Pentecoste faz a festa com artilharia de Ederson na Série A


Pentecoste faz a festa com artilharia de Ederson na Série A

Rua onde mora a família do cearense Ederson chegou a reunir 250 pessoas na torcida pelo jogador do Atlético-PR, que marcou 21 gols na Série A de 2013

Por Rafael Luis Azevedo em Perfil

12 de dezembro de 2013 às 15:36

Há 6 anos
Pentecoste-Ederson-Pais

Pais de Ederson moram em Pentecoste, onde o jogador nasceu. A festa de recepção ainda não tem data, mas será antes do Natal (Foto: Rafael Luis Azevedo)

Em Pentecoste, como é comum no interior do Nordeste, não é difícil encontrar camisas de futebol rubro-negras. Mas na cidade cearense, localizada a 90 km de Fortaleza, não é mais o Flamengo que domina. Em 2013, o município abraçou o Atlético-PR, time do filho ilustre local, o atacante Ederson.

A artilharia da Série A do Campeonato Brasileiro de 2013, feito inédito para um jogador cearense, encheu de orgulho a cidade de 35 mil habitantes. Sobretudo nas últimas partidas, a rua onde nasceu o garoto encheu de familiares e amigos na torcida. Um fuzuê só visto em tempo de Copa do Mundo.

“A gente coloca um telão na rua. Contra o Grêmio, na semifinal da Copa do Brasil, vieram 250 pessoas. Foi preciso fechar a rua”, vibra o pai do jogador, Valdemir Rosa da Silva, o Marinho, de 45 anos. “Tem tanta gente comprando antena de TV a cabo que estou pensando em cobrar comissão”, brinca.

Graças a essa empolgação, as camisas rubro-negras com número 77 e nome de Ederson viraram uma espécie de uniforme local. “A cada jogo em que ele não troca a camisa, são duas que manda pra cá. A família é muito grande”, relata o pai, ex-lateral do Uruburetama e de várias seleções municipais.

Pentecoste na torcida por Ederson (3)
Pentecoste na torcida por Ederson (4)
Pentecoste na torcida por Ederson (2)
Pentecoste na torcida por Ederson (1)

 

Descoberta do talento

Marinho foi o grande incentivador da carreira de Ederson. Desde cedo levava o garoto aos seus jogos pelo interior. Com isso, os primeiros gols do artilheiro foram feitos na escolinha do Cruzeirinho e depois no time amador do bairro, o Pedreira. Seu destino mudou radicalmente em 2004, após um encontro casual.

Numa pelada de domingo, Ederson impressionou Erasmo, ex-jogador do Ceará. Na terça-feira, Ederson já fazia teste no clube, aos 14 anos. Bastou tocar na bola duas vezes. Na quarta-feira, o vínculo com o Vovô estava assinado. E, no sábado, ele estreava no Estadual Sub-16, com cinco gols pelo time.

A passagem pelas categorias de base do Ceará foi um furacão, tal qual o apelido do Atlético-PR. Foram 97 gols antes de se tornar profissional. Tanta expectativa, porém, não foi correspondida. “Falam que o Ceará não deu chance ao Ederson. Na verdade, a bola dele não entrou mesmo”, constata Marinho.

Por isso, para o pai, não foi surpresa o que aconteceria quando partiu para outros clubes. Muitos gols no ABC, e muitos outros no Atlético-PR. A boa fase culminou com a artilharia da Série A, com 21 gols, à frente de jogadores selecionáveis como Fred, Jô, Leandro Damião e Alexandre Pato.

> LEIA MAIS

Pentecoste-Ederson-Tia-Gracinha

Professora de Ederson na 4ª série, Maria das Graças Almeida, a Tia Gracinha, garante: o atacante era bom aluno, mas gostava mesmo era de jogar bola no horário do recreio (Foto: Rafael Luis Azevedo)

 

Pai de Ederson faz uma surpresa na primeira escola do filho, em Pentecoste:

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/14787915″]

Dramas pessoais

Esta foi a primeira Série A de Ederson, de 24 anos. Ele entrou para a galeria de artilheiros do Brasileirão ainda jovem, mas para os padrões atuais do futebol até que demorou para deixar o anonimato. Motivos para isso foram dois dramas pessoais. Uma séria lesão no joelho e a morte do primeiro filho.

