De finalista da Copa do Brasil a segunda divisão cearense: por onde anda Valdir Papel?


De finalista da Copa do Brasil a 2ª divisão cearense: por onde anda Valdir Papel?

Após empurrão de Renato Gaúcho, o atacante relata como está sendo sua carreira, agora no time cearense do Uniclinic, ainda longe da aposentadoria

Por Lucas Matos em Perfil

11 de março de 2015 às 07:00

Há 4 anos
Valdir Papel é um dos jogadores mais experientes da segundona cearense (Foto: Divulgação)

Valdir Papel é um dos jogadores mais experientes da segundona cearense (Foto: Divulgação)

 

Todo jogador de futebol sempre tem alguma história interessante para contar. E o atacante Waldirgly Bezerra Lima não escapa dessas grandes histórias.

Talvez você não conheça o Waldirgly, mas deve lembrar do famoso empurrão que o então técnico Renato Gaúcho deu no camisa 7 do Vasco durante a final da Copa do Brasil 2006 contra o Flamengo. Mais conhecido como Valdir Papel, o atacante jogou na equipe cruzmaltina vice-campeão daquele torneio.

Papel tem 35 anos e começou sua carreira no Calouros do Ar (CE), em 1999, jogando com Marquinhos Capivara. Depois do pontapé inicial, o jogador passou por outros clubes cearenses, como Guarany de Sobral, Uniclinic e Ceará. Marcou história com o então diretor do clube, Clóvis Dias, que o levou para o Maranhão jogar no Americano.

Passando mais de 10 anos fora do estado natal, rodou por diversos times, entre eles Guarani/SP, Sport/PE, Vitória/BA e Vasco da Gama.

Ainda no futebol maranhense, quando encarou a primeira divisão, e ainda recém saído da segundona alencarina, Papel teve que se adaptar rapidamente ao clima daquela região, além do nível futebolístico. Não teve problema, pois, em breve, jogaria ainda mais distante, na região norte do Brasil, no Amazonas, pelo Nacional.

Em 2003, foi a Pernambuco, e contratado pelo Sport teve grandes oportunidades nos clássicos, contra Santa Cruz e Náutico.

“Participar do ‘Clássico das Multidões’ e do ‘Clássico das Cores’ foi gratificante. Creio que marquei história no rubro-negro, porque fiz 34 gols em um ano e quatro meses. Ali em Recife foi onde eu apareci no cenário nacional”, avalia.

Valdir Papel e seus gols pelo ABC/RN (Foto: Reprodução/Facebook)

Valdir Papel e seus gols pelo ABC/RN (Foto: Reprodução/Facebook)

No outro ano, Valdir se transferiu para o Guarani de Campinas, já com dificuldades financeiras. Não deixou se levar pelos problemas do clube. Só pensava em se destacar pelo Bugre, e, com isso, conseguiu jogar um das partidas mais difíceis do futebol paulista – o “Derby” campineiro.

– Lá é coisa de louco. A semana toda, todos respiram e esperam esse jogo. Tudo para, comércio fecha. A rivalidade é muito grande. Ainda bem que deixei um gol lá.

Contudo, a cidade de Campinas não foi capaz de segurar Papel no futebol nacional, transferindo-se no fim de 2004 para o Dorados (MEX). Lá, encontrou seu amigo Iarley, com quem, segundo o próprio jogador, “teve a honra de tê-lo como companheiro de equipe”.

– Quando encontrei o Iarley, fiquei mais calmo. Ele chegou antes de mim, já estava ambientado ao país, e fez com que eu me adaptasse o mais rápido possível

Experiência internacional

Jogar na América Central foi um salto na experiência de Valdir, principalmente em um futebol com muita mescla, entre brasileiros, mexicanos, argentinos, entre outras nacionalidades.

Ex-camisa 7 foi empurrado por Renato Gaúcho na final da Copa do Brasil (Foto: Divulgação)

Ex-camisa 7 foi empurrado por Renato Gaúcho na final da Copa do Brasil (Foto: Divulgação)

Vasco da Gama

Após uma temporada no México, Valdir Papel volta ao Brasil, agora, no Vasco. Contratado pelo então presidente Eurico Miranda, o atacante viveu seu momento marcante no futebol, mesmo tendo uma dificuldade.

