Cachês para modelos infantis variam de R$ 200 a R$ 400 em Fortaleza


Cachês para modelos infantis variam de R$ 200 a R$ 400 em Fortaleza

Seja para quem deseja colocar o filho nesse mercado ou para quem já faz parte dele, a dúvida é: compensa?

Por Roberta Tavares em Cotidiano

12 de agosto de 2014 às 08:00

Há 5 anos

Ângela Girão tem apenas oito anos e o currículo recheado de trabalhos em catálogos de moda e vídeos publicitários. O rosto de boneca de porcelana e a meiguice de criança estampam comerciais há quatro anos e já renderam até R$ 1.700 por apenas um trabalho. A ideia de entrar no mercado foi da própria garota, por gostar de fotografar e “ser vaidosa demais”, como a mãe Paty Girão comenta.

“Ela começou porque gosta demais disso. Eu nunca tinha pensado em cadastrar a Ângela em uma agência”, admite Paty. Apesar de o cachê da menina variar de R$ 600 a R$ 1.700 – bem acima do valor pago a modelos infantis no Ceará –, a mãe afirma que o mercado ainda é desvalorizado. Em alguns meses, dependendo da época do ano, a menina protagoniza cerca de cinco catálogos, sempre encaixando os trabalhos com a rotina de estudos. O dinheiro é todo colocado em uma poupança. “Não pensamos tanto no cachê… Eu gosto que ela seja modelo, para mim é um orgulho”, revela.

Assim como Ângela, outras milhares de crianças têm de se revezar entre as brincadeiras e os cliques das câmeras. De acordo com Dolores Aragão, que tem uma agência com seu nome em Fortaleza, os cachês da maioria das crianças gira em torno de R$ 200 para vídeo e R$ 400 para fotos. É uma área extremamente competitiva, com ganhos variados e nada de garantias. Mas a demanda infantil no mercado é bem menor do que a de adultos, apesar de haver mais cadastros de crianças. “Em média, 60% dos trabalhos são para adultos e 40% para crianças”. Na empresa, há 2,5 mil pessoas registradas, destas 60% são menores de idade, ou seja, 1,5 mil.

Vida de modelo infantil
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Vida de modelo infantil

Na 2905 Model Casting há cerca de 100 crianças cadastradas (FOTO: Divulgação/2905 Model Casting)

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Na 2905 Model Casting há cerca de 100 crianças cadastradas (FOTO: Divulgação/2905 Model Casting)

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Na 2905 Model Casting há cerca de 100 crianças cadastradas (FOTO: Divulgação/2905 Model Casting)

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Na 2905 Model Casting há cerca de 100 crianças cadastradas (FOTO: Divulgação/2905 Model Casting)

Vida de modelo infantil
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Na 2905 Model Casting há cerca de 100 crianças cadastradas (FOTO: Divulgação/2905 Model Casting)

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Na Agência Dolores Aragão, há – em média – 1,5 mil crianças cadastradas (FOTO: Divulgação/Dolores Aragão)

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Na Agência Dolores Aragão, há – em média – 1,5 mil crianças cadastradas (FOTO: Divulgação/Dolores Aragão)

Vida de modelo infantil
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Vida de modelo infantil

Na Agência Dolores Aragão, há – em média – 1,5 mil crianças cadastradas (FOTO: Divulgação/Dolores Aragão)

Para cadastrar uma criança em agência de modelos, primeiro é importante escolher uma agência séria e confiável e se informar sobre taxas e valores que devem ser pagos. Na Dolores Aragão, por exemplo, o valor é de R$ 200, com direito a agenciamento de dois anos e book virtual. Essa taxa é paga para que a criança possa fazer parte do casting da agência, independente se for contratada – ou não – para um trabalho.

“Alugamos estúdio e contratamos fotógrafo. Temos custos e cobramos pelo serviço que fazemos”, explica Dolores, que também é psicopedagoga. As agências são apenas intermediadoras, o trabalho delas é fazer a divulgação das imagens. “Quem escolhe as crianças para testes e trabalhos é o cliente final”, acrescenta. Além disso, as agências cobram comissões; em geral, variam entre 20% e 30% do valor do cachê.

Realização do sonho… dos pais

Mesmo assim, muitas mães pedem para não receber o cachê em troca de o filho aparecer em alguma campanha publicitária ou lookbook. O lado financeiro parece nem pesar tanto. “Muitas não entendem o motivo de o filho ser lindo e não ser escolhido. Umas que são da classe A pedem para não receber o cachê só para o filho ser escolhido. Mas a definição depende do diretor. Quando ele gosta de filmar uma criança e a criança rende, ele já aprova em outro trabalho”, explica.

Nesses casos, a vontade de ver o filho na TV e em outdoors é a realização de uma mãe. Logo a notícia é espalhada, com imagens da criança estampadas das redes sociais. “Elas ficam orgulhosas, falam para os amigos. É muito mais realização pessoal do que financeira”.

