Médico e enfermeira confirmam dificuldade no trabalho no IJF e no HGF


Médico e enfermeira confirmam dificuldade no trabalho em IJF e HGF

Segundo profissionais dos hospitais, que toparam conversar sob a condição de anonimato, não há um dia sem atendimento em corredores

Por Hayanne Narlla em Cotidiano

22 de maio de 2015 às 07:00

Há 4 anos
IJF enfrenta escândalos na saúde pública (FOTO: Reprodução Site Prefeitura de Fortaleza)

IJF (foto) e HGF enfrentam escândalos na saúde pública cearense (FOTO: Reprodução Site Prefeitura de Fortaleza)

Profissionais que trabalham em hospitais de Fortaleza denunciam descaso e reforçam que o problema é antigo, apesar de a crise da saúde pública cearense virar foco somente no mês passado. O Tribuna do Ceará entrou em contato com um médico de Instituto Doutor José Frota (IJF) e uma enfermeira do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) para relatarem sobre como está a situação nos dois maiores hospitais públicos de emergência da região. Ambos preferiram não se identificar.

“Essa situação que tem nas fotos é verdade. No IJF ou HGF, falta maca, tem paciente no corredor, falta medicamento. É a realidade mesmo. A demanda é maior que podemos resolver. A gente até brinca que o Ministério Público resolveu fazer alguma coisa agora, mas o problema é antigo. Bem antigo mesmo. E o governo coloca a população contra o médico”, relatou o médico.

Já a enfermeira confirma que no HGF sempre tem corredores com pacientes. “Faltam utensílios. Como sou enfermeira, preciso de soro fisiológico como medicação e sempre damos um litro. Mas não temos disponível, vai apenas de 500 ml. Precisamos abrir, juntar e dar aos pacientes. Isso faz com que percamos tempo, quando poderíamos atender outros pacientes”, explicou.

“Como sou enfermeira, preciso de soro fisiológico como medicação e sempre damos um litro. Mas não temos disponível, vai apenas de 500 ml”.

Caminhão com insumos do HGF (FOTO: HGF)

Caminhão com insumos do HGF (FOTO: HGF)

A assessoria de imprensa do HGF explicou que o manuseamento do soro não seria um problema. Apesar disso, ressaltou que não está faltando soro e que o hospital está sendo abastecido de insumos diariamente.

Problemas mal resolvidos

Ainda de acordo com o médico do IJF, após um corte de orçamento geral na saúde por parte do governo federal, o setor vem sofrendo graves consequências. “Um paciente fica internado três dias esperando por uma maca para ser levado para fazer o raio-X”.

“Um paciente fica internado três dias esperando por uma maca para ser levado para fazer o raio-X”.

Além disso, ele refuta a compras de macas, como prometido pelo prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, como uma solução. “O problema não é comprar 40 macas. Elas serão preenchidas e vai ter o mesmo problema. E é uma demanda infinita e não acaba. É maior que o hospital. Precisa regular melhor o sistema, ter mais hospitais apropriados. Senão vai ser sempre lotado com gente no corredor”, avalia. “Segunda-feira é pior, porque tem a demanda do fim de semana. Mas, em geral, não existe um dia sem paciente no corredor”.

A assessoria de imprensa do IJF informou que não há registro de nenhuma reclamação de tal tipo na ouvidoria interna para servidores do hospital, canal que profissionais deveriam utilizar para reclamar dos problemas. Além disso, ressaltou que não responde denúncias realizadas de forma anônima.

Entidades não confirmam

O Tribuna do Ceará entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará (Cremec), que informou que não recebeu denúncias envolvendo a falta de macas e a mobilidade de pacientes internados no IJF. O Cremec ressaltou que, após a promessa do prefeito Roberto Cláudio, a categoria está esperando as mudanças. Já o Sindicato dos Médicos do Estado do Ceará (Simec) não tinha um prazo para a resposta ao mesmo questionamento, até a publicação desta matéria.

PACIENTES NO CHÃO DO HOSPITAL
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PACIENTES NO CHÃO DO HOSPITAL

O Sindicato dos Médicos do Ceará e a Associação Médica Cearense (AMC) promovem a Campanha ‘Corredômetro’, que divulga diariamente o número de pacientes ‘internados’ em corredores de hospitais de emergência de Fortaleza (FOTO: Reprodução)

PACIENTES NO CHÃO DO HOSPITAL
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PACIENTES NO CHÃO DO HOSPITAL

O Sindicato dos Médicos do Ceará e a Associação Médica Cearense (AMC) promovem a Campanha ‘Corredômetro’, que divulga diariamente o número de pacientes ‘internados’ em corredores de hospitais de emergência de Fortaleza (FOTO: Reprodução)

Confira outras matérias:

11 de maio – Imagens revelam pacientes em estado grave sendo atendidos nos corredores do IJF

12 de maio – Atendimento nos corredores e renúncia de secretário expõem caos na saúde do Ceará

12 de maio – Prefeito Roberto Cláudio nega falta de macas no IJF em comentário em redes sociais

