"Desde que me entendo por gente falam que o jornal impresso vai acabar", duvida Adísia Sá


“Desde que me entendo por gente falam que jornal impresso vai acabar”, duvida Adísia Sá

Em entrevista ao Tribuna do Ceará, Adísia Sá, referência no jornalismo cearense, reflete sobre a influência das novas tecnologias na profissão que exerce há seis décadas

Por Hayanne Narlla em Cotidiano

19 de novembro de 2015 às 05:00

Há 4 anos
Adísia falou sobre o perfil do jornalista atual (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Adísia Sá refletiu sobre o perfil do jornalista atual (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

De um lado, uma estante lotada de livros preenche a parede, colorindo o apartamento. Do outro, o branco minimalista recebe quadros com homenagens e charges. Ao centro, em uma poltrona senta-se a dona da casa: Adísia Sá.

De forma tranquila, conta sua história que se confunde com a do jornalismo cearense. Adísia foi a primeira mulher jornalista do Ceará, e peça chave na criação do primeiro curso de ensino superior para sua profissão no estado.

Foi fiel ao jornal impresso por bastante tempo, mas rendeu-se ao rádio. Diz que não sente mais vontade de escrever artigos, mas não resiste ao falar de temas do cotidiano. Melhor ainda quando se fala de jornalismo. Em entrevista ao Tribuna do Ceará, Adísia reflete sobre o papel do jornalista em tempos de internet. Confira:

Tribuna do Ceará Alguns sites se tornaram referência em audiência, trazendo notícias e entretenimento, como listas e conteúdo bem-humorado. Como a senhora avalia o jornalismo atualmente?
Adísia Sá O mundo hoje é de uma superficialidade muito grande. E o mercado tem que estar atrás de uma notícia mais apurada e mais séria. Muitas vezes, a pessoa fecha o rádio ou desliga a televisão: “Não quero saber disso”. Não só temos aquele que gosta da gaiatice. A comunicação tem que se voltar para o seu público. Mas tudo é tão fragmentado que cada público tem um espaço próprio. Porém, na hora que você começa a confundir o espaço de quem produz e de quem ouve, é melhor desistir, porque não é veículo de comunicação.

Tribuna – E o jornalista?
Adísia – Muitos não têm vocação para ser jornalista. É um chamamento. Às vezes, ele vai porque é a atividade que apareceu. Às vezes, ele vai porque foi a coisa que está mais ao alcance dele. Se você for jornalista só para aparecer, vai lhe cansar. É igual ao amor. Se você ama aquela pessoa, por mais chata que ela seja, tudo é agradável. Se você não gosta, por mais perfeito que ela seja, você sempre encontra defeito. Eu falo isso como se fosse especialista em amores (risos). O bom do jornalismo é que ninguém ensina. Você pode dar as técnicas. Mas se você é jornalista, é vocação, tem ser por inteiro, não pela metade.

Adísia guarda com carinho os quadros de homenagem que ganhou (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Adísia guarda com carinho os quadros de homenagem que ganhou (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

> O celular toca. Adísia iria completar 86 anos em quatro dias, mas as pessoas já ligavam. “A senhora não acessa internet pelo celular?”, perguntei. “Não, nada”, respondeu. Ao me dar o aparelho, ela mostra um papel colado na parte de trás com cinco números. Essa é a sua agenda, que não tem nada de eletrônica, mas está presente no celular.

Tribuna – Uma vez, li uma crítica que dizia que os jornalistas não fazem mais “trabalho de campo”. Só estão acostumados a achar as coisas na internet. A senhora concorda?
Adísia – Não. Esse é o jornalista passageiro. É apenas o informante que está usando o veículo. O verdadeiro jornalista cria vínculo com informação, notícia, e cria vínculo inclusive com a pessoa que entrevistou. Devemos ter relação muito grande com a fonte, mas tendo sempre aquele lema: “Eu sou jornalista e você é minha fonte”. Depois que você perde essa noção – que são duas entidades que se completam, mas são distantes –, você se deixa envolver pelo fato. O fato você não muda. A beleza do fato é que ele está ali posto, você pode ver ângulos dele. Mas ele é aquilo que está na sua frente.

Tribuna – A internet, então, não mudou o perfil do jornalista?
Adísia – O grande jornalista é aquele que consegue captar a integridade daquele fato. E não é fácil. Quando o fato começa a interferir em você, aí você não tem a espontaneidade da informação. Sem a ética, nós não temos jornalismo e nem temos nada. Uma relação sem respeito, sem consideração, sem espaço de cada um, não dá certo. Eu só acho que o jornal de escrita é mais prolixo, o outro [internet] é mais sintético. Mas tem que ter o dom para fazer o que você quer. Falar, transmitir em poucas palavras, porque o tempo é ouro.