No Maracanã, em 2006, 45.459 torcedores viram a final da Copa do Brasil entre Flamengo x Vasco. Na primeira partida, o rubro-negro carioca venceu por 2 a 0, obrigando o Gigante da Colina a vencer o segundo jogo.

Expulsão e empurrão

Aos três minutos do primeiro tempo, o Vasco perde a bola no campo ofensivo, o zagueiro Rodrigo Arroz tenta puxar o contra-ataque, sendo interceptado pelo camisa 7 vascaíno, que recebeu o primeiro cartão amarelo da partida. Logo depois, em uma jogada pela esquerda, aos 14, Toró vira o jogo, achando o lateral-direito Leo Moura, e, no instante do domínio da bola, Papel, de carrinho, atinge o camisa 2 do grupo comandado pelo então treinador Ney Franco. Carlos Eugênio Simon era o árbitro da final, e não deu outra, o jogador levou o segundo amarelo e foi expulso.

Durante sua saída do gramado, o técnico Renato Gaúcho deu um empurrão no atacante. Segundo o atleta, aquela atitude do “comandante” ensinou muito. “Tive uma pequena passagem lá, foi muito rápida. Todos lembram daquele episódio em que fui expulso, mas foi ali que me serviu de experiência pra minha carreira. O gramado estava molhado, tenho consciência de que não foi por querer, não foi uma jogada pensada”, afirmou.

Ao chegar no vestiário, houve uma conversa entre os dois, além de ter uma reapresentação normal.

– Acho engraçado quando falam que teve confusão. Dizem que eu saí no tapa com o Renato. Não houve nada disso, ele conversou comigo, tentou me explicar o porque da empurrada. No dia seguinte, até o Eurico Miranda me apoiou.

Resenha vascaína

Aquele elenco tinha Edilson e Ramon como os protagonistas. O ‘capetinha’ era mais animado, enquanto Ramon era centrado e quieto. Ainda de acordo com Valdir Papel, Edilson chegava com cd’s de axé music, saía distribuindo pra todo mundo, sempre brincava muito. O ambiente era animado por conta dele.

Volta ao Guarany de Sobral

Em 2010, a volta do Bugre sobralense foi uma ideia de Luizinho Torquato, com o aval de seu pai, Luiz Torquato, à época, presidente do Guarany de Sobral.

Chegou até a final daquele ano, com um time em que tinha nomes como Garrinchinha, Jhony, Clodoaldo, Jeferson, e de técnico, Neto Maradona, mas perdeu para o Fortaleza nos penaltis. O time de Papel chegou a abrir 4 a 1, porém, cedeu o empate.

Gol perdido e confusão

Entre as chances que o Cacique do Vale teve naquela partida, o camisa 11 entrou de cara com o goleiro Fabiano, contudo, não conseguiu fazer o gol.

“Tentei encobrir o Fabiano e, infelizmente, não conseguir fazer. Não tiro a minha culpa daquele jogo, a gente estava ganhando e não conseguimos segurar o resultado”, disse.

Na época, uma possível discussão com Luiz Torquato teria sido o motivo da rescisão de contrato do jogador. Para Papel, nada disso existiu. “Não tive nenhuma briga com Luizinho. Eu cheguei a procurá-lo, logo quando tive uma proposta do Mato Grosso, porque justamente eu queria jogar aquela final”.

Uniclinic

Voltar à casa [Estádio Antônio Cruz] onde não pisava desde 2001. Atualmente na segunda divisão do Campeonato Cearense, o jogador tem a árdua tarefa de conduzir a Águia da Precabura à primeirona do estadual alencarino.

O começo não foi como pensado, empatando contra o América. Mas Papel mantém viva a chama do acesso. “O resultado foi ruim, porém, foi bom pra gente saber que não podemos entrar de salto alto, ainda mais porque temos Ferroviário e Tiradentes”.

Luverdense
1/3

Luverdense

Em 2012, Papel foi um dos destaque do Campeonato Mato-Grossense (Foto: Divulgação)

Futebol mato-grossensse
2/3

Futebol mato-grossensse

Atacante vestindo a camisa do União Rondonópolis, em 2013 (Foto: Divulgação)

México
3/3

México

Iarley e Papel fizeram dupla no Dorados, do México (Foto: Reprodução/Facebook)

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De finalista da Copa do Brasil a 2ª divisão cearense: por onde anda Valdir Papel?

