Reprodução assistida ajuda mulheres a realizar o sonho de ser mãe


Reprodução assistida: o sonho de ser mãe por meio de métodos artificiais

Em 2012, a taxa brasileira foi de 73%, se enquadrando na média internacional que varia de 65% a 75%. A pesquisa ainda mostra que o Ceará aparece como o quarto estado brasileiro com maior número de embriões congelados (5,72%)

Por Aline Lima em Ceará

13 de setembro de 2013 às 16:42

Há 6 anos
Em 2012, a taxa brasileira foi de 73%, se enquadrando na média internacional que varia de 65% a 75%. A pesquisa ainda mostra que o Ceará aparece como o quarto estado brasileiro com maior número de embriões congelados (5,72%)

Em 2012, a taxa brasileira foi de 73%, se enquadrando na média internacional que varia de 65% a 75%. A pesquisa ainda mostra que o Ceará aparece como o quarto estado brasileiro com maior número de embriões congelados (5,72%)

Ser mãe nem sempre é algo fácil para algumas mulheres. Este foi o caso da pedagoga Renata Cid que, há 9 anos, decidiu recorrer a tratamentos de fertilização humana, devido à dificuldade de engravidar com os métodos tradicionais.

Hoje, ela tem quatro crianças, todas geradas a partir da fecundação in vitro. “Eu realizei o sonho de ser mãe. Cada um deles veio para completar a felicidade”. Renata conta que o tratamento não é fácil para a mulher. As emoções são intensas e se misturam conforme o resultado. “Tem todo tipo de emoção: a tristeza, quando não dá certo; a alegria quando o resultado é positivo… A gente tem que aprender a lidar com todas elas”.

Renata engravidou da primeira filha, de 8 anos, na primeira tentativa. Nos tratamentos seguintes, houve uma dificuldade maior, portanto recorreu à técnica de reprodução assistida, também conhecida como reprodução in vitro.

Assim como a pedagoga, muitas mulheres tem recorrido a esse tratamento para engravidar. Segundo o relatório divulgado pela Agência Nacional de Segurança Sanitária (Anvisa), o Brasil tem alcançado altas taxas de fertilização por reprodução assistida, revelando a eficácia do serviço no país.

Índices  no Estado

Em 2012, a taxa brasileira foi de 73%, se enquadrando na média internacional que varia de 65% a 75%. A pesquisa ainda mostra que o Ceará aparece como o quarto estado brasileiro com maior número de embriões congelados (5,72%), atrás apenas de São Paulo (42,2%), Rio de Janeiro (12,63%) e Minas Gerais (10,27%), de um total de 32.181 embriões. Para o ginecologista com especialidade em reprodução humana, Marcelo Cavalcante, esse fator se dá pela alta taxa de gravidez no país, se comparado, por exemplo, com a da Europa. Ele conta que aqui é permitido transferir de dois a quatro embriões, dependendo da idade do paciente o que, consequentemente, aumenta a taxa de gravidez .

Cavalcante explica que a reprodução humana é uma especialidade da ginecologia, responsável por tratar casais com dificuldade de engravidar. Nos casos mais difíceis, utiliza-se técnicas de fertilização assistida, através das quais é gerado o bebê de proveta. Segundo o médico, normalmente os casais conseguem engravidar utilizando os próprios óvulos. Quando isso não acontece, recorre-se a bancos de óvulos ou sêmen, no caso de mulheres e homens respectivamente.

Gêmeos

Devido a grande quantidade de embriões transferidos para a mulher, a reprodução assistida aumenta a possibilidade de gestação gemelar, ou seja, de gêmeos. Ele diz que o Brasil permite que de 2 a 4 embriões sejam transferidos porque o tratamento não é oferecido pelo serviço público nem pelos planos de saúde. Desta forma, as mulheres precisam ter sucesso nas primeiras tentativas por conta do alto custo do tratamento.

O médico conta que se tem observado uma dificuldade de as mulheres engravidar. Dentre os motivos, ele cita o investimento na carreira, o que acaba postergando uma gravidez, e problemas relacionados ao estilo de vida da mulher, como o uso de drogas, tabagismo e algumas doenças. Outros problemas citados são a idade avançada e a necessidade de retirar os ovários.