Mas esse não deve ser apenas um sonho dos pais. É preciso lembrar que é a criança quem deverá encarar o trabalho, que muitas vezes pode ser bastante cansativo. Em alguns casos, os pequenos passam o dia inteiro fotografando ou filmando. Alguns parecem ter nascido para ser modelo. Outros, relutam contra o desejo dos pais. “Tivemos um caso de uma criança que chorava, corria, gritava e pulava. Era linda de viver e não queria tirar foto de jeito nenhum. Mas depois acabou fazendo o trabalho”, confessa Dolores.

Os pais devem pensar também na disponibilidade para acompanhar o filho em testes e trabalhos. “Não permitimos que nenhum menor de idade esteja no local sem acompanhante. Se o pai ou a mãe não puderem, podem ser acompanhados por tia, avó ou irmão mais velho, mas nunca sozinhos”. Além disso, não são permitidos trabalhos após as 22h.

Perfil

Quanto ao perfil dos pequenos, é importante lembrar que hoje a diversidade está em alta. Agências buscam perfis variados. Os mais encontrados são loiros de olhos claros ou castanhos, mas há diversos pedidos de crianças orientais, negras, ruivas. O que acaba tendo pouquíssima concorrência.

À procura de possíveis modelos, a proprietária da agência cearense 2905 Models Casting, Bianca Reis, aborda pessoas na rua, procura no Facebook e busca indicações. “Entro em contato, mas não obrigo os pais a nada. Só fazemos os trabalhos se a pessoa se sentir bem”. Entretanto, a maioria das crianças não têm experiência na área. “Ainda é muito amador, mas lógico que não é como há cinco anos, que só tínhamos 10 crianças. Em média temos umas 100 agora, a maioria com idades de sete e oito anos”.

Psicologia infantil

Segundo a psicóloga infantil Marília Barreira, para algumas crianças, o trabalho na publicidade pode ser visto como uma brincadeira, dependendo da forma como é feito. “O problema é quando isso sobrecarrega a criança”, aponta. Se a carga não for alta, permitindo que ela desenvolva atividades normais para a idade, como brincar e ir à escola, não há prejuízo.

Por isso a psicopedagoga Dolores Aragão, proprietária da agência, explica que nenhum trabalho é feito por obrigação. Tudo depende da vontade e da disponibilidade da criança e dos pais. “A maioria das crianças gosta. Tem bebê agenciado, de seis meses, que sorri tanto. É a coisa mais linda”, conclui.

É inegável que ver a carinha do filho estampada em um anúncio ou na TV proporciona uma deliciosa sensação de orgulho. Mesmo que sejam movidos por amor, vaidade ou esperança de um futuro melhor, é bom que os pais saibam se realmente querem inserir o filho no ramo. Afinal, fofura vende, mas a infância vai embora rapidinho.

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Cachês para modelos infantis variam de R$ 200 a R$ 400 em Fortaleza

Seja para quem deseja colocar o filho nesse mercado ou para quem já faz parte dele, a dúvida é: compensa?

Por Roberta Tavares em Cotidiano

12 de agosto de 2014 às 08:00

Há 5 anos

Ângela Girão tem apenas oito anos e o currículo recheado de trabalhos em catálogos de moda e vídeos publicitários. O rosto de boneca de porcelana e a meiguice de criança estampam comerciais há quatro anos e já renderam até R$ 1.700 por apenas um trabalho. A ideia de entrar no mercado foi da própria garota, por gostar de fotografar e “ser vaidosa demais”, como a mãe Paty Girão comenta.

“Ela começou porque gosta demais disso. Eu nunca tinha pensado em cadastrar a Ângela em uma agência”, admite Paty. Apesar de o cachê da menina variar de R$ 600 a R$ 1.700 – bem acima do valor pago a modelos infantis no Ceará –, a mãe afirma que o mercado ainda é desvalorizado. Em alguns meses, dependendo da época do ano, a menina protagoniza cerca de cinco catálogos, sempre encaixando os trabalhos com a rotina de estudos. O dinheiro é todo colocado em uma poupança. “Não pensamos tanto no cachê… Eu gosto que ela seja modelo, para mim é um orgulho”, revela.

Assim como Ângela, outras milhares de crianças têm de se revezar entre as brincadeiras e os cliques das câmeras. De acordo com Dolores Aragão, que tem uma agência com seu nome em Fortaleza, os cachês da maioria das crianças gira em torno de R$ 200 para vídeo e R$ 400 para fotos. É uma área extremamente competitiva, com ganhos variados e nada de garantias. Mas a demanda infantil no mercado é bem menor do que a de adultos, apesar de haver mais cadastros de crianças. “Em média, 60% dos trabalhos são para adultos e 40% para crianças”. Na empresa, há 2,5 mil pessoas registradas, destas 60% são menores de idade, ou seja, 1,5 mil.

