Médico cubano atuante no Ceará diz que colegas são explorados


Médico cubano atuante no Ceará diz que colegas são explorados

O médico, que exerce a profissão no Ceará há três anos, fugiu de Cuba e se naturalizou brasileiro

Por Tribuna do Ceará em Ceará

5 de setembro de 2013 às 10:00

Há 6 anos
"Brasil precisa de médicos nas áreas mais carentes, mas que seja de forma correta", disse o Jiménez (FOTO: Reprodução/Facebook)

Médico criticou remuneração dos médicos cubanos que atuarão no Brasil (FOTO: Reprodução/Facebook)

O médico Carlos Rafael Jorge Jiménez criticou, nesta quarta-feira (4), a remuneração dos médicos cubanos que atuarão no Brasil por meio do Programa Mais Médicos, por não receberem integralmente a bolsa de R$ 10 mil.

Jiménez, que exerce a profissão médica no Ceará há três anos, fugiu de Cuba há 12 anos e se naturalizou brasileiro. Ele foi um dos participantes da sessão da comissão geral da Câmara dos Deputados, ocorrida no plenário da Casa convocada para debater a Medida Provisória (MP) 621, que cria o Programa Mais Médicos.

“O Brasil precisa de médicos nas áreas mais carentes, mas que seja de forma correta, e não explorando como estão explorando os médicos cubanos”, declarou Jiménez, que tem 30 anos de formado.

Exploração

Segundo ele, os médicos do seu país em missão no exterior ganham entre 25% e 40% do que é pago pelo país que os recebe. O restante é entregue ao governo cubano. No caso brasileiro, o salário ficaria entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, frente aos R$ 10 que os outros médicos do programa vão receber.

“O explorador é o governo cubano, e o governo brasileiro está apoiando a vinda deles. Por que os médicos cubanos não podem entrar e sair quando querem, por que não podem pedir asilo político?”, questionou.

Aulas

Carlos Rafael Jorge Jiménez relatou que os cubanos estavam sendo preparados para vir ao Brasil há pelo menos um ano com aulas de português e de funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Trabalho escravo

O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, durante o evento na Câmara, rebateu as críticas do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), que comparou a forma de trabalho dos médicos cubanos no Brasil ao trabalho escravo. Segundo ele, o país tem uma das legislações mais avançados do mundo no combate ao trabalho escravo.

“Acho desrespeitoso atribuir a prefeitos, profissionais de universidades públicas, qualquer tipo de acusação de compartilhar com o regime de trabalho escravo. Não há, nesse ponto, nenhuma falta de transparência”, disse Adams.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que também participou da sessão, ressaltou que não se deve banalizar o termo trabalho escravo e disse que não há paralelo com esse tipo de trabalho nas formas de cooperação de Cuba com 58 países que receberam médicos cubanos. “Alguém acha que a União Europeia ira permitir trabalho escravo em Portugal?”, questionou.

Ilegal

O presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Geraldo Ferreira, disse que a entidade não é contrária à contratação de profissionais estrangeiros, mas considera que as feitas pelo Programa Mais Médicos não são legais. “Já recorremos ao Ministério Público Federal e ao Tribunal de Contas da União para questionar a medida”, disse. Ele também acusou o programa de eleitoreiro.

Desistência do Mais Médicos

Onze médicos que atuariam em Fortaleza desistiram de participar do Mais Médicos. Segundo Alexandre Padilha, os profissionais serão banidos do programa. A exclusão acontecerá mesmo em fase posteriores.

Publicidade

Dê sua opinião

Médico cubano atuante no Ceará diz que colegas são explorados

O médico, que exerce a profissão no Ceará há três anos, fugiu de Cuba e se naturalizou brasileiro

Por Tribuna do Ceará em Ceará

5 de setembro de 2013 às 10:00

Há 6 anos
"Brasil precisa de médicos nas áreas mais carentes, mas que seja de forma correta", disse o Jiménez (FOTO: Reprodução/Facebook)

Médico criticou remuneração dos médicos cubanos que atuarão no Brasil (FOTO: Reprodução/Facebook)

O médico Carlos Rafael Jorge Jiménez criticou, nesta quarta-feira (4), a remuneração dos médicos cubanos que atuarão no Brasil por meio do Programa Mais Médicos, por não receberem integralmente a bolsa de R$ 10 mil.

Jiménez, que exerce a profissão médica no Ceará há três anos, fugiu de Cuba há 12 anos e se naturalizou brasileiro. Ele foi um dos participantes da sessão da comissão geral da Câmara dos Deputados, ocorrida no plenário da Casa convocada para debater a Medida Provisória (MP) 621, que cria o Programa Mais Médicos.

“O Brasil precisa de médicos nas áreas mais carentes, mas que seja de forma correta, e não explorando como estão explorando os médicos cubanos”, declarou Jiménez, que tem 30 anos de formado.

Exploração

Segundo ele, os médicos do seu país em missão no exterior ganham entre 25% e 40% do que é pago pelo país que os recebe. O restante é entregue ao governo cubano. No caso brasileiro, o salário ficaria entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, frente aos R$ 10 que os outros médicos do programa vão receber.

“O explorador é o governo cubano, e o governo brasileiro está apoiando a vinda deles. Por que os médicos cubanos não podem entrar e sair quando querem, por que não podem pedir asilo político?”, questionou.

Aulas

Carlos Rafael Jorge Jiménez relatou que os cubanos estavam sendo preparados para vir ao Brasil há pelo menos um ano com aulas de português e de funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Trabalho escravo

O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, durante o evento na Câmara, rebateu as críticas do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), que comparou a forma de trabalho dos médicos cubanos no Brasil ao trabalho escravo. Segundo ele, o país tem uma das legislações mais avançados do mundo no combate ao trabalho escravo.

“Acho desrespeitoso atribuir a prefeitos, profissionais de universidades públicas, qualquer tipo de acusação de compartilhar com o regime de trabalho escravo. Não há, nesse ponto, nenhuma falta de transparência”, disse Adams.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que também participou da sessão, ressaltou que não se deve banalizar o termo trabalho escravo e disse que não há paralelo com esse tipo de trabalho nas formas de cooperação de Cuba com 58 países que receberam médicos cubanos. “Alguém acha que a União Europeia ira permitir trabalho escravo em Portugal?”, questionou.

Ilegal

O presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Geraldo Ferreira, disse que a entidade não é contrária à contratação de profissionais estrangeiros, mas considera que as feitas pelo Programa Mais Médicos não são legais. “Já recorremos ao Ministério Público Federal e ao Tribunal de Contas da União para questionar a medida”, disse. Ele também acusou o programa de eleitoreiro.

Desistência do Mais Médicos

Onze médicos que atuariam em Fortaleza desistiram de participar do Mais Médicos. Segundo Alexandre Padilha, os profissionais serão banidos do programa. A exclusão acontecerá mesmo em fase posteriores.