Quando o casal opta pelo tratamento, alguns procedimentos devem ser considerados para que o resultado seja positivo. Primeiro, o paciente passa por um pré-tratamento e a seleção do melhor técnica. É nesse momento em que será avaliado se existe ou não a necessidade da reprodução assistida ou se somente a medicação e certas medidas será o suficiente. Depois, a paciente toma medicação a fim de melhorar a qualidade do tratamento e o embrião é selecionado. “Os três primeiros meses da gravidez devem ser acompanhados, pois tem grande risco de haver perda gestacional”.

Sobre os casos de gestação gemelar, ele destaca que, embora a gestação de gêmeos seja interessante num primeiro momento, pode trazer complicações depois. “O risco de (o bebê) nascer prematuro é maior. (A mulher) também pode ter problema de hipertensão ou diabetes”. A taxa de gestação gemelar nesses procedimentos (15%) é considerada alta, se comparada com uma gestação normal (10%). Sobre a capacitação dos profissionais, o médico conta que pode ser igualado à dos países ricos.

De modo geral, o perfil de pessoas interessadas no tratamento são casais heterossexuais em torno de 30 e 35 anos. Mas ele destaca que existe também uma parcela de casais homo (5%) que também fazem o tratamento. Em média, a clínica atende 250 pessoas por ano.

Doação

De acordo com Cavalcante, as mulheres somente podem doar óvulos caso estejam em tratamento e tomem remédio para estimular a ovulação. O médico explica que o motivo desta restrição está relacionado à complexidade da coleta do óvulo, feita através de procedimento cirúrgico. As doadoras precisam ter menos de 30 anos e são entrevistadas para certificar de que são saudáveis e não tem antecedentes de alteração genética ou doenças contagiosas.

Os homens, entretanto, podem doar independente de tratamento, passando apenas por seleção para garantir a saúde do material. Hoje existe apenas um banco de sêmen em todo o país, localizado em São Paulo.

Inseminação artificial x fertilização in vitro

A inseminação artificial e a fertilização in vitro são formas diferentes de fecundação com acompanhamento médico. A inseminação artificial é usada quando a mulher tem um problema no colo do útero: a região possui anticorpos que matam os espermatozoides.

Na fertilização in vitro, a fecundação é feita fora do organismo. Essa técnica é usada por mulheres que fizeram ligamento de trompas – uma cirurgia que evita a passagem do óvulo para o útero – e se arrependeram.

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Reprodução assistida: o sonho de ser mãe por meio de métodos artificiais

Em 2012, a taxa brasileira foi de 73%, se enquadrando na média internacional que varia de 65% a 75%. A pesquisa ainda mostra que o Ceará aparece como o quarto estado brasileiro com maior número de embriões congelados (5,72%)

Por Aline Lima em Ceará

13 de setembro de 2013 às 16:42

Há 6 anos
Em 2012, a taxa brasileira foi de 73%, se enquadrando na média internacional que varia de 65% a 75%. A pesquisa ainda mostra que o Ceará aparece como o quarto estado brasileiro com maior número de embriões congelados (5,72%)

Em 2012, a taxa brasileira foi de 73%, se enquadrando na média internacional que varia de 65% a 75%. A pesquisa ainda mostra que o Ceará aparece como o quarto estado brasileiro com maior número de embriões congelados (5,72%)

Ser mãe nem sempre é algo fácil para algumas mulheres. Este foi o caso da pedagoga Renata Cid que, há 9 anos, decidiu recorrer a tratamentos de fertilização humana, devido à dificuldade de engravidar com os métodos tradicionais.

Hoje, ela tem quatro crianças, todas geradas a partir da fecundação in vitro. “Eu realizei o sonho de ser mãe. Cada um deles veio para completar a felicidade”. Renata conta que o tratamento não é fácil para a mulher. As emoções são intensas e se misturam conforme o resultado. “Tem todo tipo de emoção: a tristeza, quando não dá certo; a alegria quando o resultado é positivo… A gente tem que aprender a lidar com todas elas”.

Renata engravidou da primeira filha, de 8 anos, na primeira tentativa. Nos tratamentos seguintes, houve uma dificuldade maior, portanto recorreu à técnica de reprodução assistida, também conhecida como reprodução in vitro.

Assim como a pedagoga, muitas mulheres tem recorrido a esse tratamento para engravidar. Segundo o relatório divulgado pela Agência Nacional de Segurança Sanitária (Anvisa), o Brasil tem alcançado altas taxas de fertilização por reprodução assistida, revelando a eficácia do serviço no país.

