Empreendedorismo: sonhos que viram negócios de sucesso


Empreendedorismo: sonhos que viram negócios de sucesso

Abrir e gerir uma empresa exige um conjunto de habilidades e conhecimentos. É preciso entender o mercado, o público que se deseja atingir e planejar bem o negócio

Por Felipe Lima e Roberta Tavares em Ceará

28 de dezembro de 2013 às 14:00

Há 5 anos

Uma dona de grife de moda praia, uma cozinheira e um instrutor de kitesurfe. Os três tiveram coragem para deixar o emprego estável em busca da realização profissional e de um sonho.

A ex-assessora parlamentar Leyane Magalhães, de 55 anos, trocou o que, para muitas pessoas, pode ser o certo pelo duvidoso. Mas ela não teve dúvida. Ser o próprio chefe, montar horários alternativos e ainda ter uma fonte de renda adicional são o que levam a ex-assessora e muitas outras pessoas a reacenderem o espírito empreendedor. Ao término do mandato de seu assessorado, a administradora de empresas por formação decidiu fazer um curso de especialização em comércio exterior para, em seguida, lançar uma grife de moda praia em Fortaleza.

Deu os primeiros passos para a criação da loja Marrazzo a partir de cursos de formação de preços, técnicas de vendas e desenvolvimento de características de comportamento empreendedor, promovidos pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Dia a dia

Leyane abriu uma grife de moda praia (FOTO: Arquivo Pessoal)

Leyane abriu uma grife de moda praia (FOTO: Arquivo Pessoal)

Em janeiro de 2006, a empresa foi aberta. A rotina da cearense mudou por completo. Um dia é sempre muito diferente do outro, mas não menos cansativo que os da época de Senado. Passa o dia inteiro fora, deixando inclusive o almoço com a família para o fim de semana.

“Duas a três vezes por semana, vou à loja Marrazzo conferir as vendas e acompanhar o estoque. Sou mais presente na fábrica, a fim de acompanhar o bom andamento da produção, organizar e efetuar pagamentos, receber fornecedores e alguns clientes”.

Leyane ainda consegue tempo para participar de reuniões, palestras e outros eventos do Sebrae. E foi capacitando-se que deixou de ser apenas uma apreciadora da moda praia. “Eu não sabia sequer distinguir o lado direito ou avesso de uma lycra lisa. Não conhecia os aparelhos usados e nem as operações a que cada máquina se destinava. Nisso eu era um zero à esquerda. Tive que aprender ligeiro”, diz.

Sucesso internacional

Cinco meses após a abertura da empresa, vieram as primeiras vendas externas. Desta vez, para Portugal. Coleções da Marrazzo foram apresentadas na Espanha e na Itália. “A aproximação com outros países, idiomas e culturas sempre me fascinou”.

O cuidado com as exportações rendeu à empreendedora o Prêmio Exportador do Ano de 2006 na categoria “Inserção Internacional”. E o plano é continuar crescendo lá fora, sem esquecer, claro, do Ceará.

Negativos e positivos

Apesar de todo o sucesso da loja, Leyane admite não estar acostumada com a instabilidade financeira e com a preocupação de pagamento de funcionários e de mais impostos. Mas a empresária não se arrepende de ter aberto o próprio negócio, mesmo tendo constatado que, no ramo de confecção no Ceará, a concorrência é “desleal e predadora”, em razão do alto índice de fabricantes informais.

“Não podia partir para outro plano sem antes experimentar o desafio de abrir e manter minha própria empresa”, alegra-se. A empresária relata que não há nada melhor do que ampliar a rede de contatos, tomar as próprias decisões, estabelecer metas e lutar diretamente por elas, além de fazer o próprio horário, dispondo de tempo para caminhar, viajar em qualquer época do ano ou, até mesmo, tomar café com as amigas no fim de tarde e aproveitar para ver o sol se pôr – que ela faz questão de citar.

No entanto, para alguns, o sonho de montar o próprio negócio pode esbarrar no medo e na incerteza do sucesso. É difícil optar por deixar um emprego que lhe oferece segurança e conforto para iniciar um caminho desconhecido. Leyane orienta os empreendedores de primeira viagem que se descubram empresários e se realizem. “Se existe vontade, é preciso ir à luta para conquistar espaço em um mercado cada vez mais competitivo”, conclui.