Adísia relembra o tempo em que usava máquina de escrever e era a única mulher na redação de um jornal (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Adísia relembra o tempo em que usava máquina de escrever e era a única mulher em jornal (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Tribuna – Mesmo com as mudanças de plataformas, o que é imprescindível para a profissão?
Adísia – Sentido ético da coleta da informação e transmissão da informação. A ética é ele respeitar o objeto. Objeto aí é que está fora dele. Respeitar o que ele disse, como ele respondeu. E tenho que me fazer entender por aquele que estou entrevistando e não perguntar para ele dizer o que quero ouvir. Em qualquer parte do mundo, a atividade é a mesma. O jornalista é o mesmo. A cara dele é aquela, né (risos)?

> Ao falar de vocação, Adísia relembrou sua época em redação. De repente me vi sendo entrevistada: “Você gosta de ser jornalista ou seria outra coisa?”. Ri e respondi com delicadeza: “Não sei, até me vejo. Mas não tenho certeza”. Ela insistiu na sua breve entrevista: “Mas você gosta de fazer o quê?”. “Contar histórias”, refleti. Ela se divertiu e relembrou uma resposta que havia dado outrora. “Se eu não fosse jornalista, eu seria infeliz. Não teria mudado nada”, enfatizou.

Tribuna – Uma pesquisa de uma consultoria americana, chamada Future Exploration Network, apontou que o jornal impresso no Brasil deve acabar em 2027. E mais: ele será o primeiro país da América Latina a acabar com o impresso. A senhora acredita nisso?
Adísia – Desde quando me entendo por gente que vai acabar (risos). Desde que [alemão Johannes] Gutenberg criou a imprensa, que vai acabar. Não acredito nisso. Primeiro, que você gosta de ter o fato que você possa ler, ouvir, ver. O que importa é isso. Deixa a interpretação para mim. E desde que eu entrei [no jornalismo], eu escuto é gente falar: “Jornalista? Isso é profissão?” Já outros falam que é uma senhora profissão.

> Ao fim da entrevista, Adísia me mostrou sua coleção de corujas de porcelana, aço e até concha. Ela gosta do animal porque ele representa a filosofia. Guarda com amor as miniaturas que ganhou de presente e exibe com orgulho.

Coleção de corujas de Adísia. E tem mais! (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Coleção de corujas de Adísia. E tem mais! (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Tribuna – Em 2015, houve um grande número de demissões nos jornais do Brasil. Em alguns casos, optou-se por nomes mais experientes de certas equipes. O que a senhora acha?
Adísia – Não sei o que estão querendo com isso. Tirar a própria experiência? Antigamente, quando um novato entrava, se encostava logo num antigo. A experiência, inclusive, não em só como redigir, mas como você enfocar aquele fato. O mais antigo dá credibilidade a informação. O mais antigo tem o respeito do leitor, ele sabe como pode conduzir o fato. Mas acho que pode ser questão de economia, porque mais antigo tem maior salário. Eu acho esquisito. Quem é que vai levar para o novato a experiência? Mas também tem o mais jovem com a linguagem adequada para sua época. Tem que balancear.

Tribuna – Hoje, uma notícia que acontece em Fortaleza pode ser acessada por diversas pessoas do mundo. Antes, era mais restrito. Como a senhora analisa?
Adísia – O mundo hoje é global. Mas quando você faz uma matéria e ela vira notícia, ela não é mais sua. Sempre foi assim. Você não é mais dono dela. Cada um interpreta diferente. E você não pode explicar em particular. É como um filho. Você cria o filho, mas depois é a vida dele. Você vai acompanhar fruto seu, mas não queira que ele reproduza aquilo que você quer. O desafio é transmitir para ou outro. E sempre será. Você não é dono daquilo que está observando.

