Delegado quer saber quem comprou chumbinho usado para matar o filho de subtenente do Exército


Delegado quer saber quem comprou chumbinho usado para matar o filho de militar do Exército

O delegado admitiu estar “insatisfeito” com a versão da mulher, que acusa o marido de cometer o crime. A polícia quer recuperar mensagens deletadas no celular do militar

Por Roberta Tavares em Cotidiano

21 de novembro de 2014 às 08:00

Há 4 anos
Francilewdo trabalha no Hospital Geral do Exército de Fortaleza (FOTO: Reprodução/Facebook)

Francilewdo trabalha no Hospital Geral do Exército de Fortaleza (FOTO: Reprodução/Facebook)

Selo SubtenenteApós ouvir o depoimento da esposa do militar suspeito de envenenar o filho autista em Fortaleza, o delegado responsável pelo caso admitiu estar “insatisfeito” com a versão apresentada por ela. Na quarta-feira (19), Cristiane Renata Coelho, de 41 anos, foi interrogada sobre a morte da criança, durante cinco horas, no 16º Distrito Policial, no Bairro Dias Macedo.

De acordo com o delegado Wilder Brito, a mulher não respondeu diversos pontos solicitados. “Vários itens ainda não respondem uma série de questionamentos que estou fazendo. Não estou satisfeito com essa versão”, afirma.

Durante o depoimento, foram lidas e revisadas oito laudas do inquérito policial, que se encerrou nesta quinta-feira (20). Mas as investigações ainda não terminaram. “Será solicitada a devolução urgente para que as pesquisas continuem”, declarou o delegado, que pretende averiguar todos os pontos em aberto. “As investigações não param. Elas estão no mundo! O inquérito está chegando na parte técnica.  Vou recuperar o que foi deletado por ela no celular do militar para ver o conteúdo das mensagens, e também descobrir quem comprou o ‘chumbinho’ e onde comprou”, assegura Wilder Brito.

Ainda são aguardados os exames de corpo de delito e toxicológico feitos no militar Francilewdo Bezerra, além do laudo pericial grafotécnico, para que seja analisado o bilhete deixado na residência da família, no Conjunto Napoleão Viana, no Bairro Dias Macedo. “Ela continua sendo a vítima no depoimento que prestou. Vou continuar as investigações para saber até que ponto isso é verdade”.

Depois de realizar os exames complementares no Instituto Médico Legal (IML), na quarta-feira (19), Cristiane voltou a Recife, onde mora a família. Enquanto isso, o marido segue internado no Hospital Geral do Exército, na capital cearense, local em que trabalha – segundo a assessoria da 10ª Região Militar.

Uma fonte do Tribuna do Ceará, que pediu para não ser identificada, informou que Francilewdo recebe diariamente visitas de familiares na unidade de saúde. Ele saiu do coma induzido após nove dias internado, mas permanece inconsciente.

Depoimento

Durante o depoimento, Cristiane chorou, mostrou-se instável e confirmou a versão apresentada inicialmente, no dia do flagrante do caso, de que teria sido obrigada pelo marido a ingerir cápsulas de um remédio e, antes, havia bebido vinho. Disse ainda que o subtenente teria a agredido e dado medicamento ao filho mais velho, Lewdo Ricardo Coelho, de 9 anos, que morreu ainda na madrugada de terça-feira (11).

O filho do subtenente foi vítima de envenenamento causado por ‘chumbinho’, produto clandestino irregularmente usado para matar ratos. Há a suspeita de que o militar também tenha ingerido o mesmo veneno.

O delegado responsável pelo caso estranhou que uma suposta mensagem deixada por Francilewdo em seu perfil no Facebook tenha sido alterada quando já estava internado em coma. Ainda durante a madrugada, ele teria escrito na rede social que tinha matado sua mulher e o filho mais velho em virtude de uma traição.

“Temos dois filhos especiais. Vou levar um comigo. Obriguei ela [esposa] a beber vinho com seus tranquilizantes para dormir e não ver o que vou fazer. Me perdoem, família, mas a carga tá grande demais, e não aguento mais sofrer calado vendo essa mulher se anular há 10 anos”, dizia a carta.

Ainda na publicação, é explicado que a esposa pediu o divórcio, por tratar o subtenente como irmão e que, supostamente, teria um caso com outro homem. “Sei que ela nunca escondeu ser casada, e abdicou a vida pelos filhos. Queria morrer ao lado dela (…) Eu a machuquei muito, eu enlouqueci. Quem ver essa postagem veja se ainda há jeito de salvá-la”.