Índices  no Estado

Em 2012, a taxa brasileira foi de 73%, se enquadrando na média internacional que varia de 65% a 75%. A pesquisa ainda mostra que o Ceará aparece como o quarto estado brasileiro com maior número de embriões congelados (5,72%), atrás apenas de São Paulo (42,2%), Rio de Janeiro (12,63%) e Minas Gerais (10,27%), de um total de 32.181 embriões. Para o ginecologista com especialidade em reprodução humana, Marcelo Cavalcante, esse fator se dá pela alta taxa de gravidez no país, se comparado, por exemplo, com a da Europa. Ele conta que aqui é permitido transferir de dois a quatro embriões, dependendo da idade do paciente o que, consequentemente, aumenta a taxa de gravidez .

Cavalcante explica que a reprodução humana é uma especialidade da ginecologia, responsável por tratar casais com dificuldade de engravidar. Nos casos mais difíceis, utiliza-se técnicas de fertilização assistida, através das quais é gerado o bebê de proveta. Segundo o médico, normalmente os casais conseguem engravidar utilizando os próprios óvulos. Quando isso não acontece, recorre-se a bancos de óvulos ou sêmen, no caso de mulheres e homens respectivamente.

Gêmeos

Devido a grande quantidade de embriões transferidos para a mulher, a reprodução assistida aumenta a possibilidade de gestação gemelar, ou seja, de gêmeos. Ele diz que o Brasil permite que de 2 a 4 embriões sejam transferidos porque o tratamento não é oferecido pelo serviço público nem pelos planos de saúde. Desta forma, as mulheres precisam ter sucesso nas primeiras tentativas por conta do alto custo do tratamento.

O médico conta que se tem observado uma dificuldade de as mulheres engravidar. Dentre os motivos, ele cita o investimento na carreira, o que acaba postergando uma gravidez, e problemas relacionados ao estilo de vida da mulher, como o uso de drogas, tabagismo e algumas doenças. Outros problemas citados são a idade avançada e a necessidade de retirar os ovários.

Quando o casal opta pelo tratamento, alguns procedimentos devem ser considerados para que o resultado seja positivo. Primeiro, o paciente passa por um pré-tratamento e a seleção do melhor técnica. É nesse momento em que será avaliado se existe ou não a necessidade da reprodução assistida ou se somente a medicação e certas medidas será o suficiente. Depois, a paciente toma medicação a fim de melhorar a qualidade do tratamento e o embrião é selecionado. “Os três primeiros meses da gravidez devem ser acompanhados, pois tem grande risco de haver perda gestacional”.

Sobre os casos de gestação gemelar, ele destaca que, embora a gestação de gêmeos seja interessante num primeiro momento, pode trazer complicações depois. “O risco de (o bebê) nascer prematuro é maior. (A mulher) também pode ter problema de hipertensão ou diabetes”. A taxa de gestação gemelar nesses procedimentos (15%) é considerada alta, se comparada com uma gestação normal (10%). Sobre a capacitação dos profissionais, o médico conta que pode ser igualado à dos países ricos.

De modo geral, o perfil de pessoas interessadas no tratamento são casais heterossexuais em torno de 30 e 35 anos. Mas ele destaca que existe também uma parcela de casais homo (5%) que também fazem o tratamento. Em média, a clínica atende 250 pessoas por ano.

Doação

De acordo com Cavalcante, as mulheres somente podem doar óvulos caso estejam em tratamento e tomem remédio para estimular a ovulação. O médico explica que o motivo desta restrição está relacionado à complexidade da coleta do óvulo, feita através de procedimento cirúrgico. As doadoras precisam ter menos de 30 anos e são entrevistadas para certificar de que são saudáveis e não tem antecedentes de alteração genética ou doenças contagiosas.

Os homens, entretanto, podem doar independente de tratamento, passando apenas por seleção para garantir a saúde do material. Hoje existe apenas um banco de sêmen em todo o país, localizado em São Paulo.

Inseminação artificial x fertilização in vitro

A inseminação artificial e a fertilização in vitro são formas diferentes de fecundação com acompanhamento médico. A inseminação artificial é usada quando a mulher tem um problema no colo do útero: a região possui anticorpos que matam os espermatozoides.

Na fertilização in vitro, a fecundação é feita fora do organismo. Essa técnica é usada por mulheres que fizeram ligamento de trompas – uma cirurgia que evita a passagem do óvulo para o útero – e se arrependeram.