Perfil

Adísia Sá se formou Filosofia, em 1954, mas foi no jornalismo que fez história. Em 1955, ingressou no jornal Gazeta de Notícias. Até hoje, trabalha na área. Foi professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), ajudando a criar o curso em 1965. Foi primeira mulher a ser jornalista no Ceará e a assumir a função de ombudsman na imprensa do Nordeste. Ocupou diversos cargos de direção em entidades da categoria, como Associação Cearense de Imprensa (ACI), Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce) e Comissão Nacional de Ética da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

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“Desde que me entendo por gente falam que jornal impresso vai acabar”, duvida Adísia Sá

Em entrevista ao Tribuna do Ceará, Adísia Sá, referência no jornalismo cearense, reflete sobre a influência das novas tecnologias na profissão que exerce há seis décadas

Por Hayanne Narlla em Cotidiano

19 de novembro de 2015 às 05:00

Há 4 anos
Adísia falou sobre o perfil do jornalista atual (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Adísia Sá refletiu sobre o perfil do jornalista atual (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

De um lado, uma estante lotada de livros preenche a parede, colorindo o apartamento. Do outro, o branco minimalista recebe quadros com homenagens e charges. Ao centro, em uma poltrona senta-se a dona da casa: Adísia Sá.

De forma tranquila, conta sua história que se confunde com a do jornalismo cearense. Adísia foi a primeira mulher jornalista do Ceará, e peça chave na criação do primeiro curso de ensino superior para sua profissão no estado.

Foi fiel ao jornal impresso por bastante tempo, mas rendeu-se ao rádio. Diz que não sente mais vontade de escrever artigos, mas não resiste ao falar de temas do cotidiano. Melhor ainda quando se fala de jornalismo. Em entrevista ao Tribuna do Ceará, Adísia reflete sobre o papel do jornalista em tempos de internet. Confira:

Tribuna do Ceará Alguns sites se tornaram referência em audiência, trazendo notícias e entretenimento, como listas e conteúdo bem-humorado. Como a senhora avalia o jornalismo atualmente?
Adísia Sá O mundo hoje é de uma superficialidade muito grande. E o mercado tem que estar atrás de uma notícia mais apurada e mais séria. Muitas vezes, a pessoa fecha o rádio ou desliga a televisão: “Não quero saber disso”. Não só temos aquele que gosta da gaiatice. A comunicação tem que se voltar para o seu público. Mas tudo é tão fragmentado que cada público tem um espaço próprio. Porém, na hora que você começa a confundir o espaço de quem produz e de quem ouve, é melhor desistir, porque não é veículo de comunicação.

Tribuna – E o jornalista?
Adísia – Muitos não têm vocação para ser jornalista. É um chamamento. Às vezes, ele vai porque é a atividade que apareceu. Às vezes, ele vai porque foi a coisa que está mais ao alcance dele. Se você for jornalista só para aparecer, vai lhe cansar. É igual ao amor. Se você ama aquela pessoa, por mais chata que ela seja, tudo é agradável. Se você não gosta, por mais perfeito que ela seja, você sempre encontra defeito. Eu falo isso como se fosse especialista em amores (risos). O bom do jornalismo é que ninguém ensina. Você pode dar as técnicas. Mas se você é jornalista, é vocação, tem ser por inteiro, não pela metade.

Adísia guarda com carinho os quadros de homenagem que ganhou (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Adísia guarda com carinho os quadros de homenagem que ganhou (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

> O celular toca. Adísia iria completar 86 anos em quatro dias, mas as pessoas já ligavam. “A senhora não acessa internet pelo celular?”, perguntei. “Não, nada”, respondeu. Ao me dar o aparelho, ela mostra um papel colado na parte de trás com cinco números. Essa é a sua agenda, que não tem nada de eletrônica, mas está presente no celular.

Tribuna – Uma vez, li uma crítica que dizia que os jornalistas não fazem mais “trabalho de campo”. Só estão acostumados a achar as coisas na internet. A senhora concorda?
Adísia – Não. Esse é o jornalista passageiro. É apenas o informante que está usando o veículo. O verdadeiro jornalista cria vínculo com informação, notícia, e cria vínculo inclusive com a pessoa que entrevistou. Devemos ter relação muito grande com a fonte, mas tendo sempre aquele lema: “Eu sou jornalista e você é minha fonte”. Depois que você perde essa noção – que são duas entidades que se completam, mas são distantes –, você se deixa envolver pelo fato. O fato você não muda. A beleza do fato é que ele está ali posto, você pode ver ângulos dele. Mas ele é aquilo que está na sua frente.

Tribuna – A internet, então, não mudou o perfil do jornalista?
Adísia – O grande jornalista é aquele que consegue captar a integridade daquele fato. E não é fácil. Quando o fato começa a interferir em você, aí você não tem a espontaneidade da informação. Sem a ética, nós não temos jornalismo e nem temos nada. Uma relação sem respeito, sem consideração, sem espaço de cada um, não dá certo. Eu só acho que o jornal de escrita é mais prolixo, o outro [internet] é mais sintético. Mas tem que ter o dom para fazer o que você quer. Falar, transmitir em poucas palavras, porque o tempo é ouro.

