Cearenses criam bengala que ajuda deficientes visuais por meio de SMS


Cearenses criam bengala que ajuda deficientes visuais por meio do smartphone

Equipe criou uma bengala especial, acoplada a um piso tátil, capaz de captar informações e enviá-las ao smartphone em áudio

Por Tribuna do Ceará em Ceará

16 de outubro de 2013 às 17:36

Há 6 anos

Um grupo de cientistas pesquisadores cearenses do IFCE desenvolveu um projeto tecnológico que assegura aos deficientes visuais mais independência em seus deslocamentos nos espaços públicos. A equipe criou uma bengala especial acoplada a um piso tátil, capaz de captar informações e enviá-las ao smartphone em áudio. Desenvolvido há cerca de oito meses, o “Caminho Digital” é um dos oito projetos da instituição a serem expostos na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em Brasília, entre 21 e 27 de outubro.

De acordo com os pesquisadores do Laboratório de Pesquisa Aplicada e Desenvolvimento em Automação – responsável pelo invento -, a bengala dispõe de um sensor para tags digitais a serem instalados sob o piso tátil convencional de acessibilidade. Quando a bengala se aproxima das tags, as informações ali presentes (sobre localização atual, possíveis destinos e outros locais do ambiente) são transformadas em voz, por meio de um sistema de áudio descrição. As informações podem ser ouvidas pelo usuário via smartphone com sistema Android.

A grande vantagem desse novo sistema, segundo o coordenador do laboratório, Anaxágoras Girão, é que o deficiente visual, ao seguir o piso tátil, não só é orientado a prosseguir o caminho sem esbarrar em obstáculos, mas pode ter a liberdade, por exemplo, de rever seu itinerário de forma autônoma, alterando o seu destino, caso ache necessário. “Tem a importância de tornar os locais visíveis para os deficientes, dando a eles autonomia em locais públicos”. Girão destaca que o grupo criou não só a bengala, mas também o sistema web colaborativo descritivo das informações.

Ainda de acordo com o coordenador, os locais públicos são os principais alvos do projeto, tais como aeroportos, centro de eventos e bibliotecas que já são obrigados por lei a implantar sistemas de acessibilidade e mobilidade para deficientes visuais. “Imagina que sou cego, cheguei ao aeroporto e a única forma que tenho de me mover com segurança é com um guia. Com o sistema eu receberia na entrada do aeroporto a bengala digital, podendo ir para qualquer lugar do aeroporto sozinho. Na porta do avião devolveria para a Infraero a bengala”, exemplifica Girão.

Além de unidades governamentais, o projeto tem a intenção de atingir shoppings e locais particulares com grande movimentação de pessoas, assim como deficientes visuais que queiram essa independência. “A tendência é que se o sistema se popularizar o deficiente queira colocar um adaptador em sua bengala”.

Com relação ao custo médio desse sistema, Girão explica que o preço piloto da bengala gira em torno de R$1.500 – e cada ponto de interesse, um valor anual de R$ 150.

Criado em 2007, o laboratório já desenvolveu com sucesso outras inovações, na área de tecnologia, como o mouse Braille, a biblioteca acessível e o projeto Portáctil, ferramentas que dão mais autonomia ao deficiente visual em relação à leitura e à escrita.

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Cearenses criam bengala que ajuda deficientes visuais por meio do smartphone

Equipe criou uma bengala especial, acoplada a um piso tátil, capaz de captar informações e enviá-las ao smartphone em áudio

Por Tribuna do Ceará em Ceará

16 de outubro de 2013 às 17:36

Há 6 anos

Um grupo de cientistas pesquisadores cearenses do IFCE desenvolveu um projeto tecnológico que assegura aos deficientes visuais mais independência em seus deslocamentos nos espaços públicos. A equipe criou uma bengala especial acoplada a um piso tátil, capaz de captar informações e enviá-las ao smartphone em áudio. Desenvolvido há cerca de oito meses, o “Caminho Digital” é um dos oito projetos da instituição a serem expostos na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em Brasília, entre 21 e 27 de outubro.

De acordo com os pesquisadores do Laboratório de Pesquisa Aplicada e Desenvolvimento em Automação – responsável pelo invento -, a bengala dispõe de um sensor para tags digitais a serem instalados sob o piso tátil convencional de acessibilidade. Quando a bengala se aproxima das tags, as informações ali presentes (sobre localização atual, possíveis destinos e outros locais do ambiente) são transformadas em voz, por meio de um sistema de áudio descrição. As informações podem ser ouvidas pelo usuário via smartphone com sistema Android.

A grande vantagem desse novo sistema, segundo o coordenador do laboratório, Anaxágoras Girão, é que o deficiente visual, ao seguir o piso tátil, não só é orientado a prosseguir o caminho sem esbarrar em obstáculos, mas pode ter a liberdade, por exemplo, de rever seu itinerário de forma autônoma, alterando o seu destino, caso ache necessário. “Tem a importância de tornar os locais visíveis para os deficientes, dando a eles autonomia em locais públicos”. Girão destaca que o grupo criou não só a bengala, mas também o sistema web colaborativo descritivo das informações.

Ainda de acordo com o coordenador, os locais públicos são os principais alvos do projeto, tais como aeroportos, centro de eventos e bibliotecas que já são obrigados por lei a implantar sistemas de acessibilidade e mobilidade para deficientes visuais. “Imagina que sou cego, cheguei ao aeroporto e a única forma que tenho de me mover com segurança é com um guia. Com o sistema eu receberia na entrada do aeroporto a bengala digital, podendo ir para qualquer lugar do aeroporto sozinho. Na porta do avião devolveria para a Infraero a bengala”, exemplifica Girão.

Além de unidades governamentais, o projeto tem a intenção de atingir shoppings e locais particulares com grande movimentação de pessoas, assim como deficientes visuais que queiram essa independência. “A tendência é que se o sistema se popularizar o deficiente queira colocar um adaptador em sua bengala”.

Com relação ao custo médio desse sistema, Girão explica que o preço piloto da bengala gira em torno de R$1.500 – e cada ponto de interesse, um valor anual de R$ 150.

Criado em 2007, o laboratório já desenvolveu com sucesso outras inovações, na área de tecnologia, como o mouse Braille, a biblioteca acessível e o projeto Portáctil, ferramentas que dão mais autonomia ao deficiente visual em relação à leitura e à escrita.