Após empurrão de Renato Gaúcho, o atacante relata como está sendo sua carreira, agora no time cearense do Uniclinic, ainda longe da aposentadoria

Por Lucas Matos em Perfil

11 de março de 2015 às 07:00

Há 4 anos
Valdir Papel é um dos jogadores mais experientes da segundona cearense (Foto: Divulgação)

Valdir Papel é um dos jogadores mais experientes da segundona cearense (Foto: Divulgação)

 

Todo jogador de futebol sempre tem alguma história interessante para contar. E o atacante Waldirgly Bezerra Lima não escapa dessas grandes histórias.

Talvez você não conheça o Waldirgly, mas deve lembrar do famoso empurrão que o então técnico Renato Gaúcho deu no camisa 7 do Vasco durante a final da Copa do Brasil 2006 contra o Flamengo. Mais conhecido como Valdir Papel, o atacante jogou na equipe cruzmaltina vice-campeão daquele torneio.

Papel tem 35 anos e começou sua carreira no Calouros do Ar (CE), em 1999, jogando com Marquinhos Capivara. Depois do pontapé inicial, o jogador passou por outros clubes cearenses, como Guarany de Sobral, Uniclinic e Ceará. Marcou história com o então diretor do clube, Clóvis Dias, que o levou para o Maranhão jogar no Americano.

Passando mais de 10 anos fora do estado natal, rodou por diversos times, entre eles Guarani/SP, Sport/PE, Vitória/BA e Vasco da Gama.

Ainda no futebol maranhense, quando encarou a primeira divisão, e ainda recém saído da segundona alencarina, Papel teve que se adaptar rapidamente ao clima daquela região, além do nível futebolístico. Não teve problema, pois, em breve, jogaria ainda mais distante, na região norte do Brasil, no Amazonas, pelo Nacional.

Em 2003, foi a Pernambuco, e contratado pelo Sport teve grandes oportunidades nos clássicos, contra Santa Cruz e Náutico.

“Participar do ‘Clássico das Multidões’ e do ‘Clássico das Cores’ foi gratificante. Creio que marquei história no rubro-negro, porque fiz 34 gols em um ano e quatro meses. Ali em Recife foi onde eu apareci no cenário nacional”, avalia.

Valdir Papel e seus gols pelo ABC/RN (Foto: Reprodução/Facebook)

Valdir Papel e seus gols pelo ABC/RN (Foto: Reprodução/Facebook)

No outro ano, Valdir se transferiu para o Guarani de Campinas, já com dificuldades financeiras. Não deixou se levar pelos problemas do clube. Só pensava em se destacar pelo Bugre, e, com isso, conseguiu jogar um das partidas mais difíceis do futebol paulista – o “Derby” campineiro.

– Lá é coisa de louco. A semana toda, todos respiram e esperam esse jogo. Tudo para, comércio fecha. A rivalidade é muito grande. Ainda bem que deixei um gol lá.

Contudo, a cidade de Campinas não foi capaz de segurar Papel no futebol nacional, transferindo-se no fim de 2004 para o Dorados (MEX). Lá, encontrou seu amigo Iarley, com quem, segundo o próprio jogador, “teve a honra de tê-lo como companheiro de equipe”.

– Quando encontrei o Iarley, fiquei mais calmo. Ele chegou antes de mim, já estava ambientado ao país, e fez com que eu me adaptasse o mais rápido possível

Experiência internacional

Jogar na América Central foi um salto na experiência de Valdir, principalmente em um futebol com muita mescla, entre brasileiros, mexicanos, argentinos, entre outras nacionalidades.

Ex-camisa 7 foi empurrado por Renato Gaúcho na final da Copa do Brasil (Foto: Divulgação)

Ex-camisa 7 foi empurrado por Renato Gaúcho na final da Copa do Brasil (Foto: Divulgação)

Vasco da Gama

Após uma temporada no México, Valdir Papel volta ao Brasil, agora, no Vasco. Contratado pelo então presidente Eurico Miranda, o atacante viveu seu momento marcante no futebol, mesmo tendo uma dificuldade.