> LEIA MAIS:

Felicidade na cozinha

A paixão pela cozinha fez Karina abandonar o emprego estável em um jornal de Fortaleza (FOTO: Arquivo Pessoal)

A paixão pela cozinha fez Karina abandonar o emprego estável em um jornal de Fortaleza (FOTO: Arquivo Pessoal)

Assim como Leyane, Karina Rodrigues Ximenes, de 35 anos, tomou coragem e montou o próprio negócio. O amor pela cozinha deu um empurrãozinho. Ela teve de abandonar o trabalho estável em um jornal de Fortaleza para poder se dedicar ao sonho de atuar no ramo da gastronomia.

Karina trabalhou no setor de circulação do periódico, atendendo clientes por telefone, durante cinco anos – de 2003 a 2008. O medo de largar tudo para se concentrar no ramo de cozinha profissional falava mais alto. Até que, em uma conversa familiar, surgiu a ideia de montar uma marmitaria.

“Eu sempre tive vontade de organizar um negócio no ramo da gastronomia, porque gosto de cozinhar. Por isso, essa conversa com minha família me agradou muito. Tomei coragem e pedi demissão no trabalho”.

Apoio da família foi essencial para o sucesso do restaurante (FOTO: Arquivo Pessoal)

Apoio da família foi essencial para o sucesso do restaurante (FOTO: Arquivo Pessoal)

A iniciativa e todo o apoio necessário partiram da mãe e da irmã de Karina. Apesar da ajuda da família, a empreendedora admite que a decisão foi difícil, principalmente pela falta de experiência dentro de uma cozinha de restaurante. O Sebrae colaborou, principalmente na parte de consultoria financeira. Foram quatro meses de preparação para a abertura do novo negócio.

A princípio, a intenção era ser uma pequena marmitaria, fornecendo somente almoço para viagem, mas foi tomando outra proporção, e um restaurante self-service de comidas caseiras foi aberto pela empreendedora em setembro de 2008.

Três meses depois, Karina teve a ideia de fazer massas ao vivo. Hoje, o restaurante D’Família trabalha com massas feitas na hora, onde o próprio cliente se serve e monta a pasta na frigideira. “Foi algo que realmente deu certo. O maior prazer é ter o reconhecimento do nosso trabalho, principalmente quando olho para a nossa história e vejo como começamos, sem experiência nenhuma”.

Mesmo tendo passado de empregada para empregadora, Karina faz questão de chegar cedo ao local de trabalho; e lembra que, desde que abriu o restaurante, não tirou férias. “A vida da pessoa muda muito. A renda da família melhorou, mas confesso que não foi da noite para o dia. Descobri que sou mais feliz cozinhando”, revela. “O conselho que deixo é fazer o que gosta, com amor. Eu tive sorte de trabalhar com o que amo fazer”, acrescenta.

Kitesurfe em Jeri

O sonho de trabalhar com esportes tornou-se realidade para o paulista (FOTO: Márcio Hernandez/Arquivo Pessoal)

Márcio Luiz saiu do emprego na Câmara de Comércio para trabalhar com esportes radicais (FOTO: Márcio Hernandez/Arquivo Pessoal)

Já o paulista Márcio Luiz Hernandez, de 38 anos, deixou o emprego na Câmara Americana de Comércio para viajar e conhecer outros países. Em um dos passeios, pela praia de Jericoacoara, no Ceará, gerenciou uma agência de viagens e, depois de três anos, foi convidado a dar aulas de kitesurfe.

Formado em Turismo pela universidade Anhembi Morumbi e em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC), Márcio ainda teve tempo para ampliar a formação como instrutor de kitesurfe, sua grande paixão.

“O maior impacto para a minha família foi eu resolver sair de São Paulo para morar em Jeri. Não aceitaram bem a ideia, mas, de certa forma, me apoiaram”, conta.