Aos 18 anos, quando já havia se transferido para o Atlético-PR, o jogador foi emprestado ao Ceará para a disputa da Série B de 2007. No retorno, teve o rompimento completo do ligamento cruzado anterior de um dos joelhos. Foram seis meses no estaleiro. Mesmo assim, o sofrimento foi pouco diante do que viria.

Em 2010, Ederson foi novamente emprestado pelo Atlético-PR, agora para o ABC. Em Natal, conheceu a esposa Deise. Com oito meses de gestação, o casal descobriu que seu bebê havia morrido com o cordão umbilical enrolado no pescoço. “Fui às pressas ficar com eles”, relembra a mãe, Eliane Alves Ribeiro Silva, de 43 anos.

O nome do garoto seria Heitor. A perda dele foi em parte superada com a chegada de Esther, em 2012. Apegado à religião, Ederson carrega uma tatuagem com o nome de ambos. “Os torcedores muitas vezes não lembram que o jogador é gente, com problemas como todo mundo”, entristece Marinho.

Infancia de Ederson em Pentecoste (1)
Infancia de Ederson em Pentecoste (4)
Infancia de Ederson em Pentecoste (2)
Infancia de Ederson em Pentecoste (3)

Para aonde o jogador vai?

Agora famoso, Ederson colhe frutos. Graças à artilharia do Brasileirão, já existem propostas de transferência do Oriente Médio, Rússia, Portugal e Inglaterra. “Se ele for para o exterior, a gente vai junto”, avisa Marinho, que trabalha como vigia noturno do estádio de Pentecoste, onde vive com a esposa e os outros dois filhos.

Para manter-se em evidência, Ederson precisará superar um desafio ainda maior do que ser artilheiro: a introspecção. O jogador nunca foi afeito a holofotes – tanto que, até hoje, os fortalezenses pronunciam seu nome de forma errada. O “E” mais forte é o primeiro, e não o segundo, salientam os pais.

“Nas categorias de base, o apelido dele era ‘Caladinho’. Ele costuma dizer que é pago pra fazer gol, e não dar entrevista em rádio”, confidencia Marinho. Talvez por isso, mesmo após fazer gols em goleiros consagrados como Rogério Ceni, Jefferson e Diego Cavalieri, o jogador ainda desperta desconfiança.

Exemplo disso, resgata o pai, aconteceu no dia em que marcou um gol de voleio contra o Flamengo. Em Pentecoste, esperava-se que esse fosse o assunto do dia seguinte. Ao invés disso, acabou sendo um gol de pênalti de Pato. “Ainda há muito preconceito com nordestino e com cearense”, reclama a mãe.

Pentecoste-Ederson-Marinho

Marinho, pai de Ederson, trabalha como vigia noturno do estádio de Pentecoste (Foto: Rafael Luis Azevedo)

 

Aqui vai sua música!

Na rodada final do Brasileirão, no domingo passado (10), quando classificou o Atlético-PR para a Libertadores e rebaixou o Vasco, Ederson comemorou o terceiro gol fazendo o sinal de microfone. Era uma referência ao Fantástico, que dá direito a pedir música a quem marca três gols no domingo.

Para desgosto da família, a regra foi quebrada sob a justificativa do programa de que não havia “clima” após a pancadaria entre torcedores. “Queria ver se fosse com o Pato…”, ironiza Marinho. A música seria “O Novo Vencedor”, sucesso gospel de Damares. Não seja por isso, Ederson… Aqui vai a música pra você!