No Maracanã, em 2006, 45.459 torcedores viram a final da Copa do Brasil entre Flamengo x Vasco. Na primeira partida, o rubro-negro carioca venceu por 2 a 0, obrigando o Gigante da Colina a vencer o segundo jogo.

Expulsão e empurrão

Aos três minutos do primeiro tempo, o Vasco perde a bola no campo ofensivo, o zagueiro Rodrigo Arroz tenta puxar o contra-ataque, sendo interceptado pelo camisa 7 vascaíno, que recebeu o primeiro cartão amarelo da partida. Logo depois, em uma jogada pela esquerda, aos 14, Toró vira o jogo, achando o lateral-direito Leo Moura, e, no instante do domínio da bola, Papel, de carrinho, atinge o camisa 2 do grupo comandado pelo então treinador Ney Franco. Carlos Eugênio Simon era o árbitro da final, e não deu outra, o jogador levou o segundo amarelo e foi expulso.

Durante sua saída do gramado, o técnico Renato Gaúcho deu um empurrão no atacante. Segundo o atleta, aquela atitude do “comandante” ensinou muito. “Tive uma pequena passagem lá, foi muito rápida. Todos lembram daquele episódio em que fui expulso, mas foi ali que me serviu de experiência pra minha carreira. O gramado estava molhado, tenho consciência de que não foi por querer, não foi uma jogada pensada”, afirmou.

Ao chegar no vestiário, houve uma conversa entre os dois, além de ter uma reapresentação normal.

– Acho engraçado quando falam que teve confusão. Dizem que eu saí no tapa com o Renato. Não houve nada disso, ele conversou comigo, tentou me explicar o porque da empurrada. No dia seguinte, até o Eurico Miranda me apoiou.

Resenha vascaína

Aquele elenco tinha Edilson e Ramon como os protagonistas. O ‘capetinha’ era mais animado, enquanto Ramon era centrado e quieto. Ainda de acordo com Valdir Papel, Edilson chegava com cd’s de axé music, saía distribuindo pra todo mundo, sempre brincava muito. O ambiente era animado por conta dele.

Volta ao Guarany de Sobral

Em 2010, a volta do Bugre sobralense foi uma ideia de Luizinho Torquato, com o aval de seu pai, Luiz Torquato, à época, presidente do Guarany de Sobral.

Chegou até a final daquele ano, com um time em que tinha nomes como Garrinchinha, Jhony, Clodoaldo, Jeferson, e de técnico, Neto Maradona, mas perdeu para o Fortaleza nos penaltis. O time de Papel chegou a abrir 4 a 1, porém, cedeu o empate.

Gol perdido e confusão

Entre as chances que o Cacique do Vale teve naquela partida, o camisa 11 entrou de cara com o goleiro Fabiano, contudo, não conseguiu fazer o gol.

“Tentei encobrir o Fabiano e, infelizmente, não conseguir fazer. Não tiro a minha culpa daquele jogo, a gente estava ganhando e não conseguimos segurar o resultado”, disse.

Na época, uma possível discussão com Luiz Torquato teria sido o motivo da rescisão de contrato do jogador. Para Papel, nada disso existiu. “Não tive nenhuma briga com Luizinho. Eu cheguei a procurá-lo, logo quando tive uma proposta do Mato Grosso, porque justamente eu queria jogar aquela final”.

Uniclinic

Voltar à casa [Estádio Antônio Cruz] onde não pisava desde 2001. Atualmente na segunda divisão do Campeonato Cearense, o jogador tem a árdua tarefa de conduzir a Águia da Precabura à primeirona do estadual alencarino.

O começo não foi como pensado, empatando contra o América. Mas Papel mantém viva a chama do acesso. “O resultado foi ruim, porém, foi bom pra gente saber que não podemos entrar de salto alto, ainda mais porque temos Ferroviário e Tiradentes”.

Luverdense
1/3

Luverdense

Em 2012, Papel foi um dos destaque do Campeonato Mato-Grossense (Foto: Divulgação)

Futebol mato-grossensse
2/3

Futebol mato-grossensse

Atacante vestindo a camisa do União Rondonópolis, em 2013 (Foto: Divulgação)

México
3/3

México

Iarley e Papel fizeram dupla no Dorados, do México (Foto: Reprodução/Facebook)