O empreendedor não se arrepende da decisão (FOTO: Márcio Hernandez/Arquivo Pessoal)

O empreendedor não se arrepende da decisão (FOTO: Márcio Hernandez/Arquivo Pessoal)

Agora, Márcio possui pousada, agência de viagens e escola de kitesurfe. O dia a dia se tornou bem mais cansativo, mas compensador. A ajuda do Sebrae e a força da esposa foram fundamentais para a realização do sonho. “Eu adoro esportes na água, já trabalhei com windsurfe e depois aprendi a velejar de kite”.

O instrutor não sente falta da ‘vida de empregado’ e tampouco se arrepende de ter tomado a decisão de sair de São Paulo, assegurando que a renda melhorou bastante com as três empresas que abriu em Jeri.

“De hoje em diante, não consigo pensar em trabalhar para os outros, só para mim. Para quem quer abrir um negócio próprio, aconselho que siga sua intuição e não tenha medo. A partir do momento que você tem sua empresa, o trabalho dobra, não existe mais fim de semana livre, mas a recompensa é muito maior”, acredita.

> LEIA MAIS

Empreendedorismo

Abrir e gerir uma empresa realmente exige um conjunto de habilidades e conhecimentos. É preciso entender o mercado, o público que se deseja atingir e planejar bem o negócio. Os casos de Leyane, Karine e Márcio refletem bem a realidade do Ceará no quesito empreendedorismo.

Os estados com o maior número de microempreendedores individuais são: São Paulo (24,6%), Rio de Janeiro (12%), Minas Gerais (10,5%) e Bahia (6,8%). O crescimento médio dos microempreendedores individuais em 12 meses (setembro de 2012 a agosto de 2013) foi de 39,5%. A maioria dos estados (19) registra taxas inferiores à média nacional e oito estados apresentaram taxas de crescimento superiores à média nacional (CE, PR, SC, MG, RS, SP,GO). Ou seja, três estados da região Sul, dois da região Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste e um da região Norte. “Quando a gente iniciou o projeto de microempreendedor individual em 2009, a projeção era de 100 mil cadastrados até 2013, mas este número foi facilmente atingido”, afirma a articuladora da Unidade de Atendimento Integrado do Sebrae/CE, Alice Mesquita.

Simples e gratuita, a formalização de uma empresa pode trazer vários benefícios para o novo empreendedor. “Além de oferecer cursos de capacitação para o microempreendedor, o Sebrae conta com consultorias e informações gerais sobre gestão. Também é possível fazer acompanhamentos e ajudar o novo empresário a definir seu futuro”, diz Alice.

Hoje, o Ceará vive um momento em que serviços ligados à beleza e ao bem-estar estão em alta. “As mulheres, principalmente, estão buscando negócios que associem a beleza à saúde e ao bem-estar. São criados salões que oferecem além de serviços básicos e academias, onde modelar o corpo não é o único objetivo”, comenta Alice, reforçando que atividades ligadas ao comércio e à indústria também têm obtido resultados positivos.

Uma boa gestão inclui estratégias de marketing, um fluxo de caixa controlado e muita criatividade e inovação. “Muitas pessoas que procuram o Sebrae já têm negócio próprio, mas informal. E o objetivo delas é conseguir mais garantias para fomentar o negócio. Para empresas que começam do zero, o órgão oferece diversos cursos gratuitos e também assessorias. O novo empresário precisar definir o campo de atuação e ainda quem ele quer atingir. O plano de negócio é muito importante”, afirma Mesquita.

Capacitação

A capacitação dos novos empreendedores pode ser feita presencialmente e também pela internet. Entre as opções estão “Aprenda a Empreender”, “Sou Um Microempreendedor Individual”, “Tenho Uma Microempresa” e “Tenho Uma Empresa de Pequeno Porte”. Os cursos são divididos por perfis e são gratuitos. Confira a lista completa aqui. Para maiores detalhes, o Sebrae possui uma estrutura de atendimento presencial em todo o país, por meio do telefone 0800.570.0800.

Para buscar mais conhecimento, o microempreendedor pode ter acesso ainda ao Centro de Documentação e Informação (CDI), que consiste em uma Biblioteca Especializada que dissemina informações empresariais para o segmento das micro e pequenas empresas, tornando seus negócios mais modernos e competitivos. O CDI é dividido em Serviço de Respostas Técnicas (SRT), Ideias de Negócios, Videoteca e Cine Empreendedor.

Vai abrir um negócio?