Clipe da música O Novo Vencedor, que Ederson gostaria de ouvir:

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/14787923″]

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Pentecoste faz a festa com artilharia de Ederson na Série A

Rua onde mora a família do cearense Ederson chegou a reunir 250 pessoas na torcida pelo jogador do Atlético-PR, que marcou 21 gols na Série A de 2013

Por Rafael Luis Azevedo em Perfil

12 de dezembro de 2013 às 15:36

Há 6 anos
Pentecoste-Ederson-Pais

Pais de Ederson moram em Pentecoste, onde o jogador nasceu. A festa de recepção ainda não tem data, mas será antes do Natal (Foto: Rafael Luis Azevedo)

Em Pentecoste, como é comum no interior do Nordeste, não é difícil encontrar camisas de futebol rubro-negras. Mas na cidade cearense, localizada a 90 km de Fortaleza, não é mais o Flamengo que domina. Em 2013, o município abraçou o Atlético-PR, time do filho ilustre local, o atacante Ederson.

A artilharia da Série A do Campeonato Brasileiro de 2013, feito inédito para um jogador cearense, encheu de orgulho a cidade de 35 mil habitantes. Sobretudo nas últimas partidas, a rua onde nasceu o garoto encheu de familiares e amigos na torcida. Um fuzuê só visto em tempo de Copa do Mundo.

“A gente coloca um telão na rua. Contra o Grêmio, na semifinal da Copa do Brasil, vieram 250 pessoas. Foi preciso fechar a rua”, vibra o pai do jogador, Valdemir Rosa da Silva, o Marinho, de 45 anos. “Tem tanta gente comprando antena de TV a cabo que estou pensando em cobrar comissão”, brinca.

Graças a essa empolgação, as camisas rubro-negras com número 77 e nome de Ederson viraram uma espécie de uniforme local. “A cada jogo em que ele não troca a camisa, são duas que manda pra cá. A família é muito grande”, relata o pai, ex-lateral do Uruburetama e de várias seleções municipais.

Pentecoste na torcida por Ederson (3)
Pentecoste na torcida por Ederson (4)
Pentecoste na torcida por Ederson (2)
Pentecoste na torcida por Ederson (1)

 

Descoberta do talento

Marinho foi o grande incentivador da carreira de Ederson. Desde cedo levava o garoto aos seus jogos pelo interior. Com isso, os primeiros gols do artilheiro foram feitos na escolinha do Cruzeirinho e depois no time amador do bairro, o Pedreira. Seu destino mudou radicalmente em 2004, após um encontro casual.

Numa pelada de domingo, Ederson impressionou Erasmo, ex-jogador do Ceará. Na terça-feira, Ederson já fazia teste no clube, aos 14 anos. Bastou tocar na bola duas vezes. Na quarta-feira, o vínculo com o Vovô estava assinado. E, no sábado, ele estreava no Estadual Sub-16, com cinco gols pelo time.

A passagem pelas categorias de base do Ceará foi um furacão, tal qual o apelido do Atlético-PR. Foram 97 gols antes de se tornar profissional. Tanta expectativa, porém, não foi correspondida. “Falam que o Ceará não deu chance ao Ederson. Na verdade, a bola dele não entrou mesmo”, constata Marinho.

Por isso, para o pai, não foi surpresa o que aconteceria quando partiu para outros clubes. Muitos gols no ABC, e muitos outros no Atlético-PR. A boa fase culminou com a artilharia da Série A, com 21 gols, à frente de jogadores selecionáveis como Fred, Jô, Leandro Damião e Alexandre Pato.

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Pentecoste-Ederson-Tia-Gracinha

Professora de Ederson na 4ª série, Maria das Graças Almeida, a Tia Gracinha, garante: o atacante era bom aluno, mas gostava mesmo era de jogar bola no horário do recreio (Foto: Rafael Luis Azevedo)

 

Pai de Ederson faz uma surpresa na primeira escola do filho, em Pentecoste:

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/14787915″]

Dramas pessoais

Esta foi a primeira Série A de Ederson, de 24 anos. Ele entrou para a galeria de artilheiros do Brasileirão ainda jovem, mas para os padrões atuais do futebol até que demorou para deixar o anonimato. Motivos para isso foram dois dramas pessoais. Uma séria lesão no joelho e a morte do primeiro filho.