Adísia relembra o tempo em que usava máquina de escrever e era a única mulher na redação de um jornal (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Adísia relembra o tempo em que usava máquina de escrever e era a única mulher em jornal (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Tribuna – Mesmo com as mudanças de plataformas, o que é imprescindível para a profissão?
Adísia – Sentido ético da coleta da informação e transmissão da informação. A ética é ele respeitar o objeto. Objeto aí é que está fora dele. Respeitar o que ele disse, como ele respondeu. E tenho que me fazer entender por aquele que estou entrevistando e não perguntar para ele dizer o que quero ouvir. Em qualquer parte do mundo, a atividade é a mesma. O jornalista é o mesmo. A cara dele é aquela, né (risos)?

> Ao falar de vocação, Adísia relembrou sua época em redação. De repente me vi sendo entrevistada: “Você gosta de ser jornalista ou seria outra coisa?”. Ri e respondi com delicadeza: “Não sei, até me vejo. Mas não tenho certeza”. Ela insistiu na sua breve entrevista: “Mas você gosta de fazer o quê?”. “Contar histórias”, refleti. Ela se divertiu e relembrou uma resposta que havia dado outrora. “Se eu não fosse jornalista, eu seria infeliz. Não teria mudado nada”, enfatizou.

Tribuna – Uma pesquisa de uma consultoria americana, chamada Future Exploration Network, apontou que o jornal impresso no Brasil deve acabar em 2027. E mais: ele será o primeiro país da América Latina a acabar com o impresso. A senhora acredita nisso?
Adísia – Desde quando me entendo por gente que vai acabar (risos). Desde que [alemão Johannes] Gutenberg criou a imprensa, que vai acabar. Não acredito nisso. Primeiro, que você gosta de ter o fato que você possa ler, ouvir, ver. O que importa é isso. Deixa a interpretação para mim. E desde que eu entrei [no jornalismo], eu escuto é gente falar: “Jornalista? Isso é profissão?” Já outros falam que é uma senhora profissão.

> Ao fim da entrevista, Adísia me mostrou sua coleção de corujas de porcelana, aço e até concha. Ela gosta do animal porque ele representa a filosofia. Guarda com amor as miniaturas que ganhou de presente e exibe com orgulho.

Coleção de corujas de Adísia. E tem mais! (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Coleção de corujas de Adísia. E tem mais! (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Tribuna – Em 2015, houve um grande número de demissões nos jornais do Brasil. Em alguns casos, optou-se por nomes mais experientes de certas equipes. O que a senhora acha?
Adísia – Não sei o que estão querendo com isso. Tirar a própria experiência? Antigamente, quando um novato entrava, se encostava logo num antigo. A experiência, inclusive, não em só como redigir, mas como você enfocar aquele fato. O mais antigo dá credibilidade a informação. O mais antigo tem o respeito do leitor, ele sabe como pode conduzir o fato. Mas acho que pode ser questão de economia, porque mais antigo tem maior salário. Eu acho esquisito. Quem é que vai levar para o novato a experiência? Mas também tem o mais jovem com a linguagem adequada para sua época. Tem que balancear.

Tribuna – Hoje, uma notícia que acontece em Fortaleza pode ser acessada por diversas pessoas do mundo. Antes, era mais restrito. Como a senhora analisa?
Adísia – O mundo hoje é global. Mas quando você faz uma matéria e ela vira notícia, ela não é mais sua. Sempre foi assim. Você não é mais dono dela. Cada um interpreta diferente. E você não pode explicar em particular. É como um filho. Você cria o filho, mas depois é a vida dele. Você vai acompanhar fruto seu, mas não queira que ele reproduza aquilo que você quer. O desafio é transmitir para ou outro. E sempre será. Você não é dono daquilo que está observando.

Perfil

Adísia Sá se formou Filosofia, em 1954, mas foi no jornalismo que fez história. Em 1955, ingressou no jornal Gazeta de Notícias. Até hoje, trabalha na área. Foi professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), ajudando a criar o curso em 1965. Foi primeira mulher a ser jornalista no Ceará e a assumir a função de ombudsman na imprensa do Nordeste. Ocupou diversos cargos de direção em entidades da categoria, como Associação Cearense de Imprensa (ACI), Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce) e Comissão Nacional de Ética da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).