Mensagem no Facebook
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Mensagem no Facebook

Uma das provas do crime é uma mensagem publicada no perfil do subtenente. A postagem foi editada quando o militar estava em coma, no hospital (FOTO: Reprodução/Facebook)

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Uma das provas do crime é uma mensagem publicada no perfil do subtenente. A postagem foi editada quando o militar estava em coma, no hospital (FOTO: Reprodução/Facebook)

Hospital Geral do Exército
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Hospital Geral do Exército

Francilewdo Bezerra estava internado no apartamento do hospital militar, local em que trabalha (FOTO: Tribuna do Ceará/Rosana Romão)

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Delegado quer saber quem comprou chumbinho usado para matar o filho de militar do Exército

O delegado admitiu estar “insatisfeito” com a versão da mulher, que acusa o marido de cometer o crime. A polícia quer recuperar mensagens deletadas no celular do militar

Por Roberta Tavares em Cotidiano

21 de novembro de 2014 às 08:00

Há 4 anos
Francilewdo trabalha no Hospital Geral do Exército de Fortaleza (FOTO: Reprodução/Facebook)

Francilewdo trabalha no Hospital Geral do Exército de Fortaleza (FOTO: Reprodução/Facebook)

Selo SubtenenteApós ouvir o depoimento da esposa do militar suspeito de envenenar o filho autista em Fortaleza, o delegado responsável pelo caso admitiu estar “insatisfeito” com a versão apresentada por ela. Na quarta-feira (19), Cristiane Renata Coelho, de 41 anos, foi interrogada sobre a morte da criança, durante cinco horas, no 16º Distrito Policial, no Bairro Dias Macedo.

De acordo com o delegado Wilder Brito, a mulher não respondeu diversos pontos solicitados. “Vários itens ainda não respondem uma série de questionamentos que estou fazendo. Não estou satisfeito com essa versão”, afirma.

Durante o depoimento, foram lidas e revisadas oito laudas do inquérito policial, que se encerrou nesta quinta-feira (20). Mas as investigações ainda não terminaram. “Será solicitada a devolução urgente para que as pesquisas continuem”, declarou o delegado, que pretende averiguar todos os pontos em aberto. “As investigações não param. Elas estão no mundo! O inquérito está chegando na parte técnica.  Vou recuperar o que foi deletado por ela no celular do militar para ver o conteúdo das mensagens, e também descobrir quem comprou o ‘chumbinho’ e onde comprou”, assegura Wilder Brito.

Ainda são aguardados os exames de corpo de delito e toxicológico feitos no militar Francilewdo Bezerra, além do laudo pericial grafotécnico, para que seja analisado o bilhete deixado na residência da família, no Conjunto Napoleão Viana, no Bairro Dias Macedo. “Ela continua sendo a vítima no depoimento que prestou. Vou continuar as investigações para saber até que ponto isso é verdade”.

Depois de realizar os exames complementares no Instituto Médico Legal (IML), na quarta-feira (19), Cristiane voltou a Recife, onde mora a família. Enquanto isso, o marido segue internado no Hospital Geral do Exército, na capital cearense, local em que trabalha – segundo a assessoria da 10ª Região Militar.

Uma fonte do Tribuna do Ceará, que pediu para não ser identificada, informou que Francilewdo recebe diariamente visitas de familiares na unidade de saúde. Ele saiu do coma induzido após nove dias internado, mas permanece inconsciente.

Depoimento

Durante o depoimento, Cristiane chorou, mostrou-se instável e confirmou a versão apresentada inicialmente, no dia do flagrante do caso, de que teria sido obrigada pelo marido a ingerir cápsulas de um remédio e, antes, havia bebido vinho. Disse ainda que o subtenente teria a agredido e dado medicamento ao filho mais velho, Lewdo Ricardo Coelho, de 9 anos, que morreu ainda na madrugada de terça-feira (11).

O filho do subtenente foi vítima de envenenamento causado por ‘chumbinho’, produto clandestino irregularmente usado para matar ratos. Há a suspeita de que o militar também tenha ingerido o mesmo veneno.

O delegado responsável pelo caso estranhou que uma suposta mensagem deixada por Francilewdo em seu perfil no Facebook tenha sido alterada quando já estava internado em coma. Ainda durante a madrugada, ele teria escrito na rede social que tinha matado sua mulher e o filho mais velho em virtude de uma traição.

“Temos dois filhos especiais. Vou levar um comigo. Obriguei ela [esposa] a beber vinho com seus tranquilizantes para dormir e não ver o que vou fazer. Me perdoem, família, mas a carga tá grande demais, e não aguento mais sofrer calado vendo essa mulher se anular há 10 anos”, dizia a carta.

Ainda na publicação, é explicado que a esposa pediu o divórcio, por tratar o subtenente como irmão e que, supostamente, teria um caso com outro homem. “Sei que ela nunca escondeu ser casada, e abdicou a vida pelos filhos. Queria morrer ao lado dela (…) Eu a machuquei muito, eu enlouqueci. Quem ver essa postagem veja se ainda há jeito de salvá-la”.

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Uma das provas do crime é uma mensagem publicada no perfil do subtenente. A postagem foi editada quando o militar estava em coma, no hospital (FOTO: Reprodução/Facebook)

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Uma das provas do crime é uma mensagem publicada no perfil do subtenente. A postagem foi editada quando o militar estava em coma, no hospital (FOTO: Reprodução/Facebook)

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Francilewdo Bezerra estava internado no apartamento do hospital militar, local em que trabalha (FOTO: Tribuna do Ceará/Rosana Romão)