distrito Policial, mas a polícia não pode se pronunciar sobre o assunto.

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Motorista colide em bicicleta e registra BO contra ciclista para se proteger de reclamações na Justiça

Após o acidente, registrado na Aldeota, o motorista defendeu que bicicleta não é meio de transporte. “Se é meio de transporte, cadê a placa?”

Por Roberta Tavares em Cotidiano

4 de dezembro de 2014 às 10:00

Há 5 anos
Ciclista foi arrastado por carro em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Leonardo Ribeiro)

Ciclista foi arrastado por carro em Fortaleza (FOTO: Arquivo pessoal/Leonardo Ribeiro)

Com o aumento do número de ciclistas trafegando nas vias, mais acidentes envolvendo bicicletas são registrados em Fortaleza. Um fato curioso ocorreu na ciclofaixa da Avenida Santos Dumont, no cruzamento com a Avenida Senador Virgílio Távora, na Aldeota. O motorista de um carro colidiu em uma bicicleta e registrou um Boletim de Ocorrência (BO) com o objetivo de se proteger contra possíveis reclamações do ciclista.

O fato aconteceu na segunda-feira (1º) e causou repercussão em redes sociais. Em publicação no Facebook, o ciclista Leonardo Ribeiro, estudante de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), explica que trafegava na ciclofaixa, no sinal verde do semáforo, quando teria sido surpreendido por um carro. “Como sempre, olho para o lado para ver se está com o pisca-alerta ligado. Nenhum sinal que dobraria na Virgílio Távora. Tranquilo, vou reto. Quando, de repente, o carro decide dobrar”, conta.

O resultado foi desagradável. O pedal da bicicleta ficou preso no carro e o jovem foi arrastado, conforme ele conta. “Bato com a mão no vidro da porta traseira esquerda e grito, para alertar. Mas de nada adiantou. Fiz a curva completa com o veículo e, quando terminei de fazer a conversão, meu pedal se desprendeu e cai no asfalto de 12h30”.

Leonardo ficou no chão sem acreditar no que tinha acontecido, já que estava na faixa destinada ao uso de bicicletas. Ao se levantar, o carro reduziu a velocidade. “Pensei que iriam me ajudar. Mas não. Coloquei minha bicicleta no ombro e gesticulei querendo dizer: ‘Vão ficar aí parados? Não vão me ajudar?’. Arrancar e continuar seu destino foram os gestos de resposta. Sentimento de raiva e impotência resume o que senti”, admite.

“Bicicleta não é meio de transporte”

Momentos após o acidente, o estudante encontrou o carro envolvido no acidente estacionado próximo à Avenida Dom Luís. “Tinham dois arranhões na altura do pedal e na altura do guidão”, lembra. De acordo com Leonardo, o motorista chegou ao local e aproveitou para informar que o ciclista havia batido em seu carro e deveria pagar pelos arranhões. “Você que estava atrás do meu carro e me atropelou. Você deveria ter freado e deixado eu passar, ele dizia (…) Ainda veio se gabar dos seus 60 anos como motorista e que nunca havia se envolvido em um acidente”.

Mais de 1,2 mil pessoas compartilharam a publicação (IMAGEM: Reprodução/Facebook)

Mais de 1,2 mil pessoas compartilharam a publicação (IMAGEM: Reprodução/Facebook)

Para completar, de acordo com o ciclista, o condutor do carro ainda teria citado frases, como “bicicleta não é meio de transporte”, “se é meio de transporte, cadê a placa?”; e “bicicleta é que nem pedestre, tem que ficar na calçada”.

Ambos registraram Boletim de Ocorrência no 2º Distrito Policial, no Meireles. O motorista envolvido no acidente, Ivan Ari, conversou com o Tribuna do Ceará e informou que o pisca-alerta estaria ligado sim, indicando que faria conversão à esquerda, na Avenida Virgílio Távora.

“Eu nem cheguei a ver. Ele bateu na porta traseira do carro, ouvi a pancada, minha esposa gritou dizendo que tinha uma pessoa querendo quebrar a porta, pensando que era um assaltante”. Segundo explicou, Ivan trafegou por cerca de 50 metros e viu que era um ciclista. “Ele caiu da bicicleta, levantou, vi que não aconteceu nada e fui embora”, admite.

De acordo com o motorista, o ciclista o ameaçou informando que já tinha obtido todos os dados dele, como telefone e endereço. A fim de se proteger, resolveu registrar um BO contra o estudante. “Foi imprudente, irresponsável e perigoso. É um marginal. Eu vou novamente à polícia para saber como conseguiu o meu endereço”, disse.

Já o ciclista registrou o boletim para declarar o que, na sua visão dos fatos, aconteceu, além de ter feito exame de corpo de delito. “Ele queria que eu o levasse ao hospital, mas foi uma coisa besta, bastava colocar um curativo e estava resolvido. Bicicleta não é veículo. Cadê a placa? Cadê a sinaleira? Tem que parar, observar. Só porque está em cima de duas rodas não quer dizer que é veículo”, finaliza o condutor do automóvel.

Tribuna do Ceará entrou em contato o 2º Distrito Policial, mas a polícia não pode se pronunciar sobre o assunto.