ARTE: Tiago Leite

Publicidade

Dê sua opinião

Empreendedorismo: sonhos que viram negócios de sucesso

Abrir e gerir uma empresa exige um conjunto de habilidades e conhecimentos. É preciso entender o mercado, o público que se deseja atingir e planejar bem o negócio

Por Felipe Lima e Roberta Tavares em Ceará

28 de dezembro de 2013 às 14:00

Há 5 anos

Uma dona de grife de moda praia, uma cozinheira e um instrutor de kitesurfe. Os três tiveram coragem para deixar o emprego estável em busca da realização profissional e de um sonho.

A ex-assessora parlamentar Leyane Magalhães, de 55 anos, trocou o que, para muitas pessoas, pode ser o certo pelo duvidoso. Mas ela não teve dúvida. Ser o próprio chefe, montar horários alternativos e ainda ter uma fonte de renda adicional são o que levam a ex-assessora e muitas outras pessoas a reacenderem o espírito empreendedor. Ao término do mandato de seu assessorado, a administradora de empresas por formação decidiu fazer um curso de especialização em comércio exterior para, em seguida, lançar uma grife de moda praia em Fortaleza.

Deu os primeiros passos para a criação da loja Marrazzo a partir de cursos de formação de preços, técnicas de vendas e desenvolvimento de características de comportamento empreendedor, promovidos pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Dia a dia

Leyane abriu uma grife de moda praia (FOTO: Arquivo Pessoal)

Leyane abriu uma grife de moda praia (FOTO: Arquivo Pessoal)

Em janeiro de 2006, a empresa foi aberta. A rotina da cearense mudou por completo. Um dia é sempre muito diferente do outro, mas não menos cansativo que os da época de Senado. Passa o dia inteiro fora, deixando inclusive o almoço com a família para o fim de semana.

“Duas a três vezes por semana, vou à loja Marrazzo conferir as vendas e acompanhar o estoque. Sou mais presente na fábrica, a fim de acompanhar o bom andamento da produção, organizar e efetuar pagamentos, receber fornecedores e alguns clientes”.

Leyane ainda consegue tempo para participar de reuniões, palestras e outros eventos do Sebrae. E foi capacitando-se que deixou de ser apenas uma apreciadora da moda praia. “Eu não sabia sequer distinguir o lado direito ou avesso de uma lycra lisa. Não conhecia os aparelhos usados e nem as operações a que cada máquina se destinava. Nisso eu era um zero à esquerda. Tive que aprender ligeiro”, diz.

Sucesso internacional

Cinco meses após a abertura da empresa, vieram as primeiras vendas externas. Desta vez, para Portugal. Coleções da Marrazzo foram apresentadas na Espanha e na Itália. “A aproximação com outros países, idiomas e culturas sempre me fascinou”.

O cuidado com as exportações rendeu à empreendedora o Prêmio Exportador do Ano de 2006 na categoria “Inserção Internacional”. E o plano é continuar crescendo lá fora, sem esquecer, claro, do Ceará.

Negativos e positivos

Apesar de todo o sucesso da loja, Leyane admite não estar acostumada com a instabilidade financeira e com a preocupação de pagamento de funcionários e de mais impostos. Mas a empresária não se arrepende de ter aberto o próprio negócio, mesmo tendo constatado que, no ramo de confecção no Ceará, a concorrência é “desleal e predadora”, em razão do alto índice de fabricantes informais.

“Não podia partir para outro plano sem antes experimentar o desafio de abrir e manter minha própria empresa”, alegra-se. A empresária relata que não há nada melhor do que ampliar a rede de contatos, tomar as próprias decisões, estabelecer metas e lutar diretamente por elas, além de fazer o próprio horário, dispondo de tempo para caminhar, viajar em qualquer época do ano ou, até mesmo, tomar café com as amigas no fim de tarde e aproveitar para ver o sol se pôr – que ela faz questão de citar.

No entanto, para alguns, o sonho de montar o próprio negócio pode esbarrar no medo e na incerteza do sucesso. É difícil optar por deixar um emprego que lhe oferece segurança e conforto para iniciar um caminho desconhecido. Leyane orienta os empreendedores de primeira viagem que se descubram empresários e se realizem. “Se existe vontade, é preciso ir à luta para conquistar espaço em um mercado cada vez mais competitivo”, conclui.