Vida de modelo infantil
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Na 2905 Model Casting há cerca de 100 crianças cadastradas (FOTO: Divulgação/2905 Model Casting)

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Na 2905 Model Casting há cerca de 100 crianças cadastradas (FOTO: Divulgação/2905 Model Casting)

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Na 2905 Model Casting há cerca de 100 crianças cadastradas (FOTO: Divulgação/2905 Model Casting)

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Na 2905 Model Casting há cerca de 100 crianças cadastradas (FOTO: Divulgação/2905 Model Casting)

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Na 2905 Model Casting há cerca de 100 crianças cadastradas (FOTO: Divulgação/2905 Model Casting)

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Na Agência Dolores Aragão, há – em média – 1,5 mil crianças cadastradas (FOTO: Divulgação/Dolores Aragão)

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Na Agência Dolores Aragão, há – em média – 1,5 mil crianças cadastradas (FOTO: Divulgação/Dolores Aragão)

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Na Agência Dolores Aragão, há – em média – 1,5 mil crianças cadastradas (FOTO: Divulgação/Dolores Aragão)

Para cadastrar uma criança em agência de modelos, primeiro é importante escolher uma agência séria e confiável e se informar sobre taxas e valores que devem ser pagos. Na Dolores Aragão, por exemplo, o valor é de R$ 200, com direito a agenciamento de dois anos e book virtual. Essa taxa é paga para que a criança possa fazer parte do casting da agência, independente se for contratada – ou não – para um trabalho.

“Alugamos estúdio e contratamos fotógrafo. Temos custos e cobramos pelo serviço que fazemos”, explica Dolores, que também é psicopedagoga. As agências são apenas intermediadoras, o trabalho delas é fazer a divulgação das imagens. “Quem escolhe as crianças para testes e trabalhos é o cliente final”, acrescenta. Além disso, as agências cobram comissões; em geral, variam entre 20% e 30% do valor do cachê.

Realização do sonho… dos pais

Mesmo assim, muitas mães pedem para não receber o cachê em troca de o filho aparecer em alguma campanha publicitária ou lookbook. O lado financeiro parece nem pesar tanto. “Muitas não entendem o motivo de o filho ser lindo e não ser escolhido. Umas que são da classe A pedem para não receber o cachê só para o filho ser escolhido. Mas a definição depende do diretor. Quando ele gosta de filmar uma criança e a criança rende, ele já aprova em outro trabalho”, explica.

Nesses casos, a vontade de ver o filho na TV e em outdoors é a realização de uma mãe. Logo a notícia é espalhada, com imagens da criança estampadas das redes sociais. “Elas ficam orgulhosas, falam para os amigos. É muito mais realização pessoal do que financeira”.

Mas esse não deve ser apenas um sonho dos pais. É preciso lembrar que é a criança quem deverá encarar o trabalho, que muitas vezes pode ser bastante cansativo. Em alguns casos, os pequenos passam o dia inteiro fotografando ou filmando. Alguns parecem ter nascido para ser modelo. Outros, relutam contra o desejo dos pais. “Tivemos um caso de uma criança que chorava, corria, gritava e pulava. Era linda de viver e não queria tirar foto de jeito nenhum. Mas depois acabou fazendo o trabalho”, confessa Dolores.

Os pais devem pensar também na disponibilidade para acompanhar o filho em testes e trabalhos. “Não permitimos que nenhum menor de idade esteja no local sem acompanhante. Se o pai ou a mãe não puderem, podem ser acompanhados por tia, avó ou irmão mais velho, mas nunca sozinhos”. Além disso, não são permitidos trabalhos após as 22h.

Perfil

Quanto ao perfil dos pequenos, é importante lembrar que hoje a diversidade está em alta. Agências buscam perfis variados. Os mais encontrados são loiros de olhos claros ou castanhos, mas há diversos pedidos de crianças orientais, negras, ruivas. O que acaba tendo pouquíssima concorrência.

À procura de possíveis modelos, a proprietária da agência cearense 2905 Models Casting, Bianca Reis, aborda pessoas na rua, procura no Facebook e busca indicações. “Entro em contato, mas não obrigo os pais a nada. Só fazemos os trabalhos se a pessoa se sentir bem”. Entretanto, a maioria das crianças não têm experiência na área. “Ainda é muito amador, mas lógico que não é como há cinco anos, que só tínhamos 10 crianças. Em média temos umas 100 agora, a maioria com idades de sete e oito anos”.

Psicologia infantil

Segundo a psicóloga infantil Marília Barreira, para algumas crianças, o trabalho na publicidade pode ser visto como uma brincadeira, dependendo da forma como é feito. “O problema é quando isso sobrecarrega a criança”, aponta. Se a carga não for alta, permitindo que ela desenvolva atividades normais para a idade, como brincar e ir à escola, não há prejuízo.

Por isso a psicopedagoga Dolores Aragão, proprietária da agência, explica que nenhum trabalho é feito por obrigação. Tudo depende da vontade e da disponibilidade da criança e dos pais. “A maioria das crianças gosta. Tem bebê agenciado, de seis meses, que sorri tanto. É a coisa mais linda”, conclui.

É inegável que ver a carinha do filho estampada em um anúncio ou na TV proporciona uma deliciosa sensação de orgulho. Mesmo que sejam movidos por amor, vaidade ou esperança de um futuro melhor, é bom que os pais saibam se realmente querem inserir o filho no ramo. Afinal, fofura vende, mas a infância vai embora rapidinho.