Dia Mundial de Consciência sobre o Autismo: amor acima de qualquer problema


Dia de Consciência sobre o Autismo: amor acima de tudo

Nesta terça-feira (2) é comemorado o Dia Mundial de Consciência sobre o Autismo, transtorno encontrado em 20 a cada 10 mil nascidos

Por Tribuna do Ceará em Cotidiano

2 de abril de 2013 às 18:21

Há 6 anos
(Família de Letícia reunida. Foto: arquivo)

(Família de Letícia reunida. Foto: arquivo)

*Camila Cabral e Roberta Tavares

Imagina sentir fome, frio ou dor e ser impossibilitado de dizer o que precisa? Quem conseguiu imaginar entendeu um pouco o dia a dia de uma pessoa com autismo. Nesta terça-feira (2), é comemorado o Dia Mundial de Consciência sobre o Autismo, transtorno encontrado em 20 a cada 10 mil nascidos.

Letícia Ribeiro, de 17 anos, é autista. A mãe, Luziete Silva, descobriu o autismo em Lêlê, como é carinhosamente chamada, quando aos 2 anos ela começou a balbuciar algumas palavras e, quase aos 3 anos, parou de falar. Com o diagnóstico, veio o choque e a consequente adaptação que a família teve de passar.

“Conhecíamos pouco sobre o autismo. Mas foi aí que procurei uma fonoaudióloga que indicou procurar uma escola. Na escola ‘regular’ fui orientada a procurar uma neurologista e daí começou todo nossa caminhada para os atendimentos diferenciados, como terapia ocupacional, fono, psicóloga, tudo orientado por neurologista”, explica.

O dia a dia de Letícia

Na rotina de Lelê todos ajudam. Além da mãe, o pai e irmã também colaboram na evolução do aprendizado de Letícia. Os brinquedos e vídeos são as distrações que a garota mais gosta.

O dia a dia de Letícia é bem organizado. Luziete conta que o autista precisa cumprir uma rotina.  “Ela fica comigo pela manhã em casa, e à tarde vai para Fundação Projeto Diferente, onde é atendida com estudos voltados para o pedagógico e os atendimentos de fono e educação física”. Luziete lembra ainda que Lelê gosta e vai sozinha no transporte escolar.

Para a mãe, o dia 2 de abril representa um grande passo no reconhecimento do autismo. “É uma janela aberta para mostrar esse universo todo azul do qual tanta gente faz parte”, comemora.

Sonho de mãe

O maior sonho da mãe coruja é que Lêle um dia possa falar para se alfabetizar. “Queria que isso acontecesse porque assim ela conseguiria andar com suas próprias pernas”. Porém, Luziete conta que, mesmo sem falar, Letícia é muito independente. “Elas faz atividades sozinha, principalmente as relacionadas à higiene pessoal”, conta.

Diagnóstico e tratamento

O autismo manifesta-se antes dos 3 anos de idade e sua causa ainda não é clara, mesmo que fatores genéticos sejam considerados sua principal origem. O diagnóstico é feito a partir da observação do comportamento da criança.

“A primeira coisa que a mãe pode perceber é a dificuldade de a criança interagir socialmente. Tem dificuldade na fala, porque demora a desenvolver a linguagem. E a característica mais perceptível é o padrão de repetir os movimentos, chamado ‘comportamento repetitivo”, explica a pediatra e professora de Medicina Regina Portela.

A resistência ao aprendizado e às mudanças de rotina, uso de objetos de forma incomum, inexistência de medo em situações potencialmente perigosas, agressividade e hiperatividade também são considerados sintomas de autismo.

“Existem vários tratamentos: a criança tem que ser acompanhada por um fonoaudiólogo, para ajudar na fala; um fisioterapeuta, para que ela seja estimulada; pediatra e psicóloga. Mas o mais importante é que toda a família seja tratada, porque não é fácil conviver com crianças portadoras dessa doença”, conta Portela.

O dia deles

O Dia Mundial de Consciência sobre o Autismo foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em dezembro de 2007, com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre a doença. Para lembrar a data, na sexta-feira (5), haverá manifestação na Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza, a partir das 15h.