> LEIA MAIS:

Felicidade na cozinha

A paixão pela cozinha fez Karina abandonar o emprego estável em um jornal de Fortaleza (FOTO: Arquivo Pessoal)

A paixão pela cozinha fez Karina abandonar o emprego estável em um jornal de Fortaleza (FOTO: Arquivo Pessoal)

Assim como Leyane, Karina Rodrigues Ximenes, de 35 anos, tomou coragem e montou o próprio negócio. O amor pela cozinha deu um empurrãozinho. Ela teve de abandonar o trabalho estável em um jornal de Fortaleza para poder se dedicar ao sonho de atuar no ramo da gastronomia.

Karina trabalhou no setor de circulação do periódico, atendendo clientes por telefone, durante cinco anos – de 2003 a 2008. O medo de largar tudo para se concentrar no ramo de cozinha profissional falava mais alto. Até que, em uma conversa familiar, surgiu a ideia de montar uma marmitaria.

“Eu sempre tive vontade de organizar um negócio no ramo da gastronomia, porque gosto de cozinhar. Por isso, essa conversa com minha família me agradou muito. Tomei coragem e pedi demissão no trabalho”.

Apoio da família foi essencial para o sucesso do restaurante (FOTO: Arquivo Pessoal)

Apoio da família foi essencial para o sucesso do restaurante (FOTO: Arquivo Pessoal)

A iniciativa e todo o apoio necessário partiram da mãe e da irmã de Karina. Apesar da ajuda da família, a empreendedora admite que a decisão foi difícil, principalmente pela falta de experiência dentro de uma cozinha de restaurante. O Sebrae colaborou, principalmente na parte de consultoria financeira. Foram quatro meses de preparação para a abertura do novo negócio.

A princípio, a intenção era ser uma pequena marmitaria, fornecendo somente almoço para viagem, mas foi tomando outra proporção, e um restaurante self-service de comidas caseiras foi aberto pela empreendedora em setembro de 2008.

Três meses depois, Karina teve a ideia de fazer massas ao vivo. Hoje, o restaurante D’Família trabalha com massas feitas na hora, onde o próprio cliente se serve e monta a pasta na frigideira. “Foi algo que realmente deu certo. O maior prazer é ter o reconhecimento do nosso trabalho, principalmente quando olho para a nossa história e vejo como começamos, sem experiência nenhuma”.

Mesmo tendo passado de empregada para empregadora, Karina faz questão de chegar cedo ao local de trabalho; e lembra que, desde que abriu o restaurante, não tirou férias. “A vida da pessoa muda muito. A renda da família melhorou, mas confesso que não foi da noite para o dia. Descobri que sou mais feliz cozinhando”, revela. “O conselho que deixo é fazer o que gosta, com amor. Eu tive sorte de trabalhar com o que amo fazer”, acrescenta.

Kitesurfe em Jeri

O sonho de trabalhar com esportes tornou-se realidade para o paulista (FOTO: Márcio Hernandez/Arquivo Pessoal)

Márcio Luiz saiu do emprego na Câmara de Comércio para trabalhar com esportes radicais (FOTO: Márcio Hernandez/Arquivo Pessoal)

Já o paulista Márcio Luiz Hernandez, de 38 anos, deixou o emprego na Câmara Americana de Comércio para viajar e conhecer outros países. Em um dos passeios, pela praia de Jericoacoara, no Ceará, gerenciou uma agência de viagens e, depois de três anos, foi convidado a dar aulas de kitesurfe.

Formado em Turismo pela universidade Anhembi Morumbi e em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC), Márcio ainda teve tempo para ampliar a formação como instrutor de kitesurfe, sua grande paixão.

“O maior impacto para a minha família foi eu resolver sair de São Paulo para morar em Jeri. Não aceitaram bem a ideia, mas, de certa forma, me apoiaram”, conta.

O empreendedor não se arrepende da decisão (FOTO: Márcio Hernandez/Arquivo Pessoal)

O empreendedor não se arrepende da decisão (FOTO: Márcio Hernandez/Arquivo Pessoal)

Agora, Márcio possui pousada, agência de viagens e escola de kitesurfe. O dia a dia se tornou bem mais cansativo, mas compensador. A ajuda do Sebrae e a força da esposa foram fundamentais para a realização do sonho. “Eu adoro esportes na água, já trabalhei com windsurfe e depois aprendi a velejar de kite”.