Aos 18 anos, quando já havia se transferido para o Atlético-PR, o jogador foi emprestado ao Ceará para a disputa da Série B de 2007. No retorno, teve o rompimento completo do ligamento cruzado anterior de um dos joelhos. Foram seis meses no estaleiro. Mesmo assim, o sofrimento foi pouco diante do que viria.

Em 2010, Ederson foi novamente emprestado pelo Atlético-PR, agora para o ABC. Em Natal, conheceu a esposa Deise. Com oito meses de gestação, o casal descobriu que seu bebê havia morrido com o cordão umbilical enrolado no pescoço. “Fui às pressas ficar com eles”, relembra a mãe, Eliane Alves Ribeiro Silva, de 43 anos.

O nome do garoto seria Heitor. A perda dele foi em parte superada com a chegada de Esther, em 2012. Apegado à religião, Ederson carrega uma tatuagem com o nome de ambos. “Os torcedores muitas vezes não lembram que o jogador é gente, com problemas como todo mundo”, entristece Marinho.

Infancia de Ederson em Pentecoste (1)
Infancia de Ederson em Pentecoste (4)
Infancia de Ederson em Pentecoste (2)
Infancia de Ederson em Pentecoste (3)

Para aonde o jogador vai?

Agora famoso, Ederson colhe frutos. Graças à artilharia do Brasileirão, já existem propostas de transferência do Oriente Médio, Rússia, Portugal e Inglaterra. “Se ele for para o exterior, a gente vai junto”, avisa Marinho, que trabalha como vigia noturno do estádio de Pentecoste, onde vive com a esposa e os outros dois filhos.

Para manter-se em evidência, Ederson precisará superar um desafio ainda maior do que ser artilheiro: a introspecção. O jogador nunca foi afeito a holofotes – tanto que, até hoje, os fortalezenses pronunciam seu nome de forma errada. O “E” mais forte é o primeiro, e não o segundo, salientam os pais.

“Nas categorias de base, o apelido dele era ‘Caladinho’. Ele costuma dizer que é pago pra fazer gol, e não dar entrevista em rádio”, confidencia Marinho. Talvez por isso, mesmo após fazer gols em goleiros consagrados como Rogério Ceni, Jefferson e Diego Cavalieri, o jogador ainda desperta desconfiança.

Exemplo disso, resgata o pai, aconteceu no dia em que marcou um gol de voleio contra o Flamengo. Em Pentecoste, esperava-se que esse fosse o assunto do dia seguinte. Ao invés disso, acabou sendo um gol de pênalti de Pato. “Ainda há muito preconceito com nordestino e com cearense”, reclama a mãe.

Pentecoste-Ederson-Marinho

Marinho, pai de Ederson, trabalha como vigia noturno do estádio de Pentecoste (Foto: Rafael Luis Azevedo)

 

Aqui vai sua música!

Na rodada final do Brasileirão, no domingo passado (10), quando classificou o Atlético-PR para a Libertadores e rebaixou o Vasco, Ederson comemorou o terceiro gol fazendo o sinal de microfone. Era uma referência ao Fantástico, que dá direito a pedir música a quem marca três gols no domingo.

Para desgosto da família, a regra foi quebrada sob a justificativa do programa de que não havia “clima” após a pancadaria entre torcedores. “Queria ver se fosse com o Pato…”, ironiza Marinho. A música seria “O Novo Vencedor”, sucesso gospel de Damares. Não seja por isso, Ederson… Aqui vai a música pra você!

Clipe da música O Novo Vencedor, que Ederson gostaria de ouvir:

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