Publicidade

Dê sua opinião

Dia de Consciência sobre o Autismo: amor acima de tudo

Nesta terça-feira (2) é comemorado o Dia Mundial de Consciência sobre o Autismo, transtorno encontrado em 20 a cada 10 mil nascidos

Por Tribuna do Ceará em Cotidiano

2 de abril de 2013 às 18:21

Há 6 anos
(Família de Letícia reunida. Foto: arquivo)

(Família de Letícia reunida. Foto: arquivo)

*Camila Cabral e Roberta Tavares

Imagina sentir fome, frio ou dor e ser impossibilitado de dizer o que precisa? Quem conseguiu imaginar entendeu um pouco o dia a dia de uma pessoa com autismo. Nesta terça-feira (2), é comemorado o Dia Mundial de Consciência sobre o Autismo, transtorno encontrado em 20 a cada 10 mil nascidos.

Letícia Ribeiro, de 17 anos, é autista. A mãe, Luziete Silva, descobriu o autismo em Lêlê, como é carinhosamente chamada, quando aos 2 anos ela começou a balbuciar algumas palavras e, quase aos 3 anos, parou de falar. Com o diagnóstico, veio o choque e a consequente adaptação que a família teve de passar.

“Conhecíamos pouco sobre o autismo. Mas foi aí que procurei uma fonoaudióloga que indicou procurar uma escola. Na escola ‘regular’ fui orientada a procurar uma neurologista e daí começou todo nossa caminhada para os atendimentos diferenciados, como terapia ocupacional, fono, psicóloga, tudo orientado por neurologista”, explica.

O dia a dia de Letícia

Na rotina de Lelê todos ajudam. Além da mãe, o pai e irmã também colaboram na evolução do aprendizado de Letícia. Os brinquedos e vídeos são as distrações que a garota mais gosta.

O dia a dia de Letícia é bem organizado. Luziete conta que o autista precisa cumprir uma rotina.  “Ela fica comigo pela manhã em casa, e à tarde vai para Fundação Projeto Diferente, onde é atendida com estudos voltados para o pedagógico e os atendimentos de fono e educação física”. Luziete lembra ainda que Lelê gosta e vai sozinha no transporte escolar.

Para a mãe, o dia 2 de abril representa um grande passo no reconhecimento do autismo. “É uma janela aberta para mostrar esse universo todo azul do qual tanta gente faz parte”, comemora.

Sonho de mãe

O maior sonho da mãe coruja é que Lêle um dia possa falar para se alfabetizar. “Queria que isso acontecesse porque assim ela conseguiria andar com suas próprias pernas”. Porém, Luziete conta que, mesmo sem falar, Letícia é muito independente. “Elas faz atividades sozinha, principalmente as relacionadas à higiene pessoal”, conta.

Diagnóstico e tratamento

O autismo manifesta-se antes dos 3 anos de idade e sua causa ainda não é clara, mesmo que fatores genéticos sejam considerados sua principal origem. O diagnóstico é feito a partir da observação do comportamento da criança.

“A primeira coisa que a mãe pode perceber é a dificuldade de a criança interagir socialmente. Tem dificuldade na fala, porque demora a desenvolver a linguagem. E a característica mais perceptível é o padrão de repetir os movimentos, chamado ‘comportamento repetitivo”, explica a pediatra e professora de Medicina Regina Portela.

A resistência ao aprendizado e às mudanças de rotina, uso de objetos de forma incomum, inexistência de medo em situações potencialmente perigosas, agressividade e hiperatividade também são considerados sintomas de autismo.

“Existem vários tratamentos: a criança tem que ser acompanhada por um fonoaudiólogo, para ajudar na fala; um fisioterapeuta, para que ela seja estimulada; pediatra e psicóloga. Mas o mais importante é que toda a família seja tratada, porque não é fácil conviver com crianças portadoras dessa doença”, conta Portela.

O dia deles

O Dia Mundial de Consciência sobre o Autismo foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em dezembro de 2007, com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre a doença. Para lembrar a data, na sexta-feira (5), haverá manifestação na Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza, a partir das 15h.