O instrutor não sente falta da ‘vida de empregado’ e tampouco se arrepende de ter tomado a decisão de sair de São Paulo, assegurando que a renda melhorou bastante com as três empresas que abriu em Jeri.

“De hoje em diante, não consigo pensar em trabalhar para os outros, só para mim. Para quem quer abrir um negócio próprio, aconselho que siga sua intuição e não tenha medo. A partir do momento que você tem sua empresa, o trabalho dobra, não existe mais fim de semana livre, mas a recompensa é muito maior”, acredita.

> LEIA MAIS

Empreendedorismo

Abrir e gerir uma empresa realmente exige um conjunto de habilidades e conhecimentos. É preciso entender o mercado, o público que se deseja atingir e planejar bem o negócio. Os casos de Leyane, Karine e Márcio refletem bem a realidade do Ceará no quesito empreendedorismo.

Os estados com o maior número de microempreendedores individuais são: São Paulo (24,6%), Rio de Janeiro (12%), Minas Gerais (10,5%) e Bahia (6,8%). O crescimento médio dos microempreendedores individuais em 12 meses (setembro de 2012 a agosto de 2013) foi de 39,5%. A maioria dos estados (19) registra taxas inferiores à média nacional e oito estados apresentaram taxas de crescimento superiores à média nacional (CE, PR, SC, MG, RS, SP,GO). Ou seja, três estados da região Sul, dois da região Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste e um da região Norte. “Quando a gente iniciou o projeto de microempreendedor individual em 2009, a projeção era de 100 mil cadastrados até 2013, mas este número foi facilmente atingido”, afirma a articuladora da Unidade de Atendimento Integrado do Sebrae/CE, Alice Mesquita.

Simples e gratuita, a formalização de uma empresa pode trazer vários benefícios para o novo empreendedor. “Além de oferecer cursos de capacitação para o microempreendedor, o Sebrae conta com consultorias e informações gerais sobre gestão. Também é possível fazer acompanhamentos e ajudar o novo empresário a definir seu futuro”, diz Alice.

Hoje, o Ceará vive um momento em que serviços ligados à beleza e ao bem-estar estão em alta. “As mulheres, principalmente, estão buscando negócios que associem a beleza à saúde e ao bem-estar. São criados salões que oferecem além de serviços básicos e academias, onde modelar o corpo não é o único objetivo”, comenta Alice, reforçando que atividades ligadas ao comércio e à indústria também têm obtido resultados positivos.

Uma boa gestão inclui estratégias de marketing, um fluxo de caixa controlado e muita criatividade e inovação. “Muitas pessoas que procuram o Sebrae já têm negócio próprio, mas informal. E o objetivo delas é conseguir mais garantias para fomentar o negócio. Para empresas que começam do zero, o órgão oferece diversos cursos gratuitos e também assessorias. O novo empresário precisar definir o campo de atuação e ainda quem ele quer atingir. O plano de negócio é muito importante”, afirma Mesquita.

Capacitação

A capacitação dos novos empreendedores pode ser feita presencialmente e também pela internet. Entre as opções estão “Aprenda a Empreender”, “Sou Um Microempreendedor Individual”, “Tenho Uma Microempresa” e “Tenho Uma Empresa de Pequeno Porte”. Os cursos são divididos por perfis e são gratuitos. Confira a lista completa aqui. Para maiores detalhes, o Sebrae possui uma estrutura de atendimento presencial em todo o país, por meio do telefone 0800.570.0800.

Para buscar mais conhecimento, o microempreendedor pode ter acesso ainda ao Centro de Documentação e Informação (CDI), que consiste em uma Biblioteca Especializada que dissemina informações empresariais para o segmento das micro e pequenas empresas, tornando seus negócios mais modernos e competitivos. O CDI é dividido em Serviço de Respostas Técnicas (SRT), Ideias de Negócios, Videoteca e Cine Empreendedor.

Vai abrir um negócio?

ARTE: Tiago Leite