Três em cada quatro desempregados na RMF são negros


Três em cada quatro desempregados na Grande Fortaleza são negros

Desemprego recai ainda com mais intensidade sobre as mulheres, principalmente as negras

Por Roberta Tavares em Ceará

18 de novembro de 2013 às 09:25

Há 6 anos

Embora em declínio, ainda há diferenças entre os segmentos populacionais na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), em termos de raça ou cor. As informações fazem parte da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED).

A presença do trabalhador negro é relativamente menor do que a dos não-negros nas atividades ligadas ao setor terciário da economia (FOTO: Raoni Barbosa/Flickr)

A presença do trabalhador negro é relativamente menor do que a dos não-negros nas atividades ligadas ao setor terciário da economia (FOTO: Raoni Barbosa/Flickr)

Três em cada quatro trabalhadores desempregados da região são negros (76,9%), proporção ligeiramente superior à sua participação entre os ocupados (76,3%) e na População Economicamente Ativa como um todo (76,4%).

O levantamento aponta que, entre 2011 e 2012, a taxa de desemprego total não variou, permanecendo em 8,9%. A tendência afetou tanto os trabalhadores negros quanto os não-negros, apesar de a taxa de desemprego entre os negros não ter variado (9%), a dos não-negros sofreu discreta variação positiva, ao passar de 8,5% para 8,7%.

Mulheres negras

O desemprego recai ainda com mais intensidade sobre as mulheres, principalmente as negras. A taxa de desemprego total desse segmento populacional é bem mais elevada (10,9%) do que das mulheres não-negras (10,1%) e dos homens, quer negros (7,5%) ou não negros (7,3%).

Setores econômicos

A presença do trabalhador negro é relativamente menor do que a dos não-negros nas atividades ligadas ao setor terciário da economia, tanto no comércio (23,1% contra 24,5%) quanto nos serviços (47% e 51,7%).

Os trabalhadores negros têm presença expressiva nos setores da indústria (18,8% contra 16,6%) e da construção (8,9% e 5,5%).

Leia mais:
16,25% da população cearense é analfabeta, aponta pesquisa

A proporção de trabalhadores negros que trabalhavam no setor público, em 2012, era bem menor (7,5%) do que a dos não-negros (10,7%). A pesquisa justifica o caso levando em consideração que mais da metade dos assalariados do setor público da RMF possui nível de escolaridade superior (53,3%) e que a proporção de negros com esse perfil de escolarização na região chega a ser proporcionalmente a metade da verificação entre os não-negros (7,4% contra 14,3%).

Rendimento médio

O diferencial do padrão de rendimento médio real entre negros e não-negros é ainda bem expressivo, uma vez que o rendimento médio real do primeiro segmento é 23,7% menor do que o do segundo, realidade também observável no rendimento médio horário, dado que ambos os segmentos possuem jornadas laborais equivalentes (42 horas).

Em um mesmo ramo, o salário de uma mulher negra é de R$ 830, abaixo do de um homem negro (R$ 1.151). Mulheres não-negras recebem salário de R$ 1.099 e homens não-negros R$ 1.549.

A pesquisa conclui, portanto, que “os dados sinalizam que ainda há muito o que se avançar no combate às desigualdades sociais e suas repercussões no mercado de trabalho, tanto na questão racial quanto na questão gênero”.

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Três em cada quatro desempregados na Grande Fortaleza são negros

Desemprego recai ainda com mais intensidade sobre as mulheres, principalmente as negras

Por Roberta Tavares em Ceará

18 de novembro de 2013 às 09:25

Há 6 anos

Embora em declínio, ainda há diferenças entre os segmentos populacionais na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), em termos de raça ou cor. As informações fazem parte da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED).

A presença do trabalhador negro é relativamente menor do que a dos não-negros nas atividades ligadas ao setor terciário da economia (FOTO: Raoni Barbosa/Flickr)

A presença do trabalhador negro é relativamente menor do que a dos não-negros nas atividades ligadas ao setor terciário da economia (FOTO: Raoni Barbosa/Flickr)

Três em cada quatro trabalhadores desempregados da região são negros (76,9%), proporção ligeiramente superior à sua participação entre os ocupados (76,3%) e na População Economicamente Ativa como um todo (76,4%).

O levantamento aponta que, entre 2011 e 2012, a taxa de desemprego total não variou, permanecendo em 8,9%. A tendência afetou tanto os trabalhadores negros quanto os não-negros, apesar de a taxa de desemprego entre os negros não ter variado (9%), a dos não-negros sofreu discreta variação positiva, ao passar de 8,5% para 8,7%.

Mulheres negras

O desemprego recai ainda com mais intensidade sobre as mulheres, principalmente as negras. A taxa de desemprego total desse segmento populacional é bem mais elevada (10,9%) do que das mulheres não-negras (10,1%) e dos homens, quer negros (7,5%) ou não negros (7,3%).

Setores econômicos

A presença do trabalhador negro é relativamente menor do que a dos não-negros nas atividades ligadas ao setor terciário da economia, tanto no comércio (23,1% contra 24,5%) quanto nos serviços (47% e 51,7%).

Os trabalhadores negros têm presença expressiva nos setores da indústria (18,8% contra 16,6%) e da construção (8,9% e 5,5%).

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A proporção de trabalhadores negros que trabalhavam no setor público, em 2012, era bem menor (7,5%) do que a dos não-negros (10,7%). A pesquisa justifica o caso levando em consideração que mais da metade dos assalariados do setor público da RMF possui nível de escolaridade superior (53,3%) e que a proporção de negros com esse perfil de escolarização na região chega a ser proporcionalmente a metade da verificação entre os não-negros (7,4% contra 14,3%).

Rendimento médio

O diferencial do padrão de rendimento médio real entre negros e não-negros é ainda bem expressivo, uma vez que o rendimento médio real do primeiro segmento é 23,7% menor do que o do segundo, realidade também observável no rendimento médio horário, dado que ambos os segmentos possuem jornadas laborais equivalentes (42 horas).

Em um mesmo ramo, o salário de uma mulher negra é de R$ 830, abaixo do de um homem negro (R$ 1.151). Mulheres não-negras recebem salário de R$ 1.099 e homens não-negros R$ 1.549.

A pesquisa conclui, portanto, que “os dados sinalizam que ainda há muito o que se avançar no combate às desigualdades sociais e suas repercussões no mercado de trabalho, tanto na questão racial quanto na questão gênero”.