13 de maio – Crise na saúde atinge a 4ª semana com quase 400 pacientes em atendimento nos corredores

13 de maio – Médicos trabalham até sem luvas e máscaras em hospitais públicos cearenses

14 de maio – Até o vice-prefeito critica gestão da saúde em Fortaleza

14 de maio – Mesmo com saúde em crise, HGF previa contratação de buffet de R$ 56,5 mil

15 de maio – Se a saúde pública na capital está na UTI, no interior a situação é ainda pior

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Médico e enfermeira confirmam dificuldade no trabalho em IJF e HGF

Segundo profissionais dos hospitais, que toparam conversar sob a condição de anonimato, não há um dia sem atendimento em corredores

Por Hayanne Narlla em Cotidiano

22 de maio de 2015 às 07:00

Há 4 anos
IJF enfrenta escândalos na saúde pública (FOTO: Reprodução Site Prefeitura de Fortaleza)

IJF (foto) e HGF enfrentam escândalos na saúde pública cearense (FOTO: Reprodução Site Prefeitura de Fortaleza)

Profissionais que trabalham em hospitais de Fortaleza denunciam descaso e reforçam que o problema é antigo, apesar de a crise da saúde pública cearense virar foco somente no mês passado. O Tribuna do Ceará entrou em contato com um médico de Instituto Doutor José Frota (IJF) e uma enfermeira do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) para relatarem sobre como está a situação nos dois maiores hospitais públicos de emergência da região. Ambos preferiram não se identificar.

“Essa situação que tem nas fotos é verdade. No IJF ou HGF, falta maca, tem paciente no corredor, falta medicamento. É a realidade mesmo. A demanda é maior que podemos resolver. A gente até brinca que o Ministério Público resolveu fazer alguma coisa agora, mas o problema é antigo. Bem antigo mesmo. E o governo coloca a população contra o médico”, relatou o médico.

Já a enfermeira confirma que no HGF sempre tem corredores com pacientes. “Faltam utensílios. Como sou enfermeira, preciso de soro fisiológico como medicação e sempre damos um litro. Mas não temos disponível, vai apenas de 500 ml. Precisamos abrir, juntar e dar aos pacientes. Isso faz com que percamos tempo, quando poderíamos atender outros pacientes”, explicou.

“Como sou enfermeira, preciso de soro fisiológico como medicação e sempre damos um litro. Mas não temos disponível, vai apenas de 500 ml”.

Caminhão com insumos do HGF (FOTO: HGF)

Caminhão com insumos do HGF (FOTO: HGF)

A assessoria de imprensa do HGF explicou que o manuseamento do soro não seria um problema. Apesar disso, ressaltou que não está faltando soro e que o hospital está sendo abastecido de insumos diariamente.

Problemas mal resolvidos

Ainda de acordo com o médico do IJF, após um corte de orçamento geral na saúde por parte do governo federal, o setor vem sofrendo graves consequências. “Um paciente fica internado três dias esperando por uma maca para ser levado para fazer o raio-X”.

“Um paciente fica internado três dias esperando por uma maca para ser levado para fazer o raio-X”.

Além disso, ele refuta a compras de macas, como prometido pelo prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, como uma solução. “O problema não é comprar 40 macas. Elas serão preenchidas e vai ter o mesmo problema. E é uma demanda infinita e não acaba. É maior que o hospital. Precisa regular melhor o sistema, ter mais hospitais apropriados. Senão vai ser sempre lotado com gente no corredor”, avalia. “Segunda-feira é pior, porque tem a demanda do fim de semana. Mas, em geral, não existe um dia sem paciente no corredor”.

A assessoria de imprensa do IJF informou que não há registro de nenhuma reclamação de tal tipo na ouvidoria interna para servidores do hospital, canal que profissionais deveriam utilizar para reclamar dos problemas. Além disso, ressaltou que não responde denúncias realizadas de forma anônima.

Entidades não confirmam

O Tribuna do Ceará entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará (Cremec), que informou que não recebeu denúncias envolvendo a falta de macas e a mobilidade de pacientes internados no IJF. O Cremec ressaltou que, após a promessa do prefeito Roberto Cláudio, a categoria está esperando as mudanças. Já o Sindicato dos Médicos do Estado do Ceará (Simec) não tinha um prazo para a resposta ao mesmo questionamento, até a publicação desta matéria.

PACIENTES NO CHÃO DO HOSPITAL
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PACIENTES NO CHÃO DO HOSPITAL

O Sindicato dos Médicos do Ceará e a Associação Médica Cearense (AMC) promovem a Campanha ‘Corredômetro’, que divulga diariamente o número de pacientes ‘internados’ em corredores de hospitais de emergência de Fortaleza (FOTO: Reprodução)

PACIENTES NO CHÃO DO HOSPITAL
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PACIENTES NO CHÃO DO HOSPITAL

O Sindicato dos Médicos do Ceará e a Associação Médica Cearense (AMC) promovem a Campanha ‘Corredômetro’, que divulga diariamente o número de pacientes ‘internados’ em corredores de hospitais de emergência de Fortaleza (FOTO: Reprodução)

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